quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ironman Florianópolis 2016 - a visita do inesperado

Desmontado na chegada


Depois de meses de preparação e foco na prova, a última semana trouxe uma sensação de "já está na hora ?!". Parece muito tempo, mas esse período é tão intenso que passa rápido. E esse ano teve muita coisa diferente, o treino encaixou como nunca e eu estava me sentindo no auge do condicionamento. Embora tenha sentido isso ano passado, nesse estava melhor ainda. Interessante como dá pra fazer a mesma coisa de formas diferentes. E o resultado veio, diferente do esperado mas veio. Veio na percepção e no entendimento de que o que foi realizado foi bem feito e que realmente eu tinha condições de fazer o que achava que poderia fazer.




Dedico especialmente essa prova à minha família que me apoia em tudo e sempre. Principalmente à Daiane que é quem segura as pontas pra eu poder treinar do jeito que treino. Ficaram pra lá e pra cá na chuva o dia todo pra me ver passar por uns míseros segundos. Elas sabem como é importante e dão importância também. Não tem nada melhor que isso. Obrigado meus amores.

Pré Prova

Fui no congresso técnico do Ironman. Tudo certo, de novidade uns recados importantes sobre o cronograma das largadas. Depois uma passada rápida na expo pra comprar mais um CO2 e uma câmera e então casa. Fim de tarde tivemos uma sessão de mentalização da prova bem legal com o Roberto e aí então fui no jantar de massas com o Arthur. O pequeno homem curtiu.

Sábado amanheceu com chuva e logo abriu o tempo. Saí ali pelas 9:30 para o Lá Serena fazer o micro treino de ativação, 600 m nadando leve, 10 minutos correndo e aí então voltei pra pedalar uns 20 minutos. Tudo muito calmo e leve, sem estímulos de prova. Só pra ligar o corpo e desligar de novo.

Era dia de minimizar ao máximo qualquer esforço, dia de gerenciar a fadiga e deixar as pernas pro ar o máximo possível.

Fim de tarde fui deixar a bike no checkin as 17 horas, horário programado para o meu número. Não sabia ao certo se haveria checkin prioritário para o tal AWA, mas chegando lá foi só entrar, deixar a bike e ir pra fila enorme pra pegar o chip e pintar o número. Rapidamente uma staff chamou os AWA para a frente da fila. Meio desagradável furar a frente de todo mundo daquele jeito, mas muito prático :-).

Depois disso foi só ir desligando aos poucos, jantar decentemente e ir dormir cedo. Conseguir apagar antes das 10 da noite, fato inédito.

Pré largada

Dado que apaguei cedo outro fato inédito aconteceu: acordei antes do despertador. Fiz o café da manhã de treino: tapioca gigante com queijo e manteiga, café puro, dois ovos mexidos e uma banana. Eram umas 4:30 quando acabei de comer.

O Fabrício passou pra me dar carona às 5:20 e seguimos até perto da largada. Fomos pra dentro da transição arrumar as tralhas.

Só acertei tudo na bike e fui entrar na roupa de borracha. Detalhe: comprei uma nova na semana anterior e achei que não daria pra usar. Testei em casa no seco e quase morri pra sair, ficou sufocante no pescoço. Mas aí nadei na piscina, uma vez no mar, depois coloquei um pote de suplemento, daqueles bem largos, no lugar do pescoço da roupa e fechei, pra dar uma 'alargada'. Técnica ninja que aprendi com o Fabrício. Aí no treino de natação oficial aprovei a roupa e decidi nadar com ela. Foi uma decisão excelente, 100% aprovada.

Encontrei a galera na saída da transição e vestido que estava tive que atender um chamado da natureza de alta complexidade. Uma operação demorada.

Saí pra praia com o Miranda e logo chegamos na área de largada. Fui aquecer e nadei leve uns 10 minutos. Senti a corrente que estava pra direita e percebi o céu claro com uma lua tímida. Oba, vai parar de chover. Sim, claro.

Natação

Alinhei na minha onda de largada e logo encontrei a Daiane, Laís e o Arthur que tinham madrugado pra ir me ver. Pouco tempo depois, largamos.

Estava bem na frente e saí feito louco, entrei na água bem na frente e logo comecei a ser atropelado. Levei um baita tapa no óculos, que saiu todo. Na largada de 2000 atletas nunca tinha perdido os óculos haha. A primeira boia estava bem dentro da neblina, e comecei a nadar muito com a cabeça fora dágua.

Os óculos foram alagando a primeira volta toda, parei umas 4 vezes mas enchia de novo. Saí da água com o olho bem ardido, tirei os óculos e lavei os olhos com água doce, que maravilha. Daí entrei na segunda volta.

E alagou tudo de novo kkkk. Desisti de tentar resolver e fui com o olho esquerdo cheio dágua. Meio estranho nadar sem enxergar direito, mas nadei bem reto, apesar de achar que tinha nadado torto. Deu 3990 e 1h02min, ruim mas bom pelas condições.

Bike

Fiz a transição bem rápida, botei a camisa (nadei sem pois esperava pedalar seco), enchi os bolsos de gel e comecei a pedalar. Apesar da chuva, me sentia aquecido desde o início, e na SC já estava em ritmo de cruzeiro.

No Floripa Shopping vi a bandeira completamente morta, zero vento. Segui firme e fácil, curtindo pedalar na chuva. Coisa estranha, eu não gosto de pedalar chuva.

Nas descidas eu só pensava em não cair. Na beiramar parou de chover e na baía sul não havia vento algum. O ritmo estava forte mas ainda assim bom, segurando. Quando saí do túnel caiu uma bomba dágua que durou até o elevado do CIC, depois a pista estava seca. Nada de vento e segui até canasvieiras fugindo de um pelotão miserável.

Esse pelote foi crescendo e me alcançando, até me engolir perto do pedágio. Segurei bem lá atrás até que respirei fundo pouco antes do elevado da vargem e saí ultrapassando todo mundo, aproveitando a subida. Consegui passar todos na última reta para canas e segui forte até o retorno para não ser engolido de novo.

