quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Tchau 2008 !

Foi-se mais um ano excelente em todos os aspectos. Para não passar a vazio, o pedal de hoje foi curto mas intenso, 30 Km de volta ao morro da cruz em 1h10min. Transito nulo até chegar no trapiche, onde o reveillon está sendo preparado. Já tinha gente acampada lá as 19 horas.

Não tem mais jeito, não vou mais treinar este ano, esperando que estou pelas planilhas na semana que vem e a intensa preparação que me aguarda para o Ironman. Não sei muito bem no que me meti, mas sei claramente a razão: é um desafio inédito e no qual não tenho certeza de terminar: a curiosidade em saber se consigo e todo o trabalho para cruzar a linha de chegada são motivações que me bastam.

Que venha 2009, porque 2008 já está no retrovisor. Agora vamos à bebelança de fim de ano !!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Acabaram as vagas para o Ironman 2009


Não sei se fico apavorado ou tranquilo por ter conseguido a minha há 10 dias :-)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Começando pelo fim, loucura de final de ano

Algum tempo já pensando a respeito. Também fazia questão de arrumar alguma meta nova, desafiadora de verdade, depois das excelentes provas e resultados deste ano.

Só que a coisa estava engavetada, meio no limbo já desde setembro. Com a coincidência de encontrar o povo certo num pedal na beira mar e uns papos a mais a decisão foi se formatando. Agora não tem volta, ou melhor, falta toda a ida, porquê já comecei pelo fim e me inscrevi no Ironman Brasil 2009.

Com uma fantástica experiência de triatlhon de duas provas há 18 anos, vamos ver no que vai dar. O treino vai ser forte, não há dúvidas, mas antes preocupo-me em achar uma speed e arranjar tempo para todo aquele treino já a partir do ano novo. Tá feito, acabei de me inscrever e pagar a primeira parcela da in$crição. Em breve, novidades.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Imensidão azul

Na natação de hoje, surpresa: piscina vazia. O pessoal estava terminando um joguinho de pólo (no qual me meti terça) e logo não tinha mais nenhum vivente lá. Caí nágua pra 4 trechos de 400 metros, totalizando 1600 em 34 minutos de solidão aquático-azulada, só eu, os pensamentos e os azulejos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Fotos do XTerra

Fotos da participação da AndarIlha no XTerra Night Run Floripa 2008

Reunião da equipe

Eu terminando a prova

Já chegados

Campeã Fabiana

Campeã Tatiana

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

XTerra Floripa - Resultados

Nos saímos muito bem: 24 e 26 no geral masculino dentre 238 corredores, 6 e 7 na categoria 35 a 39 anos, dentre 34 atletas. As meninas dispensam comentários, 4 e 5 geral e primeironas na categoria.

Show, AndarIlha !

Detalhes aqui, aqui e aqui.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Tamanho não é documento - Nissan XTerra 8 Km Night Run

Confesso que só me inscrevi porque Jacó, o infrequente, se inscreveu primeiro. Não dei muita bola para uma corridinha de míseros 8 Km no início, mas aí a empolgação da turma e o kit legalzinho com um headlamp muito boa me convenceram a ir lá brincar.

Saí de casa já tarde para a largada que aconteceria as 20 horas ou assim que escurecesse. Na beira-mar a luz estava muito boa, dava vontade de parar para fotografar o fim de tarde que há muito não via, mas tive que me contentar com duas fotos de celular no semáforo. Catei o Hélio e o William e rumamos à barra da lagoa para a largada. Lá a Taty já tinha obtido o kit de todos, inclusive o do Jacó, que não sabendo disso foi lá exigir outro na organização.

Encontramos o povo todo, compareceram para correr a Fabi, Jacó, Taty, William e eu. O Anastácio se inscreveu e sumiu. O Hélio foi dar apoio moral e servir de guarda-volumes e fotógrafo oficial. Ficamos lá na aglomeração e naquela energia de pré-corrida, animada a muito som e redbull. Um pouco depois das 20 horas, já quase escurecendo, a largada aconteceu de supetão. Saímos forte na praia de headlamp na testa, primeiro para tentar não pegar engarrafamento no início das trilhas, e segundo para tentar um tempo decente numa corridinha tão curta. Curta sim, fácil não.

Saí acelerado, passei a Taty lá no projeto Tamar e fui esbaforido pras trilhas na florestinha do rio vermelho. Os trechos iniciais eram só raíz atravessada na trilha, torci os tornozelos várias vezes sem maiores danos e tentei seguir junto a um bolo de gente que ia passando um monte de outras gentes.

No primeiro posto de hidratação o Jacó chega do meu lado, até então eu não sabia se ele estava pra frente ou pra trás. Muito legal correr ao lado do grande amigo, o apoiador das primeiras investidas esportivas lá nos idos do século passado. O cara tá correndo muito, trechos até 10 Km acho que são pra ele, que é leve e muito rápido. A lanterna tinha um facho concentrado muito bom, mas era de curto alcance. Estranho correr assim rápido a noite, experiência diferente. Nunca vi tanto staff no percurso, tinha hora que a distância entre eles não devia passar de 100 metros. Uns tentavam ajudar iluminando o caminho, mas acabavam jogando luz nos nossos olhos, um desastre.

Fomos indo passando um monte de gente, o Jacó mostrava toda sua competitividade sussurando (até parece que alguém estava interessado): 'vai, pelo lado, vamos passar mais este aí !'.

Saíamos um de cada lado da vítima da vez, passávamos o cara e davamos uma acelerada para desestimular o dito a contra-atacar. Terminamos um trecho de trilha e pensei que iria para a praia. Não, não iria. Era duninhas o que tínhamos que correr. Nesta hora o polar começou a berrar acima de 183 bpm, cansei e desliguei o bicho. Foi forte pra caramba manter o ritmo naquele terreno, e não acabava. Aí voltou pra trilha, entramos num trecho com fitas de cada lado e muitas árvores no caminho, era um verdadeiro 'slalom' para correr alí, muito legal.

Finalmente praia ! Eu estava com as pernas muito pesadas, já meio podre, mas a areia estava dura. O Jacó passou na frente e foi puxando, aí eu passei novamente. Em certo momento me vi querendo que a corrida acabasse, que a chegada chegasse logo. Aí pensei: 'pára de ser preguiçoso ! são só 8 Km e faltam menos de dois, vai correr seu lerdo !'. Comecei a encurtar a passada e aumentar a frequencia, adiantou porque deixei o Jacó um pouco pra trás. Atitudo mental é tudo. Na praia 3 caras nos passaram, um deles o Ramiro.

Apertei o passo o que consegui para chegar bem, prova é sempre assim: nunca consigo não forçar o máximo. Já no funil de chegada o povo gritou 'vai, passa', mas não tinha ninguém na minha frente. Era o Jacó que vinha babando no meu encalço, resultando numa chegada sincronizada, acho que deu empate ou a diferença foi de apenas 'um pescoço', hehehe.

Lá vimos que a primeira do feminino tinha acabado de chegar, logo a segunda e a terceira, aí uns 30 seg. depois vem a Taty, seguida pela Fabiana. Andarilha detonando novamente.

Fomos lá no Hélio que estava a fotografar na entrada da chegada para esperar o William e ficamos curtindo o final da prova. Lá bem ao longe no meio do moçambique uma minhoca de luzes brancas mostrava o tanto de gente que ainda estava correndo, imagem impressionante.

Como premiava até terceiro geral, nossas campeãs o foram na sua respectiva categoria, dois primeirões pra AndarIlha. A Fabi protagonizou uma cena hilária ao não acreditar que era a primeira, no que desceu do pódio para então voltar convencida e feliz com a vitória. Foi subir correndo e quase se espatifou com a cara no ponto mais alto.

A prova foi curta, mas bem dinâmica e divertida. A organização foi um show e o evento era poderoso. Fechei em 37min31seg, ritmo de 4:41/Km, FC média absurda: 181 bpm. Naquele terreno e sem treinar direito, achei muito bom. O Jacó fechou igual, o William um pouco depois, retornando que está da lesão na coxa. Dos 5, só a Fabi (acho) não está com alguma mazela, mas todos terminamos bem sem lembrar das desgraçacas.

Tô impressionado como 8 Km deu tanto pano pra manga neste post. Prova de que as distâncias e o tempo são relativos. Corrida de encerramento do ano, terminou a temporada 2008.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Correndo no vapor

Coisa estranha foi correr hoje depois da chuva. O ar estava pesado e úmido, com ausência de vento a beira-mar parecia uma sauna mal-cheirosa, não estava nada agradável correr por lá. Mesmo as 20 horas tinha carros pra todo lado, cheiro de escapamento e esgotos, eca.

Ainda assim o saldo até que foi positivo, primeiro treino de ritmo em 10 Km depois do conserto dos pés, a 5:15/Km numa boa em FC moderada.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Bike no morro do Lampião

Rolou um pedal forte ontem no campeche. Marquei algo com o Dariva, mas como sempre deveria ter esperado pelo pior. Encontramos o Márcio no armazém vieira (antes ficamos torrando no sol esperando pelo dito na ciclo-via). Aí fomos para o sul, para uma volta ao morro da lagoa.

Segui forte na retaguarda aproveitando o quebra-vento, mas algo já sedento e com fome, pois eram 17 hs e tinha almoçado antes das 12. Ok, fomos passando os carros do engarrafamento e no caminho do rio tavares o Dariva pegou uma direita em terra, quase areia de praia, numa rua longa que ia até o campeche. Quase no fim, escolhemos subir o morrinho.

Trilha destruída pelas águas, só pedra aparente. Empurrei quase todo o percurso da subida do morro do Lampião, colina cônica de 210 metros que vigia o campeche e região em 360 graus de vista livre e deslumbrante. Do topo, o suor valia a pena e o fim de tarde já dava as caras. Descemos pedalando onde dava, pois era muita pedra. Quase capotei e decidi empurrar bike-abaixo.

