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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Indomit Ultra Trail 2015

Pódio da 40-49 100% Floripa !
Uma prova de trail run com 100 km, 2600 metros de subida aculumada, 7500 calorias consumidas, 12h25min ininterruptas. Oito litros de líquido ingerido, 1 bolha no pé, primeiro lugar na categoria e oitavo geral, duas horas a menos do que no ano anterior. Talvez essa tenha sido minha obra prima de corrida até o momento. Track do GPS aqui e resultados oficiais aqui.

Bom, vamos ao relato que vai ser longo. Quem não tiver paciência já viu o resumo acima haha.

Depois da inscrição, praticamente desliguei da prova até setembro, pois houve no meio o Ironman Floripa e 70.3 Rio, que foram os objetivos até então. Porém a Indomit era o objetivo de longa distância do ano, e queria voltar pras trilhas como nunca.

Depois do rio já começamos os treinos focados na prova, com uma rampa ascendente no volume de corrida porém ainda com as outras duas modalidades como apoio e complemento. Um volume total razoável, semelhante a época de ironman mas ainda assim totalmente assimilável.

Os longos específicos foram 4, um de 28 na cidade e três nas trilhas, sendo um de 40 km em Urubici, outro de 45 no sul da ilha e mais um de 23 em Urubici, todos com muita altimetria. Isso foi tudo, após agosto e setembro focado no 70.3 do rio. Ainda estavam lá os treinos longo na quarta, de ritmo e tiro na corrida, algo surpreendente e que foi bastante útil na prova. O pico foi 92 km na segunda semana. Na verdade também teve outro treino sinistro. Um intervalado de 25 km 15 dias antes da prova. Acabei acabado mas entendi que era pra terminar cansado. Foram 8 km moderados, 4 x 2 km muito forte e 8 km forte. Os 8 finais foram de arder, difícil mesmo manter, mas simulou um fim de prova.

Dito isso, estava muito confiante em fazer uma boa prova, mas sem imaginar que daria pra terminar num top 10, ainda mais quando soube que eram 200 na distância e 42 na categoria.

E então veio a semana da prova, pra gente entrar em polimento e dar origem a algumas dúvidas. Corro ou não na chuvarada na quarta ? Que equipos usar, alimentação e toda a tralha. Levar trekking poles ? Uma confusão mental que só piorou com o aguaceiro que castigou a região a semana toda e as notícias da organização de mudanças de percurso.

El Cruce 2014 pré Indomit 2015
Na quinta vivi um dos privilégios de fazer essas corridas, que foi jantar pizza com vinho e cerveja com três espécimies do El Cruce 2014, Anastácio, Marco e Fábio, que veio do Rio pra fazer a prova. Muito papo e discussão sobre corridas e palhaçadas, como sempre. Saí de lá com a cabeça aliviada de ficar arrumando detalhes de equipamento, foi ótimo.

Na sexta estava totalmente zen. Bem diferente do ano passado, consegui dormir umas 4 horas a tarde e fui pra lá depois de jantar comida de verdade, não comer pão com suco de laranja. O Adriano me levou e fiquei por lá comendo mais um misto quente e esperando a galera pra largar.

Pedi pra Taty pegar meu kit e então fui procurá-la. Peguei o número e chip, ajeitei  a mochila finalmente e estava pronto às 23:30. Daí comecei a ficar com sono. Encontrei o Fábio, o Carlos Doc, Daniel Meyer, Felipinho, Débora, Gian, galera toda de Floripa, parece que todos se conhecem nessas provas e conhecem mesmo. A camaradagem não tem paralelo em outros esportes. É competitivo claro, mas sob certa ótica não é  Todos se ajudam, é outro mundo esse ultra trail.

Depois de umas fotos fomos alinhar e concentrar pra partir exatamente às zero hora de sábado 7 de novembro. Noite calma, sem vento e até bem aberta, 18 graus.

Diferente de 2014, dessa vez largou com 1 km por dentro da cidade e logo entrou numas subidas fortes em estrada de terra. Estava tão fácil correr que comecei a rir ali, comentei com um atleta que passava que se não soubesse o que acontecia com a gente lá no km 60, 70, com certeza sairia mais forte. Ele parece que se assustou porque ficou pra trás rápido.

Pra que a pressa, tem 100 km pela frente :-)
Desde o longo de 40 km em Urubici resolvi correr na percepção. Levei o GPS para ter o registro, altimetria e tempo, mas deixei o tempo todo na tela de relógio (que coincide com a duração da prova, se você largar a meia noite) e só olhava as parciais de km muito raramente.

Incrível como a gente vai aprendendo a perceber o desgaste, as sensações. Em nenhum momento segurei deliberadamente o ritmo, mas corri leve o tempo todo. Parece que a cabeça sabia exatamente o que fazer, o que havia pela frente.

Depois do primeiro morro de estradão, entramos na primeira trilha em descida forte. Totalmente enlameada, logo levei um tombo bonito e lambuzei tudo de barro. Muita gente caiu também e logo todos se acalmaram.

Comecei a descer mais rápido quando o terreno ficou mais cheio de pedras e aderente e daí virei feio o pé esquerdo. Assustei bastante mas não parei um segundo, continuei correndo apavorado pra ver se estava tudo em ordem.