Na volta até jurerê vim forte e não me passaram mais, mas aquela coisa continuou coesa, ridículo.

Fiz o retorno nos 90 km em jurerê com aquela energia fantástica e voltei pra SC pronto a começar a forçar o ritmo, feliz de pedalar forte e bem.

Na frente da PRF não vi um buraco pequeno e meti as duas rodas dentro dele. Fiquei assustado mas segui, passei o pedágio e comecei a subida de santo antônio, até perceber o pneu traseiro furado.

Fiquei puto da vida, mas comecei a trocar rapidamente. Montei a roda de volta e ao encher o CO2 vazou todo pela válvula. Botei outro CO2 e vi que a borracha do bico estava ressecado e rasgado. Tentei de novo e encheu parcialmente, até que veio um espectador com um CO2 com adaptador que ele achou caído.

Tentei com este adaptador e consegui encher, mas ouvi ar vazando. Eu tinha usado o mesmo extensor de válvula que estava na câmera furada, mas apertei com as mãos molhadas. Achei que era por isso, apertei mais e parou o barulho.

Ainda dava pra pensar em continuar no plano A.Voltei pra bike e apertei o ritmo no caminho ondulado que havia à frente (morrinhos de Santo Antônio, Cacupé e João Paulo).

Na descida para o Itacorubi vi o Fabrício e segui descendo com cuidado. Logo percebi o pneu dançando. Vazio de novo. Sem muito pensar, imaginei pedir o adaptador do Fabrício emprestado. Iria desmontar a câmera, apertar ou trocar e encher novamente com o último CO2.

Assim, na mais estúpida ideia da história, berrei pro Fabrício me 'jogar' o adaptador. Ele parou, tirou o adaptador com CO2 da bolsa e me deu. Falei que só queria o adaptador, que ele poderia seguir. "E eu vou sem o adaptador ? Enche aí...". Só aí percebi a asneira que tinha feito e falei pra ele ir embora :-). Por pura sorte apareceu um apoio mecânico e ele se mandou.

Pedi pro mecânico apertar a válvula e encher. Enchemos 120 lbs e pareceu tudo firme e certo. Tudo durou 2 minutos e voltei a pedalar agora já pensando no plano B, talvez fechar antes de 10 horas.

Segui furioso e lá no fim da beira mar encontrei o o Fabrício de novo... depois da ponte passei por ele e logo, surpresa ! De novo, novamente e outra vez, pneu murcho. Ele perguntou se precisava parar e eu respondi rápido que não, era o que faltava. Eu estava mais puto em tê-lo parado lá atrás do que com as paradas pneumáticas em si. Fiquei puto de estragar o resultado dele. Que ideia de jerico dos infernos eu fui ter.

Bom, desmontei a roda, tirei o extensor e pensei no que fazer. Tentei por o extensor original da SRAM, mas sem veda rosca esse nem enche. Apareceu um staff de filmagem com uma bomba de mão que não funcionava. Apareceu um árbitro que chamou o mecânico. Chegou uma atleta argentina perguntando se precisava de algo, e aí chegou o mecânico... o mesmo lá do itacorubi.

Aí então trocamos tudo, a câmera, o extensor. Não sabia se era mesmo o extensor, se tinha furado por rodar vazio, etc... ele pôs veda rosca e apertou com alicate (acho que nunca mais tiro aquele extensor da câmera...). Enchemos e segui, já no plano C: terminar de qualquer jeito.

Bom, pneus furam. Mas eu consegui piorar tudo com várias asneiras. É aquela história, é sempre uma sequência de coisas erradas que causam o desastre:

  1. Não testei o adaptador antes da prova, deveria ser comum treinar com isso
  2. Não levei pitstop (levei em 2012 quando furei pneus e não resolveu)
  3. Não levei bomba. Nunca levei, mas falando com o pessoal na segunda feira, parece que eu era o único 'desbombado' na prova :-)
  4. Não apertei direito o extensor de válvula, ou não botei veda rosca. Não sei. Esse da continental não era pra precisar do veda rosca, então imagino que não apertei direito. Mas com veda rosca e alicate resolveu, ou seja: sei lá que cagada eu fiz.
  5. Não desmontei tudo e troquei na segunda parada com o mecânico 'à mão'

Agora as voltas na baía sul continham o ingrediente secreto de todo Ironman Florianópolis: o vento do final da manhã. Um nordeste bem forte, e depois das duas voltas segui pro norte com o vento nas fuças fazendo muita força. Queria acabar logo o pedal, estava com medo de furar de novo sem ter como arrumar e já tinha uma certa fome se instalando.

Apertei o ritmo e segui sem pegar nenhum pelote mais. Fiz a volta em canas e tirei o pé legal, já estava com dores nos quadríceps e com fome. Comi uma banana no último posto e achei que caiu estranha, estava muito dura pra uma banana comestível.

Entrei em jurerê bem leve, preparando pra correr. Saí da bike com 5h30 em grande estilo, com o pé direito pro lado esquerdo da bike, de onde pulei já correndo. Só que durou dois passos, pisei em alguma pedrinha e saí mancando com o pé esquerdo espetado.

Transição rápida, só limpei a sola dos pés que estavam cheias de areia da chuva, botei as meias e tênis e saí trotando com os gels, viseira e número nas mãos sendo instalados nos seus devidos lugares.

gel ainda nas mãos na saída da T2

Corrida

Comecei forte na festa da búzios. Impossível correr leve ali em qualquer das voltas. Na percepção claro. Segurei o ritmo um pouco e logo engatou, mas só até os morros. Subi tudo correndo exceto o da igreja, bem leve. Retorno em canas e voltamos pra jurerê e aí então passei na frente de onde estávamos hospedados.

