sábado, 13 de julho de 2019

Mundial Challenge Samorin 2019

Uma prova surpreendente. Nunca esperei tão pouco de uma prova e raras vezes tive uma surpresa tão boa. Além da viagem que foi sensacional (não tenho blog de viagem então sigam a Laís no instagram :-), os dias de prova na Eslováquia foram absurdamente fantásticos.

The Championship. Um nome nada modesto para uma prova que tem tudo para crescer. Apenas na sua terceira edição, este ano teve algumas emoções fortes com o rio Danúbio ameaçando arrastar e congelar as pessoas nos dias que antecederam a prova.

Viajamos para Vienna na quarta-feira depois do Ironman Brasil. Eu ainda estava bastante cansado e sequelado de domingo. A saída de Guarulhos atrasou por problemas técnicos (tiveram que resetar os computadores do A350) e ao chegar em Madri era certo que perderíamos a conexão. Entretanto havia uma senhora acenando com cartões vermelhos de emergência logo no desembarque. Nos mandou correr, e corremos. Quer dizer, tentei. Literalmente andamos rápido e trotando por 20 min até entrar por últimos no avião. Imaginei que as malas não conseguiram correr no mesmo pace.

No desembarque, só a minha mala apareceu. Nada da da Laís ou a bike. Registros e reclamações e elas viriam num vôo 5 h depois. Havia a opção de esperar no hotel até as 13 de sexta, mas a Laís jamais perderia esse tempo de turismo numa cidade desconhecida. Decidimos pegar o carro alugado e esperar, jantando coisas de supermercado dentro do aeroporto até às 23h. Pegamos as tralhas e saímos pra Bratislava a meia noite. Uma chuvinha leve e chegamos na Eslováquia depois de 70 km quase as duas da manhã.

Na sexta pela manhã montei a bike e fui deixar a Laís no centro da cidade para turistar antes de seguir para o X-Bionic, o incrivelmente fantástico complexo de hotel, restaurantes e centro de treinamento olímpico em Samorin, a 20 km de Bratislava e centro da prova. Na verdade, provas. Haveriam provas de distância sprint e olimpica no sábado, além das corridas curtas e outros eventos. 

Peguei o kit rapidamente, explorei o local de bike mesmo e saí para pedalar no percurso ali pelas 12h sob um sol de torrar e vestido de preto. Lembrei de pegar a meia garrafa de água que estava no carro antes de me perder do caminho e sair pra uma rodovia errada. Mas estava tranquilo e segui 30 min até começar a voltar. Pernas absurdamente estranhas e potências ridículas. Guardei a bike no carro e fui nadar no complexo aquático. Que troço legal, várias piscinas e um mundo de gente nadando, não só atletas, mas crianças, velhinhos e muita gente que certamente não estava ali para competir.

Ao saír comecei a ver umas notícias da natação estar sob risco. Havia chovido muito na semana e o nível do rio estava muito alto e com muita correnteza, junto com detritos (basicamente pedaços de madeira e árvores), além da água estar muito fria. Aparentemente a natação das provas de sábado seria na piscina olímpica.

Almocei por ali mesmo e fui pra cidade encontrar a Laís. Deixamos as tralhas no hotel e fomos perambular pela cidade. Depois de bater perna por quase 3 horas, jantamos as 22. Fui dormir com um cansaço sistêmico. Tudo estava cansado, até os olhos estavam cansados de tanto ficarem abertos.

Sábado acordamos cedo e fomos direto pra Devin visitar o castelo - ficava a 15 km de Bratislava, então seria 'rápido'. Ficamos a manhã andando pelas colinas e escadas do castelo, bom pra soltar as pernas (os músculos dos ossos, talvez). Precisei, do verbo necessitar, tomar uma cerveja na base da colina, olhando pras muralhas de 1000 anos e pros campos verdes cheio de ovelhas. Voltamos pro hotel e dormi uma hora antes de ir pro X-bionic deixar a bike.

Lá o Sebastian Kienle me encontrou e pediu pra tirar uma foto. Extremamente simpático, tentou falar comigo em português (tudo bem e obrigado) e então me deixou em paz. Depois a Lucy Charles tentou me achar mas não conseguiu. Uma atmosfera muito legal no pré prova, com um sol espetacular e atletas do mundo todo preparando as bikes pro dia seguinte. Estrutura perfeita e simples: cabides para as sacolas ao ar livre e bikes em capa.