Por alguma razão depois disso virei o pé várias vezes ainda. Só que em todas, a perna afrouxava na hora e o tornozelo não torcia. Não entendo esse mecanismo mas fico feliz dele existir.

No final da descida encontrei o Felipinho e seguimos juntos um bocado de tempo, pegamos um asfalto longo e saímos na beirada da BR 101, que atravessamos por cima da passarela. De lá mais um par de km e então o primeiro posto grande de apoio no km 23. Parei lá e o Felipe seguiu.

Bebi bastante e comi meia banana, ajeitei as coisas e saí embolado com mais dois atletas e com um monte de gente chegando no posto. Não vi mais o Felipe. Aqueceu, ligou o turbo e foi à caça dos líderes.

O trecho a seguir foi cansativo mentalmente, uma estrada mimimamente ondulada sem fim, 9 km indo e então voltava. Até ali um cachorro acompanhou por um bom tempo, bicho divertido.

Chegando no retorno comecei a contar os atletas na frente. Primeiro o Giliard, logo depois o Magno, daí então vi o Daniel Meyer com o Gian e Douglas, aí então veio mais alguém que não sei quem era e o Felipe já em sétimo. Cheguei no posto de controle e vi que era o 11º. "Ok, é o começo, daqui a pouco sou atropelado pela cavalaria". Segui tranquilo mas comecei a acelerar na leve descida, voltei rápido pro posto e peguei a sacola de apoio.

Dessa vez tivemos duas sacolas, no km 38 e no 78. Ali no 38 antes das 4 da manhã, não poderia deixar nada de material noturno mas tive que pegar boné e óculos de sol e passei um tico de protetor na cara e pescoço. Vai que sai um sol... Peguei também o restante da alimentação e saí de lá bem pesado com a água reabastecida.

Toquei pra BR, e passei pelo Batman. Sério, um cara com máscara e capa de Batman correndo no meio da noite... Tenho quase certeza que vi isso. Sim, eu vi. Alguém precisa confirmar.

Atravessei novamente pela passarela e fui pro sertão de santa luzia, de agora em diante o percurso era igual ao do ano passado. Passei no posto de largada da prova de 50 km e entrei nas trilhas intermináveis do sul de bombinhas.

Foram 16 km e muito tempo de trilha, totalmente sozinho. Absolutamente sozinho, incrível isso. Encontrei o Gian com o joelho machucado, uma pena. Fiquei triste, mas estamos expostos a isso e temos que aceitar que faz parte da prova, embora seja um pé no saco. As provas continuam e ele vai se recuperar logo.

Encontrei dois socorristas do bombeiro e avisei, segui pelas trilhas amanhecendo, um espetáculo. Céu laranja e a bola subindo do mar. Que privilégio sem tamanho poder presenciar aquilo. Mais de 6 horas correndo, a madrugada toda. Friozino, e então o sol aparece.

Segui mais um pouco e as sete horas tomei uma bomba calórica que tinha levado, 2 1/2 medidas de GU em pó, de uma vez só. Comi mais uma mariola pra arrematar e saí 'satisfeito' :-). Na falta de um café da manhã, foi o que tínhamos para sábado.

Depois de muita trilha, praia deserta de areia grossa e rios, cheguei finalmente à praia de Zimbros. Tive que parar para esvaziar a lama e areia do tênis num rio de águas cristalinas, tomei uns bons goles e parece que acordei de vez. Já tinha tomado uma cápsula de cafeína de 100 mg mas o sono pegou novamente como no ano passado, na alvorada.

Ali mais ou menos nos 60 km vi que estava em 9º e comecei a acreditar com mais força num bom resultado, top dez e quem sabe levar a categoria. Dos que vi à frente sabia que todos ou iam pra geral ou não eram da categoria... Saí de zimbros correndo fácil na praia dura e mais ou menos nessa altura comecei a correr trechos com o Cleverson Polhod e o Marcelino. Num ponto o Cleverson perguntou da categoria e concluímos que provavelmente um de nós ganharia. Muito legal competir dessa forma... mais legal ainda quando os atletas se tropeçam a prova toda, foi ele que encontrei com o olho machucado por uma queda no PC do km 23...

Depois de correr até canto grande encontrei de novo o Marcelino no fim da praia, começamos a subida cruel do morro do Macaco. Um visual estonteante pra todo lado, trilha fantástica, mas que cobrou o que restava das pernas. Parece que a organização achou todos os morros do mundo e colocou no percurso.

Falando em organização, que prova ! Não sei do que reclamar, peguei tudo perfeito, fazia questão de agradecer aos staffs, conversar. Muitos deles elogiando e impressionados com a gente correndo. Nota dez com estrelas. Ficar a madrugada toda parado feito poste pra indicar o caminho, preparar toda a alimentação e hidratação, cuidar  dos postos de controle. Um trabalho que realmente temos que dar valor. Num determinado momento quando vi onde estava enfiado um posto de controle, tive que achar que a inscrição foi até barata.

Voltando ao Macaco, pegamos a segunda pulseira lá no topo e despencamos morro abaixo. O Marcelino tomou a frente e logo começamos a ver muita gente subindo, uns 6 ou 8 e a líder do feminino junto, todos a menos de 10 min.

