domingo, 28 de junho de 2015

Escalavrado no lugar do Dedo de Deus, muito bom !

Escalavrado !
Quando uma coisa não dá certo é ruim ? Não necessariamente. Uma outra coisa pode surgir... e ser uma boa surpresa ! No fim de semana do dia 20 de junho fomos para Teresópolis/RJ escalar o Dedo de Deus. Uma empreitada relâmpago, o plano era chegar sexta a noite, dirigir até o albergue, pseudo dormir, escalar sábado e descansar domingo pra voltar.

Porém sexta choveu muito na serra dos órgãos e sábado pela manhã era só garoa e neblina. Inviável escalar o Dedo naquelas condições, quando cachoeiras caiam na pista da BR-116 vindas lá de cima. O Anastácio, Adriano e eu ainda acordamos às 5h pra ver. Foi parecido com o Mattherhorn, mas sem os russos. Na verdade só tinha uma multidão de vestibulandos de medicina no albergue da juventude teresopolitano.

Então tivemos que preencher o tempo. Com litros de cerveja... Depois de perambular no lugar da CBF (interesse nulo pra um desinteressado em futebol, mas era bonito) fomos almoçar e zanzar numa feira de comidas. Daí então achamos uma cervejaria, uma miniatura de vila alemã com umas cervejas boas e depois de uns litros percebemos que o céu parou de jogar água.

Um plano já antigo era escalar o escalavrado. Talvez no domingo... mas aí teve que ser no domingo. Olhamos alguns relatos no celular mesmo e depois de achar a entrada da trilha, fomos jantar pizza com mais cerveja e então dormir pra acordar cedo, o que se deu lá pelas 6:30 com céu azul.

Essa montanha é uma coisa impressionante. Tem uma das vias mais longas do Brasil, certamente a aderência mais longa, mas também uma trilha de escalaminhada muito divertida. Parece a corcova de um dinossauro, quando vista da estrada, com o Dedo ao lado... serra dos órgãos é um playgound...

Saímos do hostel já com tudo no carro, menos o casaco do Adriano que ficou na pizzaria. Deixei os dois na entrada da trilha e desci mais 2 km de carro até o posto garrafão para estacionar e voltei trotando estrada acima. Exatamente 8:30 começamos a subida, debaixo de uma micro garoa localizada bem em cima da gente. Ignorei sumariamente aquilo e segui.

A trilha começa numa calha de chuva com umas rampas de pedra molhadas, fomos seguindo apreensivos, divagando sobre a chuva que viria e logo empaquei num trecho diagonal ensopado, com um grampo ao final. Confabulamos se decidimos seguir, atravessei com cuidado e depois de uns 40 min finalmente entramos numa trilha batida e subimos direto por uma meia hora para então encontrar mais umas rampas.

O Anastácio vinha com a corda e eu e o Adriano começamos a subir numa linha de grampos, aderência e agarrões bons e então uma aderência longa, depois de um tempo o Adriano clipou num grampo, fiz o mesmo no de cima. Esperamos a corda chegar, digo o Anastácio, encordei e costurei no grampo e segui para o próximo, uns 5-6 m adiante. Só que ali não era lugar pra estar de tênis. Depois percebi que o caminho era mais à esquerda, acabei indo pela direita bem na borda do precipício da face oeste e quando vi estava escorregando pedra abaixo. Consegui parar sem deslizar muito, respirei e segui afoito até o próximo grampo. Quase chegando lá comecei a escorregar muito, desci feito um gato com as unhas cravadas na pedra uns 2-3 m. Que sensação horrível. Só pensei em não quicar, nem virar de costas, senão iria cair ralando e lixando tudo até a corda segurar. Não deve ser bom cair numa aderência.

Desescalei até o grampo, desci e pendulei pra esquerda e então engatei onde deveria, segui até acabar a corda e fixei numa árvore pros dois virem. Depois seguimos pela crista propriamente dita, uns pedaços de trilha rala e mais rampas intermináveis, muito legal.

Encontramos uma galera do rio, passamos e seguimos pra cima. O Adriano esticou mais uma corda e então pensamos que já era o cume, mas tinha mais uma corcova e mais um trecho delicado. Aresta estreita e molhada, tive que passar segurando num tufo de grama usando os joelhos pra dar aderência.

Depois de outra esticada do Adriano fiquei pra enrolar a corda e então seguimos até o cume, num visual espetacular. O Dedo ali do lado, o pão de açúcar visível lá no rio de janeiro... sensacional. Muito sensacional principalmente fazer essa montanha que estava na minha lista desde 1998 com esses dois parceiros de sempre.

Curtimos um pouco, comemos alguma coisa e descemos rápido sem parar, rapéis positivos, desescaladas e rampas. No final, descendo um trecho molhado resolvi ir pela borda da vegetação, umas raízes boas facilitaram a progressão. "Vem por aqui Anastácio, as raizes estão firmes". Isso até pegar numa raíz não boa, ela quebrar e eu despencar batendo tudo nas pedras. Parei com o pé esquerdo entalado e os dois cotovelos na pedra, com a cara a poucos centímetros do chão.

O Anastácio assustou mas me fiz de tranquilo, continuamos a descer e encontramos o Adriano já na estrada. Só larguei as tralhas e desci correndo os 2 km até o carro, comprei um gatorade, lavei os braços e esfolados e peguei o carro. Voltamos até a pizzaria, depois até a locadora de carro com o GPS perdido e então galeão. Menos de 48 estávamos de volta em casa. Uma bate e volta digno e bem aproveitado. Tava com saudade dessas. Valeu !


The team

O Dedo no centro e a estrada pra teresópolis...

Cume. Foto da foto.

Lá tá o rio...

Decendo




Muito legal a chegada das nuvens...

 
 

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Show mesmo ! Foi sorte, sábado era neblina no chão.... mas sendo chão lá em cima já hahaha.

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