Já na estradinha a corrente do Márcio arrebentou (tá virando moda ?!) e precisamos de três elementos para consertá-la. Aí, volta tudo, vento contra na beira-mar sul e então casa, após 43 Km e 2h30 de pedal forte. Suguei um gatorade e meio litro dágua assim que pisei em casa. Bom treino de bike. Aqui tem a localização da coisa.

domingo, 30 de novembro de 2008

Voltando aos treinos, aos poucos

Neste final de semana era pra ter sulbrasilis e travessia do campeche. Coerentemente ambas foram adiadas devido às desgraças da chuva no estado. Já ansioso para testar o pé, fui pra um treininho leve na costa da lagoa com o Hélio. Trilha agradável como sempre pra uma corrida dominical, desta vez com chuva, sol, lama e calor úmido, mas os pés não doeram em nada, bom sinal. Vamos ver se continua assim para o xterra, chega de descansar do praias e trilhas.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Resistência à altitude


Interessante artigo sobre a resistência do corpo humano, notadamente o cérebro, à altitude. Espero ainda estar com os neurônios no lugar :-). Destaque para a razão pela qual escalamos:

"Escalar montanhas é uma atividade que tem se tornado cada vez mais popular ─ e por bons motivos. Proporciona experiências inesquecíveis, perfeita comunhão com a natureza, amizades que alimentam o espírito, experiências intensas e compensadoras que superam os limites da rotina. Envolvidos pela aventura e desafios que desenvolvem coragem, resistência e perseverança, os alpinistas são transportados para a paisagem selvagem das montanhas ─ embora esteja desaparecendo."

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Questão de treino


Nos últimos 40 dias corrí 4 vezes. Em todas elas terminei com alguma dor esquisita, e agora é o tendão do dedão esquerdo que incomoda. Enquanto isso a chuva alaga tudo, e como não daria mesmo para correr, voltei as forças pra piscina.

Neste final de semana haveria a travessia do campeche, da praia à ilha em 1500 metros, em uma das mais bonitas travessias de Floripa. Só que a chuva e o mar grosso ajudaram a cancelar tudo. Cheguei a treinar por duas semanas (oh !) e estava bem animado, pois pela primeira vez desde agosto consegui cravar 3 semanas seguidas sem faltar nenhuma aula.

E se já estava achando que tinha desaprendido de vez a nadar, hoje consegui fechar 2200 metros em 45 minutos sem um esforço exagerado e fiquei bem contente. Questão de treino mesmo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

MTB Open Acorjs - tudo errado, mas tudo bem

Salvo algum lapso imperdoável, é a primeira prova exclusiva de montainbike que eu faço. A largada era as 9 horas na colônia santana/são pedro, e acordei exatamente as 8:30. Na véspera tinha consertado a corrente, feito a inscrição e ajeitado a bike, então não perderia a prova mesmo largando atrasado.

Saí correndo de casa fantasiado de ciclista, taquei a bike no suporte e fui. No portão da garagem vi que esqueci os óculos. Na esquina, cadê minhas garrafas dágua ? Aí a caminho percebi que não tinha também gel de carbo e nem protetor solar. Parei num posto de gasolina pra comprar gatorade e água de côco e cheguei na largada com pessoas já amontoadas, estacionei longe e vim correndo com capacete e luvas em uma mão e bike na outra. Achei o Hélio e o Thiago e aí largou. Lembrei também que deveria ter alongado um pouco antes.

Saímos no plano e em 400 metros lá vem subidinha, aí vai ondulando e na primeira descida boa estoura a suspensão. Beleza, agora não dá pra curtir downhill. Fui com cuidado com medo de quebrar algo, pois as batidas eram secas e achei que o garfo poderia partir, mas depois descobri que eram os elastômeros que tinha sido esmagados e acabado com o curso da suspensão.

A bomba da bike caiu umas quatro vezes, aí meti a dita no bolso da camiseta e fui indo, até encontrar o Grande Morro. Absurdamente inclinado, só uma heroína do grupo onde eu estava subiu pedalando. Mas uma hora acaba e aí vem a enoooorme descida. Muito larga e lisa, daria pra desenvolver bem, mas fui travando com medo de me espatifar. Depois vieram uns trechos de asfalto bom pra tocar, desenvolvia 32, 35 Km/h, e então mais estradinha de terra por paisagens bonitas e mais morros.

Encontramos o povo da prova curta no Km 30, 10 pra eles, e seguimos em mais intermináveis morros até o final, já sedento e torrado de sol, passando por vilas, estradinhas, beira de rio e pirambeiras. Tudo muito pedalável, nota 10.

Cheguei em alguma colocação entre o primeiro e o último com 2h16min para os 40 Km. Achei a Taty que tinha feito a corrida de 12 Km e ainda vi i Hélio e o Thiago terminarem a bike, para então ir embora deixar a bike na oficina pra reciclar a suspensão. Muito boa prova, gostei da brincadeira, foi bom pra voltar aos pedais e preparar para a sulbrasilis.

Foto das tartarugas


Não, não tem a ver com corridas. Mas a foto é sensacional mesmo. E as bichinhas são muito resistentes, nadam oceanos e vivem longamente. Parece montagem e pode até ser, mas é realmente bela. A foto veio daqui, onde aliás tem muita coisa legal.

domingo, 2 de novembro de 2008

Duatlo forçado


Saudoso da bike, remendei duas câmaras, coloquei uma nova, taquei óleo e saí de casa no final da tarde de ontem. O plano era a volta ao morro da cruz com subida ao morro da lagoa. Lá no final da prainha um estouro seco e já era a corrente da bike. Nunca tinha acontecido comigo :-)

Aí a coisa ficou boa, estava 9,5 Km distantes de casa, mas sem celular resolvi voltar correndo. Isso, delícia é correr empurrando uma bike, de capacete e luva. Às vezes tentava usá-la de patinete com o pé no meio-fio, mas dava muito trabalho. Aproveitava os morrinos sempre que dava, e após 1h5min cheguei em casa, fechando um duatlo forçado de 19 Km :-). A ida tinha levado 25 minutos...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Tendão de aquiles, o retorno

A danada da dorzinha voltou. Na verdade apareceu já no primeiro dia do praias e trilhas, mas dei pouca bola e segui em frente. Mas aí quando botei os pés no chão no segundo dia senti o dito tendão doer um pouco. Larguei mesmo assim, mas sem palmilha no salomon, pois esquecí secando.

Aí, no final do domingo o bicho doeu mesmo. A fisioterapeuta que me atendeu disse que o tendão direito estava mais 'grosso' que o esquerdo, e doía ao toque. Resultado: tendinose no tendão direito, após ultrassom e consulta à ortopedista.

Nada grave, mas é pra tratar logo. Assim, lá vamos para umas sessões de fisioterapia, até porque a sulbrasilis está aí ! E já bate a vontade de correr uns longos de novo.

As razões são um pouco óbvias:
  1. Uso excessivo do tendão Calcâneo.
  2. Tensão dos músculos da panturrilha ou do tendão Calcâneo.
  3. Aumento da quantidade ou da intensidade de treinos esportivos.
  4. Alteração de local ou acessórios no treino.
  5. Aumento da velocidade ou volume do treino.
Esta causa aqui deve significar que estou ferrado:

"Se houver tendência a desenvolver tendinite no local, deve-se evitar exagerar nas corridas ascendentes (em subida). "

Já o remédio passa por balela, mas resolve:
  1. Alongar
  2. Gelo
  3. Exercitar o tornozelo em bolas de equilíbrio
  4. Elevar as pontas dos pés, 3 séries de 20
  5. Elevar o calcanhar com as pontas dos dedos no chão.
Parece muito simples, e é, mas reforça as coisas e prepara para as sobrecargas das corridas. Algumas boas instruções podem ser vistas aqui.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Coragem para exercer a vontade

Interessante ver para lembrar do que somos feitos. Basicamente, vontade. Tem até imagem de escalada, bem rápida. Nas laterais, ícones dos esportes com uma breve descrição valem a leitura.

http://www.nike.com/nikecourage/br/

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Areia e Lama


O ser humano é resistente, mais do que imagina. O Praias e Trilhas 2008 aconteceu no típico clima de primavera que estamos tendo este ano, com muita água no sábado e sol entre núvens com chuviscos no domingo, quando a AndarIlha participou com três fanáticos na categoria individual - óbvio. O restante da turma foi compor dois quartetos no MountainDo - óbvio também.

No jantar e briefing de sexta já podíamos antecipar o que nos aguardava, pois chovia forte. De lá, direto para casa, arrumar tudo e tentar dormir. O Hélio passou em casa às 5:10, fomos buscar a Taty e de lá fomos junto com o William até a caieira, para a largada.

Chegamos lá sem ninguém na escola-largada, mas em poucos minutos chegou um ônibus e vários carros e a muvuca estava armada. Fomos pra fila da pesagem, pit-stop no banheiro e então aprontar tudo, equipar (é, correr não é mais tão simples) e aquecer. Alinhamos bem na frente e largamos em ritmo moderado.

O William foi acompanhar até naufragados, ainda bem pois largamos com camiseta comprida e outra por cima. Tive que tirar senão iria ferver na trilha. Começamos para naufragados caminhando, o Hélio foi indo na frente e fiquei ajeitando pochete e o polar e saí correndo trilha acima pra tentar ganhar algumas posições antes de afunilar tudo.

Depois de muita estratégia, treinos e planilhas, nossa tática era bem simples: se é morro anda, se é descida se joga e se é plano tenta correr o mais rápido que puder, sempre em dupla. Como eu tendo a disparar no início, iria puxar um pouco o Hélio, que iria me frear. No final os meus cacos iriam ser puxados pelo Hélio. Fomos tentando nos ater ao plano com aquela aguaceira toda, em alguns trechos tínha rio largo, um deles com água até metade da perna (pra Taty, até acima da cintura :-).

Chegamos em naufragados no tempo previsto e iniciamos a trilha para o pastinho, longa subida escorregadia. Empurrei um power gel e lá vamos, a descida ao pastinho estava incorrível, mas logo após o dito encontramos a primeira no feminino, a Débora. O Hélio me diz: momento histórico, vamos passar e ver quando tempo dura. Aí fomos desenvolvendo bem e chegamos na vila do saquinho bem dentro do cronograma, logo solidão para encontrar o William e pegar uns gatorades e seguir até o PC 1, pântano do sul, quando então a Débora se foi na sua praia.