Como estava acreditando, fui forçando o que dava, claro que isso não se traduzia em ganho de velocidade, mas em redução de lerdeza, o que é produtivo da mesma forma. Se alguém fosse me passar tudo bem, mas não seria por falta de esforço da minha pessoa ;-).

Encontramos o Cleverson nas trilhas pra praia da Tainha e seguimos os três conversando pouco e revezando. Na praia saímos para as estradas empinadas que nos levariam até mariscal. Parecia um monte de morros do sertão. Um sol de rachar e um desespero de calor e sede já com o resto de água quente. Não terminava nunca, até que saiu na praia e segui até posto de apoio no km 78, onde havia uma sacola.

Deixei tudo o que pude de material lá, bebi um litro de água de coco de uma vez, comi e bebi mais coca cola, enchi a mochila de água e gelo e me fui pra praia de quatro ilhas passando por um trecho de asfalto fervente e muito inclinado.

De lá pra bombinhas, cheia de gente curtindo o mar e sol. Os morros não tinham acabado mas as praias já eram maioria no percurso. Dava pra correr legal mas estava com uma leve dor no iliotibial esquerdo, certamente 'estirado' pelas viradas de pé constantes. Nas descidas doía, nas subidas parava e no plano ficava indeciso.

De bombinhas fui pra bombas e ali veio o Thiago mais ou menos no km 90. Mereceu, passou firme depois de um tempo e se foi. Logo depois disso, passando ao lado de montes de restaurantes praticamente em cima da areia, parei para um pit stop fisiológico de alta complexidade. Em 4 minutos estava de volta na areia correndo.

E então veio a trilha pra porto belo. Uma pirambeira que parecia ter mais lama do que as da madrugada. Impressionante a falta de agilidade com que eu me movi lá. Não achei mais ninguém desde canto grande e o ipod resolveu pifar, durou muitas horas de música que distraíram bastante. Comecei a cantar sozinho e veio um casal caminhando no final dizendo que eu era o primeiro que passsava ali sem cara de quem tinha levado uma surra. Comecei a rir e logo saí na estrada e então asfalto final.

De lá até a chegada é uma estrada asfaltada ondulada por uns 5-6 km e então mais 2 km planos até a chegada. Ali comecei a olhar pro relógio e pra trás de vez em quando pra ver se não vinha ninguém. Incrível correr sozinho tanto tempo assim, coisa tão dura mental como fisicamente.

Fui chegando e um nó foi se formando na garganta. Cheguei berrando e desabando, vontade de berrar até explodir os pulmões. Não sei se já fiquei mais aliviado de terminar uma corrida do que essa. Não por ter sofrido absurdamente, acho que também pela concentração sem fim o tempo todo, isso cansa. Foi tudo misturado, alívio, felicidade, muita satisfação e orgulho.

De ter feito o melhor que podia o tempo todo, focado em cada detalhe. Tudo que pude controlei, não deixei nada ao acaso, alimentação, hidratação, suplementação, técnica até no final estava prestando atenção, peso mínimo. Cabeça tão exigida quanto as pernas.

Que prova sensacional ! A impressão é de ter feito uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida, mas ainda assim curtindo muito, como tem que ser. Virar a noite, correr naqueles lugares, naquela confusão de terrenos... demais... magnífico.

Teve até faixa dessa vez hahaha
Acho que cansei...
Muito legal a dispersão dessas corridas. Logo veio o Cleverson e toda a galera, a Ana chegou 15 min depois baixando em duas horas o tempo feminino. A super ultra mega power Débora chegou em segundo lugar.

Encontrei a Luciana, noiva do Fábio. Me trouxe uma cerveja gelada que simplesmente estava perfeita. Tomei de dois goles. Fiquei em dívida eterna kkkk.

Parei na tenda médica, me perguntaram das dores e tentaram me dar voltarem na veia. Sai pra lá :-). Deixa minhas dores aqui... Tomei banho, troquei de roupa e então a turma chegou ! A Daiane pegou o maior trânsito na BR e perdeu a chegada hahaha. Mas estavam lá, dessa vez com a Laís junto :-). Sem palavras... muito obrigado meus amores, por tudo. Amo vocês.

Sem legenda...
Vimos a chegada da galera das provas das outras distâncias e então fomos almoçar alguma coisa. Voltamos pra pegar a sacola de percurso e ainda não estava lá, fui embora já que voltaria no dia seguinte para a premiação.

Dormi uma hora no carro e das 18 às 20 de sábado. Então jantei e comecei a ficar esfomeado, fui dormir às onze depois de ter jantado de novo.

Acordei todo travado domingo, um trabalho dar os primeiros passos mas estava relativamente bem. Fui pra premiação em porto belo.

Uma baita festa, muito muito legal. Ganhei um óculos mormaii, um kit e o troféu, que vai ter lugar especial até aparecer uma corrida melhor que essa.

A tarde pedalei 30 minutos ultra leve pra ver se aliviava as coxas, estavam doloridas. Alonguei um pouco e então tomamos café da tarde, 12 pães de queijo com suco e um monte de bolo de milho. Talvez tenha recuperado metade das calorias só nesse café kkkk.

Mais uma prova fenomenal, um resultado além do excelente em um ano que não para de me surpreender. Parabéns a todos que completaram essa prova, pra acreditar que é possível uma coisa desse tamanho tem que querer muito.