Todo mundo lá, muito legal ver a família toda. Meu pai preocupado da demora, o Adriano perguntando o que houve e o Arthur correndo e gritando feito doido, fez todo mundo que estava perto rir. Uma coisa contagiante...

Fechei a primeira volta de 21 km já meio embrulhado, passei na búzios provavelmente azul achando que iria vomitar. Mas melhorou depois de dar uns belos arrotos e então abri a segunda volta.

De novo passagem em casa, mas agora estava chovendo e ventando, então a turma estava debaixo de umas cabaninhas de palha na praça dos teletubies, gritando sem parar.

Continuei embalado e exatamente no km 25 senti uma estranha pressão interna. À frente estava o posto de alimentação e logo atrás dele 3 casinhas químicas. Corri direto pra lá e fiz o serviço rapidamente. Do jeito que veio, foi: rápido. Quilômetro corrido em 7 minutos incluindo a parada no poço do fedor eterno.

Segui um pouco melhor mas com dores no posterior da coxa. Pedi um advil pro Palhares e segui pra fechar os 30 km. Interessante como a perspectiva muda ao botarmos a segunda pulseira de controle: agora é só fechar os 10 km finais !

Cara de não sei o que
Passei novamente na torcida da búzios, contagiante. Ironmind, Pé na Lama, amigos por todos os lados. Só correr ali no dia do iron já vale qualquer dor. Segui pra jurerê tradicional, voltei e passei na frente de casa de novo: ninguém lá, já deviam ter ido pra chegada.

A última volta doeu em tudo quanto é lugar, e eu só lembrava das palavras do Roberto: é pra procurar a dor. Então se estava doendo estava certo :-). Entrei na búzios pela última vez, novamente aquela galera que incendeia a gente.

Corri o km 41 a 4:50, coisa que não acontecia desde o 25. Encontrei e abracei o meu pai, depois parei com o Adriano e os pequenos, bati na mão de todo mundo que estendeu a mão pra mim, gritei feito doido e entrei no pórtico cambaleante e eufórico, aliviado, cansado, feliz e muito, mas muito satisfeito de ter terminado mais uma prova.


Logo vi a Daiane e a Laís na arquibancada, estavam lá na chuva desde sei lá que horas me esperando. Foi difícil não começar a chorar feito criança aquela hora. Subi na arquibancada pra dar um beijo nelas... de novo, muito obrigado !

Quando os staffs começaram a me arrancar dali, fui pra área de alimentação. Achei o Fabrício e fui pra massagem depois de comer alguma coisa, faminto que estava. Voltei pra praça de alimentação, achei todo mundo.

Na terceira vez que pediram saí dali hahah


Que hora e lugar incríveis aquele, é indescritível.

Saímos pra pegar a bike e mais fila. E frio. Liguei pra Daiane ir pra casa e depois de pegar todas as tralhas segui pedalando com tudo pendurado por 3 km até em casa.

Pós prova

Hoje quarta feira estou relativamente bem. Fiquei com os pés bem estragados, duas bolhas gigantes, uma unha prestes a cair e um buraquinho inflamado na sola. A musculatura estava bem ruim terça, mas melhorou muito na natação e mais ainda na massagem hoje cedo.

Ainda bem que o bem é relativo mesmo. O que eu menos quero é ficar 'inteiro' depois de uma prova como essas. Se for buscar o limite, vai doer e sequelar nos dias seguintes, não tem jeito :-).

Dados técnicos

Dizemos que nunca choveu em Florianópolis. Mas choveu em 2009. Pouco mas choveu na bike perto do cic. E sei disso por que o Arthur tinha então um ano e meio e ficou lá o dia todo, pegou chuva e frio e ficou grupadinho e com tosse. Desde um ano ele já participa do Ironman todo ano :-).

O clima foi um fator interessante. Deu neblina no mar e chuva na bike, depois vento e aí olho de sol e chuva na corrida. Certamente a chuva complicou o ciclismo com furos e quedas, infelizmente.

A alimentação foi boa. Dez gels e 4 medidas de GU endurance na bike, e mais um toco de banada e uns goles de gatorade. Na corrida, 4 gels e coca cola, muito pouca água. Na saída da T2 ainda tomei uma garrafinha com duas medidas de endurance e no km 26 tomei 2 bcaa e 1 advil. Talvez devesse ter levado algo comível na bike, senti falta das mariolas.

A roupa de borracha foi excelente, uma blueseventy sprint de 150 dólares bem melhor que a esgarçada mormaii de 7 anos. O uniforme da 3T também foi excelente, totalmente confortável e termicamente eficiente. Nada de frio. Nem calor, é óbvio.

A escolha do tênis foi errada. Fui com o Go Run Ultra Road. Deveria ter ido com o Go Run Ride 4. Acontece que o Ride é bem mais largo e imaginei que com chuva poderia dar bolhas por ficar 'frouxo'. Me ferrei. O pé ficou apertado já no início, quando tive que afrouxar o elástico. As bolhas foram nas laterais internas dos pés, a unha preta provavelmente da descida em canas com o dedo batendo na ponta dos pés.

A bike se comportou lindamente com graxa para rolamentos de cerâmica em tudo quanto é lugar e corrente nova. Menos os pneus, esses são uns miseráveis haha.

Sobre a prova em si: consegui executar o planejado apesar dos percalços. A bike saiu exatamente com a potência prevista. O tempo foi pro espaço, mas depois em casa vi que o tempo pedalado ficou bem perto do alvo. O ritmo foi certo até o km 130, mas daí em diante eu forcei mesmo a barra. Sabia que afetaria a corrida.

Corri razoável mas com algum desconforto o tempo todo. Deu o tempo igual a 2015, com 15 W NP a mais na bike, então acho que foi bom. Essa corrida ainda precisa aparecer em provas de iron.

Já a natação foi complicada, talvez a mais complicada de todas. As paradas pra arrumar os óculos e a neblina na primeira volta deram trabalho, mas o negócio foi bom ainda assim.