Fomos circular no complexo e então ali pelas 18 entramos no jantar de massas. Muito bom e ficou melhor ainda quando Laís descobriu que tinha cerveja. Não deu outra, comi demais e tomei uma cerveja. Às 22:00 botei as pernas pra cima e fiquei vendo atualizações no celular por 45 minutos, até parar de sentir a ponta dos pés de tão dormente que ficaram.

A prova não começava cedo, então tomamos café às 6 e seguimos pra Samorin. Lá ajeitei a transição e fui ver a largada dos profissionais. Tinha uns 800 metros até lá, então o tempo passou rápido entre voltar pra ver a transição e ir pro rio de novo pra largar. Tinha uma placa com "14C water / 18C air". Bom, não tava frio no ar, então entrei na água pra aquecer. Consegui ficar 2 minutos e saí. Aqueci pulando no mesmo lugar. Ali vi que as pernas estavam bem melhores do que sábado. Bom sinal. Fui pro curral de largada faltando 3 min.

Largamos de dentro d'água num frio de arder os ossos. O percurso era um retângulo com a ida contra  a corrente, e que corrente. Muita corrente mesmo, mas depois de muito bater braço e procurar uma esteira cheguei no retorno e aí fui um foguete pra voltar. Difícil foi fazer a curva de 90 graus para sair da água, simplesmente não ia reto de jeito nenhum.

Até que não foi ruim, 33 minutos para 2020m. Saí correndo para a T1 e cansei no caminho, quase andei, mas jamais faria isso num mundial, é falta de respeito :-). Peguei a bike e saí todo feliz pra pedalar sem nenhuma expectativa. Até começar. Assim que saí do hotel comecei a pedalar firme controlando pela sensação das pernas, sem olhar números. No mínimo, o máximo, sempre. Mesmo que sequelado. Quase corri sem o garmin mas eu queria guardar os dados... então não olhei nada até o km 30.

O circuito da bike era simples e bacana: um vai e volta todo plano, com umas vilas no caminho e um trecho de 10 km por cima de uma barragem do Danúbio, com o rio de um lado e a Hungria do outro. Sensacional aquela parte. O retorno tinha um pouco de vento mas nada demais, só o calor começando a pegar. E que prova limpa. Com largada em ondas e pedal sem voltas, daria pra colocar o dobro de atletas sem problemas. Com apenas 800, não se via nenhuma aglomeração e todas as ultrapassagens e atletas em linha respeitavam a distância de 20 m da zona de vácuo. Deu gosto pedalar nesse percurso, ainda mais pelo fato de ser 100% fechado para carros.

Olhei umas poucas vezes para a potência e vi que estava ligeiramente abaixo do normal para provas de 70.3. Um pouco mais fraco mas com sensação de moderado. Então segui só pela percepção, mas sem afrouxar, afinal era um mundial.

Entrando na cidade e no complexo olímpico comi mais um gel (o terceiro) e descalcei a sapatilha. Fiz a transição correndo e fui largar a bike. Fiz uma transição lenta e aproveitei pra beber bastante (iria me arrepender depois). Saí pra correr e vi a Laís fotografando na saída. Ela estava por tudo, na saída da natação, da bike e em vários pontos da corrida. Local perfeito pro público.

Olhei o km 1 passar a 4:09 e tirei o pé um pouquinho. Comecei a correr controlando a respiração sem ofegar demais e sem olhar mais pace até o km 3 quando achei o Jader. Corremos juntos uns 2 km e no 5 vi que o ritmo estava muito bom, até demais. Mas nada de segurar... era um mundial kkkkk. O percurso da corrida é único. São três voltas dentro do x-bionic, pegando todo tipo de terreno: areia, grama, terra, asfalto e concreto. Só tem uma subida minuscula por volta, para pegar o topo de uma barragem ao lado do rio.

A segunda volta foi firme e comecei a tomar coca cola e pegar esponjas com água gelada, pois o calor se fazia presente as 14:00. Nunca larguei tão tarde na vida, 9:40 da manhã, então nunca corri a meia de um meio tão tarde. Fez bastante calor mas nada insuportável, dado o suporte dos postos de hidratação. O segredo é molhar a cabeça.