Obrigado por acompanharem, até a próxima.

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Dados técnicos

O treinamento foi perfeito. O Roberto simplesmente conseguiu resolver um quebra cabeças dos bons. Um 70.3 e um ultra de 100 km em 5 semanas com bons resultados e sem destruição do atleta. Sem meias palavras, o mestre é um gênio.

Fiz um trabalho legal com o Edu e a Mari, fisio preventiva e massagem esportiva, não poderia ter dado mais certo. Nunca mais não faço isso.

A alimentação foi boa. 8 GU, uma caixa de paçoca, um pacote de mariola, 10 bcaa, 4 capsulas de sal, 2 de cafeína, 1 chocolate e coisas dos postos. Não faltou nada, em nenhum momento. Só líquido num trecho, mas bebi uma caixa de água de côco inteira pra compensar. Sobraram 2 GU, umas paçocas amassadas e 6 mariolas.

De dor, só uma bolha no dedinho esquerdo e o iliotibial esquerdo. Também um pouco nas solas dos pés. Fui com o Skechers Go Run Ultra, bem flexível, e o pé percebeu bem o terreno. Mas foi ultra confortável, ótima escolha.

Mochila pequena da quechua, primeira pele comprida à noite e camiseta de dia, meia de compressão e bermuda de triathlon. Lanterna Petzl Tika XP e garmin 920. Material pra caramba, fora o kit de socorro, corta vento, etc.

Fotos !

Trocentos rios de praia no caminho...
Quem diria que teríamos aquele sol pra torra sábado hein ?
Correndo com o vice-campeão ! Era só ter aguentado mais 80 km hahahah
Cume ! Morro do Macaco, Canto Grande
Início, tudo limpo...
Total falta de agilidade e MEDO pra pular os buracos com pé torcendo
Sei lá
Proteção. O mindinho virou uma bolha só mesmo assim

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Indomit Costa Esmeralda Ultra Trail 100km

Depois da chegada...
A frase é verdadeira !
Primeira ultra trail com 100 km do Brasil, e minha primeira ultramaratona com três dígitos. Só isso bastaria, mas haviam outras cinco provas paralelas nas distâncias de 84, 65, 50, 21 e 12 km. Diversão garantida para vários públicos. E uma logística complexa de dar gosto: um só circuito, simplesmente indo sem parar até voltar ao ponto de largada, fantástico.

Participar dessa corrida foi algo surreal. Sempre tive vontade de correr uma coisa de três dígitos, e depois de muito ver provas desse tamanho e maiores lá fora, eis que aparece uma aqui do lado de casa. Praticamente um ímã me atraindo num ano que já começou com El Cruce e que também não teria ironman. Me inscrevi em dezembro, comecei a treinar específico em março e pulei rumo ao desconhecido. Ao infinito e além como diz o buzz lightyear.

Depois de 9 desafrios, a distância máxima que já tinha corrido era de 53 km. Em treinos, 34 para as maratonas, irons e Cruce. Esses treinos foram divertidos, voltei a correr em trilhas depois de um tempo só no asfalto e vou dizer, que saudade. Isso não pode ficar de lado, vou dar um jeito de manter corridas offroad mesmo em treinos pro ironman. Fiz três treinos especiais, um de 31 na volta sul, outro de 40 com o sertão duplo e várias trilhas e aí um de 46 em Urubici onde parece que a coisa engrenou de vez. Aquele último deu confiança.

Pois bem, vamos à prova !

Segui para Porto Belo na sexta-feira às 19:00, chegamos lá o Alexandre Tremel, Daniel Carvalho e eu às 21:00. Arrumei as coisas, andamos pela arena de largada ainda vazia e fomos tentar descansar. O tempo não passava e depois de fazer tudo várias vezes fui comer um misto quente com coca-cola às 23:10 e então logo estávamos na muvuca da largada. Encontrar aquela turma maluca nessas horas não tem preço. Inacreditável a energia concentrada ali debaixo daquela noite clara e de temperatura agradável.

Largamos de headlamp na testa pontualmente à zero hora do sábado 17 de maio. Um desafio monstro estava começando, e não era só corrida. Correr à noite toda era uma incógnita, e sobre o percurso eu só conhecia as praias do K42. O resto era totalmente não mapeado, não rolou nenhum treino de reconhecimento.
Todo mundo dormindo e nós lá na largada ;-)
Os primeiros 16 km foram pra aquecer, uma praia firme até itapema, aí uma breve saída para o acostamento da BR-101 e caímos na areia de novo para passar no pórtico da largada dos 84 km. Passei lá com 1h38min em ritmo bem leve e seguimos para umas trilhas azedas, bem empinadas, curtas e inclinadas pra direita. Aí pegamos uma estrada asfaltada subindo e logo outra de terra e encontrei a Débora e mais alguns atletas. Seguimos pra uma estrada de lajotas e então terra e vieram os morros com trilhas bem marcadas.