Chegamos no PC 10 minutos abaixo do tempo. Tinha pedido ao William para nos espancar se estivéssemos mais rápido que o estimado, mas ele só elogiou e mandamos bala, empolgados. Quase não comi, só coca-cola e biscoito, para então seguir para a lagoinha do leste. Muito argilosa e escorregadia, a trilha deixava todo mundo apavorado, mas subimos bem e descemos o quanto dava, fechando o trecho em 28 minutos, não sem antes tomar um tombo cinematográfico: despenquei deitado no meio de um monte de pedras depois de perder o pé numa pedra molhada. A praia estava pastosa e enchi o pé de areia, mas felizmente conseguimos lavar os tênis na cachoeira em que tinha se transformado a bica no início da trilha pro matadeiro.

Na minha opinião esta é a trilha mais técnica do percurso, terreno muito pedregoso e cheio de raízes. Chegamos incólumes ao matadeiro e então ao PC da armação em tempo preciso, onde o William me deu uma camiseta seca e peguei outro gatorade. O Hélio se mandou logo só de regata e fui atrás com os bolsos cheios de biscoitos e gatorade na mão. Esta praia é a pior de todas, totalmente impossível correr, levamos 28 min para 3,5 km.

No morro das pedras começamos o trecho fatal. Senti umas pontadas de câimbra na coxa direita e empurrei mais 1g de sal e outro powergel e segui em frente, estávamos dentro do previsto pra fechar em 5h30min. Seguimos o melhor que era possível, começamos a tropeçar em outros capengas e as câimbras foram piorando... Cheguei no campeche totalmente travado, em 4h46min. O Hélio se livrou do tênis que já vinha na mão, pegamos mais isotônico e seguimos para o sprint final...

Ô dificuldade ! As pernas não travavam, mas doíam a cada passo. Eu ficava reclamando, "porque só na perna direita ? O que é que houve ?" Até que, prova de que tudo sempre pode piorar, a esquerda começou a fisgar também. Começamos a passar por corredores do mountaindo e então lá vem a Fabi. Me deu um abraço quebra-ossos e uma injeção de ânimo - que durou uns 30 segundos. Aí voltei ao meu auto-flagelo, andando frequentemente e tentando alongar a musculatura travada. O Hélio, reduzindo o ritmo, começou a tremer de frio e tentou se embrulhar na manta térmica, que era velha e estava se dissolvendo. Ficou parecedo um pacote de salgadinho ambulante.

Logo depois a Taty vem e nos ultrapassa ! Estava na segunda posição feminino e passou forte. E nós que ficamos preocupados com o apoio do William para dois ritmos muito diferentes !!!

Fiz as contas e vi que era difícil fechar abaixo de 6 horas. Segui me arrastando e quando vimos pessoas lá na chegada, a uns 2 Km no máximo, tentei reunir forças e não parei mais de correr. O Hélio perguntava: quer andar ? Quero. Mas não vou. E assim fomos, tinha hora que eu fechava os olhos pra ver se a chegada vinha mais rápido, até que completamos ! Subi aquelas escadas da joaquina exausto e irritado, mas aliviado e feliz por ter fechado abaixo de 6 horas: 5h59min30seg é abaixo de 6 horas. Levamos 1h12min para percorrer os últimos 8 Km ! E no campeche estava 100 % no previsto, e o pior é que a areia até que estava boa.

Mas tudo bem, massagem revigorante, comida, roupas secas e tudo já parece menos pior. Voltei pra casa, lavei os tênis dos quais sairam metade da areia do campeche e então fui dormir. Acordei pra jantar muito as 20 horas e fui dormir lá pela meia-noite.

Manhã de domingo, joaquina novamente. Incrivelmente eu estava bem e animado, sem dor alguma. Dessa vez resolvi que nunca mais iria ter câimbras. Fiquei tentando entender o que aconteceu, deve ter sido falta de sais mesmo, talvez eu tenha absorvido água demais por osmose, sei lá. Só sei que pedi pra Taty levar uns comprimidos de bcaa, levei água de côco (muito potássio !) e sal pra caramba. Alonguei o máximo que consegui e ficamos lá trotando com todo mundo, batendo papo até o tiro da largada, que veio sem aviso.

Seguimos na praia e então rumo às montanhas do saara. No beco do surfista não limpamos a areia e lá fomos pra trilha até a mole. Entupiu de gente na subida e atrasou tudo, mas na descida conseguimos desenvolver, até o costão. A Taty estava conosco e fomos pulando de pedra em pedra. Quase no fim encontramos o Fernando de Joinville com a cabeça cortada, cabeceou uma pedra, fiquei pra dar uma ajuda e perdi o Hélio e a Taty, só fui encontrá-los lá quase na galheta, após ter pego óculos de sol e gatorade com o William e a Rita. Finalmente sol !!! Até fez falta protetor solar, maravilha.

Subimos o morrão da barra, àquela altura um lodaçal só. Passamos todos que encontramos no caminho, parada logo depois da ponte no nosso apoio particular e só pegamos coca-cola no PC da barra. Seguimos forte os três para a looooonga praia. Eu estava bem, a areia estava dura e fui puxando, correndo bem mas preocupado em não exagerar. Comecei a sentir o dedão esquerdo lixar na areia, tive que tirar o tênis pra lavar no mar, melhorou bastante.

Em certo ponto a Taty reduziu, o Hélio ficou lá atrás e eu reduzi para tomar gel, quando me surpreendi com uma cena estranha: parecia que o Hélio tinha capturado um polvo, pois lutava contra uns tentáculos. Mais de perto eram os meiões que ele tirou pra aliviar o peso e amarrou na cintura...

Neste dia a prova se transformou em algo metódico: bcaa e gel a cada hora, gatorade a cada William e coca-cola e sal nos postos. Só isso. Funcionou. Chegamos na ponta das aranhas em exatamente 3h10min, bem em cima da previsão. Demoramos muito na trilha inviável e chegamos no PC do santinho e seguimos para o morro dos ingleses onde fiquei meio pra trás, acabei tendo umas tonturas que exterminei com mais sal. Até lá, depois de 4 horas de provas, ainda estávamos os três no mesmo ritmo, incrível.

Ingleses foi bem, encontramos uma chuvinha fina e depois passamos num cara com GPS, que nos disse o ritmo: 6:10/Km. No posto dágua no meio da praia, placa de 34 Km. Ficamos felizes, vejam, só mais 8 Km, que legal. Coisa que só a exaustão pode fazer, pois era só fazer as contas direito e ver que estava errado. Mas fomos seguindo, entramos no costão para a brava e o cachorro que nos acompanhava desde o moçambique nos abandonou, ficou seguindo o cara que nós passamos.

A Taty ficou um pouco e seguimos pro PC da brava. Lá, outra placa de 34 Km. Puta que pariu, não pode ser. O Hélio ficou furioso, tentamos saber o CPF de quem tinha colocado a placa lá nos inlgeses para poder perseguí-lo depois, mas aí caiu a ficha. É claro que a anterior estava errada, agora é que faltavam 8 Km. E seriam duros 8 Km.

O William novamente estava lá com a Rita, mas dessa vez não pegamos nada. Era só concentrar pra terminar. O Hélio começou a sentir umas puxadas na perna e começou a arrastar a esquerda um pouco. Andamos todas as subidas, andamos os planos e só trotamos as descidas. As bagas da Taty funcionaram mesmo, eu estava inteiro, não sei como. Chegamos na lagoinha, penúltima praia ! Corremos tudo, entramos no costãozinho trotando e chegamos finalmente na praia da chegada, coisa boa. Dessa vez eu é que disse que correria mais 10 Km :-) Mentira, claro, mas não estava morto como no ano anterior.

Logo a Taty chegou, festa geral. Ficamos o resto da tarde lá no hotel, esperamos o jantar e a premiação e finalmente casa, para o fim de um final de semana daqueles. Lá descobri que esqueci a palmilha do tênis secando, consegui sair pro segundo dia só na sola do tênis. Bem que notei algumas asperezas estranhas, a adrenalina faz coisas...

O melhor resultado no praias e trilhas da AndarIlha, muito bom. Os treinos valeram, todos se superaram de alguma forma e Taty detonou geral, pôs mais de 1h na terceira colocada. Parabéns pra nós, turma !!!!! Os resultados oficiais estão aqui.

Este ano muita gente desistiu, acho que 16 pessoas que largaram sábado não apareceram domingo. Os tempos no geral aumentaram mas houve novo campeão e muito mais trios do que no ano passado. Que venha o próximo, mas que demore um ano até lá !

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Praias e Trilhas 2008 - Dia 2

O retorno é dolorido, mas não foi tanto como esperado após a travada do primeiro dia. Saímos bem e terminamos mais ou menos, com 6h46min. Taty na segunda colocação geral. O Hélio terminou o dia 1 em 3o e fechou em 5o, a 5 minutos do segundo !!! Eu fiquei em 5o também mas a 40 min do segundo lugar. Chegando em casa domingo descobri que tinha deixado a palmilha do tênis secando, consegui correr 42 Km direto na sola do tênis :-). Breve O Relato.

sábado, 18 de outubro de 2008

Praias e Trilhas 2008 - Dia 1

As provas deste ano estão sendo assim, debaixo de chuva. São Pedro vai se supreender com a conta da Casan. Com muita água (até a cintura da Taty em naufragados), termimamos o primeiro dia muito bem (eles), Taty 5:56 (a mulher tá humilhando, segundo no geral feminino !), Hélio e eu 5:59, pois servi de poita de novo do meio do caminho entre campeche e joaquina. Câimbras violentas que nunca tive me travaram a coxa direita, coisa horrível. Penei feito cavalo velho pra fechar abaixo das 6 horas. Amanhã tem mais.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Não vou mais treinar...

Até sexta-feira, hehehe. Pretendia botar este post no sábado, depois do dolorido treino de 24 Km nas areias fofas da joaquina, campeche e morro das pedras. Mas aí domingo a memória ficou mais ofuscada e fui dar uma corridinha e nadar na segunda.

Terça fui pra academia bem de leve, evitando usar as pernas e hoje fui nadar de novo, mas era pra ser de leve. Só que me metí nuns tiros de 50 m, oito deles para 1 minuto, nos últimos eu chegava quase asfixiado em 50 ou 55 seg e já tinha que sair de novo. Foi punk, mas só cardio-respiratório pois poupei ao máximo as pernas.