Aqui estão os tracks da prova, numa atividade multisport do garmin.

O sistema de largada em ondas ajudou. Aparentemente reduziu o vácuo, ou o efeito dele, que são tempos assustadores na bike. Ou foi a chuva, não sei. Mas no final das contas esse ano aparentemente foi um pouco mais lento que o ano passado. Coisa de 10-15 minutos.

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E foi bom. Sempre é bom, se não fosse não faríamos. Já escreveu Pessoa: Se quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor. Troque-se o Cabo pelo pórtico de chegada e tudo fica igual.


Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

8 anos, 7º ironman do Arthur

Obrigado de coração à minha família. Daiane, Laís, Arthur, sem vcs eu não existiria.

Meus pais e irmãos já estão cansados de ir lá me ver correr e não cansam, obrigado.

Aos amigos de treino, a parceria é fundamental e nesse ano eu evolui muito graças a vocês ! #retardadostri

Ao Roberto, o meu agradecimento por passar com maestria sempre novos conhecimentos e experiência.

E muito obrigado a todos pela torcida. Vocês não tem noção o quanto é legal. Bom, na verdade tem sim, mas obrigado do mesmo jeito haha.

Era isso amigos, encerramos esta transmissão por aqui. Até a próxima, que será bem próxima mesmo.

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quarta-feira, 18 de maio de 2016

A estranha época do polimento para o Ironman

É uma fase interessantemente estranha esse polimento. Os treinos encolhem em tamanho e as pernas parecem ter vida própria. É preciso segurar a vontade, pra soltar tudo no dia da prova. Que é 29 de maio neste caso.

Começa a sobrar tempo com os treinos mais 'curtos', só que ninguém conta pra fome que ela pode encolher na mesma proporção.

O período nos dá descanso e ficamos ansiosos achando que é preciso treinar mais. Só que não é. Os ritmos aparecem e isso serve pra dar confiança, mas só se tivermos confiança no que já foi feito, porque não tem mais muito o que fazer.

Mas muita hora nessa calma ! Como tudo na vida, pode ser uma faca de dois legumes: pode dar confiança, mas também pode criar falsas expectativas. Por isso, conheça a ti mesmo, pequeno gafanhoto !

É importante saber que os ritmos impressionantes dessa época são para serem usados em distâncias muito maiores. No dia da prova, tudo vai voltar a ser difícil, mas estaremos preparados. E é pra ser difícil mesmo, tudo que é feito com o máximo de empenho é difícil, por isso mesmo recompensador.

É hora de aproveitar a época, que é rara. Acumular energia, como uma mola sendo suavemente espremida para então soltar no dia D. É pra se sentir um leão enjaulado mesmo, doido pra largar. Enjoy !





sábado, 14 de maio de 2016

A curtição de treinar para um Ironman

Deveria ser uma tortura, cansativo e monótono. Só que não! Treinar para uma prova de endurance é sempre divertido. Tem que ser, senão não teria graça. Alterar a logística toda e arrumar os horários mais estranhos pra treinar, procurar novos lugares e percorrer os mesmos de todo dia cada dia de um jeito diferente... não tem preço !

Esse ano apesar de estar no sétimo ciclo pra um Iron, me diverti um bocado. Novos circuitos na natação, ciclismo e corrida, provas pelo meio do caminho, amigos e desafios de sobra.

Nada como aproveitar a jornada, curtir o processo. Como numa escalada, não é só o cume que importa, mas todo o caminho até lá. Claro que queremos o cume e queremos a linha de chegada, e desistir nunca é uma opção enquanto der pra dar mais um passo. Mas a jornada importa mais.

Nesses meses teve de tudo. Voltas à ilha do francês, lagoa do Peri, natação no rio Canoas. Pedal em todas a serras de SC, épico da rio do rastro até Urubici, ponte de laguna, corridas em trilha e em altitude e por tudo que é lugar.

Duas semanas para o lançamento. Aproveitem o polimento.

Uma das travessias da ilha do francês
trailrun de fim de ano
Rio do rastro !
MTB semanal no joão paulo

Provas !
Montanhas de governador Celso Ramos

Longo na serra
A Mãe de todas as serras

Canoas !

BR Sul !

Highlands de Urubici

Baita ponte essa de laguna

Testando a bike fixa da Luana hahaha

terça-feira, 10 de maio de 2016

Análise do 70.3 do Lionel Sanders

O cara está realmente com a corda toda. Domingo último ganhou o 4º 70.3 seguido, dessa vez no campeonato norte americano de Ironman 70.3. O interessante é que desbancou meio mundo e fez isso de forma bem consciente, competindo com clareza de propósito o tempo todo.

A análise no blog do trainingpeaks é fantástica. Decompõe a prova em detalhes e mostra que o mais importante é realmente fazer o pedal dentro das suas possibilidades (embora as desse cara beirem o absurdo) para ter uma corrida consistente.

Os números são impressionantes e o percurso idem, sem sossego na bike e run. Apesar de ter saído bem atrás da água, ele assumiu a ponta na bike e passou a corrida toda fugindo do Kienle, sendo que fez as melhores parciais de duas das três modalidades. Fantástica leitura.


Percurso da bike com 1000 m de subida acumulada em 90 km


sexta-feira, 29 de abril de 2016

Caiobá TriHard Triathlon

Demorou mas saiu ! O post do '70.3' de Caiobá veio com a memória desbotada mas ainda assim é importante registrar essa prova.

Viajei de Floripa com o Fabrício e chegamos na cidade bem na hora do almoço. Trajeto rápido na balsa e tudo certo. Fomos almoçar com a galera da Ironmind depois de descarregar o carro e então voltamos pra arrumar as tralhas. Ainda não tinha kit, que seria as 18 horas, então fui dar um giro pra testar a bike e a roda que teve um raio recém consertado. Tudo certo e então um natação inútil mas importante às 17 horas. Havia um calor sufocante no litoral paranaense naquela tarde... ardido, seco, asfixiante e desesperador pros meus padrões.

