segunda-feira, 26 de junho de 2017

Duathlon Fetrisc São José 2017 - como auto esfolar-se a si próprio

Duathlons são provas fantásticas. Fiz a primeira na pedra branca em 2011 e peguei o gosto. Como normalmente acontece no inverno, é legal pra dar uma variada das provas longas e complexas de triathlon, pois no duathlon a transição é de uma simplicidade absurda, além de fundamental se a prova tiver vácuo liberado. Completando as vantagens, o alto percentual do vo2max com a qual a prova é executada é um bom teste, calibrador do limiar de sofrimento, e como proferido recentemente, é uma excelente forma de melhorar a capacidade de auto esfolar-se a si próprio. Sim, porque fazer a prova bem feita, independente do condicionamento de cada um, dói, arde e dá uma sensação de desespero razoável.

A prova de ontem foi a primeira etapa do campeonato catarinense, novamente na beira mar de São José. Nas distâncias de 5 km de corrida, 20 de bike e mais 2.5 de corrida, foi um dia bem rápido.

Eu cheguei cedo pra pegar a bomba de pé do Fabrício emprestada, já que destruí a minha no sábado. Arrumei a bike e fui aquecer - até ficar suado, pois aprendi que aquecimento tem que suar em quantidade razoável. Alguns estímulos de velocidade por 30 segundos, uns educativos e em 10 minutos estava pronto.

Largamos alucinadamente. Como bem disse o Duks, o fotógrafo destas fotos fantásticas, parece uma prova de crianças. Pois nelas os pequenos largam sem medo, dando o máximo desde sempre, como se não houvesse amanhã.

E realmente não há. A corrida inicial é no máximo, não sei se sairia uma corrida solo de 5 km melhor do que foi. Comecei com o grupo de frente mas logo deixei desgarrar, estava muito rápido e o km inicial virou em 3:22. Daí em diante o grupo começou a esfarelar e formamos outro grupo com o Fabrício e o Ivan, mas logo espalhamos novamente. No retorno estava a uns 20s do pelotão dos líderes, o que era bom pois só faltavam 2 km, embora naquela intensidade isso signifique uma eternidade.

Entrei na transição e executei tudo com perfeição, até pulei na bike correndo ao sair pro pedal. Porém fiz uma mágica com o pé direito, consegui enfiar os dedos por cima do velcro de baixo, ficando com o calcanhar dentro e os dedos pra fora da sapatilha. Arrumei e o Rodolfo passou, junto do Lucas, que ficou arrumando algo na saída da T1. Formamos um belo grupo, junto do Ivan e mais o André.

Fizemos a bike bem rápida, só atrás do primeiro grupo. Um pedal tenso e divertido. Não sou acostumado a pedalar em grupo, ainda mais naquela velocidade e com retornos apertados. Saiu NP de 259 watts e AVG de 238, bem distantes em função das retomadas e vácuo, mas ainda assim IF de .93 foi bom.

Na entrada pra T2 eu acabei esquecendo de sair da bike e parei com ela no meio das pernas. O grupo escapou mas fiz a transição rápida, porém algo aconteceu. Fiquei ofegante e quando vi estava parado do lado da bike com os tênis calçados e o capacete na cabeça. Por instantes fiquei ali olhando o pessoal se distanciar, até que arranquei o capacete e fui atrás. Não sei que diabos aconteceu. Talvez uma tentativa do cérebro de descansar um pouco, sei lá. O diafragma estava dolorido de tanto respirar kkkk.

Saí correndo e lá na ciclovia lembrei de dar o lap, e então comecei a correr morrendo, afogado e desesperado, pensando em como seria horrível ter que andar em 2.5 km, ou pior, me jogar na grama pra recuperar o fôlego. Porém em uns instantes avaliei tudo e vi que não tinha dor alguma, era só o esforço se fazendo presente, então mirei no cara da frente e comecei a apertar o ritmo, embora muito pouco de prático acontecesse. No retorno concentrei mais e consegui aproximar do André e ultrapassá-lo, mas não consegui chegar no Cléber e muito menos no trio Ivan, Rodolpho e Lucas, que correram absurdamente bem e chegaram embolados em 6o, 7o e 8o, 45 segundos à frente. Pelo tempo, correram no mesmo ritmo da primeira corrida.