A última volta foi mais dolorida mas ainda assim impressionantemente boa, tanto no ritmo como na sensação. E uma vontade alucinada de fazer xixi ficava cada vez mais forte. Mas sem chance joga um minuto fora num mundial.

A corrida estava tão boa que em certos momentos eu dava risadas em voz alta pensando em como estava sentido as pernas na sexta feira. Como é que pode aquilo ? Simplesmente não sei, só sei que 4 dias com as pernas empedradas, 24h de vôo e dois dias perambulando, dormindo e comendo não tão bem ainda assim deixaram as pernas prontas pra diversão.

Peguei a bandeira antes de cruzar o pórtico e cheguei feliz da vida, satisfeito de ter feito a força que consegui, sem me explodir e sem deixar sobrar muita coisa. Que baita dia ! 4h36min, corrida para 4:26/km, bike 38km/h e oitavo lugar na categoria.

Logo encontrei a turma de brasileiros na prova, ficamos nas piscinas de gelo e área de alimentação por um bom tempo antes de sair. Só fui pra Bratislava às 18h.

Ainda fomos conhecer a UFO bridge desde o topo do UFO. Saindo de lá não queria andar pelo centro pra jantar então fomos num shopping, imaginando que seria uma boa opção para jantar. Mas apesar do céu claro já eram mais de 22h e foi o contrário: só tinha um McDonalds aberto :-D.

Os quatro dias em Bratislava foram divertidos, intensos e cansativos. Para descansar, partimos numa viagem de 12 dias, 15 cidades, 5 países e 2600 km rodados já na segunda feira pela manhã. Mas isso já falei, é instagram da Laís :-).


O famoso cavalo de corrida do X-Bionic


Devin castle. Napoleão explidiu o lugar. Miserável... 
Não usam máquinas de cortar grama. Usam ovelhas. Sério.
  
Ooops

O campeão da prova. O de preto. Claro.

Natação paralela, público perto e segurança

2 minutos de aquecimento

Pequena torcedora, filha preferida :-) 

Largada 45-49

A distância era grande

E tinha escada....

Acho que gastaram todo o tapete vermelho da eslováquia nessa transição

Achei que a bike seria uma desgraça a foi boa !


Corrida na grama fugindo dos gringos

Trecho de concreto nos passeios dentro do x-bionic

Finish line

No mínimo o máximo
Visual do Danúbio desde a UFO tower 


UFO de disco voador mesmo. Tem um troço igual um disco voador no alto da torre da ponte, e lá tem um restaurante e mirante panorâmico 360 graus. Nada medieval.



quarta-feira, 29 de maio de 2019

Ironman Brasil 2019 - Race Report

Bom, mas não o suficiente. Ainda assim, extremamente recompensador saber que fiz o melhor que podia em cada momento da prova. Uma prova tão longa decidida em tantos pequenos detalhes...

Desde 2016 não conseguia fazer um ironman floripa redondo, foram 3 pneus furados na chuva em 2016, um tombo em 2017 na bike e 2 furos nos pregos terroristas em 2018. A principal coisa que eu queria, antes da vaga, era uma prova onde tudo só dependesse de mim mesmo. E assim foi. E, como sempre, cuidado com o que você deseja, pois pode conseguir 😎.

Depois de uma periodização muito bem feita, larguei numa semana corrida, com trabalho até as 18 horas de sexta. Sábado só descanso absoluto exceto 20 min de ativação na bike e corrida. Muita comida e hidratação, mais pernas pra cima e então dormir.

A largada desse ano foi linda. Um sol espetacular brotou bem as 7:00, como faz todos os anos. Mas dessa vez eu aguardava sentado na areia pela minha onda as 7:21. Observei 19 drones sobrevoando a arena da natação, comi, bebi e quase dormi de tão tranquilo que estava.

Alinhei ao lado do Galindez, multi campeão da prova e agora colega do age group. Quando ele faz aniversário mesmo :-) ?! Larguei muito bem, tranquilo e assim foi por toda a natação, uma natação feliz, reta e sem esforço exagerado. A única ressalva foi que o garmin quase foi nadar nas profundezas do atlântico, peguei e abotoei de novo no pulso sem tirar a cara da água. A natação é uma etapa curta, mas pensando bem é muito complexa. Você precisa respirar, coordenar todos os movimentos, evitar ser atingido e espancado e ainda assim nadar reto e rápido. Nesta modalidade é onde tenho encontrado o melhor custo benefício de treino e retorno. Com um treino inserido a mais na semana (totalizando uns 10.000 semanais total), consegui manter o resultado dentro da faixa competitiva. Isso veio depois da prova de Garopaba que me ligou o sinal amarelo. Conversei com o Roberto e essa estratégia deu muito certo. Sem nadar dois meses de dezembro até meio de fevereiro, não posso não gostar do resultado da primeira etapa da prova. 