O congresso e kit foram rápidos mas insuportavelmente quentes. Daí foi o jantar e então arrumar todas as tralhas. Jantei o habitual mas comi demais. A toupeira aqui não selecionou direito o apartamento no airbnb e pegou um sem ar condicionado. Dormi com a porta da sacada aberta e o ventilador de teto ligado. Já o Fabrício pegou um colchão do beliche e foi dormir na sacada da sala, que pegava um vento kkkkkk.

Estávamos a 1 km da largada, então foi só sair de bike com as tralhas todas e em dez minutos estávamos largando as bikes no checkin. Lá na transição era um pouco apertado, de modo que arrumei as tralhas o melhor possível pra não dar encrenca, mas deu. No final da prova minha bike estava caída do cavalete e as coisas espalhadas por todo lado.

Fui pra largada em cima da hora depois de visitar o banheiro do hotel oficial. Aqueci um pouco, vi a corrente e concentrei, até perceber que estavam já anunciando a minha largada. Fui correndo pra lá e achei o Palhares.

Larguei bem e antes da primeira boia já ultrapassávamos gente da largada anterior, 4 min antes. Era uma volta só, coisa legal. A última perna era meio torta e tive o cuidado de ver bem pra onde estava indo, muita gente nadando em direção à praia antes da hora. Não há nada que duas ou três pernadas de peito não resolvam se precisar, mas você precisa sempre saber pra onde está indo. No primeiro Iron fiz a besteira de não saber pra onde ia e quase voltei pra largada. Nunca mais erro isso.

Quando saí da água vi o relógio na tela de repouso. Por alguma pressa esotérica não apertei start, aí tive que configurar o modo triathlon e dar start e lap pra começar a marcar :-).

Saí pra transição e tirei a roupa de borracha antes de entrar, prevendo o pouco espaço lá dentro. Assim que entrei o Palhares chegou e saímos pra pedalar com poucos segundos de diferença.

Saí pensando em fazer o pedal da vida mas logo comecei a ficar estranho. Uma canseira grande nas pernas e a potência lá embaixo... percepção de muito esforço incompatível com a potência... pensei em ignorar aquilo e tocar ficha, mas também era um teste pro Ironman. Aí numa subidinha eu levantei do banco e vi que não passava de 260 W. Impossível, qualquer subida passa de 300 naquele esforço. Daí lembrei que não tinha calibrado o medidor. Como o erro do medidor é função da temperatura, talvez explicasse as leituras incompatíveis.

Aproveitei uma leve descida e desclipei os pés dos pedais e calibrei o bicho em pleno vôo. Não sei se resolveu alguma coisa, e aí entrei em cruzeiro na melhor intensidade que dava, com algumas ânsias de vômito e gosto de doce de leite voltando. Isso foi um erro. Comprei doce de leite e entupi uma tapioca com isso e duas bananas no café da manhã. Golfei uns pedacinhos de banana e finalmente parei de enjoar.

No primeiro retorno vi que o Cini estava atrás, o que me deixou confiante. Ele é uma das referências aqui em Floripa, e lá não poderia ser muito diferente. Quando ele me passou seguimos próximos e alternando posições até que o deixei escapar. Entrei em modo constante só na segunda pra terceira volta, ali a prova ficou boa finalmente.

No final do pedal o Palhares me passou e depois alcançamos o Cini. Entramos todos embolados na T2 e eu saí rapidinho dali pra fugir deles :-). A corrida começou boa mas logo comecei a ferver. Menos de 3 km e já estava com suor queimando os olhos e a boca seca de colar as bochecas.

A organização salvou o dia com muito gelo nos dois grandes postos de apoio na avenida atlântica. Não teve uma passagem que não tenha parado pra pegar gelo e água gelada na esponja, tomar pelo menos um copo dágua.

Tomei um gel no km 10 e depois só coca cola, um copo cheio a cada posto.  A bike teve uma garrafa de GU e dois gels. Alimentação parece que foi suficiente, mas esqueci as bagas de sal e bcss na T1.

Nos últimos retornos percebi um atleta com a numeração próxima vindo forte (a categoria parecia estar concentrada na centena 300). No último retorno ele estava praticamente colado.

Entramos na atlântica e ele me passou. Contei 3 respirações e contra ataquei, o suficiente pra passar de novo, e aí apertei o passo. Corri uns 30, 40 segundos ali por uns 4:30-4:20, bem mais rápido que o ritmo que vinha. Nunca, nunca tive uma vontade tão grande de andar ou me jogar no chão como naquele sprint. Só continuei porque achava que ele era da categoria e faltavam 2 km. É aquela história: no final, o detalhe é resolvido por quem aceita, consegue, escolhe sofrer mais aquele pouquinho.

Passei a chegada realmente cambaleante mas feliz demais. Poucas vezes fiz uma prova tão no limite e tão arrebentado na corrida. No início tive umas câimbras no abdômen muito estranhas, aí umas travadas no quadríceps que me fizeram encontrar a mecânica que permitisse continuar a despeito do ritmo.

Foi uma corrida muito lenta e ainda assim muito boa pras condições. O calor destruiu todos nós. Todos, sem exceção foram guerreiros demais de correr naquele forno. Eu particularmente nunca tinha me obrigado a correr em condições parecidas.

A galera da Ironmind destruiu geral. Miranda com aquele olhar possuído, a Julinha campeã amadora, Fabrício superando uma corrida de matar, o Manente se divertindo depois de uma semana no Ironman da África e todo mundo fazendo o melhor. O Dedé teve uma infelicidade de furar o pneu mas vai descontar no Ironman, tenho certeza. O Alê Vasconcellos foi lá experimentar o calor do sul com uma zika e terminou a prova, junto com todos os integrantes do boteco, Dalton e Ronaldo, nota dez !