Acabei em 1h00min16seg, um tempo excelente e o melhor neste tipo de prova. Não olhei pro relógio em nenhum momento. A corrida 1 foi excepcional, uma das melhores já feitas. Não deixo de ficar feliz e impressionado, pois nada de velocidade foi feito nos últimos 3 meses. Como diz o mestre Roberto Lemos, o corpo vai aprendendo, a experiência ajuda, a referência já existe, e a gente vai evoluindo. O pedal foi alucinante mas não tão forte por ser com vácuo, mas puxei bastante e fiquei feliz. Já a segunda corrida foi como correr com as pernas depois de passar num moedor de cana. Algo estranho, mas muito interessante. Estou lendo um livro sobre psicologia do esporte e parece realmente que a cabeça faz as pernas trabalharem mais quando realmente importa, sou obrigado a concordar com alguns dos efeitos estudados ali.

Agradecimento especial à Fetrisc por organizar essa prova tão bem. Excelente pra reunir os amigos no quintal de casa pra uma brincadeira séria num domingo de manhã. Obrigado e parabéns ao Duks pelo excelente trabalho de cobertura fotográfica, e a todos os atletas por fazerem parte dessa festa. A próxima etapa é em Blumenau dia 27 de agosto, pra quem quiser ir brincar já sabe quando e onde.

Resultados oficiais no site da fetrisc, ou aqui. Link do garmin aqui.

Galera boa !

O Manente e o Duks podem ensaiar o quanto quiserem que nunca mais conseguem um foto como esta !!

Nunca tinha estourando espumante no pódio hahah, então fiz todo mundo esperar eu abrir a garrafa

Primeira corrida. Havia passado o Ivan e logo depois ele devolveu

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Ironman Florianópolis 2017 - a visita do inesperado parte II

O décimo Ironman teria tudo pra ser igual e sem novidades. Porém uma prova tão longa tem muito tempo pra coisas acontecerem, e elas acontecem. O interessante disso tudo é o aprendizado contínuo e a busca pela evolução.

Pela primeira vez não me inscrevi para um iron. Me inscrevi, mas não como esperado. Não me inscrevi na abertura das inscrições porque correria Fortaleza. Também correria o Challenge que foi varrido pelo tufão. Logo depois começamos a planejar o Fodaxman, que foi devidamente corrido em 7 de janeiro. Logo estava inscrito pra volta a ilha em dupla, com os 30 km de trailrun da ponta do papagaio no começo de fevereiro, após um mês de férias.

Eis que apareceram inscrições pela Fetrisc, e eu que ainda procurava prova para o segundo semestre depois do desaparecimento de fortaleza, me vi compelido a me inscrever. Então começamos a treinar em fevereiro.

Os treinos foram excelentes. Bem consistentes, apenas com a volta em dupla no meio. Fora isso só o sprint de garopaba. Foram meses de treino perfeito, sem perder quase nada e com muito empenho na bike, diversão e ânimo sempre alto.

A prova veio com um polimento bem feito e curtido. Semana de prova é sempre legal.

E eis que largamos as 7:20 da manhã de domingo, um dia chuvoso e sem vento, de temperatura agradável. Mar flat e com correnteza ajudando. E mesmo assim, com orientação bem feita saí da água com 1h1min, tendo nadado sozinho quase o tempo todo. Erro grave. O tempo da natação foi muito baixo e o meu foi alto, rendendo um 90 na categoria. Mesmo 2 min mais rápido que ano passado, 60 posições acima, coisa ridícula. Tenho que aprender a nadar no cardume. A única coisa que atrasou 10 segundos foi ajustar o chip que ficava caindo no começo da segunda volta.

Transição rápida, estou em modo padrão nesta parte, há uns anos em torno de 4 minutos e troco. Acho que está razoável, mas dá pra arrancar meio se não deixar NADA na sacola além de capacete e óculos. Esse ano deixei o selante, gels e comprimidos, que esqueci.

Saí pra bike tranquilo e decidido a não furar pneu. Falando em pneu, não furou nenhum (spoiler !), mas tive que lidar com os benditos antes da largada. A válvula do traseiro resolveu entupir com o selante e não consegui encher. Eu havia esvaziado um pouco na quinta depois de testar a bike, e nada de conseguir encher. Fui na tenda da Shimano, que tentou desentupir e então desmontou a roda. Aí trocou a válvula. E aí começou a entrar ar. Só que não ficava lá. Revisa e revisa e então olha a câmara, que estava rasgada na emenda do bico. Provavelmente estava selada, quando mexemos abriu e foi-se. Quase pedalei com uma bomba relógio. Trocamos por uma das minhas reservas, e fiquei só com uma fora as outras TRÊS no special needs. Saí tranquilo e esqueci completamente daquilo. Pensamento sempre pra frente. Eram 6:45 quando deixei a transição deserta e fui pra praia.