Chega de treino. Se foi de mais ou de menos agora não importa, é hora da verdade. Que venha o final de semana e a linha de largada do Praias & Trilhas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Recorde mundial na maratona

Incrível a chegada abaixo. Por apenas um segundo, o etíope Haile Gebrselassie bateu as 2h4min na maratona de Berlim, fechando em 2:03:59. Ele deixou de competir em Pequim para conseguir se preparar melhor para esta prova e também para não se contaminar com a poluição de lá.

Fazendo as contas, temos ritmo de 2min56seg/Km, ou 20,42 km/h. Acho que minhas pernas cairiam do encaixe correndo 500m nesta velocidade :-)



terça-feira, 7 de outubro de 2008

Fator vento

Sabe-se que o vento contra atrapalha qualquer modalidade - bike, caiaque, natação, corrida, mas na corrida a percepção não é tão direta. Só que hoje pude perceber como a influência é grande.

Estava no dia do treino intervalado, me enrolei com a agenda e acabei tendo que ir pra beira-mar de SJ no ventão sul que está hoje. A previsão instantânea diz vento de sudoeste a 32 Km/h.

Comecei a aquecer com uma ventania danada e tive que guardar o boné no bolso. Aí chegou a hora do primeiro tiro. Acabei fazendo o final na curva de frente pro sul que tem lá, e marquei 4:09/Km para planejado de 3:50. Decidi usar exatamente o mesmo percurso e manter a FC em 174 para ver no que dava. Na volta, cravei 3:45, nova ida a 4:05 e volta recorde pessoal a 3:38/Km. Ainda tentei uma quinta volta, mas sem perceber reduzi a marcha e passei muito lento nos 600 metros, aí terminei de leve a 4:22.

Este vento dá uma diferença de 11 % na velocidade comparando contra e a favor para o mesmo esforço percebido, muito significativo. Considerando vento zero, chega-se a uns 5 % de diferença. Interessante !

Ritmos Média Dif %
04:09 04:07 111,51%
03:45 03:41 89,68%
04:05

03:38




Vento: sudoeste, 32 Km/h

Ainda bem que não inventei de correr como estes aí na foto, vejam que coisa mais exótica:

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Como quebrar numa terça-feira

Simples: saia correndo do trabalho, troque de roupa dentro do carro e coma somente uma banana após uma tarde recheada a um um club-social. Aí junte-se a 2 maníacos que achavam estar numa prova e veja no que dá. Quebra por inanição aos 21 km, tive que trotar quase andando por 200 metros, muito tonto.

Saí do trapiche e fui até o koxixos, encontrando o Hélio e o Thiago. Aí voltamos, passamos as pontes e seguimos para a prainha. Lá o Thiago começou a puxar. O Hélio reclamou mas logo passou todo mundo. Fomos alternando e metendo lenha nas subidas e zunindo nas descidas, só descansando um pouco na ciclo-via da sul. Atravessamos as passarelas e seguimos muito rápidos rumo à UFSC, onde o Thiago foi pro carro e então continuamos até o Santa Mônica onde estava a bike do Hélio. Num trecho medimos ritmo de 4:45 no Km 18. Aí segui solo até o trapiche. Virei 3 Km a 4:55 exatos e comecei a me sentir vazio.

Fui reduzindo o ritmo, no koxixos já era 5:15 e pouco a frente comecei a ficar tonto. Trotei de leve pela grama e segui muito faminto e lerdo até o koisque do trapiche para aplacar a hipoglicemia com chocolate e gatorade. Faltou planejamento.

Mas o treino foi mesmo forte. Medi toscamente no google a volta e deu 17,8 Km, arredonda pra 18 e soma 5 da ida e volta ao koxixos pra fechar 23 Km em 1h56min54seg, ritmo de 5min04seg/Km@145bpm. A média mostra o quanto estávamos alucinados no trecho do centrosul até a ufsc, pois depois e antes eu estava bem mais lento e ainda deu este ritmo forte.

sábado, 27 de setembro de 2008

Avaliação de produtos - Porta-hidratação

Sempre tive bronca das mochilas de hidratação. A principal razão é a dificuldade de repor a água e o gosto que fica quando mistura isotônico. Outra encrenca é que não consigo suportar peso nos ombros correndo. Sei lá, vai ver os braços já são pesados o suficiente.

Também já vi gente correndo segurando a garrafa, tem até uns acessórios tipo luva que prende a garrafa à mão, muito esquisito.

Sou fã daquelas pochetes porta-garrafa, mas estas perdem em autonomia, normalmente vai só 600 ml contra no mínimo 1,5 lts nas mochilinhas.

Acabei encontrando uma opção muito legal da Salomon, uma tal de twin belt. É um porta-garrafa duplo que vem com as garrafinhas ergonômicas e pochetes anexas. Muito bom, carrega 1,2 Lts e tem espaço pra bastante coisa. R$ 90 na ultrasport.

Testei a primeira vez semana passada e fiquei com uma dorzinha na lombar. Aí fiz abdominal a semana inteira e hoje não incomodou nada, muito boa.

Virei o odômetro !

Desde que comecei a logar os treinos no winningstats.com, o que mais olhava era a kilometragem dos tênis. Hoje fui inserir o treino do moçambique e a distância acumulada desde fevereiro na corrida está em 1016 km !!!!! Parece muito, mas não é. Mas na verdade até que é, pois afinal são Mil Kilômetros, hehehe.

Workouts

Range KM's
Today 24.00
This Week 34.00
Last Week 38.00
This Month 113.00
Last Month 96.20
This Year 1,016.10
Last Year 0.00
Total 1,016.10

Madrugando no moçambique

5:40 da madrugada de sábado. Escuro. Chuva. E nós ao telefone em conferência para decidir onde seria o treino. Voltar a dormir não era opção, pois dia 18 tá chegando e os longos precisa acontecer.

Cancelamos a ida ao sul, pois além do risco de arrebentar alguma parte demoraríamos muito nas trilhas do dia 1. Aí fomos ao moçambique treinar mais praia. A Taty e o Tiago declinaram, então fomos o Hélio e eu até a barra da lagoa para encarar a Grande Praia.

Paramos o carro com garoa, mas antes de sair parou. Aí o pedaço azul de céu que tinha sumiu e a praia só era visível uns 2 Km, depois era uma núvem preta só. Alongamos, aquecemos, prepara tudo e saímos. Trote e logo entramos no ritmo. Fui de manga comprida preta com medo do frio, mas levei boné e óculos caso o sol desse as caras.

Praia boa, aí lá pelo meio ficou típicamente moçambicana, areia aquosa e inclinada. Todo o tempo corríamos vendo a chuva à frente, mas não chegávamos nela. Alcançamos a ponta das aranhas em 1h10min. Pit stop e voltamos pra metade final do treino. A barra da lagoa estava invisível e na metade da praia outra nuvem preta começou a descarregar no morro do santinho e na barra também chovia. Mas não em nós.

Um olho de sol e vento ausente me fizeram ferver, tive que tirar a camisa, mas 3 Km depois o vento veio de sul e gelou bem. Chegamos na barra em 1h16min já com uns pingos, foi entrar no carro e começar a garoar de novo.

Muito interessante este treino. A longa praia sempre tem seus atrativos. Na verdade desde a primeira volta a ilha nos idos de 92 aquela praia me parece um deserto, nada de construções, visual totalmente virgem ainda, pra nossa felicidade.

A praia tem exatos 12 Km medidos no google. 2h26min pra 24 Km, ritmo de 6min04seg/Km, muito bom. Consumi 1,2 L, 2 powergel e 1 nutry e cheguei faminto. Agora chega de praia.

O bom de sair antes do galo cantar: já estava em casa tranquilo as 10:30 da manhã, de banho tomado e totalmente ligado !

domingo, 21 de setembro de 2008

Treinando na areia

Chuva a noite e preguiça matinal não combinam. Apesar dos sms da Taty não saímos no horário para o treino na barra da lagoa, mas lá pelas 9:30 rumamos pra Joaquina para um treino de praia.

Iniciamos tarde, já com sol forte e vento frio vindo do sul. Saímos devagar para aquecer e pinguins eram uma constante, mas infelizmente eram comida de abutres.

Já no rio do campeche nos dividimos para buscar um trecho sem molhar os pés, fui pela beira dágua, o Hélio foi tentar pular o rio e a Taty foi lá por cima. Quando virei depois de pular pelas águas vi o Hélio dando o pulo dele. Coisa horrível, caiu cravado com os dois pés feito um dardo olímpico, parecia um toco sendo atirado verticalmente na areia. Ficou com a coluna dolorida.

Seguimos, passamos o campeche e vamos pro morro das pedras. A praia alternava trechos duros, moles, inclinados, pegajosos e tipo areia-movediça, mas no geral era razoável. Um pouco antes do morro das pedras voltamos, bateu em 1h e faríamos só duas dado o adiantado do relógio.

Corremos mais rápido e mais quentes, com vento de popa. Nos últimos 1 ou 2 Km saímos em sprint alucinado na areia dura já perto da joaca. Fechamos 21 Km de areia variada em 2h0min0seg, ritmo de 5min42seg/Km. Valeu o belo treino diferente só na praia.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Correr mais correndo menos


É mais ou menos esta a idéia do livro Run Less, Run Faster. Baseado num estudo de 2002, o livro detalha o método de treinamento FIRST (Furman Institute of Running and Scientific Training), cuja essencia é a seguinte: treinar menos, porém com mais qualidade (leia-se intensidade), e intercalar os dias onde haveriam treinos leves ou regenerativos por atividades cross - natação, bike, remo.

O programa '3Plus2' envolve três dias de treino de corrida, um longo, um intervalado de alta intensidade e um 'tempo run', onde corre-se no ritmo da prova alvo por distâncias crescentes, e 2 dias de treinos cross. O sexto dia é livre com trote ou mais cross.

Muito científico, o esquema visa aumentar o limiar de lactato, o VO2Máx e a velocidade da passada, elementos fundamentais para quase todo tipo de corrida. Não se aplica a atletas de elite, que treinam até duas vezes por dia, nem a iniciantes, pois os ritmos mais lentos são já um pouco altos. Além disso intercalar outras atividades mantém o condicionamento cardiovascular ao mesmo tempo em que evita stresses localizados gerados pela corrida - tendões, ossos, musculatura - e quebra a rotina, o que acaba também aumentando a motivação.