O Fabrício é um capítulo à parte. Insatisfeito com o resultado da natação da prova de Itapoá em fevereiro, simplesmente começou a nadar todo dia no mar. Está fechando 20, 25 km de natação por semana. Fora todos os outros treinos, claro. E o resultado veio. Fez uma natação absurdamente boa. E isso que só nada no mar, começando no escuro às 5 da manhã. Entenderam bem ?! Mostra-se mais uma vez que quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa.

Depois da prova vi fiquei em 4º e fomos embora arrumar as tralhas, pois haveria pódio só até 3º. No hotel fiquei impressionado de ver um cadeirante ainda na prova, as 14 horas, faltando uns 6 km. E aí, o que é difícil pra você mesmo :-) ?

Voltamos pra floripa na boa, parando pra comer e descansar.

Na terça vi os resultados oficiais, havia um atleta com 1h13 na meia em 3º lugar. Impossível nas condições. Falei com a organização que corrigiu, o atleta havia desistido e passou pelo pórtico. Só que o campeão também estava errado, correu com o número de outro atleta (?). Aí então caí pra segundo na 40-44 e 20º amador ;-).

Aqui o link para os resultados oficiais. Aqui o track do garmin. A natação deu uns 32 min (tempo aprox do Palhares). Foi um baita dia. Duro e recompensador. Agora pode vir "ni mim" Ironman ! Tô pronto, estamos todos. Bora lá que falta pouco.


Sem cara de boxeador dessa vez haha
  
Essa ardeu

Cansei

Sempre legal o pós prova.
O Gilead estragou o pedivela no km 80 e pedalou 10km com uma perna só !

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Triathlon Longo da Fetrisc 2016

O triathlon longo da fetrisc é uma ótima oportunidade pra ver como estão  os treinos para o ironman floripa. Não é uma prova muito longa, mas também não é curta. 1/3 de um Ironman, aproximadamente :-). Não é uma prova alvo, mas é legal ver como nos saímos.

Dada a época, fica perfeitamente encaixada no cronograma de auto flagelo, digo, de treinos. Porque o que fizemos nessa prova foi estranho, e mais estranho ainda é dar certo.

A semana foi pesada e o sábado trouxe um longo de bike de 110 km que foi feito no limite da faixa de potência, sem forçar. Mas ainda assim são mais de três horas de treino 18 horas antes de uma prova. 

Prova que foi feita toda forte, sem poupar e sem querer saber se tinha cansaço acumulado na carcaça. Interessante...

Houve uma largada "queimada" e logo voltamos pra alinhar e largamos rapidamente. Um mar relativamente bagunçado mas ainda assim a natação saiu rápida em duas voltas, um pouco mais rápida que no ano passado pelo menos, 29:36 pros 1900. Nadei junto com o Fabrício na primeira volta, o cara está nadando horrores e está colhendo os frutos.

Saí pro pedal meio alucinado e querendo manter uma potência alta, mas a coisa estava apertada, senti bastante cansaço o tempo todo. Foram 6 voltas de 10 km relativamente 'rápidas' mas com duas passagens nas lajotas. A potência não foi proporcional à velocidade.

Alternei posições no pedal com o Fabrício e saímos pra correr juntos. O calor estava excessivo pra hora (largou 6:20) e havia grande cansaço instalado. Em 2 km o corpo achou um ritmo suportável e segui mais ou menos constante até o km 10, quando a coisa deu uma empenada. Nada parecido com o ano passado, onde a corrida saiu a 3:54.

Lá pela segunda volta comecei a contar os atletas na frente e imaginei que estava entre os 10, 15 primeiros. Só que na terceira das quatro voltas o Cini começou a falar pra buscar o Ivan a frente, mas eu não sabia quem era ele e imaginei que o Cini era o quinto. Só descobri quem era o Ivan no penultimo retorno da última volta, e ele estava longe.

Corri o mais forte que deu, já fervendo tudo. Muito, muito quente, apesar de ser abril e bem cedo.

Cheguei esfarelando e logo descobri que tinha ficado em 5º geral ! O Ricelli que vinha liderando na bike infelizmente teve um acidente quando um carro invadiu o espaço do ciclismo e o derrubou. O Cini na verdade estava em terceiro e não quinto, com o Roberto em segundo e o Guilherme em primeiro. Inacreditável um pódio geral numa prova dessas. Paranbéns a todos os atletas que completaram essa dureza divertida.

Um ótimo resultado no meio do caminho para o Ironman Floripa, mostra que estamos no caminho certo.
Track do garmin aqui e resultados oficiais aqui.




















segunda-feira, 4 de abril de 2016

Executar e acreditar

Treinar funciona, é uma coisa óbvia que tenho repetido ultimamente. Mas também tem duas outras coisas que produzem resultados. Uma é execução, e outra é acreditar. Vamos ver se explico o que estou pensando que quero dizer ou se é só devaneio de uma mente oxigenada em excesso depois da corrida.

A hora da prova é a hora de executar o que se treinou. Aquela hora da diversão séria, pois a gente leva o esporte a sério. Execução em provas é fazer o melhor possível nas condições do dia e ainda assim monitorar tudo e cada mínimo detalhe possível. É uma coisa que demora, que vem aos poucos. É ter foco o tempo todo, sem 'emoção', guardando pro final aquilo que fica engasgado na garganta em alguns momentos.


Acreditar é saber que se fez o melhor possível antes nos treinos, que o que está feito está bem feito e vai 'sair' na hora que for preciso. É saber que é possível mesmo achando que não é, não ter dúvidas.

Executar e acreditar podem fazer a diferença entre uma prova boa e uma ruim, entre uma surpresa e mais do mesmo.

Tenho pensado que estou começando a aprender a competir direito. Na indomit por exemplo, saí totalmente focado na execução. Tudo que podia controlar, da pilha da lanterna à alimentação, o terreno, tudo, controlei. Acreditei o tempo todo que o treino tinha sido suficiente, que daria certo ter treinado pra um 70.3 e em 4 semanas feito o específico pra uma ultra de 100 km. Eu sabia que estava certo.

