quarta-feira, 27 de setembro de 2017

GP Extreme Penha 2017 - Quase tudo perfeito !

Provas nunca saem perfeitas, porque sempre podemos melhorar e perfeição não admite melhoras. Entretanto isso é um dos atrativos de um esporte complexos com o triathlon - é possível evoluir sempre, aprender igualmente e sempre achar uma margem de melhora.

Dadas as circunstâncias, essa prova foi muito, muito, mas muito boa. Um formato bem interessante onde, quando começamos a cansar numa modalidade, já pulamos pra outra, e a corrida acaba de supetão. Para quem treina para provas longas, é um prato cheio e obviamente enfático na bike. A repetir sempre e que o formato se propague.

Fui para Penha no sábado a tarde com a Daiane e o Arthur, a Laís estava ocupada no Rock in Rio e perderia o Beto Carreiro hahaha. Na verdade não planejamos nada e a ida ao parque enquanto eu corrida transformou essa prova num provável evento fixo no calendário dos próximos anos :-).

No sábado eu nadei pela manhã na piscina com uns dois ou três tiros de 100 m e a tarde pedalei 10 km em penha para testar a bike e ver se os pneus estavam bem cheio, etc. Todo suado fui para o congresso técnico ouvir as últimas informações e depois fui no Éder para uma sessão de Quiropraxia e colocação de tape no tornozelo afetado. Saí de lá zerado e fomos jantar num rodízio de massas excelentes em Piçarras. Tão excelente que comi além da conta e me senti estufado até o outro dia pela manhã.

O café pré prova foi uma xícara de café preto e uma fatia de pão com doce de leite e queijo, empurrados goela abaixo. Saí pra a transição que ficava a 700 m da pousada e ajeitei as coisas, encontrei a galera e fui nadar. Um mar estático e nada de vento, porém com nuvens carregadas que prometiam segurar o sol abriram o dia.

Larguei bem na frente e fui atropelado. Só na primeira boia comecei a nadar sozinho, o que não é bom. Procurei um pé e achei um já quase na segunda boia, estava nadando ao lado do líder de uma tripa de gente a uns 10 m à minha esquerda. Não sei se tinha gente no meu pé mas eu burramente não tinha pé na minha frente até ali. Da boia pra praia fui grudado em três atletas e se não ganhei tempo, ganhei descanso. Terminei a natação com 15:08 para os 1000 m de mar.

Saí da água com o Fabrício Massaranduba e o Igor Peres e corri forte para transição. Chegando na bike percebi alguma coisa estranha quando já estava pondo o capacete e vi a roupa de borracha toda fechada até o pescoço. Que asneira ! Tirei o mais rápido que pude e disparei, saindo da T1 junto do Palhares, segundo ele me contou, já que eu não vi nada além de um sujeito que quase derrubei ao montar na bike.

Comecei forte e ao final da primeira volta estava em ritmo de cruzeiro. Serial 8 de 12 km e uns quebrados, totalizando 104 km de pedal. Pedal consistente e ritmado, a cada volta os números estabilizavam mais até que no retorno da quinta volta tomei um cartão. Sei que o árbitro é soberano e não adianta reclamar, mas fiquei pasmo por estar num retorno, iniciando uma subida e ter sido imediatamente após ter sido ultrapassado por uns atletas. Acho que daqui pra frente sempre que for ultrapassado vou imediatamente acionar os dois freios até para, aí não haverá dúvidas..

Na sexta volta aproximei do Roberto e pensei em tentar ultrapassar, mas em mais meia volta ele abriu e sumiu de vista. Porém era um indicativo que o pedal estava bom chegar perto do Chefe numa prova. No final do pedal a potência caiu um pouco e os quadríceps já estavam anunciando uma corrida desafiadora. Entrei na T2 com 39/h, 2h39min e 238w de NP, o que era deveras bom. O Palhares entrou junto e como somos da mesma categoria saímos alucinados, eu ligeiramente mais psicótico pois sabia que a corrida seria regressiva.

Estava há 3 semanas só rodando sem nada de intensidade e tentei abrir o máximo no início. A chama durou 2 km e comecei a sentir tudo travar, foi assustador pensar em andar 8 km mas logo as coisas se encaixaram no limiar do desespero. Duas voltas de 5 km dá pra ver bem todos os atletas e fomos lutando saudavelmente entre todos. Passei o Massaranduba e mais um cara que eu jurava ser da categoria e depois vi ser da anterior. O Roberto vinha furioso rangendo os dentes.

Perto do km 6 fui tomar um gel, o único nos bolsos. Fui pra prova só com 5 gels e deixei um pra corrida, sem nada nas garrafas além de água. Fiquei com medo de quebrar e não quebrei. A 'jacada' da noite anterior segurou :-). Só que deixei o gel cair. Em uns 2 segundos pensei em abandonar, depois resolvi pegar e voltei uns 3 passos. Ao levantar vi o Palhares e mais um atleta vindo.

Saí correndo e no último retorno no km 7,5 eles estavam muito próximos. Resolvi tentar um sprint preventivo para evitar uma carnificina na chegada. Acelerei o que deu até os quadríceps ameaçarem pane e por pouco o Palhares não me passa, faltarm 4 segundos. 4 segundos numa prova de 114 km, fechada em 3h39min. Incrível ! Baita briga boa e divertida. Fechei a corrida em 41:08, até que bem mais ou menos pra expectativa prévia.

Chegamos desmoronando e fui procurar comer algo. Muitos algos foram ingeridos, estava realmente com fome. Baita fim de prova, galera da Ironmind em peso e muitos amigos presentes.

Fui tomar banho e voltei pra premiação. Tentei descobrir do cartão mas ainda estava o tempo de chegada, em 2º na categoria. Na hora do pódio fui chamado em quinto, prova da eficácia do infeliz cartão. O Palhares ganhou, pois pareceu que o campeão foi desclassificado já que havia sumido. Depois no resultado oficial ele estava sem segundo, o que não entendi nada.

O que importa mesmo mesmo não é o tempo ou o resultado, é o caminho pra chegar lá. E isso dessa vez me deixou muito satisfeito. Tentei fazer tudo no máximo como se não houvesse amanhã, dentro da realidade do que estava treinando. A sensação de deixar o máximo na pista é impagável e sempre deve ser perseguida por quem busca a satisfação plena, embora dessa vez tenha vindo um um cartão indigesto.

Quando fui pra pousada a Daiane ainda não havia voltado das montanhas russas brasileiras. Saímos de lá às 15:30 para almoçar em itapema às 17 horas, finalmente. Excelente final de semana :-). Até a próxima, dia 8 de outubro na praia do sonho.