Instintivamente, já vinhamos fazendo algo nesta linha, mas depois que o livrinho chegou da Amazon comecei a perceber uns efeitos benéficos. Terça última, por exemplo, fui treinar tiros na beira-mar norte (devido ao tufão-sul que tinha em coqueiros). Foram 2 Km de aquecimento a 150 bpm, aí 4 tiros de 1 Km, respectivamente a 3:55, 3:52, 3:56 e 3:52 e mais 2 km de desaquecimento. Está ficando razoavelmente suportável correr abaixo de 4min/km nestes tiros, coisa que não acontecia antes. Nos finais de semana são os longos e na sexta normalmente estou fazendo uns ritmos moderados em distâncias médias.

O livro é bem detalhista, recheado de tabelas e muito metódico. Diz que se o ritmo for 3:48, não é 3:50 nem 3:45, é 3:48 cravado. Muito científica essa coisa toda. Parece que funciona, vamos vendo.

Praias & Trilhas 2007

Na busca por incentivos aos amigos para tentar convencê-los a correr o Praias este ano, achei o relato do ano passado, postado por email mesmo quando este blog não existia. Como a próxima tá perto, aqui vai pra refrescar a memória.

From: Rafael Pina Pereira
Date: 2007/10/29
Subject: Praias & Trilhas
To:


Turma !!

Impressionante. Extenuante. Emocionante. E parcialmente delirante (pensei ter visto um Moai da Ilha da Páscoa).

Essa prova é única. Aqueles visuais no sol escaldante, as trilhas da nossa terra (a raiz da AndarIlha), o mar e o céu azuis num final de semana perfeito marcaram de forma definitiva essa que é uma das provas mais difíceis e bonitas do Brasil (palavras da organização e de um monte de corredores).

Um relato decente vem em breve quando sobrar tempo, mas por hora vai um resumido (!), que será devidamente complementado pelos demais desapegados às coisas materiais dessa vida. Uma maratona depois da outra não deve ser uma coisa muito saudável, mas incrivelmente todos terminamos intactos, a menos das avarias. Largamos na caieira, a 5 Km da entrada da trilha pra naufragados. Morrinhos e finalmente mato ! Voamos na trilha depois de largar no final e ir aquecendo devagar. Na trilha pro pastinho, as primeiras subidonas e chegamos no posto dágua/km 13 no saquinho. Seguimos rápido e encontramos a terceira geral no feminino, de quem mantivemos prudente distância. No pantano do sul, posto de alimentação.

A estratégia furou na sexta, pois fomos no 'congresso técnico' e não ficamos pro 'jantar', que seria muito tarde. Fui dormir depois de comer 2 calzones 4 queijos e uma tortilla mexicana, de forma que cheguei no posto esfomeado. Comi melancia, cocacola, pão, laranja, banana e gel. Aí enchi a garrafa com 'gatorade' e fomos pra lagoinha. Na descida tropeçamos em muita gente, e na praia comecei a ficar da cor do gatorade. O Hélio agilmente roubou a garrafa e jogou tudo fora, mas era tarde. Na trilha pro matadeiro botei o jantar do dia anterior pra fora. Dor de cabeça e estomago, mas o Hélio era paciente e fomos nos arrastando, até que ví um rio, quase me joguei dentro, aliviou geral. Chegamos no matadeiro, outro posto de comida na armação e então a areia mais fofa do mundo. Até o morro das pedras levamos 45 min. Água de coco é um santo remédio. Mas lá depois do campeche ferrou tudo de novo, aí finalmente o Hélio viu que ia me matar se continuasse a tentar forçar o ritmo e se foi, bem no ponto do retorno do mountaindo, na cruz das almas (?), bom ponto pra ser abandonado moribundo.

Levei muito, mas muito tempo pra percorrer os últimos 3 ou 4 Km. Me arrastei e cheguei muito podre. Recompondo com alguma comida, massagem nas partes atingidas e alguns minutos de descanso comecei a perceber que a parte muscular estava mais ou menos boa. Bom sinal.

O Hélio fechou com 12 minutos na minha frente, aí a Taty logo chegou e então a Fabi, as duas sorridentes como se estivessem passeando. Será que só eu que sofro ? A frase da Taty diz tudo: "Amo muito tudo isso" :-)

Dia seguinte, arranquei o Adriano da cama pra nos levar na joaquina. Pegamos a Taty, Fabi e Hélio e fomos pra largada 2, a missão. Subimos as dunas, entramos na trilha no morro que vai pra mole, e aí passa no costão, show, fomos 'quicando' de pedra em pedra, os atletas de rua pareciam uns gatos andando de pantufas nas pedras.

Praia mole, galheta, morrão e visual espetacular no topo, chegamos na barra depois de passar por todo mundo que existia no caminho, até que eles se revoltaram e nos passaram no moçambique. Corremos aquela imensidão toda, só um pit-stop pra água e outro esparadrapo nos pés. A trilha da ponta das aranhas foi-se em menos de 20 minutos, mais comida no santinho, aí quando eu pensei que já tava nos ingleses, o Hélio me contou da crueldade que nos faria subir o morro e descer pra avançar uns 500 metros somente. Nos Ingleses encontramos o Queiróz a nos animar e os meus pais pra me dar uma caca-cola. É psicológico, mas sempre depois de avistar um conhecido ou receber um incentivo o meu ritmo aumentava. Cientificametne medido no polar.

Trilha das bruxas pra brava, mais posto de comida e fomos pra trilha que vai pra lagoinha, a única que eu não conhecia nessa prova. Começa uns 200 metros na subida de asfalto, e sobe MUITO. Aí, quando você pensa que vai acabar, um fiscal aponta pra cima, e sobe mais. Costão, pedregulhos, cordas e mais trilhas, aí chegamos na lagoinha. Antes de acabar a trilha já comecei a entijolar as pernas, fiquei receoso de travar, então tentei convencer o Hélio a diminuir. Mas o sujeito não cansa, não sente dor, não solta as tiras e nem deforma (que nem as Havaianas). E também não tem fome. Eu sempre levava um monte de bisnaguinhas nos bolsos depois dos PCs...

Aí corremos a lagoinha toda (que aquela altura parecia longa), entramos no costão de 30 metros de desnível que quase me exauriu e chegamos na praia já avistando o pórtico... Linha de chegada... Satisfação monstruosa. Limite ?! Que limite ? Isso ficou lá no campeche no sábado... Muito gratificante terminar uma corrida como essa. A prova é muito de estratégia, não é um desespero, tem que se poupar muito e entender que só acaba quando termina. Fiquei realmente impressionado de não ter pifado no domingo, deve ter sido o gnoque que a Daiane fez sábado, que me recompos dos 4,5 Kg perdidos no primeiro dia.

A Taty e a Fabi são duas raridades. Nem a bolha do tamanho do dedão que a Taty fez no segundo dia em cada pé tirou lhe o bom humor e a frase já famosa. A Fabi como sempre termina inteira, ajuda um monte de perdidos no caminho e dessa vez se perdeu junto com eles já perto da chegada. O Hélio não tem fim, o desgraçado ainda me diz que poderia correr frouxo mais uns 10 Km no final...

Fabi, Hélio, Taty, Queirós, vocês muito me inspiraram a fazer essa corrida. Obrigado !!!!

Valeu !!

--
Rafael Pina Pereira
rpina73@gmail.com

domingo, 14 de setembro de 2008

Joaquina à barra da lagoa... And back !

Buscar logística simples para os treinos para o praias e trilhas está ficando complicado. Temos que ir para os vários quadrantes desta ilha maravilhosa e detonar as pernas. Pois foi o que fizemos hoje.

Saí de casa cedo. Quando digo cedo, é muito cedo mesmo, às 7:15 da madrugada deste domingo já estava buscando o Hélio rumo a joaquina. Lá deixamos o carro e trotamos estrada acima até o beco do surfista. Roubamos as dunas por achar que ia entupir o pé de areia logo no início. Foi uma boa.

Entramos na trilha, seguimos, erradinha pra ver o mar e vamos embora. Aí tentamos pegar o costão mas erramos e só vimos lá em cima, então continuamos pelo caminho do mountaindo e não do praias e trilhas. Nas areias da mole, que estavam bem duras e planas, chegamos com 40 minutos, aí tocamos pra praia dos pelados e subimos o morrão até a barra. Visual como sempre espetacular e panorâmico a 360 graus lá em cima, naquela manhã azul.

Descemos rápido - 19 minutos - até a ponte da barra, fechando a ida em 1h32min. Ao parar para compra coca-cola e água encontramos a Taty com a turma que ia treinar da barra até ponta das canas. Ví o status da formula 1 na TV do quiosque e começamos a voltar tudo.

Pequena errada na trilha de volta e logo estávamos no topo, correndo rápido. Aí a descida foi ficando boa, até ficar ótima. O trecho final até a galheta faz umas curvas suaves com chão de areia, muito legal, são 'S' pra todo lado e vamos tangenciando e quase escapando das curvas.

Areias já moles para fazer jus ao nome da praia e então fomos ao costão. Seguimos pulando de pedra em pedra, eu ia a frente e ouvi um grito. Virei e o Hélio estava estabacado numa pedra. Pensei: "Ei, porque o Hélio tá tentando beijar aquela pedra ?!". Ralou bem a canela e esfolou a mão na queda que poderia ter sido mais feia. Seguimos mais devagar e depois aceleramos, aí o Hélio escorregou de novo e enfiou o pé no mar. Enfim encontramos a trilha que voltava até a joaquina, subimos tudo de novo, no início da descida erramos e nos deparamos frente à uma vaca postada numa cerca, que não existia na ida. Aí voltamos um pouquinho, acertamos o rumo e chegamos de volta na estrada pra joaquina.

Fechamos em 3h05min os 24 Km de percurso, 7min45seg/Km. Em resumo, fizemos os trechos 6 e 7 do mountaindo lagoa, ida e volta !! Muito bom treino, no limiar de água e powergel.