No km 60 me vi entre os 15 primeiros. Fiquei empolgado e pensei que logo começaria a ser ultrapassado. Mas aí voltei ao foco e pensei: porque ficar aqui ? Vou é buscar, vai chegar bem quem souber sofrer mais e acreditar que vai dar. Mas até o final, não até quase. E assim foi, executando o melhor possível e acreditando até o fim. Mesmo quando estava em 7º e fui ultrapassado no km 90 fiquei feliz. Por ter feito absolutamente tudo que era possível e exaurido até a última gota. O mérito era do Tiago que veio com tudo e seguiu mais forte do que eu estava, e pra chegar ali forte tem que executar perfeitamente e acreditar que ainda dá pra buscar alguém. Foi a prova que mais chorei na chegada. Por alívio e ao mesmo tempo orgulho de ter feito aquilo.



Isso não quer dizer que basta acreditar que milagres acontecem. Neste caso esportivo autoajuda não existe :-). "O corpo realiza o que a mente imagina" é uma grande bobagem. Minha mente pode imaginar a vontade que eu não consigo pedalar um Ironman a 300W de potência. Mas posso treinar e melhorar em vários aspectos praticamente sem limites.


O que acontece na verdade é que o corpo realiza o que nem nós sabemos que ele é capaz, se a mente deixar e não atrapalhar. Nessa hora o importante é não atrapalhar com expectativas absurdas ou pensamentos negativos. Dor e coisa torta vai ter em toda prova, coisas vão dar errado mas uma coisa errada é apenas uma coisa errada se não deixarmos isso tomar conta. É preciso simplesmente aceitar que o resultado do treino está lá dentro e vai sair. É só dar condições e não atrapalhar. E buscar o sofrimento. Vai ter o resultado quem treinar melhor, executar melhor, acreditar que é possível e aceitar sofrer. E isso não tem nada a ver com colocação na prova ou tempos midiáticos, mas sim com o resultado pessoal de cada um. O resto é consequência.

sábado, 19 de março de 2016

Vídeo do avestruz caçador de ciclistas

Incrível esse vídeo. Se não é o papa-léguas, quem é ? Imagina o que não pensaram os ciclistas :-). Bem mais divertido do que fugir de cachorro.


domingo, 13 de março de 2016

4ª Meia maratona de São José

Hoje rolou a meia maratona de São José, um percurso divertido e nada óbvio. Clima excelente, céu azul e sol forte com temperatura agradável e um pouco de vento sul.

A turma da Ironmind se dividiu entre essa prova e o sprint de garopaba, uma difícil decisão, mas que foi pensada em função do Iron. É incrível como esse tipo de treino foge do óbvio. Geralmente dia anterior à prova é pra descansar, mas aí a gente vai lá e pedala uma pancada. Claro que não é uma prova alvo, é parte do ciclo de treinos, mas ainda assim sair uma coisa que preste é surpreendente e faz pensar no que é possível. E uma coisa eu sei: é bem mais. Porque há três anos me estrepei todo nessa prova sem treinos pesados no meio, e a melhor meia até então tinha sido dois anos atrás na planície da beira mar norte. É fantasticamente incrível ver na prática e no próprio couro como treinar funciona.

Buenas, depois de um pedal básico de 120 km ontem, eis que a maioria da galera que vai pro iron floripa alinhou às 7:30 na beira mar para a largada. Um bolo de gente das três distâncias da prova largou tudo junto e saiu em disparada, típico estouro da manada com gente de 5 a 21 km.

Saí bem confortável no início mantendo o Fabrício no visual. Seguimos com vento contra no plano até os morrinhos do começo da ponta de baixo e aí voltamos pra beira mar, fechando 7 km. Em algum momento percebi uma presença correndo ao lado, era o Roberto aquecendo os motores. Segui no mesmo esforço quase sem olhar o garmin e começamos a segunda volta, a mais longa e com morrinhos divertidos. Seguimos até a praia comprida novamente, encontramos o Fabrício e tocamos reto pra ponta de baixo, quando o Roberto ligou o turbo e desapareceu de vista. Abria uns 3:30 em 9 km apenas ;-D !

Comecei a correr com o Fabrício, passamos uns atletas e então entramos num deserto asfáltico, sem nenhum atleta no loop que não tinha retorno, bem legal. O ritmo começou a cair pela canseira e altimetria, mas nas descidas dava pra literalmente socar a bota.

Começamos o trecho ondulado final no centro histórico e logo pegamos os últimos 2 km finalmente planos, mas ali as pernas já davam sinal de desgaste, algo também conhecido como desespero. Não ia mais além daquilo, e foi assim até o final. Mas conseguir correr decentemente depois dos morrinhos me deixou satisfeito apesar de cansado. A constância também foi digna de nota, todos os gráficos bem retinhos, menos o pace que variava com a gravidade da situação altimétrica.

Chegamos em top 10 geral, algo muito bacana. Daí foi a festa da chegada na muvuca de sempre com pódios da Ironmind pra todo lado. Mais um dia divertido sofrendo do jeito que tem que ser. Fazer o máximo nunca é fácil, porém apesar de destruídos terminamos já com planos para as próximas. Ô bando de doido :-).



Prova com boa organização e percurso excelente. Galera se divertiu e sofreu como tem que ser. Próxima parada meio iron de caiobá em abril. Bora em frente que atrás vem gente.

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Saiu 1h23min08seg. 10º geral e 1º 40-44. Resultados aqui e garmin aqui, parado depois da chegada.



sábado, 20 de fevereiro de 2016

3by1 1ª etapa - olímpico de itapoá


O ano começou bem em itapoá, no norte do estado. A galera da Ironmind foi em peso se divertir num olímpico sem vácuo da 3by1, empresa de Curitiba, de onde boa parte dos atletas vieram.