Se não é pra arregaçar nem sai de casa HAHAHAHAH

Pódio, embora azedo

Parceria da prova toda hahahaha


Ali atrás a coisa era divertida. Na pista também, embora mais ardida

Tinha chutado umas 3h50 de alvo, erras pra baixo é sempre bom


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Duathlon Blumenau 2017 - cada segundo conta

Mais uma prova de Duatlhon em Blumenau. Diferente de 2014, dessa vez fui sozinho sábado a noite depois de um dia bem divertido. Acordei cedo e pedalei 70 km com o Rodolfo e o Cassol na varginha, que é pra preparar as pernas pro desespero. Depois fui pra festa da família no colégio do Arthur e ficamos até o fim da tarde. Daí fui direto arrumar as tralhas, trocar as rodas da bike e partir pra Blumenau, onde cheguei as 21h azul de fome. Por sorte tinha um restaurante no hotel e por lá fiquei.

No domingo acordei e fui tomar um café mínimo, dado o exagero alimentar da noite anterior. Do hotel, 5 minutos até a área de transição, onde já encontrei todo mundo e achei o Fabrício e Décio pra me ajudar a encher o pneu que não enchia.

A largada era a uns 300 m da transição, e fiz um aquecimento leve lá evitando começar muito forte para preservar o tendão de aquiles afetado. Alinhei bem na frente e quase fui atropelado na largada, baita povo louco. Havia também revezamento e identificava os indivíduos dessa categoria pelo calção de corrida.

Apesar do esforço o ritmo estava lastimável. Fiquei bem pra trás, o que significa uns 40 ou 50 segundos do segundo grupo, então comecei o pedal sozinho. Logo encontrei dois caras e veio o Juliano, um ciclista de Rio do Sul com sangue nos olhos. Segui revezando o que conseguia com ele por metade da primeira ida e a volta toda. No retorno vi que estávamos bem longe do primeiro grupo e não tanto do segundo. Seguimos forte até a área de transição, onde fazíamos um mergulho em descida, curva e logo uma subida de elevado, onde deixei o Juliano escapar, desgraçadamente. Quase explodi as pernas e vi o cara se afastando, afastando até sumir :-). Porém eis que no retorno já estava bem mais perto do segundo grupo, e tentei forçar mais um pouco.

Acabou que não consegui chegar mas aproximei legal. Saí pulando num pé só na transição, achei que não daria pra correr dada a dor no calcanhar direito. Mas isso durou só os primeiros passos, logo calcei os tênis e saí em disparada.

Ritmo igual a primeira corrida. Pelo menos tem alguma vantagem não conseguir correr forte, que é não morrer na segunda corrida hahaha. Achei por bem forçar logo de cara pra ver se chegava em alguém, e cheguei em alguns ! Vi o Fabrício e Gabriel próximos e bem a frente, o Rodolfo lá na brigando com os primeiros e tentei ganhar umas posições. Nos últimos 700 m veio aquele pensamento maligno "how bad do you want it ?!" e apertei o passo tudo que dava. É aquela história, se 1 segundo dá uma posição, porque não apertar o torniquete até o máximo ?!

E deu certo. No funil final estava embolado com mais 4 atletas, todos sprintando. Passamos o pórtico embolados e fiquei feliz. Depois fui ver no resultado que chegaram dois atletas em 1:00:35, eu e mais outro em 1:00:36 e mais um em 1:00:49. Incrivelmente o atleta no mesmo segundo que eu era da cat 40-44 !

O Fabrício ganhou a dura categoria 35-39 com maestria, tá correndo demais o camarguinho ! Já o Rodolfo pulou de nível e está lá na frente dando trabalho pra Elite, simplesmente detonou na prova, correu junto o tempo todo, incrível !

Baita prova, mostra que cada segundo conta, e quando se quer, só acaba quando termina ! Até a próxima. Track do garmin aqui.

Assim sendo acaba o campeonato catarinense, com vitória na categoria 40-44 :-)

Descanso antes da pancadaria :-D

Tudo nosso HAHAHAHAH

Ciclismo excelente
Pedal furioso, boa potência, 39,4 de média num percurso perfeito e ondulado

Chegada nervosa hahahaha
Fotos foco radical, Fabrício, eu e o Vini que pegou a foto no piquenique, valeu !

domingo, 20 de agosto de 2017

Track & Filed Floripa 2017 - treine até seus ídolos se tornatrem seus adversários

A última TF Floripa tinha sido em 2012, depois de 3 anos seguidos eu tinha estabelecido um tempo nos 10 km que achei que nunca mais bateria. Naquela prova encontrei o Cini na metade e viemos nos puxando até o final, quando perdi dele pra tomar um copo dágua a um km da chegada :-).

Dessa vez eu queria bater o tempo, não foi acidente como em 2012. Mas parecia bem difícil já que teria que correr num ritmo mais forte do que há 5 anos sem nenhuma tentativa no meio. 10 km é uma distância relativamente longa para esforço de limiar e as únicas provas desse tipo tem sido os duatlhons com 5 km apenas. Em treino não chego nem a passar perto disso. Até porque limite mesmo, acho que a gente só chega perto em prova.

Pois então, acordei já tarde e com fome, comi demais e saí correndo pro iguatemi. Como queria aquecer bem deixei o carro na rua dada a fila pra estacionar lá dentro. Encontrei a galera da ironmind e fomos aquecer uns minutos. Alguns estímulos no ritmo pretendido e com uma adequada sudorese, formos alinhar já meio atrasados. Fiquei uma fileira de gente atrás da faixa, ao lado do Rodolfo e Roberto.

Então largamos, e saí meio pesado e afogando por um km. Difícil demais dosar no começo, mas logo encaixou e fui. A primeira volta foi rápida, poucas pessoas à frente, uma galera dos 5 km e os líderes dos 10 com o Fabrício, Guilherme, Rodolfo. Vi o Roberto atrás no retorno e achei que ou era hoje ou eu estava fazendo cagada hahaha.

Seguimos pra segunda volta e passei o Guilherme. Puxei um pouco e ele me passou de volta, abriu um pouco e logo cheguei no Massaranduba. Fiz o segundo retorno e já vi o Roberto bem mais próximo, o Guilherme estava ao alcance e o Rodolfo e os dois líderes já haviam sumido.

Toquei o mais forte que dava sabendo que o chefe vinha no encalço. Achei legal estar na frente ainda mas sabia que a fúria estava próxima. Ali pelo km 8, 8.5 o Roberto chegou e passou, mas eu passei de volta e abri um pouco. Daí começamos a pegar trânsito e ele passou ao largo da curva, eu estava por dentro. Pouco depois dos 9 km segui no encalço sem largar o osso e sem conseguir chegar, um desespero anaeróbio considerável hahahah. Fomos chegando ao final e ainda tentamos pegar o Guilherme, mas não deu. Uma baita chegada, 5 segundos de diferença do 4o pro 6o.