Essa sinalização foi perfeita, colocaram fitas zebradas e pedaços de fitas reflexivas nas arvores, aquilo acendia ao ser iluminado pela lanterna. Praticamente não havia staff dentro das trilhas e ainda assim era muito fácil se orientar. Só que dava um desespero olhar pra cima e ver um caminho de luzes brancas ascenderem até o infinito. Rampas longas, curvas, descidas, trilhas espetaculares e aí um pedaço plano de terra batida. Alcancei a Débora no começo das subidas e seguimos junto com mais alguns atletas, veio um descida e todos me passaram, estava difícil enxergar ou o terrenos era muito complicado, ou as pernas muito lerdas. O fato é que a descida estava mais difícil que a subida. Mais um plano e então subiu de novo, segui praticamente sozinho boa parte dessa trilha, uma viagem.

A descida foi forte e no final fui ultrapassado por uns 3 atletas e pela Vera, agora líder do feminino. Ela descia numa velocidade assustadora e desapareceu da minha vista até o km 84. Logo veio outro morro que deu trabalho e onde fiz besteira. Estava meio estragado durante o dia, achei que era ansiedade pré-prova. Aí fiquei com frio por largar só de camiseta e no topo do morro coloquei o corta-vento, desci tranquilo, passei o plano e comecei a subir dentro da mata sem vento. E fui subindo até ficar encharcado numa noite fria. Resultado: não tirei mais o corta vento e fiquei gelado e molhado até amanhecer, nada bom. A garganta pifou total sábado a noite...

Primeira parada, km 37

Depois desse morro passamos na largada do km 65 onde fiz uma parada programada, 4 min sentado comendo e recarregando o camelback. Ali estava com 4h40 de prova mais ou menos e já 37 km nas pernas (deveriam ser 35). Pouco antes disso veio a Clara em segundo feminino, encontrei o Piu e o Valmor e logo todos desapareceram na noite enquanto em me reorganizava. Saí dali e corri o outro morro praticamente sozinho.

Até então eu estava com a altimetria toda na cabeça, sabia onde deveria ter subida, até qual altitude e distância. Mas fiquei afetado pelo sono ou confundi tudo, pois achei que só haveria plano até o posto de largada dos 50 km, onde faria outra parada programada. Mas tinha um morro malvado, percorrido solitário com iron mainden no fone de ouvido e a lua de companheira. E o frio, a garganta já doía. Não era pra estar sentindo frio. Nessa subida uma dor na lombar perto do glúteo começou a ficar mais forte, e eu comecei a subir com o dedão pressionando o músculo ali. O pé direito começou a doer na bola e no dedão e a panturrilha esquerda ficou estranha. Fiquei preocupado e com o terreno cheio de grama molhada e pedras na descida fui na paciência para não me destruir de vez ou cair.

Em termos de sono o bicho pegou às 5-5:30. Fiquei realmente lerdo e aproveitei um pequeno córrego para lavar a cara e dar uma acordada. Comi gel e mariola extra, tomei um resto de gatorade e engoli dois bcaa e 100 mg de cafeína. Ajudou um pouco.

Finalmente plano e cheguei no posto de largada dos 50 km com 54 às 6:55 da manhã. Ali peguei a sacola que deixamos com a organização, troquei o material noturno pelo diurno (gorro por boné, lanterna por óculos de sol, etc), passei protetor solar, coloquei uma camiseta seca e inspecionei o pé direito. Essa parada foi programada numas conversas com o coach. Achamos melhor parar preventivo e recuperar do que arriscar quebrar. E ali eu precisava parar. Estava bem cansado, torto, sendo ultrapassado por muita gente e achando tudo muito difícil. Arrumei tudo, tomei bastante sopa e comi bisnaguinhas, batata ruffles e reabasteci. Ainda tinha tempo para os 15 min planejados e deitei no chão com os pés na cadeira. Achei um saco com gelo e pedi outro à staff para colocar nas coxas debaixo da bermuda.

Saí novo e o Manoel Lago, diretor de prova, me falou que eram mais 6,5 km planos e então viria A TRILHA. O jeito que ele falou A TRILHA me deixou definitivamente intrigado. Pouco antes tinha encontrado o Nando que fazia os 84 km, ele tinha feito um treino lá e contou maravilhas do percurso por vir. E eu achava que o pior já tinha ficado pra trás...

O Marcelo Eninger veio dos 84 voando, pedi pra me esperar pra seguirmos juntos (estava numa parada fisiológica num poste) mas logo desisti, ele estava muito rápido. Depois a Débora reapareceu, não a via desde o km 25 e ela veio forte e eu fui junto. Comecei a correr melhor e com as pernas mais soltas mas o dedão não parava de doer. Pedi um advil à Débora, o meu estava no kit enfiado na mochila. Tomei a baguinha verde e esperei o dedo ficar quieto, mas ele foi incomodando até o final (hoje está dormente e formigando, acho que esmaguei algum nervo...).

Atravessamos a BR-101 próximo ao pedágio de Porto Belo por uma passarela e seguimos reto rumo ao morro que bloqueava o horizonte. Pulamos um posto dágua e começamos uma subida bizarra. Eu não conseguia subir com os pés pra frente, tinha que botar na posição de 'dez pras duas' para não ter que ficar na ponta dos dedos e forçar a panturrilha. Que rampa ! E aí entramos numa trilha de dente de serra, passando por prainhas desertas de areia fofa e mais trilhas. Por aí o Giliard passou numa subida e logo depois o Chico Santos foi à caça descendo feito doido. Naquela hora até que eu estava descendo direito com mais de 60 km nas pernas.