Transição rápida e saí pro pedal tranquilo e logo cheguei em canasvieiras... parecia uma brisa a favor, mas estava a favor na ida pro centro também. Nos túneis a média estava em 38/h e então voltei fazendo um bocado de força para fugir de um pelote chato até jurere, e segui assim também até canasvieiras. Lá aliviei bem pra ida com vento a favor, de modo a manter a normalizada no alvo. Consegui gastar energia a toa, pois o pelote passou e foi embora 😡. 

Segui pro sul e nas duas voltas na baía sul dava pra ver que havia algum vento, que se manteve na volta toda. Vim com 37.5 se média deixando a potência cair deliberadamente, mas acho que já tinha feito algum estrago com aquele bloco de 30 km mais forte. Cheguei em Jurerê ao final da segunda volta com 36/h e quase a mesma potência da ida. 

Transitei rápido e saindo pra correr vi o tempo de prova. Teria que correr pra 3:20-22 se quisesse ficar na faixa de tempo provável da vaga. 

Levei uns km pra decidir e decidi seguir no ritmo que estava fácil pro inicio, mas que ainda assim era forte. Não achava que daria pra segurar aquilo mas era tentar ou tentar. Correr na zona de conforto pra fazer um tempo de completar não me inspirava muito. Só que arriscar envolve riscos ;-). 

A primeira volta  foi ótima e na segunda já comecei a sentir umas sequelas nos quadríceps. Apesar disso todo o tempo a alimentação estava boa e o foco bom, então resolvi manter até onde desse daquele jeito sem medo de explodir. 

Do meio da terceira volta em diante a coisa ficou feia. Pernas se rebelando, pesadas e começando a travar, com os quadríceps doendo a cada passada. Foram 17 km de puro deleite, só que não. Senti a prova escorrer pelos dedos, tendo ouvido a última parcial quando estava em 5o na categoria. Sabia que tinha feito um pedal bom então também sabia que tinha gente que corria muito bem vindo na caça. 

E virei presa 🤦🏻‍♂️😂. Acabei terminado em décimo na categoria, bem sequelado e exaurido. E isso é muito bom. Não deixei de tentar. E deixei o que podia no percurso, tendo que administrar umas dores miseráveis por boa parte da corrida. O que não vem fácil tem mais valor. Apesar de não satisfeito, estou extremamente feliz pela prova. Cada uma é única e ensina o que a gente às vezes não entende na hora, como diz o mestre Lemos. Melhor tempo na distância, melhor resultado na categoria e na geral numa prova de IRONMAN. Era o que tínhamos e o que usamos para o dia ;-). 

Não se faz uma prova sozinho, e a torcida, família e amigos tornam o dia exponencialmente mais especial. Muito obrigado a todos ! 

Em especial MUITO OBRIGADO a minha família que pela décima vez passou o último  domingo de maio correndo pra lá e pra cá em Jurerê, torcendo e me incentivando. Amo vocês. 

———

Fotos by Duks, Louise, Lais, Daiane e Kilder. Se esqueci de alguém, sorry. Postando no iPhone 🤷🏻‍♂️😂.


























segunda-feira, 18 de março de 2019

Training Camp Urubici - Carnaval 2019

Organicamente organizado, tivemos um camp fantástico de treino de montanha em Urubici no último carnaval. Foi uma experiência sensacional reunir uma galera empolgada, vários participantes do Fodaxman, amigos e familiares, para curtir o feriado longe da loucura da cidade, no meio da loucura das montanhas.

Basicamente focamos em treinos de ciclismo de grande altimetria e longa duração. A coisa também envolveu corrida e até uma natação num cânion de rio gelado. Junto a tudo isso, churrascos, jantares de massa e sessão de cinema complementaram o pacote.