Baixei uns 30 segundos do melhor tempo e competi com alguma consciência, o que foi o mais legal. O tempo todo monitorando os outros atletas, pensando (ainda que parcamente) na estratégia e em como tirar leite de pedra.

Um baita dia, uma bela prova. 10 km é fácil se for fácil, mas é muito difícil se for difícil. E prova tem que ser difícil.

Bora pra próxima, duathlon em Blumenau no próximo fim de semana.




Não deixa escapar !
 
Fervendo todas as mitocôndrias existentes

Chegando sem pescoço. Esforço máximo !

No encalço do chefe

Ardeu

Chegada

4, 5, 6, desmontar !

Se cuida Gui ! AHHAHAHAHAHA

Fui fazer uma caminhada matinal com o Arthur pra soltar as panturrilhas. Não soltou. Mas foi muito legal !



 36:30 redondos, 3:40 cravados. Aqui o track do garmin.
Resultados:

1079
RALITON PAULO SOARES
10K ELITM10 00:35:03.2 3:30 00:35:02.2 1 1 1
684
SÉRGIO LUIZ TIAGO DE SOUZA
10K ELITM10 00:35:36.2 3:34 00:35:35.7 2 2 2
677
RODOLFO DORNELAS
10K ELITM10 00:36:13.5 3:37 00:36:13.2 3 3 3
1105
GUILHERME GARCIA CUNHA
10K ELITM10 00:36:26.7 3:39 00:36:25.9 4 4 4
676
ROBERTO MELO DE LEMOS
10K ELITM10 00:36:28.4 3:39 00:36:27.2 5 5 5
674
RAFAEL VITOR RODRIGUES PINA PEREIRA
10K M4044 00:36:31.5 3:39 00:36:30.5 6 1

    

segunda-feira, 17 de julho de 2017

MountainDo Costão do Santinho 2017

Chegada das boas !
Depois de muitos anos finalmente voltei a correr o costão do santinho ! É uma das provas mais bem organizadas que conheço, com um percurso espetacularmente bonito, variado e magnífico de correr. Uma prova trail com distâncias de 9,21, 42 e 65 km, praticamente tudo 'corrível' mas ainda assim com boa altimetria.

Saí de casa cedo e passei no Éder antes para um último ajuste e prevenção panturrilística. O duathlon da semana anterior deixou sequelas nas batatas até quarta feira e não quis arriscar. Tudo perfeito como sempre, segui pra largada.

Corri com o Anastácio e Fabrício, e logo na largada apareceu o Marco e fomos encontrando a galera. Estava uma temperatura agradável então corri de camisa com manga de triathlon e cheio de acessórios. Como disse o Anastácio, correr já foi mais simples.

Alinhamos bem na frente e largamos alucinadamente. Eu havia falado pro Fabrício que nessa distância dava pra brigar pela ponta, então fomos lá conferir. Primeiros 3 km em desconfortáveis 3:40/km com uma galera lá na frente e entramos nas dunas pros ingleses e então na trilha. Logo o Fabrício e os ponteiros sumiram e eu fiquei, semi afogado e com as pernas estranhas. Estava escaldado da ponta do papagaio e resolvi segurar pra não quebrar tanto no fim.

Quando terminei de descer de volta no santinho o Fabrício e mais 2 ou 3 atletas já estavam na metade da praia ! No meio da praia só dava pra ver um ponto vermelho e outro azul entrando no costão, e o vermelho estava na frente, liderando a prova com 8 km !!!!

Entrei no hotel e saí nas trilhas de dunas, o local mais sensacional de correr que lembro recentemente. Um corredor de vegetação em leve declive com areia semi firme dava um ar psicodélico à corrida. Seria muito legal correr aquilo com uma gopro na cabeça.

Saí no moçambique com mais dois atletas, embolados desde o santinho. Seguimos na praia e então nas dunas novamente. Um deles desgarrava no plano e buscávamos na trilha, ou outro estava junto desde o km 5 e seguimos revezando o ritmo. Fizemos o contorno no rio vermelho, depois de passar pela nascente do próprio rio e voltamos pela floresta de pinheiros até a praia novamente. Ali sobrei com os dois a uns 200 m a frente.

Ao entrar no costão o staff avisou 7o lugar e logo ultrapassei o corredor de plano e segui à caça do Andrea. Só que fui caçado pelo Ivanei, que me ultrapassou no final da trilha das aranhas. Ele está muito bem treinado em trilhas, muito forte, mas no final dentro do hotel tentei e consegui ultrapassá-lo, voltando para a 6a posição.

Passei o pórtico encontrei a galera mas não vi o Fabrício. Perguntei à Fabi se o meu amigo da Ironmind havia ganhado e ela confirmou ! O cara liderou praticamente de ponta a ponta sem se preocupar com ritmo, relógio, pace, sem conhecer o percurso e sem treinar nada de trilha. Simples assim, incrível assim.

Fomos pra área de chegada e encontrei meu pai que estava lá desde a largada curtindo a prova, muito legal envolver a família toda nessas provas, anima e explica um pouco pra eles porque fazemos isso :-).

Empolgou pra próxima ! Até lá.


Segue o Camarguinho !

Salto atlético pra não molhar os pezinhos kkkkkkkk

Visual terrível

Into the woods !
Embolado com o quinto, Andrea Rella, a prova toda

Mais um voo kkkkk

Rendeu !
Vice na categoria, sexto no geral. Velhos maníacos !
O Juan destruiu na maratona e foi vice !
O percurso dos 42 deu vontade e certamente vou fazer ano que vem !

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Duathlon Fetrisc São José 2017 - como auto esfolar-se a si próprio

Duathlons são provas fantásticas. Fiz a primeira na pedra branca em 2011 e peguei o gosto. Como normalmente acontece no inverno, é legal pra dar uma variada das provas longas e complexas de triathlon, pois no duathlon a transição é de uma simplicidade absurda, além de fundamental se a prova tiver vácuo liberado. Completando as vantagens, o alto percentual do vo2max com a qual a prova é executada é um bom teste, calibrador do limiar de sofrimento, e como proferido recentemente, é uma excelente forma de melhorar a capacidade de auto esfolar-se a si próprio. Sim, porque fazer a prova bem feita, independente do condicionamento de cada um, dói, arde e dá uma sensação de desespero razoável.

A prova de ontem foi a primeira etapa do campeonato catarinense, novamente na beira mar de São José. Nas distâncias de 5 km de corrida, 20 de bike e mais 2.5 de corrida, foi um dia bem rápido.

Eu cheguei cedo pra pegar a bomba de pé do Fabrício emprestada, já que destruí a minha no sábado. Arrumei a bike e fui aquecer - até ficar suado, pois aprendi que aquecimento tem que suar em quantidade razoável. Alguns estímulos de velocidade por 30 segundos, uns educativos e em 10 minutos estava pronto.