Pegamos duas trilhas bem erodidas e muito técnicas por 15 km, um sobe e desce danado e então saímos na praia de Mariscal. No posto de hidratação antes da última subida vi a Taty chegando e acabei desgarrando da Débora quando vi que comecei a passar gente de pulseira laranja (100 km). Incrivelmente eu comecei a correr melhor depois dos 50 e dali em diante só fui ultrapassado por atletas das distâncias menores, que largavam depois da nossa passagem. Depois de correr mariscal inteira parei no posto da largada da meia-maratona onde fiz outra parada técnica, comi bastante melancia e banana e enchi o camelback. Encontrei a Clara meio quebrada e segui pra Canto Grande, parando para fazer um selfie para por no facebook quando puxei o celular para avisar em casa a hora prevista para resgate ;-). E aí lá no começo de canto grande a Débora chegou, agora em segundo lugar. Seguimos pela praia infinita num pace muito bom e comecei a abrir um pouco até que vi a líder do feminino. A praia acabou numa pirambeira de asfalto que levava a quatro ilhas e então a Débora veio já como líder. Muito legal ver a disputa dessa forma. Indestrutível essa mulher. Teve câimbras no começo da prova, veio recuperando lá do trás e no km 87 assumiu a ponta novamente para não perder mais !

No posto da meia eu perguntei pro Manoel que distância a prova teria, pois teve 54 na 'metade'... teria 108 ? Ele explicou que houve uma mudança na véspera e acabou aumentando um pouco a primeira metade mas que a segunda tinha 50 mesmo. Segundo ele, 5 % de erro está ótimo para uma trilha dessas. Eu concordo. Percurso espetacular. E ainda bem que errou para mais. Se fosse menos acho que eu ficaria dando voltas na chegada para fechar 100 km hehehe.

Seguimos junto de um camarada de Brasília que estava correndo os 65 km praticamente no mesmo ritmo, andando nas subidas, descendo correndo 'forte' e num pace decente nos planos. Passei mais alguns atletas dos 100 km (depois vi que foram 18 desde o km 60). Passei pela largada dos 12 km e parei novamente, mas por motivos gastronômicos: já passava da hora do almoço e lá tinha pão de queijo ! Comi 6 pãezinhos com dois copos de coca-cola e segui feliz. Aí veio a parede. Uma trilha nanica e vertical onde levei 21 min pra fazer um km. Isso mostra um pouco do estado das coisas. E depois um resto de asfalto que não acabava... mas estava correndo fácil nas descidas.

Desde o km 60 eu comemorava cada parcial redonda... 60, 70, 80, 90 e finalmente 100 km ! Ver isso virar no GPS é estranho. Parece piloto automático, eu estava em velocidade de cruzeiro no plano sem pensar, só indo, indo... achei incrível estar correndo depois de 100 km, sem dor alguma exceto o dedão. Nada de câimbras, bolhas, estômago revirado, pernas travadas. Fiquei eufórico e comecei a correr mais rápido e uma staff falou que só faltava 1,5 km, aí segui sem mais parar pra fechar essa monstruosidade. Que, aprendi, é possível de ser feita por um amador determinado. E parece que mais também é possível ;-). Não cheguei destruído, aniquilado, morrendo nem me arrastando. Estava podre de cansado e moído, mas vivo, consciente e inteiro.

Confirmei algo em que acredito, de que é possível treinar para essas provas longas sem necessariamente fazer um volume absurdo de corrida, desde que mantendeo o treino de triathlon num nível mínimo. A bike ajuda muito a manter o cardiovascular e a força, já a natação compensa a pancadaria toda. E ainda dá pra fazer umas provinhas no caminho, como o longo da Fetrisc.

Passar essa chegada foi muito legal. O Aracajú estava lá com a Cínthia e a pequena, logo vi meu pai e depois do pórtico a Daiane junto com os fotógrafos tirando foto com o celular ! Desmontei no chão depois de abraçar a ela e ao Arthur, que ficou perdido e veio correndo depois de mim, acabei voltando e entrando com ele de novo ;-). Que coisa sensacional ! 14h27min de corrida, metade à noite, 103,55 km e 3000 m de subida acumulada deixadas para trás.

Sem legenda

Vontade, só isso é capaz de nos fazer correr essas coisas. As pernas desistem de reclamar, o corpo se cansa de lutar e parece que tudo entra em fluxo. O tempo passa sem vermos, a noite voou, o sol nasceu espetacular e um dia azul mostrou toda a beleza embasbacante desse pedaço de litoral incrível que é a península de Porto Belo. Me sinto um privilegiado por tudo, por ter participado disso, ter treinado, pelos amigos na batalha, por ter chegado e ter a família e amigos por lá. Um ambiente de amizade que só as trilhas proporcionam... O Giliard correndo na subida ainda parou para dar um aperto de mão. A líder dos 100 km ao ser ultrapassada desejou boa prova e boa sorte à Débora...

Depois da chegada a muvuca divertida de sempre, todo mundo lá cheio de história pra contar. Fui pro gelo, aí almocei um prato de peixe pra duas pessoas, tomei banho numa torneira a 40 cm do chão e arrumei as tralhas para voltar pra casa.