O sábado foi de aclimatação e treinos mais curtos, mas nem de longe simples. Uma parte da galera pedalou 2 horas na SC 370 e então foi para uma transição bizarra - subir os 16 km do Morro da Igreja. Outros dedicaram-se a escalar a montanha a bordo das bikes. No final de tarde, sessão de cinema, jantar de massas e confraternização.

No domingo fizemos o percurso da Serra do Rio do Rastro. Saímos de ônibus da cidade às 6:00 e começamos a descer a serra a partir do mirante e então retornamos até Urubici, no percurso que compreende os dois terços finais do ciclismo do Fodaxman. Na chegada, churrasco e piscina e então descanso para o dia seguinte.

Segunda feira saímos em direção à São Joaquim, fazendo um dos percursos mais legais da região. Tivemos um dia bem variado, com frio ao amanhecer, muito vento e sol ao meio dia. Depois do já tradicional churrasco, fomos até o rio Sete Quedas fazer uma trilha de 20 minutos rumo a segunda queda dágua, uma piscina natural gelada e revigorante no meio da mata. Acabamos o dia novamente na sorveteria do Açaí.

No dia de vir embora, reunimos às 6:30 para um longo de corrida que variou de rodagem de 14 até 24 km, todos no seu ritmo, pelas estradas rurais também percurso do Fodaxman, num cenário inc´rivel para fechar o feriado intenso de treinos e diversão.

Neste camp tivemos a assessoria da UP SERRA, do Marcus Zilli e Alderan Israel. A empresa organizou toda a logística de apoio no ciclismo e na corrida ao morro da igreja, com transporte, hidratação, lanches e acompanhamento, além de cuidar das autorizações, dos churrascos pós treino e do jantar de massas e espaço para a sessão do documentário. Uma estrutura excelente à disposição dos entusiastas dos esportes em Urubici. 


Bus de apoio

No pedal Urubici - São Joaquim

Acampamento de bikes

Nós vamos Lá !

Urubici com o cobertor de neblina

Sequelados e felizesz

Subindo a Serra de Urubici

Galera reunida no mirante da Rio do Rastro !
Segunda queda dágua - rio Sete Quedas

Bora pro próximo !

sábado, 16 de fevereiro de 2019

domingo, 20 de janeiro de 2019

Fodaxman Exteme Triathlon - edição 2018

A imponente Serra do Rio do Rastro

A terceira edição do Fodaxman foi épica em todos os sentidos. Extrema, brutal e espetacular, foram os adjetivos que ouvi e que melhor descreveram o dia 15 de dezembro de 2018.

É um privilégio sem tamanho poder organizar e ainda correr essa obra prima. Sim, criamos uma obra prima do esporte de endurance. Tivemos a ousadia de unir dois ícones do esporte no Brasil num percurso só, a serra do Rio do Rastro e o Morro da Igreja, que por questões que fogem a nossa compreensão, estão separados por uma distância viável para uma prova de triathlon full distance ponto a ponto. E para tornar a obra completa a partir deste ano mudamos a largada para um local espetacular e acolhedor, que tornou a natação uma coisa fantástica.

O lado da organização foi intenso. Reforçamos a a estrutura em tudo o que foi possível, ampliamos a divulgação da prova e dobramos a quantidade de atletas. Trouxemos novos patrocinadores e inventamos moda ao preparar o kit de prova mais recheado da história. Tudo isso ao longo de um ano de trabalho e parceria, pontilhado por infinitas trocas de mensagens, reuniões, vídeo-conferências e transmissões ao vivo. Fabrício, Manente e Palhares, obrigado por essa jornada, é só o começo e o céu não é o limite.

Falando sobre a prova, a largada agora acontece na Barragem São Bento, um recanto espetacular no pé da serra. Uma vila inundada pela represa que abastece Criciúma e toda a região, no município de Siderópolis.

De lá, seguimos até Criciúma e então continuamos no percurso original de todas as edições. Tivemos uma redução de 7.5 km na distância mas ganhamos uns metros verticais a mais. Além disso o pedal é mais tranquilo, evitamos a BR-101 e os primeiros 7 Km antes de Nova Veneza, a cidade sede da largada, são feitos numa estradinha dentro da mata que é uma maravilha.