Largamos alucinadamente. Como bem disse o Duks, o fotógrafo destas fotos fantásticas, parece uma prova de crianças. Pois nelas os pequenos largam sem medo, dando o máximo desde sempre, como se não houvesse amanhã.

E realmente não há. A corrida inicial é no máximo, não sei se sairia uma corrida solo de 5 km melhor do que foi. Comecei com o grupo de frente mas logo deixei desgarrar, estava muito rápido e o km inicial virou em 3:22. Daí em diante o grupo começou a esfarelar e formamos outro grupo com o Fabrício e o Ivan, mas logo espalhamos novamente. No retorno estava a uns 20s do pelotão dos líderes, o que era bom pois só faltavam 2 km, embora naquela intensidade isso signifique uma eternidade.

Entrei na transição e executei tudo com perfeição, até pulei na bike correndo ao sair pro pedal. Porém fiz uma mágica com o pé direito, consegui enfiar os dedos por cima do velcro de baixo, ficando com o calcanhar dentro e os dedos pra fora da sapatilha. Arrumei e o Rodolfo passou, junto do Lucas, que ficou arrumando algo na saída da T1. Formamos um belo grupo, junto do Ivan e mais o André.

Fizemos a bike bem rápida, só atrás do primeiro grupo. Um pedal tenso e divertido. Não sou acostumado a pedalar em grupo, ainda mais naquela velocidade e com retornos apertados. Saiu NP de 259 watts e AVG de 238, bem distantes em função das retomadas e vácuo, mas ainda assim IF de .93 foi bom.

Na entrada pra T2 eu acabei esquecendo de sair da bike e parei com ela no meio das pernas. O grupo escapou mas fiz a transição rápida, porém algo aconteceu. Fiquei ofegante e quando vi estava parado do lado da bike com os tênis calçados e o capacete na cabeça. Por instantes fiquei ali olhando o pessoal se distanciar, até que arranquei o capacete e fui atrás. Não sei que diabos aconteceu. Talvez uma tentativa do cérebro de descansar um pouco, sei lá. O diafragma estava dolorido de tanto respirar kkkk.

Saí correndo e lá na ciclovia lembrei de dar o lap, e então comecei a correr morrendo, afogado e desesperado, pensando em como seria horrível ter que andar em 2.5 km, ou pior, me jogar na grama pra recuperar o fôlego. Porém em uns instantes avaliei tudo e vi que não tinha dor alguma, era só o esforço se fazendo presente, então mirei no cara da frente e comecei a apertar o ritmo, embora muito pouco de prático acontecesse. No retorno concentrei mais e consegui aproximar do André e ultrapassá-lo, mas não consegui chegar no Cléber e muito menos no trio Ivan, Rodolpho e Lucas, que correram absurdamente bem e chegaram embolados em 6o, 7o e 8o, 45 segundos à frente. Pelo tempo, correram no mesmo ritmo da primeira corrida.

Acabei em 1h00min16seg, um tempo excelente e o melhor neste tipo de prova. Não olhei pro relógio em nenhum momento. A corrida 1 foi excepcional, uma das melhores já feitas. Não deixo de ficar feliz e impressionado, pois nada de velocidade foi feito nos últimos 3 meses. Como diz o mestre Roberto Lemos, o corpo vai aprendendo, a experiência ajuda, a referência já existe, e a gente vai evoluindo. O pedal foi alucinante mas não tão forte por ser com vácuo, mas puxei bastante e fiquei feliz. Já a segunda corrida foi como correr com as pernas depois de passar num moedor de cana. Algo estranho, mas muito interessante. Estou lendo um livro sobre psicologia do esporte e parece realmente que a cabeça faz as pernas trabalharem mais quando realmente importa, sou obrigado a concordar com alguns dos efeitos estudados ali.

Agradecimento especial à Fetrisc por organizar essa prova tão bem. Excelente pra reunir os amigos no quintal de casa pra uma brincadeira séria num domingo de manhã. Obrigado e parabéns ao Duks pelo excelente trabalho de cobertura fotográfica, e a todos os atletas por fazerem parte dessa festa. A próxima etapa é em Blumenau dia 27 de agosto, pra quem quiser ir brincar já sabe quando e onde.

Resultados oficiais no site da fetrisc, ou aqui. Link do garmin aqui.

Galera boa !

O Manente e o Duks podem ensaiar o quanto quiserem que nunca mais conseguem um foto como esta !!

Nunca tinha estourando espumante no pódio hahah, então fiz todo mundo esperar eu abrir a garrafa

Primeira corrida. Havia passado o Ivan e logo depois ele devolveu

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Ironman Florianópolis 2017 - a visita do inesperado parte II

O décimo Ironman teria tudo pra ser igual e sem novidades. Porém uma prova tão longa tem muito tempo pra coisas acontecerem, e elas acontecem. O interessante disso tudo é o aprendizado contínuo e a busca pela evolução.

Pela primeira vez não me inscrevi para um iron. Me inscrevi, mas não como esperado. Não me inscrevi na abertura das inscrições porque correria Fortaleza. Também correria o Challenge que foi varrido pelo tufão. Logo depois começamos a planejar o Fodaxman, que foi devidamente corrido em 7 de janeiro. Logo estava inscrito pra volta a ilha em dupla, com os 30 km de trailrun da ponta do papagaio no começo de fevereiro, após um mês de férias.

Eis que apareceram inscrições pela Fetrisc, e eu que ainda procurava prova para o segundo semestre depois do desaparecimento de fortaleza, me vi compelido a me inscrever. Então começamos a treinar em fevereiro.

Os treinos foram excelentes. Bem consistentes, apenas com a volta em dupla no meio. Fora isso só o sprint de garopaba. Foram meses de treino perfeito, sem perder quase nada e com muito empenho na bike, diversão e ânimo sempre alto.

A prova veio com um polimento bem feito e curtido. Semana de prova é sempre legal.

E eis que largamos as 7:20 da manhã de domingo, um dia chuvoso e sem vento, de temperatura agradável. Mar flat e com correnteza ajudando. E mesmo assim, com orientação bem feita saí da água com 1h1min, tendo nadado sozinho quase o tempo todo. Erro grave. O tempo da natação foi muito baixo e o meu foi alto, rendendo um 90 na categoria. Mesmo 2 min mais rápido que ano passado, 60 posições acima, coisa ridícula. Tenho que aprender a nadar no cardume. A única coisa que atrasou 10 segundos foi ajustar o chip que ficava caindo no começo da segunda volta.

Transição rápida, estou em modo padrão nesta parte, há uns anos em torno de 4 minutos e troco. Acho que está razoável, mas dá pra arrancar meio se não deixar NADA na sacola além de capacete e óculos. Esse ano deixei o selante, gels e comprimidos, que esqueci.