Um fim de semana de tempo bom e calor e uma praia/cidade que não conhecia aqui em SC, a boa vibe da galera e um resultado legal, não poderia ser melhor.

Fui pra com o Manente e Fabrício pro hotel colado na largada da prova. Almoçamos e fomos tentar arrumar a minha roda que resolveu estragar um raio. Depois de alguma engenharia gambiarrística desistimos, testei uma que o Manente conseguiu emprestada e decidir ir com a de treino mesmo. Fizemos uma volta no percurso da bike e umas braçadas no mar apenas para salgar as roupas.

Então fomos ao congresso técnico saber dos detalhes. Olímpico sem vácuo é sempre legal. O percurso da bike era o diferencial, pois não tinha retornos. Era um retângulo alongado, então a gente fazia as curvas e esquinas e estava sempre 'indo'. Não lembro de ter feito prova com percurso assim. O inconveniente eram as lombadas, em número considerável, mas bem tranquilas na maioria. Asfalto muito bom.

Jantamos um absurdo de pizza e então foi só dormir relativamente cedo.

A largada do sprint seria 7:30. Como seria com vácuo e o olímpico não, a largada do nosso foi às 8:30.  Dada a proximidade do hotel, fomos lá entregar as bikes e eu planejava dormir de novo antes de largar hehehe. Só que o medidor de potência não deixou.

Nada de sincronizar com o garmin, e eu queria ter os dados porque era pra socar na bike até não poder mais e ver o que aconteceria. Tirei a pilha e nada, aí tive a ideia de pegar a bateria novinha do monitor cardíaco. Fui pro hotel e o Fabrício conseguiu abrir aqueles parafusos minúsculos com uma chave philips sem destruir nada. No hotel percebi que perdi os óculos e touca e natação, provavelmente esquecidas na transição.

Voltei correndo pra transição, entrei no último instante e troquei a bateria, tudo certo finalmente. Achei óculos e touca caídos lado da bike e saí correndo de lá pro hotel pra descansar. Tive que ir no banheiro de novo e quando vi eram 8:15, toca pra praia aquecer a largada.

Dei umas boas braçadas e fiquei lá acocorado vendo o mar. Sempre muito legal essa hora, e ultimamente estou com mania de ficar ali um tempo sozinho olhando pro nada, pensando em nada. Comi o gel e fui pra largada, alinhei do atrás do Roberto pra pegar uma esteira, mas ele largou num sprint de 100m rasos com barreiras e pra variar deu um coro na gurizada.

O mar estava legal, só com um pouco de arrebentação divertida na entrada e jacarés na saída. Duas voltas, e saí com 24 min. Foi legal, apertado mas não demais, embora tenha ficado com o pescoço 'cansado'.

Toquei pra bike e fiz uma transição complxa - apertei o compartimento da bateria do medidor, pus o elástico da sapatilha que tinha soltado e guardei os óculos. Mas dada a correria pré prova, não ter feito nenhuma asneira já foi lucro. Saí socando o pedal esgoelado até começar  estabilizar.

A primeira volta foi toda estranha, a segunda e terceira encaixaram e a quarta apertei sem sucesso o ritmo. Não vi nada de vácuo ou pelotes... Certo momento já estava passando as lombadas no clipe... acostuma, mas não sei se deve.

O pedal saiu bom, IF 0.91. Média de quase 39, o que é um número grande. Não teve 40 km, foi 36, só que avisaram claramente isso no congresso, mais um ponto pra organização.

Daí fomos todos alucinados pra corrida. Saí da transição depois de ser ultrapassado lá dentro por um cara que resolvi buscar. Depois descobrir ser da categoria, e ali na corrida foi a decisão.

O Manente vinha fechando uma volta quando saí e consegui correr um pouco junto dele, deu uma melhorada no ritmo e aí lá pelo 6-7km comecei a ferver. Tinha bebido só GU na garrafa da bike, aquilo cola a boca e não mata a sede, dei uns passo pra beber e apertei o que deu, mas uma dor no posterior da coxa direita havia se instalado.

Assustei quando vi o tempo no pórtico, mas aí lembrei que tinha menos pedal. Mas ainda assim daria umas 2h7-8min, algo muito muito bom. Acho que o primeiro olímpico em 2009 foi 2h40... Algo me diz que treinar funcioa. Ainda mais se for levado minimamente a sério, como por exemplo, treinar no carnaval hahaha. Saiu tudo legal, mas o que me deixou mais feliz foi correr pra baixo de 40 min socando sem segurar na bike. Não tinha saído isso num olímpico ainda.

Essa dor tá estranha, apareceu na serra do rio do rastro, mas lá a ignorância era grande e ignorei. Daí fiz umas massagens e alongamentos e tudo certo. Corrida não doía nunca até então, parece ter a ver com forçar na bike. Vou subir um pouco o banco pra ver no que dá.

Logo chegou todo mundo, reunimos naquela confraternização boa de sempre depois da batalha. Não teve ninguém que não fez o que podia no dia, e isso é uma vitória sob quaisquer circusntâncias. A turma da ironmind detonou geral, galera curtiu muito.

Agradecimento especial à parceria da viagem, rendeu boas risadas e muito papo mesclado de treino e competição. Valeu #retardadostri HAHAHAHA.



Agora a próxima parece que é a meia maratona de são josé, daí o meio iron de caiobá e então o Ironman. Bora em frente que atrás vem gente !

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Dados técnicos:

1 gel antes da largada. Duas medidas de gu roctane na garrafa na bike, um gel na corrida (quase voltou).

1º lugar na 40-44 anos, 20º geral, 2h1min48seg
Link do garmin aqui.

Resultados oficiais aqui: categorias e geral.

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Fotos





Realmente não sei o que é isso kkkkk

Pódio ! 2º a 1 minuto...


 
Meu pescoço sumiu !

"Essa vai pro blog", falei na hora e tá aí