A estrutura de uma prova dessas é um desafio logístico que só é possível com o empenho de todo o pessoal que trabalha na organização. É uma quantidade absurda de detalhes e material para dar conta nos 3 dias que compõe o evento. Árbitros, médicos, quiropraxistas, fisioterapeutas, fotógrafos, cinegrafistas, staffs. Todos se desdobraram em várias funções e o mais importante de tudo, se divertiram muito. Alguns se decidem ali e na hora a participar de edições futuras. A todos, sem exceção, obrigado novamente. Manente e Fabrício, vocês foram inacreditavelmente incríveis.

Não bastasse toda a logística e distâncias envolvidas, ainda temos a variável mais incontrolável de todas, que é o clima. Sendo a serra um local propício a variações, este ano ela fez jus à fama. Tivemos extremos de todos os tipos. Começamos com um dia escaldante, quente já na madrugada, seguimos torrando no ciclismo e a partir da serra todas as condições apareceram, ventania, neblina, sol, chuva, vento e granizo. A chegada no morro da igreja foi épica. Não foi linda como a do ano passado com a grande bola alaranjada se pondo, mas foi linda com a névoa dando o ar de mistério àquela subida magnífica que é o morro da igreja.

A minha prova foi praticamente perfeita. Consegui encaixar tudo de um jeito natural, inclusive a alimentação.Dessa vez meu staff foi o Jeferson Cassol, abduzido recente pelo Triathlon e simplesmente perfeito na função. O Fodaxman é um prova individual, mas na prática é em dupla.

Nadei relativamente mal, senti muito cansaço nos braços e até achei que a roupa estava me trancando algum movimento, mas era nos dois lados então não parei pra tentar arrumar. No último retorno passei ao lado da Luíza Tobar e saímos juntos da água. Transitei rapidamente e desci a saída da represa ao lado do Cini.

Segui bem e fácil até Nova Veneza e então comecei a ritmar e só ali comecei a alimentação. Tudo perfeito, passamos Criciúma e as serrinhas de aquecimento pré serra. Vários atletas embolados e o dia só começando... No Guatá resolvi botar uns extras de carboidrato pra dentro e segui pra parte mais divertida do ciclismo.

Lá pelos 30 km o Zinho havia me passado. Viria a ser o campeão da prova e passou muito rápido, mas em algum momento parou para trocar de bike e eu passei de volta. Ele me passou de novo e no começo da serra o vi trocando a bike novamente. Dali em diante só vi o nada na minha frente até Urubici....

Do topo da serra recuperei um pouco até bom jardim e então começou a pior parte do dia. Fiquei estranho com o calor, sensação de estar sendo cozido vivo. O Cassol jogou garrafas inteiras de água gelada na minha cabeça nesse trecho. Subi as subidas intermináveis até o Cruzeiro e então soquei a bota até o Pericó, para aproveitar um pouco de terrenos rápidos. De lá a subida até vacas gordas já não assusta tanto, dada a quantidade de vezes que treinei ali esse ano.

Demorei bastante na T2 para executar todas as funções necessárias e saí correndo ainda com camisa de ciclismo, para por gelo dentro dela. Ajudou legal. No final do ciclismo já tinha visto o Menuci e o Zinho indo e no começo da corrida os vi voltando, bem longe um do outro e muito rápidos.

Quando passei pela igreja vi a Luiza no que calculei ser uns 12-13 minutos atrás de mim. Ali tive a certeza de que ela me passaria em algum momento da prova. Pouco antes do início da estrada de terra comecei a ferver e me livrei da camisa. Logo depois passei em casa e vi todo mundo, que dessa vez não me viu na transição hahaha. Fui muito rápido e só os vi na passagem. Segui escoltando pelo Hélio montado no Herege e começaram as subidinhas, que pareciam leves mas eu caminhei. Não queria abusar dos tendões de aquiles.

A volta para o asfalto ainda estava muito abafada, mas em 3 km apareceu um vento sul forte - o norte durante o ciclismo era contra, e o sul ali também era contra. Ventos são sempre contra, não importa a direção.

No km 26 passei reto só berrando e dando highfive, mas peguei mais uma latinha de coca-cola. Foram umas dez durante a prova toda. Apesar de achar que a Luíza me passaria, eu queria fugir dela o máximo possível kkk, portanto esperei uma curva para parar no carro e trocar os tênis para um par mais levinho.

Dali em diante, até o km 31, temos o trecho mais íngreme da corrida, e finalmente depois de horas vi um carro de staff que não reconheci. Alguém estava no encalço e eu sabia quem era :-). Logo o pessoal de casa passou alucinado, meu pai dirigindo e a Daiane gritando "Tem uma menina vindo te buscar !" :-) :-) :-).