Saí pra bike tranquilo e decidido a não furar pneu. Falando em pneu, não furou nenhum (spoiler !), mas tive que lidar com os benditos antes da largada. A válvula do traseiro resolveu entupir com o selante e não consegui encher. Eu havia esvaziado um pouco na quinta depois de testar a bike, e nada de conseguir encher. Fui na tenda da Shimano, que tentou desentupir e então desmontou a roda. Aí trocou a válvula. E aí começou a entrar ar. Só que não ficava lá. Revisa e revisa e então olha a câmara, que estava rasgada na emenda do bico. Provavelmente estava selada, quando mexemos abriu e foi-se. Quase pedalei com uma bomba relógio. Trocamos por uma das minhas reservas, e fiquei só com uma fora as outras TRÊS no special needs. Saí tranquilo e esqueci completamente daquilo. Pensamento sempre pra frente. Eram 6:45 quando deixei a transição deserta e fui pra praia.

Voltando ao pedal, tudo muito tranquilo, porém paradoxalmente tenso. Mesmo concentrado na minha bolha de realidade, era difícil não ver os acidentes e pneus furados no caminho. Segui controlando a facilidade relativa na primeira volta, sempre com bastante chuva. Terminei com 37 de média e potência bem no alvo. Parti para a segunda e logo peguei um pelotão muito descarado.

Ataquei os morros com um pouco mais de vontade e logo cheguei à beiramar onde o ritmo rende. Peguei a segunda garrafa da prova e uma de gatorade. Segui para o sul e na volta houve um xixi. Mesmo bebendo pouco eu produzo muita urina.Tenho que experimentar não beber nada para ver se existe geração expontânea de xixi.

A ida pro norte foi complicada, dois pelotões me passaram e tentei ultrapassar, morros tensos na descida cheia de gente e larguei de mão na reta do Floripa. Relaxei um pouco e depois do pedágio apertei novamente para terminar.

Voltando de canas me senti ligeiramente fraco, cabeça meio leve, mas as pernas estavam boas. Entrei em jurere e vi a média, 36,3. Muito boa para a potência de IF .75 que estava, boa e ao mesmo tempo conservadora para correr.

E aí eis que lá nas lajotas, fazendo uma curva pra esquerda pra acessar a Búzios, a bike resolveu sair de baixo de mim. Num instante estava batendo no chão com aquele pensamento de "isso não pode estar acontecendo". A porrada foi seca, caí em cima das lajotas e lajotas não promovem o adequado deslizamento pós queda. Baita pancada do lado esquerdo na cabeça e quadril. Ralados no joelho e cotovelo eram o que dava pra ver. Levantei e veio um staff ajudar a destrancar a corrente e o freio dianteiro. Saí rápido para a T2 a apenas 1.5 km dali.

Entrei na transição sem muito pensar, executei tudo e saí sem nem olhar pros ralados, correndo pra ver se sentia algo estranho.Foi difícil botar a queda numa caixa e empurrar lá pro fundo pra me concentrar na corrida. De vez em quando voltava, principalmente nas descidas quando o quadril doía bastante. Não comentei com ninguém, tentei ignorar que tinha caído e pensar que estava começando de novo, feliz de estar na prova no lugar planejado, correndo com 6h10 de prova.

Comecei bem, passei a muvuca e logo estava me sentindo estranho. Tive que parar para um xixi de 28 segundos no km 3 e segui pros morros com sensação de final de maratona. Dessa vez andei todos os morros, tudinho. Não consegui correr morro acima, as pernas estavam muito pesadas. Tudo estava pesado. De novo, foi difícil parar de pensar que ainda haviam 38 km pela frente e focar apenas na bolha de realidade de um passo atrás do outro.

Encontrei o Fabrício no começo de canas, fui até o retorno e o encontrei na volta com o cartaz de torcida com a filhota. Ele me falou que a cabeça é quem manda, e eu ouvi. De alguma forma depois de descer os morros melhorei um pouco o ritmo que estava uma lástima. Corri relativamente bem do 15 ao 25, em termos de sensação. As pernas ficaram mais leves mas o pescoço estava doendo muito. Na hora ainda bem que não lembrei da queda, achei que era da bike.

Passei na turma da Ironmind numa gritaria só, deu uma animada muito boa e abri a segunda e melhor volta da prova. Consegui manter o ritmo sem parar nos postos até mais ou menos o km 28, mas aí veio um enjôo estranho e comecei a ter que caminhar pra tomar coca cola. Também chupei umas laranjas pra ver se melhorava.

Abri a última volta com o que sobrou, e já não era muito. Na búzios novamente aquela animação, e logo encontrei a minha família perto do portal, meu pai correndo algumas centenas de metros comigo foi fantástico ! Tudo foi fantástico naquela reta final, ali a vontade é que não acabe tão rápido, contrastando à vontade desesperadora de chegar 4 km antes.

Passei o pórtico com uma quantidade de dor estranhamente acima do normal. Desabei no chão e fiquei lá olhado pro pórtico, dessa vez ninguém veio me arrancar dali. Interessante repassar tanta coisa que acontece num dia tão intenso. É a mesma duração das centenas de dias que temos normalmente, mas é de uma intensidade diferente. Uma existência condensada em 9h47min seria uma boa metáfora. A dinâmica do triathlon é fantástica, é difícil um esporte de endurance que traga tanta coisa numa mesma prova como um ironman. Tem algo mais nessa distância que não é o dobro de um meio ironman. É mais. Não é mágico, mas parece.

Para o próximo ano eu pretendo não cair da bike e não ter pneus furados. Pretendo pedalar sem tocar o pé no chão e também tenho que aprender a correr.

Então foi isso, décimo ironman completado com sucesso. Melhor tempo da história, ainda que seja por 1min36seg. São 96 segundos muito suados e são meus. Nunca é fácil, e sempre vale.

O resultado foi muito aquém do esperado, por culpa minha e dos outros kkkk. Mesmo com 25 min mais rápido que ano passado, fiquei 10 posições além na categoria. Bizarro. Looonge da vaga. Aqui está o track do garmin.

Novamente um muito obrigado à minha família que me apoia em tudo e sempre. Principalmente à Daiane que é quem segura as pontas pra eu poder treinar do jeito que treino.Todos pra lá e pra cá na chuva o dia todo pra me ver passar por uns míseros segundos. Elas sabem como é importante e dão importância também. Não tem nada melhor que isso. Obrigado meus amores.