E então fui me atualizando do andamento de tudo. Encontrei a Taty que chegou em terceira geral. Fiquei sabendo da torção do joelho do Tremel antes do km 50, uma pena, mas um risco a que estamos sujeitos nessas provas. Vai melhorar e voltar na próxima tenho certeza. E bem depois vi o que o Daniel conseguiu fazer... concluir aquilo de muleta improvisada, 30 km com o tornozelo torcido... Depois dizem que somos loucos. Loucos são os vêem a vida passar sem passar por ela ;-).

Até a próxima ;-)

Sobrou um pouco de energia :-). 
A Daiane sempre na linha de chegada com esse pequeno !
Dessa vez levamos o meu pai junto, ficou empolgado :-)

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Dados técnicos

O campeão foi o Iazaldir, com absurdas 10h11min. O Sérgio Trecaman foi o segundo colocado (no Cruce também) e então Cristiano Marcelino, Plínio Souza e Tiago Sassi. No feminino, Débora, Clara, Taty, Vera e Iva. Nos 50 Km o Giliard Venceu e o Chico Santos ficou em segundo. Marcelo 5º nos 84 km.

Fiquei em 4º na categoria e 13º geral. Em 3º ficou o Giba, 11 minutos à frente, em segundo o Piu e quem ganhou a 40-49 anos foi o Fernando Vieira do RJ com 13h10min.

Consumi 9 dos 14 gels que levei, 10 mariolas, 2 garrafinhas de carbup concentrado, 9 comprimidos de 800mg de BCAA, 3 cápsulas de sal e 100 mg de cafeína. Fora isso, um gatorade inteiro em quase todo posto, muita água, coca-cola, ruffes, mais mariola, banana, melancia, pão de queijo e sopa.

Corri com o Salomon Sense Mantra e de meias de compressão, bermuda de triathlon e camiseta. Na mochila, bolsa dágua de 2L, kit de primeiros socorros, pilhas, lanterna, corta-vento, gorro leve.

As trilhas da primeira metade eram bem amplas e com descidas cheias de pedras. As praias eram todas firmes exceto alguns poucos trechos de areia grossa e bem fofa, não mais de 3 km no total. As trilhas da segunda metade eram muito técnicas, erodidas e cheias de pedras e raízes. O percurso foi exigente, mas a organização poderia ter eliminado boa parte dos atletas se colocasse a trilha até a praia da tainha em canto grande (aquela do K42).

Se houvesse chuva ou se as areias fossem fofas, horas a mais estariam no tempo de todos os atletas.

domingo, 11 de maio de 2014

Treinos para a Indomit 100 km

Faltou tempo pra postar algo relativo aos treinos. Tive que escolher correr. Mas teve um pra lá de especial, sábado passado dia 3. Um treino que eu nunca imaginei. 45 km de terreno ondulado de terra batida em Urubici, numa manhã de neblina e frio. Foi daqueles treinos que dão confiança, só parei porque havia um almoço marcado e já eram bem mais do que o proposto na planilha, mas seria bem fácil naquelas condições correr até 60.

O pace ficou estático desde o km 10, cada km variava mas o acumulado empacou a ponto de eu olhar de vez em quando se o garmin estava ligado.

Fiz uma volta maluca, subi o início da serra do panelão, desci pro São Francisco, peguei a estrada para o morro da igreja e entrei no invernador e segui até o rio dos bugres e voltei, escapei para o asfalto pra pegar um gatorade mas só achei suco de uva integral e então voltei pra casa pelo invernador.

Testei alimentação, hidratação e o principal: uma parada estratégica. Está praticamente fechado que vou parar umas 3 vezes preventivamente pra recuperar as pernas e me alimentar direito. Uma meia hora nisso pode render horas no final, e afinal, nunca corri 100 km :-).

Buenas, fora esse houve um outro intervalado monstro de 4 x 5 km que beirou a indecência. Acabei também registrando um histórico recorde de 114 km de corrida semanal. E aí hoje um treino sensacional: lagoa, canto do surfista, gravatá, praia mole, barra da lagoa e retorno pra lagoa. Areia fofa, morros ardidos, morro da barra, trilhas técnicas e asfalto, bem variado. Acho que chega, agora é polir e acreditar no que foi feito. Vamos ao desconhecido.

Diz que não dá pra correr pra sempre nisso, diz...

Estado mental afetado no km 40

Treininho de hoje, chegando e largando, verticalmente de cima pra baixo.
Pena que o lugar não ajuda HAHAHAHA

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Floripa Coast to Coast

Parece que tem uma corrida assim na Costa Rica. Pois inventei um treino coast to coast em Floripa no dia 13 de abril. Inédito no mundo, um percurso único jamais repetido.
Pois bem, dia neste dia havia um longo bem longo na planilha e eu queria dar requintes de crueldade, começando também de noite. Mas não foi tão de noite assim, comecei perto das seis da manhã nos açores e vi o sol nascer de cima do sertão do ribeirão. Desci até lá contemplando a costa oeste e a baía sul e voltei ao carro em 17 km de boa altimetria e então segui pela praia até o pântano do sul.

Dessa vez diferentemente do fim de semana anterior, não fez tanto calor e levei hidratação em exagero, o que fez o treino sair muito bem. Isso é chave em prova longa e vai ter que ser seguido à regra na Indomit.