PS.: Nunca levei câmera nestas trilhas, então fui catar uma no Panorâmio !

domingo, 7 de setembro de 2008

Meia-maratona Acorjs de São José

Ontem tivemos a meia de São José, organizada pela Acorjs. Como sempre, informações erradas no instante da largada e erro na medição não tiram o brilho dessas corridas, muito interessantes do ponto de vista do custo-benefício.

21 Km as 15:30 não era algo muio comum, normalmente sempre acho que correr a tarde é pior, mas desta vez seria diferente. Chegamos para a incrição meia hora antes, encontramos o Thiago e a Taty e fomos aquecer.

Largamos com 10 minutos de atraso em direção à Itaguaçu, fazendo a volta na rotatória e indo até o início da praia das Palmeiras, para então voltar tudo até a beira-mar de São José em direção ao centro histórico, praia comprida, ponta de baixo e ponte do imaruim e então fazer tudo ao contrário para fechar a prova.

Virei os 3 Km em exatos 12 minutos e subi o morro para itaguaçu passando todo mundo, mas aí já estourei o batimento a 182. Voltei mais calmo e hidratado após a primeira água. Haveria outra no km 8,5, mas não teve. Aliás, lá também seria a troca da dupla. Porque não fizeram meio-a-meio pra cada um ?

Aí tinha água no 10, empurrei um gel e segui meio entupido, tinha comido um club-social pouco antes de largar. Sempre esgoelado fui indo e passando um povo, mas uns da dupla me passaram. Aí entramos na ponta de baixo, belos visuais do Cambirela, quem diria que aquele sábado amanhecido com chuva viraria aquele solão... faltaram óculos escuros.

Achei estranho não ver gente voltado e me lembrei que havia um balão lá no final, voltaríamos até a entrada da ponta de baixo por outro caminho. Muitos morrinhos neste trecho, sempre passava uns na subida mas já sentia as pernas.

No Km 15 medi o tempo e vi que dava pra quebrar o meu melhor tempo. Soquei a bota o que restava, tomei outro powergel e quase devolvi o ardido. Aí foi voltar para a beira-mar e tentar acelerar. Comecei a desconfiar da distância.

Cheguei muito tranquilo, alonguei um pouco e comi frutas. Aí chegou a Taty colada em outra menina, logo o Hélio e aí o Thiago, todos muito bem. O percurso estava muito bem abastecido de água, às vezes tinha um posto a 1 Km do outro. Num deles dois guris distribuíam a água. Um me esqueceu e levou uma bronca do outro: 'vai correr atrás dele !'. E lá veio o gurizinho correndo pra me entregar o copinho dágua, muito legal.

Valeu como 'treino de luxo', como dizem nas revistas: usar provas como preparação para outras maiores. Fechei em 1h31min52seg. Se considerar 21 Km exatos isso dá um ritmo de 4min25seg/Km. Se considerar o que a Taty disse que faltavam 400 metros, dá 4min27seg/Km, de qualquer forma, meu novo recorde pessoal na distância. Dada a quantidade de morros, a FC média foi bem alta, 170 bpm.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Fotos do treino coletivo na Lagoinha

Como prometido pelo Aracajú, aí estão as fotos ! Teve de tudo, até áudio-conferência no meio das trilhas.






Todas as fotos aqui.

domingo, 31 de agosto de 2008

Corrida pra frente, mas de costas

Essa é nova, corrida de costas. Estão dizendo que tem até campeonato. Melhora reflexos e condicionamento, além do cérebro e tem até nome técnico: marcha reversiva. Fico imaginando uma competição assim, mas em trilha :-)

Aqui tem a matéria completa.

Treino coletivo na Lagoinha do Leste

Algo de inesperado aconteceu. Todos os 7 que haviam marcado materializaram-se às 8 da manhã na igrejinha da Armação para o treininho coletivo. Sob céu muito azul, saímos rumo à SC 406, seguimos até o Pântano do Sul e subimos pra Lagoinha. Fechamos em 26 minutos até a praia.

Aí tocamos para o costão do Matadeiro, seguimos pela bela trilha até a praia e então de volta para o carro. A Cíntia e o Aracajú marcaram presença com o restante da turma, Fabi, Taty, Hélio, Thiago e Eu. Não havia água em nenhum ponto das trilhas, tudo seco. Também não há mais A Árvore da trilha da Lagoinha, lastimável, algum imbecil pôs a pobre abaixo.

O percurso tem míseros 12 Km medidos no GPS, uma decepção para nossas pretenções em distância, mas levamos 2 horas e o treino valeu. Agora é só o Aracajú mandar as fotos e filminhos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Podcast para correr

Tropecei em algum lugar num site de podcast de música eletrônica. O legal é que o negócio é focado em corrida e os pods são baseados no ritmo da corrida, com referência à FC. Normalmente detesto música eletrônica, mas no treino de amanhã vou experimentar correr de mp3 e ver no que dá. Sim, pode correr de iPod :-)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Em busca da cachoeira do Canoas

O rio Canoas nasce na Serra Geral e corre para o oeste passando pelo Campo dos Padres, e quando encontra o rio Pelotas forma o rio Uruguai. É portanto um rio importante. E tem também uma cachoeira importante, que de tão escondida já deu pano-pra-manga para algumas incursões pelo alto dos campos e pelo cânion formado pelo próprio, na busca pela grande queda dágua.

Em 16 de agosto resolvemos perambular por Urubici em busca da famosa cachoeira oculta. Saímos de Floripa após uma preparação relâmpago e às 5 da manhã estávamos na estrada rumo à serra. Uma chuvinha fina em rancho queimado e logo chegamos na cidade, antes das lojas de ferragens abrirem. Não precisávamos de ferradura, mas sim de benzina ou tinner para o fogareiro MSR, senão teríamos que comer polenta crua com pão. Conseguimos uma lata de solvente de tinta e então tocamos para a casa dos sogros do Adriano, onde pegamos também o Duílio para nos levar até a base da caminhada, vinte e poucos kilômetros estrada acima rumo à serra do corvo branco.

Numa bifurcação evitamos a serra e seguimos para o vale do canoas, até onde a caminhonete ia. Um rio mais largo impediu a passagem e o Duílio voltou mais cedo com o carro do Anastácio, e nós iniciamos a pernada cinco km em linha reta mais cedo também. O visual do rio alí é magnífico, uns paredões de pedra e o rio largo e raso com montes de pedras e mata nativa por todo lado.

Mesmo com a vontade que dava de acampar por alí mesmo, começamos a andar na estradinha que margeava o rio. Por uns kms era plano e tranquilo, aí chegou nuns caracóis e ganhamos altura rápido, até chegar na bifurcação para o espraiado à direita. Nós fomos pela esquerda em direção ao alto dos campos dos padres. O William fez um trabalho de mestre no google earth e dessa vez levamos o GPS certo. Fomos botando pontos à medida que andávamos e tudo ia muito bem, com uma garoa aqui, uma parada para descanso ali e uns peões a nos oferecer conhaque, pois iria esfriar.

Entramos nuns trechos mais fechados e menos parecidos restos arqueológicos de estrada, não sei como o William conseguiu ver aquilo no google. E os pontos iam batendo perfeitamente. A chuva engrossou e o ponto 12 marcava uma 'casa'. Seguimos ansiosos por um teto para esperar a água acabar e fazer um lanche, já era meio-dia. A casa estava 80 % desabada mas tinha um pedaço do tipo balança-mas-não-cai que serviu. Atacamos uns sandubas feitos na hora e logo o sol voltou, para decepção do Anastácio que precisava recuperar a musculatura afetada pelo caratê.

Continuamos serra acima, visual limpando, bom sinal. Aí num descuido eu, o navegador, não vi uma entrada minuscula e nada óbvia e continuei, mas o próximo ponto foi ficando à direita, e logo estávamos nos afastando dele. Pára, anda, pensa, volta, segue, aí o Adriano se mandou e sumiu. Berrou algo, como é típico, e não voltou. Fui atrás, reunimos e logo saímos num campo. O ponto 19 estava lá à direita e mandei o GPS indicar o 22, que era o último, a casa onde acamparíamos ao lado. Deu 2,5 Km ao sul da nossa posição. O Adriano se mandou pro leste e logo achou a tal casa. Depois descobri o que houve, marquei o ponto 22 mas não editei as coordenadas, ficou com a casa do almoço marcada.

Chegamos no ponto de acampamento, uma casa rústica muito legal num ponto privilegiado, agora com sol e céu azul, um ventinho moderado e expectativa de frio. Mas o rio canoas estava laaaá embaixo, aí deixamos as mochilas e fomos rapidinho tentar achar a cachoeira. Demoramos a chegar no rio e vimos que tinha uma pequena queda, uns 10, 15 metros e aí o rio ia para o abismo. Só que não tínhamos visão da queda principal. Tentamos chegar, descemos no meio do mato quase até a borda e nada. O Anastácio e o William voltaram e eu e o Adriano, o fissurado, ficamos tentando achar um local para ver a cachoeira, até vislumbrarmos um pasto no outro lado do cânion. Pensamos em cruzar o rio antes da primeira queda, varar o mato acima e chegar lá. Mas amanhã, agora era voltar rápido antes de escurecer e montar o acampamento.

Pegamos toda a água que pudemos lá embaixo no rio e montamos as barracas. Descobrimos uma mangueira na casa que ajudou um pouco e preparamos o jantar. Frio médio, logo entrou um ventinho e a lua nasceu. Comida da metade, pois havia um eclipse de 80 % naquele dia. Céticos supunham ser uma lua crescente em fast-forward, pois o disco ia aumentando a cada instante. Um céu absolutamente estrelado só não era mais impressionante devido ao farol lunar absurdo que fazia sobra forte até dentro das barracas.

Durante a noite um pé-de-vento se abateu sobre nós, as barracas sacudiram mas aguentaram e no dia seguinte céu claro em 360 graus. Fomos tarde de volta ao rio, após farto desjejum. Chegamos no rio, tentamos atravessar e nada. Aí fomos investigar uns traços de trilha e decidimos correr um pouco pra ver se achávamos a cachoeira. O Anastácio e o William voltaram e fui com o Adriano. Na hora da decisão, ir e chegar mais tarde na cidade ou não ir e ficar com aquilo encasquetado na cabeça, o Adriano me fez decidir: "Já estamos aqui. Imagina o trabalho e quando poderemos voltar, vamos insistir mais um pouco". Meio indiferente que estava me decidi com aquilo. Afinal tentar e não achar era aceitável, mas não tentar seria eternamente irritante. Assim lá fui com o fissurado pela cachoeira correndo campos acima e abaixo.