Aos amigos de treino, a parceria é fundamental e novamente eu evolui muito graças a vocês ! #retardadostri. Ao Roberto, obrigado pelos ensinamentos e experiência. Gean Hoffman, obrigado pelo apoio parceiro, e parabéns pela estreia no Ironman. Ao Éder, muito obrigado meu amigo, você conserta o que eu destruo e assim tentamos evoluir. E muito obrigado a todos pela torcida. Vocês não tem noção o quanto é legal. Bom, na verdade tem sim, mas obrigado do mesmo jeito.
--x--

A alimentação foi a mesma de sempre mas me ocorreu que está errada. 200 g de carbo em pó na bike com 7 gels e mais 3 na corrida. Uns goles de coca cola e só. Nada de sal, bcaa cafeína, pois ficou na sacola. Acho que deveria levar banana e bisnaguinha que é o que vai em todo treino. 

Corri com o go run 4 e foi excelente. Uniforme da 3T, óculos escuros mesmo com chuva e viseira, que é pra esconder a careca.

Depois da prova vieram as dores no quadril, ombro, pescoço e costelas. Na segunda pela manhã ao invés de ir na premiação e rolagem de vagas fui descobrir que tinha duas costelas trincadas. Ainda bem que não tem raio X na transição.

---x---
Essa parte escrevi ano passado, mas faz mais sentido agora do que antes:

"E foi bom. Sempre é bom, se não fosse não faríamos. Já escreveu Pessoa: Se quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor. Troque-se o Cabo pelo pórtico de chegada e tudo fica igual."
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Essa doeu
 
Corrida quase toda com o Márcio aí, aluno do Manente

Sem palavras

Duro

Começou molhado e acabou encharcado hahaha

Alguma dignidade no começo da maratona

O chip ficou caindo a prova toda

Restos

PT no capacete

PT na sapatilha

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Volta à Ilha em dupla 2017 - sempre tem uma primeira vez

É muito bom chegar ! Mas pra isso é preciso largar !
Corri a volta à ilha pela primeira vez em 2003 e depois mais 6 vezes, mas nunca em dupla. Quando a organização liberou as duplas meus amigos de equipe Hélio e Fabiana se meteram na enrascada e eu corri em octeto acompanhando-os. Vi os estragos sofridos e naquela época a dupla tinha um D estampado no número para identificá-las. D de Doente, Demente, Desmiolado, Doido, etc. Achei tudo muito difícil mas ficou a vontade de um dia fazer também.

E aí as coisas foram indo pra rumos distantes da volta à ilha, que nos últimos anos não corri por atrapalhar um pouco a preparação para o Ironman Brasil no final de maio. Em octeto atrapalhava, mas em dupla talvez não. Seria legal tentar.

Tudo começou quando em janeiro o Gian Carlo me convidou para correr com ele. Ainda não inscrito no Ironman de maio e após o Fodaxman, o desafio veio bem a calhar. Finalmente correria a volta em dupla, uma encrenca das grandes na minha terra, palco de inúmeras provas, eventos e desafios. A ilha todinha pra dividirmos só em dois. Tudo nosso ! Depois me inscrevi para a ponta do papagaio, trail beach run de 30 km, que serviria de treino. E então veio a tentação. A Fetrisc tinha vagas para atletas federados e fui confrontado com a possibilidade de fazer o Ironman 45 dias depois da volta à ilha. Tinha dois dias pra decidir e adivinha o que aconteceu ? Conversei bastante com o Roberto, queria as duas provas, por mais incompatíveis que fosse. E ele como sempre aceitou o desafio de pensar em como resolver a encrenca: me deixar afiado para o Iron e ainda assim em condições de correr a volta decentemente sem me destruir no processo. E deu muito, muito certo. Mestre é mestre.

Começando a falar da prova, já perto da largada... acordei 4:05, tomei dois expressos e comi uma banana. A pizza da noite anterior ainda estava em processo de absorção e então fui pra beira mar de Uber tomando um gatorade. Lá rapidamente achei o Gian aquecendo, encontrei o Sr. João, sogro dele e o xará Rafael, que fariam o apoio e seriam simplesmente essenciais ao longo do dia.

Momentos antes da largada
O clima estava perfeito e a previsão melhora ainda, bem longe do maçarico solar do ano passado. Mas caiu uma chuva forte na largada, que ficou mais forte ainda quando passávamos pelo koxixos sem sinais do Gian, já lá na frente.

Seguimos para a Decatlhon onde eu correria o segundo trecho ainda a noite, e fiquei confabulando com a Débora que deveríamos ter headlamps pra correr na chuva à noite na contra mão da SC-401. Fiz uma visita preventiva ao banheiro, aqueci levemente e comi outra banana. Fui alinhar e logo veio o Juan voando. Mais alguns atletas e então o Gian chegou e zarpei rapidinho.

Sem preparação específica minha, tínhamos pretensão de terminar bem a prova, então saí bem moderado e racional debaixo de chuva torrencial. Mantive o ritmo muito constante e logo começou a amanhecer e parar de chover. Cheguei em santo antônio no meio da muvuca toda e o Gian seguiu.

The Flash chegando no trecho em santo antônio :-D
Um trecho feito, faltam 7. Foi tranquilo e saí inteiro. Fui pra Daniela sofrer a espera. Com o barco no meio do trecho, o tempo era indefinido e fiquei uns 20 minutos indeciso entre ir no banheiro e esperar a troca. Esperei e saí correndo para chegar logo ao banheiro lá de jurerê. Uma trilhinha muito boa marcou o fim do asfalto, o primeiro foi o único totalmente asfaltado dos meus trechos. Logo saí em jurerê e segui ritmado até a troca. Mais um trecho fácil de apenas 5 km. Pronto, estava aquecido e bem acordado.

Forte de jurerê, trilha e história
Saímos rápido para a cachoeira enquanto o Gico se mandava pelas praias, não sem antes passar no morro de canajurê (pensei agora e vou batizá-lo de morro maldito do Ironman). Não o vimos antes dele entrar na praia, o que mostrava que o ritmo estava bom.

Lá eu esperaria poucos minutos pra me mandar para o meu terceiro trecho, o único do dia que eu não conhecia, a trilha até a praia brava. Larguei em ritmo de cruzeiro, até então estava correndo todos os planos a 4:20, areias duras a 4:30-40, mas ali tinha um leve vento e fui mais lento na praia, e então engatei de novo no ritmo do asfalto horizontal. Tudo ainda muito tranquilo, seria muito fácil me enganar. Sempre é em provas muito longas, e o exagero no início cobra o preço no final. Mas o final sempre é duro, o que abre a dúvida do quanto socar quando ainda estamos bem. A eterna dúvida entre o endurance e a velocidade.