Passei a entrada do véu de noiva e o Heverton e turma apareceram. Já tinham me feito excelente companhia na serra do rio do Rastro, incentivando e dando força mais do que imaginam. O Rodolfo começou a correr comigo um trecho e logo entramos numa rampa de concreto. A Luíza simplesmente passou correndo. Ela não caminhou um passo na maratona. Foi um desempenho espetacular e absolutamente fantástico. Ela fez a prova toda na percepção, saímos juntos da água e com 13 min de déficit na T2 ela me passou no Km 35 a abriu mais 12 min, ou seja, tirou 25 min na maratona \o/. Incrível !

O cume foi especial. Chuva torrencial e neblina, raios e trovões, uns ventos e um bom frio, e aí ao chegar, depois berrar a plenos pulmões e abraçar todo mundo, vimos que a pedra furada apareceu ! Indizivelmente épico, ainda mais recebendo a medalha das mãos do Manente e com a família toda lá em cima !

De todas as situações e momentos da prova, o que mais me lembra dos extremos do dia foram dois comentários do Éder, nosso Quiropraxista. Segundo o Rodolfo, é o cara mais empolgado do planeta ao assistir uma prova de Triathlon. Pessoa sempre disposta a ajudar tudo e todos, no começo da corrida ele foi de carro me incentivar e me alertava: "Cuidado com o calor, tá quente demais. Hidrata e pega bastante gelo". Umas três horas depois o encontrei novamente empolgando os atletas no morro da igreja, e o comentário foi: "Tá muito frio lá em cima, se protege bem" !!!

Parabéns a todos os atletas que se lançaram nessa jornada ! Todos sem exceção estão de parabéns. Tiveram a coragem de começar ! Nos vemos no dia 14 de dezembro no topo do morro da igreja.

Dados técnicos

Alimentação foi simples: batata cozida (6), 2 bananas, 2 gels, muitas medidas de Dux Kick, castanhas e mariolas. Levei uns 20 litros de líquido, sendo 6 de água de coco e 12 latinhas de 200 ml de coca cola, além de suco de uva e muita água.

O pedal foi bem consistente e eficiente. A corrida foi melhor que o ano passado por pouca coisa, mas foi mais constante e melhorei a subida. A natação foi meia boca, porém não foi ruim.

Muito calor na metade final do ciclismo e início da corrida, onde o termômetro marcava 33 graus. Da metade em diante vento sul mais frio e em seguida chuva. A galera que estava mais atrás pegou uma bom da dágua feia em urubici, com enxurrada e granizo.

Aqui os links do pedal e da corrida. Na bike faltam cerca de 2 km no início pois fiz bobagem com o garmin. Galeria de fotos do Flows aqui !

Fotos

Espelho dágua da Barragem São Bento, com a torre da igreja e a serra ao fundo.
Espetáculo uma natação num lugar desses.


Área da transição 1


Fabrício e Éder na pré largada 


Foto noturna em longa exposição. Os vaga lumes aquáticos somos nós, os nadadores

Tipo, terminar a natação antes de amanhecer, só no Fodaxman

T1

Saindo da T1
A serra dando os primeiros sinais de violência :-)))
Galera da AR Sportswear se divertiu durante a prova !
Muito obrigado pela parceria ! 
Indescritível

Ao infinito, e além !
Jeferson Cassol me abastecendo de batatas no percurso :-)))

Depois da Serra do Rio do Rastro tem muita subida, mas também tem descidas
E aí voltam as subidas



Staffs impedem a fusão do núcleo do reator !
A cada hora, meio litro de água de coco gelada com sal 

Essa foto ganhou as mídias sociais. Era contra vento, e vejam só o posicionamento dos atletas.
Não tem fiscalização ostensiva... mas também não precisa :-)))

Percurso da maratona 
Era uma vez no oeste



Escolta !
Maratona
  
Pensa na sequela do vivente...

Simulação de corrida nos kms finais do Morro da Igreja

Última curva antes da chegada

Sequência da chegada, simplesmente épico











Turma boa !

Paulo Santi, o chefe do Parque Nacional de São Joaquim !
Muito obrigado pelo apoio ! 

Na mídia !
Fotos do Duks/Moveon, Flows e AR