Depois de uns 15 minutos esbaforidos chegamos no pasto que vimos no dia anterior, tendo cruzado o rio mais acima num ponto tranquilo. Lá estava a dita-cuja. O Adriano fez um berreiro que deve ter chamado a atenção lá de Anitápolis ou Grão-Pará. Mas era bonita mesmo a cachoeira, com uma queda livre gigante e um belo lago embaixo, para depois seguir no cânion até as bandas de Urubici. Muito show, objetivo alcançado, agora era voltar rápido até o acampamento e pernar muito até embaixo de novo.

Dessa vez andamos debaixo de sol forte e sempre com pouca água. Descobrimos a errada da subida, no fim a diferênça era mínima, construímos uns totens e tentamos descer o mais rápido possível. Nas descidas fortes os pés pediam socorro, a bota velha e pesada não dava mais conta de amortecer nada e os dedinhos aguentavam todo o peso. Fui indo com o Adriano, ambos desesperados por chegar e conseguir tirar aquelas coisas dos pés.

Chegamos no ponto de encontro às 14:55 e fui direto para o rio, mas a gélida água me fez só lavar as partes mais lamacentas e o rosto. Logo chegaram o Anastácio e William e então o Duílio para o resgate. O Anastácio foi direto tomar banho e o William ficou no córrego que cruzava a estrada, lavando e bebendo água. Aí o Duílio falou: "Tão tomando água nessa coisa podre aí ?! Tem vaca morta por aqui". E deu dois passos e apontou: "Tá aqui, uma vaca morta", cinco metros acima de onde o William bebia sedentamente.

O Duílio nos trouxe também um presente: seis cervejas geladas e um guaraná para o Adriano. Secamos todas, empacotamos as tralhas na caçamba e voltamos para a casa da Sibeli. Lá o sogro do Adriano contou para o William que uma cachaça boa que tinha era remédio perfeito para vermes adquiridos de vaca morta. Aí o desesperado foi lá dentro e entornou um copo de pinga. Voltou com o esofago pegando fogo e aprumamos para Florianópolis, às 16:45 da tarde.

Um pouco de trânsito na serra e um muito no trevo da 101 para chegar em casa. Trekking puxado mas bem aproveitado, muito eficiente temporalmente falando, mas pesado fisicamente, foram 6h30 de caminhada cada dia, com pouca pausa e muito peso. Muito bom, visuais fantásticos daquelas serras infinitas. Boa compania dos amigos e objetivo atingido, tudo dez.

domingo, 24 de agosto de 2008

Re-início dos longões

Hoje foi dia de recomeçar os longos matinais de domingo. Serão oito ao todo até o dia 18 de outubro, quando começa o Desafio Praias e Trilhas 2008. Faziam quase dois meses, tirando a meia de São Pedro, que não fazia mais de 14 Km, descansando que estava do Desafrio.

Consegui deixar o Hélio e Fabi esperando, mas foi justo pois tentei ver o volei até o final, e ao acordar a garoa fina cobria a baía do Bom Abrigo. Mas aí já estava acordado mesmo e fui, peguei o Hélio e encontramos a Fabi, que lia calmamente esperando já por quase meia hora.

Saímos do Tilag e fomos pelo canto da lagoa, beco da lua e praia da joaquina até a própria, aí entramos no beco do surfista e subimos o morrinho para a mole, passamos um trecho de trilha totalmente gramado, deve fazer tempo que uma manada de humanos não passa por lá e chegamos no asfalto perto da mole. Aí voltamos pela rendeiras até o carro novamente.

Fechamos 2 horas cravadas num percurso bem variado de 18,5 Km, o menor dos longos segundo a planilhona que montei para o Praias... Hora de treinar de novo !! Ritmo 6:30/km.

As mulheres da AndarIlha estão me assustando. Terça passada encontrei a Taty na beira-mar de são josé, ela me disse estar fazendo uns tiros de 2 Km moderados, aí lá fui acompanhar. Ainda bem que ela voltou no primeiro trecho, estava já de língua de fora, a 165 bpm no 'moderado' dela. Hoje a Fabi estava dando sprint em subida, descia voando e acelerando sempre. Esse ano a AndarIlha vai dominar tudo !!!!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Ouro no salto e recordações

Vendo o VT da final do salto em distância, onde a Maurren Maggi bateu 7,04 metros e ganhou a medalha de ouro, lembrei dos tempos de atletismo na UDESC em coqueiros. Fazíamos todas as modalidades em 3 aulas semanais, tinha salto em distância, triplo, altura, corrida com barreira, etc.

Depois daquela época parei geral (nas corridas) e fui voltar só lá pelos 17 anos em dois triatlos, empolgado pelo Jacó, que treinava sério e ganhava coisas. Depois disso uma parada longa novamente até 96, desde quando comecei a correr de novo, começando com a carga toda e voltando às provinhas só em 2002. De lá pra cá, está cada vez melhor...

E pensar que em 96 correr era meio e não fim, era a forma de aguentar as caminhadas longas e as escaladas com mochilões nas costas.

E hoje a Maurren foi lá e detonou. Impressionante e emocionante a final, ainda mais pela forma como ela ganhou, batendo a melhor marca no primeiro salto e só esperando para ver se ninguém chegava, e a russa quase que chegou, faltou 1 cm, mas prova é prova, 1 mili-segundo ou 1 cm não importa, tá valendo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Volta à água

Voltei a nadar, junto com a minha filha. Depois de muita enrolação consegui me convencer e à ela também e lá fomos re-iniciar as braçadas.

Eu estava parado há um ano e meio e ela há três. Conversei com os professores e fomos pra água começar a aquecer. Nos primeiros 200 metros tudo ok, rápido e fluído, e a Laís já ia revezando pernadas e estilos.

Deixei a baixinha pra trás só nos 500 metros já com os braços tijolados, meio cansado e achando tudo um absurdo, antes nadava 2500, 3000 por aula curta e até 4500 em aula dupla. Agora estava arfando com 800 metros.

A água foi ficando pesada e fechei os 40 minutos com 1350 metros. A Laís fechou 1000 com facilidade. De volta à água, finalmente. Quero ver conseguir manter 2x semana com os demais treinos, mas era hora de variar um pouco. Normalmente usava os treinos de segunda para recuperar das corridas do final de semana, vamos ver agora.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Revezamento - a união faz a força

E os melhores não necessariamente ganham. Impressionante hoje a final do revezamento dos 400 metros livre na olimpíada de Pequim. Quem não viu que veja, pois foi uma final com uma assustadora recuperação da equipe americana, e o Phelps segue buscando o recorde de medalhas.

Incrível que na prova estava o francês recordista mundial dos 100 metros e na mesma prova um australiano quebrou o recorde da distância, mas quem levou a melhor foram os amigos do tio sam, que conseguiram equilíbrio milimétrico em uma disputa na casa dos décimos de segundo, recuperando o que já era dado como perdido nos últimos 25 metros.

Que o diga o resultado do mountaindo do costão do santinho este ano :-)

domingo, 10 de agosto de 2008

Treino de velocidade

Hoje fiz um treino diferente. Fui tentar fazer uns tiros, mas não treinava nada há 5 dias. A idéia foi aquecer em 2 km até a beira-mar de são josé e então forçar uns Kms.

Comecei o primeiro tiro a 145 bpm, acelerei um pouco tarde demais e aí forcei a partir dos 600 metros. Fechei em 4min02seg, a 178 bpm de máxima. Senti bem as pernas e trotei a 155 bpm até fazer a volta no final da pista, aí voltei 200 metros e comecei o segundo tiro parado na marca.

Saí já bem rápido e logo estava a 170 bpm, apesar de já estar aquecido era forte para os primeiros 200 metros. Continuei tentando não forçar demais, os batimentos dispararam e nos 800 metros passou o máximo programado, 183.

Terminei o Km em 3min53seg a 184 bpm, alto demais mas muito rápido, é o Km mais rápido que eu já registrei :-) . Interessante como no final acelerei mais ainda, os pés quase não tocavam o chão. Isso me fez lembrar de um artigo que li sobre amortecimento de impacto. Consta que os corredores mais rápidos podem correr com tênis mais leves (e consequentemente com menos amortecimento) justamente porque a velicidade propicia movimentos mais adequados e que distribuem naturalmente o impacto. Percebi isso hoje, o calcanhar praticamente não tinha tempo de 'afundar no tênis', muito legal.

Voltei a 155 bpm e fechei os 10 Km em 47 minutos e uns quebrados. Bom treino de velocidade, mas muito rápido para as pernas desavisadas.

sábado, 9 de agosto de 2008

domingo, 3 de agosto de 2008

Meia-maratona de São Pedro de Alcântara

Manhã de domingo e São Pedro de Alcântara - cidadezinha agradável aos pés da serra e uma das primeiras colônias alemãs do estado - acordou para receber algo como 280 atletas para disputar os 40 Km de moutainbike e os 21 da meia-maratona da Acorjs.

Como sempre, a AndarIlha marca presença, Fabi, Taty, Hélio e eu fomos lá conferir a corrida. A participar também do moutainbike, muito legal, que foi até Antônio Carlos e voltou.

Largamos as 9:15, logo após os bikers. Começamos no paralelepípedo e antes dos 2 Km chegamos num asfaltinho que dava acesso ao primeiro morro da prova, uma longa subida diagonal, daquelas que embaixo você vê as pessoas lá em cima. Um Km e pouco e muito suor depois, cheguei ao topo da estradinha, para voar morro abaixo até uma estradinhas margeando o rio Imaruim.

Fiquei sozinho, lá na frente, uns 200, 300 metros havia um pelotão bem coeso, aí fui mirando neles, chegando aos poucos nos que iam ficando e logo já tinha passado quase todos e grudado num pequeno grupo.

Passamos mais um morrinho, mais plano, aí uma subida bem forte aguardava os corredores. Subi aquilo sempre corrrendo, mas o coração disparou no final e acabei segurando na descida para recuperar os batimentos. No Km 8 os primeiros já voltavam, muito rápidos como sempre, ainda mais nas provas da Acorjs.