Até então estávamos embolados com muita gente, sem a menor ideia de qualquer coisa relacionada a posição na prova. O xará me deu uma água no começo da lagoinha do norte e depois me alcançaram de novo no pé da trilha, onde peguei meus trekking poles para fazer a subida. Foi uma ideia de última hora que adicionou descargas de adrenalina na descida e um bom alívio pros cambitos na subida: engatei a reduzida e subi 4x4, passando 3 atletas logo na primeira rampa. No topo, corri com os bastões na mão, e na descida resolvi usar a técnica desenvolvida no terceiro dia do El Cruce 2014, onde descemos 1500m de uma vez só. Despenquei trilha abaixo dando passadas de 2 metros, pulando pedras apoiado nos palitinhos de alumínio. Que delícia ! O Go Run Ultra Trail foi perfeito na prova toda, mas naquela trilha foi brilhante. Nenhum escorregão, virada de pé, nada.

Muitos me perguntaram se não era arriscar o Iron fazer a volta em dupla. Arriscar significava desde comprometer os treinos até me quebrar ou desenvolver uma lesão. Claro que tinha risco, mas eu não pretendia comprometer o Iron. Então fui no limiar do possível, me jogando mas com controle, forçando mas sentindo.

Por falar em sentir, senti algo a prova toda, menos no último trecho. Há pouco menos de um mês contraturei feio a panturrilha direita, e aí sobrecarreguei o aquiles. Treinando em cima disso, que levou duas semanas pra passar, apareceu uma dor um palmo abaixo da virilha, dentro da coxa. E então na semana da prova senti o quadríceps da coxa esquerda num treino de Vo2max na bike.

Assim, ali pela subida a virilha começou a doer, mas não deu sinal na descida ou planos. Nos planos sentia um pouco a coxa esqueda, mas principalmente na descida. Parecia que iria dar uma caimbra a qualquer momento, mas não deu nada o dia todo.

E assim cheguei na brava 1h1min depois de largar no meu terceiro trecho. Enquanto o Gico se divertia na trilha pros ingleses, nos mandamos de carro num trecho tenso. A previsão era de 25 min e o gps dava 21 de estimativa. Como me planejei muito pouco, não tinha ideia dos trechos e ali me ocorreu que despencar numa trilha e sentar no carro pra largar em 20 min não seria muito bom.

Trilha da brava

Chegada na brava, bastões na mão e bastão da prova já retirado do pulso
Bebi quase um litro de água de coco no carro e quando cheguei na praia não deu 2 min e o Gico apareceu, foi na estica ! E larguei todo empenado. Sensação horrorosa de não ter controle das pernas, fiquei meio perdido com aquilo, correndo a 5:30 na areia dura dos ingleses com um baita esforço.

Final dos ingleses
Trilhas de dunas entre ingleses e santinho.
Fiquei com medo ao pensar que poderia ter que correr a trilha do MD santinho... Ufa.
Só perto das dunas as pernas soltaram, corri até o santinho e então no restante da praia saiu um ritmo mais decente. Cheguei acabado. E apavorado, pois era apenas o quarto trecho e um trecho minúsculo e fácil, por sinal.

Santinho
Novamente foi na estica até o moçambique, mas levou 35 min e consegui comer e beber bem. Fiquei massageando as pernas com gel de arnica, tentando descansar. Uma vez na transição, fui alongar numa árvore acima da praia e comecei a me sentir melhor. Me estiquei todo, bebi gatorade e então o Gico chegou falando pra 'relaxar'. Entendi que a praia estava uma porcaria.

Eu adoro o moçambique ! Já andei e corri aquela praia toda em treinos, travessias e provas, nos dois sentidos. É selvagem, é linda e espetacular. Um oásis perto do crescimento desordenado de Florianópolis... mas eu odeio aquelas areias quando estão fofas com maré alta. Então é uma relação complexa.

Comecei forte e logo estava ofegante tentando achar um lugar decente pra correr, que só achei a 1,5 km do final. Que trecho duro ! Moeu legal as pernas, e entreguei o trecho para o Gico dobrar até o campeche novo. Por estarmos com um carro só combinamos que ali ele dobraria e eu correria o sertão. Seria erro certeiro tentar entrar na joaquina pra chegar no campeche novo antes do corredor.

Fiquei sequelado naquele trecho. Mas logo respirei e vi o Duks. Fui falar com ele e ele disse que estávamos em 5 a pouco tempo da quarta dupla. Opa, que interessante ! Pra quem não esperava nada, era bem legal. Mas é uma M, pois comecei a contar tempo, calcular ritmos e monitorar a dupla adversária. Saindo dali tomei 600 ml de caldo de cana e seguimos para o campeche, agora finalmente tinha tempo ! Chegando lá o João até achou que estava errado. Não havia nenhuma van, nada de muvuca. Os banheiros químicos estavam intactos, não tinha gente na praia fora os staffs.

Fui lá ver e realmente só tinham passado 3 equipes. Que estranho... E então achei um posto de salva vidas. Fui lá em cima ficar na sombra e deitado de pernas pro ar, monitorando o horizonte ao longe de uma posição privilegiada, procurando por qualquer sinal do meu parceiro lutando com as areias.

É preciso aproveitar toda oportunidade de descanso nessa prova

Mais uma largada, agora no campeche. Foram 8 !

Quando ele veio, saí empolgado com o descanso e areia dura. Não vi dores no começo, mas logo a coxa direita começou a empedrar. Provavelmente pelo esforço de amassar areia no moçambique, pois ali só força em descidas. Passei o campeche e então o morro das pedras apareceu difuso ao longe. E era longe, porque não chegava nunca e fui começando a derreter.

Um sol de meio dia apareceu pra me cozinhar na camiseta preta. Tinha 250 ml de água que fui preservando, nunca termine com a sua água totalmente enquanto isso não impedir sua sobrevivência. A areia era um terror, ainda bem que troquei pra um par de go run 4. Ali pelos 5 km apareceu um posto de hidratação, joguei dois copos na cabeça e bebi mais dois. Tive que lavar os óculos de tanto suor e fui usando o boné para secar a testa avantajada, que produzia muito líquido abaixo da borda do chapéu. A staff também me falou que eu era o sexto atleta a passar ali. Que incrível correr na frente numa volta à ilha ! Imaginava que lá pela joaquina já começaríamos a ser ultrapassados, mas isso só foi acontecer na descida do sertão ! Mas peraí ! Sexto de onde ? Quem se meteu na nossa frente ? Como pode ? Logo tudo se esclareceu, passei uma atleta da sprint que não era dupla. Ela deve ter largado pouco antes de eu descer do posto salva vidas no campeche.