No pântano rumei para a lagoinha do leste muito lentamente na subida e mais ainda na descida, era um treino solo, eu iria viajar na mesma noite e não queria me estabacar na trilha. Na praia toquei pro matadeiro e então vi o leste e o oceano atlântico :-).

A trilha para o matadeiro é sempre difícil, muito, extremamente técnica e complicada de correr com as pernas pesada. Na armação parei num mercado e comprei água, bananas e coca-cola. Segui pelo asfalto até o pântano de novo e pela praia até os açores, mas fechava apenas 34 km e toquei para a solidão. Lá retornei pela estrada. Fique espantado por subir correndo aquela estrada empinada com 38 km nas pernas e ainda faltou distância, tive que esticar um km na estrada dos açores para fechar com 40 km cravados um treino sensacional, começado ainda de noite. Não havia dúvidas, estava determinado a correr 40 km desde antes de acordar. Foi o maior treino de corrida que já fiz, alimentação e hidratação perfeitas, trilhas técnicas, areia fofa, estradão, um pouco de asfalto e bastante rock nos ouvidos. 4h52min de corrida com 1000 m de subida acumulada. Basta dobrar e acrescentar 20 km que a Indomit tá no papo ;-).

Aqui está o link do strava. O garminconnect está doido com as altitudes, pois não consigo exportar mais pelo agente no windows e estou usando um extrator no linux, aí quando faço upload fica com a altitude toda errada, mas o strava aparentemente corrige isso.

Oeste, baía sul e o Cambirela
Leste. Lagoinha do Leste.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A próxima insanidade - Indomit 100km

Percurso e altimetria.
Costa esmeralda - porto belo, bombinhas, itapema.


Costa Esmeralda Indomit Ultra Trail 100 Km. Prova de trailrun em distância inédita no Brasil em sua primeira edição. E eu estou inscrito. Pouco mais de cinco semanas até a largada. E eu estou ficando seriamente preocupado.

Me inscrevi nessa prova antes de ir para o El Cruce, e até fevereiro fiquei preocupado em conseguir treinar para o Cruce. Os treino e a prova saíram muito tranquilos e depois de umas semanas de reciclagem voltei aos treinos focados para a Indomit. Focados de um jeito diferente. Combinei com o Roberto de fazer um treino de endurance com longos de corrida nos fins de semana em trilha. Mas nada que chegue perto da distância da prova, pois ainda tem alguma coisa de bike (longos de até 90 km e estou botando muita montanha) e natação. Algo como um treino de triathlon de média distância visando ultramaratona. Isso deve ser inédito.

Fazer isso tem três objetivos: 1) Fazer volume aeróbico com um pouco de trabalho de força; 2) Não perder o contato com o triathlon; 3) Não quebrar em dois pedaços com treinos de corrida insanos. Estou cada vez mais convencido de que o treino para triathlon é uma excelente forma de balancear os treinos para trailrunning. O tempo na bike garante um trabalho cardiovascular de qualidade, mantém um pouco de atividade anabólica, ao contrário da corrida quase sempre catabólica e a natação serve pra não esquecer como se nada e ainda soltar a musculatura e balancear membros superiores, que são bem exigidos em trilha, seja pelo terreno seja pelo fato de termos uma mochila agarrada às costas. Além disso tenho o longo de triahlon da fetrisc em jurerê 20 dias antes :-). Então na corrida são treinos de rodagem, longo e intervalados na semana e no fim de semana transição e longão em trilha. Coisa linda !

Só que dessa vez estou com medo. Não é Meeeeeeeedo, mas é um medo saudável. Na verdade, uma curiosidade: será que vou dar conta ? A mesma coisa que me atingiu no primeiro Ironman. Mas diferentemente de 2009, quando eu já tinha feito várias maratonas e pude nadar vários 4000m no mar e fazer um 180 km, aqui não tenho a menor noção do que me espera depois dos 53 km do Desafrio, que é a maior coisa que já corri.

Além da distância tem também o terreno: morro pra tudo quanto é lado, trilhas, estradas de terra batida, areia de praia e costões. Coisa linda 2. Não faço a mínima ideia de como correr isso, mas sei que tem que ser num ritmo bem mais lento que no Desafrio, pois chego sempre destruído dos 53 km. Então o pace vai ser bem conservador, basicamente modo de sobrevivência. Se andar essa distância no plano em um dia já é um absurdo, correr isso em um terreno com altimetria positiva de 3000 metros !

A prova tem um vários atrativos, mas a largada a meia noite é o melhor deles: algo que vemos nas grandes ultras nos alpes, a largada extra-cedo-no-dia-anterior garante que boa parte dos atletas termine a prova de dia (o limite é até às 22:00 do dia seguinte). E parece melhor correr a noite no começo do que no final mesmo.

Outro assunto será a alimentação e variação de temperatura. Em maio as noites já são mais frias, e o dia pode ser quente. Ah, tem também as areias movediças da praia de itapema. Mas a alimentação é um mistério. Estou pensando em levar aqueles miojos em copos de isopor pra jogar água quente dentro ou pedaços de pizza. A prova permite apoio em dois pontos, então vou abduzir meu pai e meu irmão para isso.

Bom, era só pra dar uma prévia mesmo, vou ficando por aqui. Breve tem mais. No mínimo no dia 17 de maio tem muito mais.