A prova voltava no Km 10,5, num topo. Água, meia-volta e toca a descer aquilo tudo... Passei bem cedo pela Fabi e Taty, 5as colocadas no feminino, e logo depois o Hélio vinha subindo.

Acelerei um pouco, a média estava beirando os 5min/km, pouco acima. Encostei num velhinho, categoria 60-64 anos, lá pelo Km 15. Ia rápido e fugindo do terceiro da categoria dele. Exemplo.

Achei que ia penar no morro do Km 2, mas o percurso ganhava altitude, e a volta é bem curta para pegar então a descida de 1,5 Km. Muito legal conseguir descer bem depois de 19 Km e 1 mês sem treinar direito. Acho que agora é reforçar na musculação, aquilo não deve ser tão saudável assim para os joelhos.

Passei quem mais eu via antes da chegada e fechei em 1h42min30seg, ritmo de 4min52seg/Km @ 170 bpm médios - forte ! A prova estava muito bem abastecida de água, com uma muvuca de chegada bem organizada com hidratante e frutas. Nota 10, até o percurso estava preciso desta vez.

Logo veio a Fabi, 5a colocada geral no feminino, aí a Taty em primeiro na categoria, 7a geral e bem depois o Hélio, ainda não está aclimatado a baixa altitude depois de 3 semanas no alti-plano !


domingo, 27 de julho de 2008

Sem tempo para correr, mas de volta aos treinos !

Quem é que tem tempo sobrando ? Eu tenho muita sobra de falta de tempo, ao menos ultimamente. Mas o importante é ser criativo e arrumar brechas onde puder. Como hoje, por exemplo, num treininho de 15 Km.

Saí de casa às 15:45 rumo ao córrego grande. Fui por coqueiros de leve, em torno de 150 bpm e após passar a ponte entrei no ritmo. Cravei 5min30seg e fui contra o ventão nordeste que soprava nesta tarde ensolarada. Temperatura bem agradável e o ótimo solzinho de inverno tornavam aquele treino solo quase um passeio.

Mas aí a gula começou a falar mais alto. Desde o desafrio estou em compasso de descanso, só voltei ao normal mesmo na última semana com dois treinos de morro e um cross em coqueiros. Eis que então no Km 12, lá pelo CIC, comecei a apertar o passo, mirando nuns Km abaixo de 4min40seg. Fui acelerando e passei o Km 12 a 4min35seg, muito bom, aí desacelerei até baixar a 150 bpm e então tentei baixar de 4min30 no próximo, mas não tive pernas. Fechou em 4min41seg.

Daí em diante desacelerei bem para chegar tranquilo. Valeu o treino, 15 Km em 1h19min46seg, 5min19seg/Km no total. A próxima é a meia maratona de são pedro de alcântara, domingo próximo. Boa hora de reencontrar a turma.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Tabuleiro sul - nada como uma boa roubada

A Petropolis-Teresópolis é a mais tradicional e conhecida travessia de montanha do Brasil, mas várias outras tem começado a despontar, destacando-se a da Serra-Fina, em SP. Temos pensado há vários anos em abrir uma travessia na Serra do Tabuleiro, e neste final de semana conseguimos ter uma idéia clara da empreitada. Muito boa, por sinal.

Decidimos explorar as bandas do morro das pedras, extremo sul do maciço do tabuleiro, acessado pela comunidade de Teresópolis (não, não é coincidência), em São Bonifácio.

Saímos às 13 horas de Floripa e em 50 minutos chegamos na entrada de Teresópolis, na verdade um trevo bem disfarçado, que dava acesso à estradinha que chegaria na fazenda Weber, passando pelas vilas do caminho. Um visual ímpar, margeando o rio cubatão, que ali se mostrava como uma lâmina dágua rasa e de pedras redondas aparentes. Vale uma boa pedalada também até a fazenda, algo por realizar.

Na fazenda conversamos com uma das donas e logo depois de caminhar uns minutos encontramos com o Sr. Alberto Weber, bisneto do fundador da comunidade. Ele nos deu as dicas e seguimos, já oficialmente pós-autorizados a ter invadido a propriedade.

Continuamos a pernada, a mochila há não maltratava os ombros há tempos e a bota de caminhada parecia de astronauta, acostumados estavam os pés a só suar em tênis levinhos. A trilha iniciava por uma estrada larga, passável de jipe, e ia ficando mais fechada, um caminho de carro de boi, mas óbvia ao extremo. Estávamos equipados com o estado da arte da era do satélite, GPS super-power do Aracajú (o meu estava emprestado), fotos do google, carta topográfica do IBGE e todas as coordenadas da trilha (da caminhada do irmão do Walter)... só que impressas em papel. Mas era muito tranquilo, então tudo ficou na mochila.

O William ia acertando todas as orientações do Sr. Alberto, passamos uma criação de abelhas, legal, tudo certo. Passamos outra, aí seguimos reto e erramos. Logo percebemos que a trilha ia para uma grota e voltamos, seguimos num lamaçal e a trilha abriu de novo. Mata atlântica preservada por todo lado. Seguimos e chegamos num beco sem saída, antes tínhamos visto uma entrada à esquerda, quase às '8 horas', que parecia não ser correta. Mas voltamos e fomos averiguar, a trilha fechava e continuava bem fechada, mas nuns 15 minutos saiu no 'rio grande' que a dona lá na fazenda tinha falado.

Beleza de lugar, mas era tarde, quase 16 horas. Metáforas à parte, estávamos numa encruzilhada daquele pedaço da nossa existência. Esquerda ou direita ? Subir ou descer o rio ? Contornar o morrinho à frente ? Seguir ao desconhecido ou ficar no confortável riozinho ? Os experientes aqui não levaram bússola. Tranquilo, o GPS tem. Liga, procura, cadê ? Não achamos. Orientamos pelo sol. Mas não tínhamos referência no mapa e a foto do google era praticamente um A4 verde-oliva.

Resolvemos marcar um ponto no GPS, o William descobriu como trocar o sistema de unidades para UTM e enfiamos a coordenada de uma 'porteira'. Depois de lutar contra o artefato, que insistia em explicar o caminho para a SC-431, descobri que a distância do ponto atual à 'porteira' era atualizada online. Andamos prum lado, aumentou, andamos pro outro, reduziu. Pronto, é pra direita. Desligamos o bichinho barulhento, que ficava bipando e recalculando nossa posição em relação à rodovia.

Passamos o que o meu cérebro otimista achou ser uma porteira (mas era só resto de uma cerca antiga), atravessamos um outro rio e chegamos numa descida abrupta para um vale bem amplo. Opa, ferrou, não é aqui. A 'porteira' estava mais longe do que de início, então resolvemos inserir a coordenada posterior, o 'fim da mata' no roteiro do Marcos. Estava bem longe, e andando descobrimos ser pro lado de onde viemos. Bom, pelo menos era 100 % certo que no rio deveríamos ir pra esquerda. Pensando agora, se íamos pra cima e o rio descia vindo da esquerda, óbvio que tinha que ser pra lá mesmo.

Voltamos rápido, continuamos do ponto em que cruzamos o rio antes e logo chegamos numa clareira triangular, com o bico mais pontudo do triangulo na subida. Fomos até lá e o azimute do GPS bateu com o waypoint do 'fim da mata', legal. Seguimos apressados pois estávamos muito baixo, 700 mts às 16:45 da tarde. Subimos rápido, o mais rápido que dava, e era bem rápido.

Saímos da trilha fechada às 17:30, bem ao por do sol. A face da montanha à frente estava alaranjada, espetacular. Um pico à direita parecia o cume, mas só parecia, como iríamos verificar no dia seguinte. Logo o sol sumiu, olhamos para um rastro de núvem subindo rápido e em 10 minutos tudo era branco. Tentamos seguir e achar o acampamento do tracklog impresso, mas era longe e rapidinho concluímos que teríamos que acampar na primeira água que encotrássemos. Mas tinha também que ter um chão plano. Achamos, acampamento pronto, agora é buscar água. Coisa trivial em casa, reclamamos de ir até a torneira mais próxima. Lá levamos uns 15 minutos para encher um litro, e ainda haviam umas criaturas se debatendo na água límpida.

Bem preparados como fomos, faltou gás pro fogareiro, e o William levou um aquecedor de fondue para usar de fogão. A água do macarrão não aquecia, e tivemos a brilhante idéia de fazer uma fogueira. Àquela hora o céu já estava todo aberto e seguimos a busca de um tronco seco. Achamos logo, em meio aos arbustos. Fogueira perfeita, a água ferveu logo e detonamos o insignificante macarrão. Cadê o chocolate ?!

Saímos para uns cucurutos próximos de lanterna, para fazer a digestão das 300 gramas de carboidratos do jantar e logo não precisava nem de lanterna, estava uma lua gigante. Chegamos num cumezinho, atrás parecia o maior. Voltamos pra base.

Tive o cuidado de apagar a fogueira com água de um charco que tinha atrás da barraca antes de dormir... E tive o descuidado de não levar uma camiseta seca pro acampamento... Tive que dormir com a camiseta empapada da trilha de subida, eca. Ô preparação perfeita.

Amanheceu fechado, mas quando abriu não sobrou nuvem acima da nossa posição. Saímos a perambular pelos cucurutos do morro das pedras, uma elevação levemente maior que a outra, tudo muito amplo, e revirado de caminhos de boi também, que são trazidos de são bonifácio por outra trilha. Devem perder todas as calorias adquiridas do capim para fazer o percurso. Lá daquelas paragens conseguimos ver o caminho até o tabuleiro de caldas. A geografia é acidentada, não é nada plano e tem uns 4 vales gigantes no caminho, vai ter muito sobe e desce !


Descemos rapidinho, até trotando em alguns trechos, é o hábito :-). Voltamos fazendo totens em todo lugar, agora não há mais dúvida nem lá por cima dos cumes. O lugar realmente é espetacular, a travessia sai com certeza, é mais longa do que o esperado mas sai. E o morro das pedras vale mais muitas visitas.

Voltei pra casa as 14 horas, 25 horas depois e bem a tempo de fazer tudo que deixei pra trás no sábado. E valeu muito, como toda boa roubada.