Subi as escadas pro do morro das pedras e comecei a correr no asfalto, que alívio ! O ritmo não parecia tão horrível pra 45 km de corrida e faltariam só mais dois trechos ! Dois ! Como estava passando rápido ! Mas aí veio a desgraça. Uns 500, 700 m de areia da praia da armação. Eu realmente odeio aquela areia. Não há situação boa ali. Sempre é uma coisa horrível. Foi pra moer, e ao transitar para o Gian o vi sair com esforço incompatível com a velocidade. Três km daquilo no penúltimo trecho era de matar.
O João, sogro do Gian e apoio nota dez !
Estávamos já bem além da metade e encontramos a esposa e a sogra do Gian. Trouxeram uma bike no carro e o xará saiu pra acompanhar o Gico. Ali fiz uma faxina em mim mesmo. Troquei a camiseta e as meias, devolvi o tênis gordo e fiquei relativamente confortável. Só faltava o sertão e a chegada. Demoramos bastante a sair, comi batatas e pizza, paçoca e muito líquido, que havia jorrado pelos poros no trecho anterior. Fomos pros açores e lá alonguei um pouco, deitei na calçada, comi mais e me preparei. O xará logo chegou de bike e se aprontou pra correr comigo. Ali vimos que a quarta dupla estava uns 10 min à frente. Pensei que daria pra tentar buscar no sertão. Mas a realidade se sobrepôs às minhas pernas.

Quando o Gico apareceu estava aparentemente bem, mas guardava uma panturrilha em prantos. Correr em equipe, e principalmente em dupla, requer uma sintonia perfeita. Cada atleta certamente se esforça mais sabendo que tem uma equipe esperando, e isso pode nos fazer exagerar. Apesar de termos nos organizado por whatsapp e reunido uma única vez, não precisamos falar nada durante as transições. A expressão dizia tudo, e um "vai com calma" antes de largar e um saudação quando terminava era tudo o que dizíamos.

Mas ali conversamos. Pulei quando o vi chegando, berrei que só faltava um, falamos que cada um só tinha mais um longo de 15 km pra fazer. Saí confiante pra mais um encontro com o sertão !

Trecho sensacional e duro. Alívio correr em areias duras e então em estrada de terra plana ! Não sentia mais a coxa esquerda, só uma leve puxada na virilha direita nas subidas, que fiz todas andando forte. Mesmo sem sol o calor era forte e suava em bicas, o Rafa me dava gatorade e acompanhava a alguns metros, ajudando muito psicologicamente.

Quando finalmente chegamos no topo tinha um posto dágua e isotônico, que sorvi rapidamente e me mandei morro abaixo. Pra que, logo comecei a sentir a coxa direita travar e os dedinhos se amassarem contra a frente dos tênis. O imbecil esqueceu de cortar as unhas....

Desci com dificuldade e então me arrastei no trecho final. 6 km praticamente planos onde eu tive que andar várias vezes. Tomei um gel, o primeiro da prova toda. E usei cada pequena ondulação do terreno pra caminhar. Senti uma dor estranha embaixo dos dedos do pé direito. Fiquei pensando que era a meia de compressão, pois fiquei o dia todo com elas e aquela que pus na armação era nova e muito apertada.

Cheguei muito acabado na tapera. Podre de cansado. 1h49 para o trecho, recorde de lerdeza extrema histórica. Tirei os tênis e a meia, andei na grama. Me alonguei e então peguei dois gatorades no portamalas e sentei no banco da frente. Passei novamente gel de arnica nas coxas e massageei até cansar os braços.

Descanso após o sertão, misturado com desespero kkkk
Passamos o trecho da base área e esperamos o Gico na saída pro aeroporto. Ele chegou mancando e deitou. Eu estava me alongando no muro e corri lá. A expressão era de muita dor, e fiquei preocupado. Estávamos perto mas ainda longe, eram uns 7 ou 8 km até a troca. Pernas pra cima, água, água de coco e então ele seguiu. Gritei pra trotar, pra não olhar relógio, apenas ir. Qualquer ritmo serviria, era só terminar. Nessa hora é sempre sutil a linha entre bravura e demência, e ter um doido incentivando pode ser perigoso.

O xará pegou a bike novamente e foi junto. Seguimos para o estacionamento, calcei meias secas e o tênis. Comi bastante, estava com fome de apertar o estômago. Fomos pra ciclovia esperar. Conversamos com muita gente e não consegui mais ver a colocação, já tinha muita equipe embolada.

Que alegria quando vi o Gico vir correndo na ciclovia ! Depois de saber o estado da panturrilha dele após a prova, acho que nesse monte de provas que já fiz, inúmeras delas em equipe, nunca vi ninguém superar uma encrenca tão grande. Incrivelmente sensacional parceiro ! Obrigado, e agora se cuide :-) !

Faltava apenas mais um trecho e completaríamos a prova ! Míseros 6.2 km e eu estava me sentindo muito bem. Saí leve no começo mas logo encaixei o mesmo ritmo da madrugada. Voltei a correr a 4:30 mesmo nos morrinhos da prainha com 60 km nas pernas depois de chegar destruído do sertão, achando que teria que andar o final. Como é que pode tamanha mudança em tão pouco tempo ?!

Voando na chegada. Contraste com 2h antes, quando achei que chegaria andando :-)
Só sei que segui correndo sem parar um segundo. Não senti dor nenhuma em lugar algum. Quando entrei na ciclovia da beira mar norte comecei a rir. Dei gargalhadas mesmo, espantado que estava. O Rafa na bike acompanhando perguntava o que tinha acontecido :-). E eu me perguntava "como é que pode isso" ? De onde a gente consegue completar essas coisas extraordinárias ? O Gico correu com uma panturrilha destruída. Chegou num estado preocupante na saída da base e conseguiu terminar o trecho correndo bem. Eu quase morri lá no moçambique e depois de novo no sertão e aí vem essa chegada. Nunca será possível treinar pra isso. Acho que essa experiência só vem com o tempo e as provas. Apesar de não haver treino que chegue perto, a sensação é que todos os treinos nos levam a isto: todos eles somados, as incontáveis horas que passamos engrossando a casca para nos permitir empurrar o limite cada vez um pouquinho mais pra longe.

Chegando ! Foto da Laís que estava lá com a turma toda esperando !!!

E então chegamos. Uma chegada de alegria, realização, alívio. Prova das mais difíceis que já fiz, e das mais sensacionais também. E como sempre, divertida.

Agradeço muito pelo convite para correr essa prova. Valeu Gico ! Completamos, competimos, nos divertimos, nos desafiamos. O que mais querer !?

Obrigado a todos os amigos pela torcida e participação, à minha família por estar em mais uma chegada e parabéns aos campeões. Até a próxima, que será em 28 de maio.

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Dados técnicos

Trechos no garmin


Tempo oficial de 12h58min08seg, sexta posição nas duplas. Quinta 5 min a frente e quarta 10 min na nossa frente. Terceira dupla foi o Juan e Anderson com fantásticas 11h45. A primeira bateu recorde da prova com 9:49 e a segunda com 10:29 ! Eu hein, turma mais maníaca :-D !

Consumi muito liquido e comida. Gatorade, coca cola, água, água de coco, redbull. Pizza, batata assada, banana, paçoca. Tudo na medida certa. Tomei um gel no sertão. Dois BCAA em algum momento do dia.

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