Voltando ao pedal, tudo muito tranquilo, porém paradoxalmente tenso. Mesmo concentrado na minha bolha de realidade, era difícil não ver os acidentes e pneus furados no caminho. Segui controlando a facilidade relativa na primeira volta, sempre com bastante chuva. Terminei com 37 de média e potência bem no alvo. Parti para a segunda e logo peguei um pelotão muito descarado.

Ataquei os morros com um pouco mais de vontade e logo cheguei à beiramar onde o ritmo rende. Peguei a segunda garrafa da prova e uma de gatorade. Segui para o sul e na volta houve um xixi. Mesmo bebendo pouco eu produzo muita urina.Tenho que experimentar não beber nada para ver se existe geração expontânea de xixi.

A ida pro norte foi complicada, dois pelotões me passaram e tentei ultrapassar, morros tensos na descida cheia de gente e larguei de mão na reta do Floripa. Relaxei um pouco e depois do pedágio apertei novamente para terminar.

Voltando de canas me senti ligeiramente fraco, cabeça meio leve, mas as pernas estavam boas. Entrei em jurere e vi a média, 36,3. Muito boa para a potência de IF .75 que estava, boa e ao mesmo tempo conservadora para correr.

E aí eis que lá nas lajotas, fazendo uma curva pra esquerda pra acessar a Búzios, a bike resolveu sair de baixo de mim. Num instante estava batendo no chão com aquele pensamento de "isso não pode estar acontecendo". A porrada foi seca, caí em cima das lajotas e lajotas não promovem o adequado deslizamento pós queda. Baita pancada do lado esquerdo na cabeça e quadril. Ralados no joelho e cotovelo eram o que dava pra ver. Levantei e veio um staff ajudar a destrancar a corrente e o freio dianteiro. Saí rápido para a T2 a apenas 1.5 km dali.

Entrei na transição sem muito pensar, executei tudo e saí sem nem olhar pros ralados, correndo pra ver se sentia algo estranho.Foi difícil botar a queda numa caixa e empurrar lá pro fundo pra me concentrar na corrida. De vez em quando voltava, principalmente nas descidas quando o quadril doía bastante. Não comentei com ninguém, tentei ignorar que tinha caído e pensar que estava começando de novo, feliz de estar na prova no lugar planejado, correndo com 6h10 de prova.

Comecei bem, passei a muvuca e logo estava me sentindo estranho. Tive que parar para um xixi de 28 segundos no km 3 e segui pros morros com sensação de final de maratona. Dessa vez andei todos os morros, tudinho. Não consegui correr morro acima, as pernas estavam muito pesadas. Tudo estava pesado. De novo, foi difícil parar de pensar que ainda haviam 38 km pela frente e focar apenas na bolha de realidade de um passo atrás do outro.

Encontrei o Fabrício no começo de canas, fui até o retorno e o encontrei na volta com o cartaz de torcida com a filhota. Ele me falou que a cabeça é quem manda, e eu ouvi. De alguma forma depois de descer os morros melhorei um pouco o ritmo que estava uma lástima. Corri relativamente bem do 15 ao 25, em termos de sensação. As pernas ficaram mais leves mas o pescoço estava doendo muito. Na hora ainda bem que não lembrei da queda, achei que era da bike.

Passei na turma da Ironmind numa gritaria só, deu uma animada muito boa e abri a segunda e melhor volta da prova. Consegui manter o ritmo sem parar nos postos até mais ou menos o km 28, mas aí veio um enjôo estranho e comecei a ter que caminhar pra tomar coca cola. Também chupei umas laranjas pra ver se melhorava.

Abri a última volta com o que sobrou, e já não era muito. Na búzios novamente aquela animação, e logo encontrei a minha família perto do portal, meu pai correndo algumas centenas de metros comigo foi fantástico ! Tudo foi fantástico naquela reta final, ali a vontade é que não acabe tão rápido, contrastando à vontade desesperadora de chegar 4 km antes.

Passei o pórtico com uma quantidade de dor estranhamente acima do normal. Desabei no chão e fiquei lá olhado pro pórtico, dessa vez ninguém veio me arrancar dali. Interessante repassar tanta coisa que acontece num dia tão intenso. É a mesma duração das centenas de dias que temos normalmente, mas é de uma intensidade diferente. Uma existência condensada em 9h47min seria uma boa metáfora. A dinâmica do triathlon é fantástica, é difícil um esporte de endurance que traga tanta coisa numa mesma prova como um ironman. Tem algo mais nessa distância que não é o dobro de um meio ironman. É mais. Não é mágico, mas parece.

Para o próximo ano eu pretendo não cair da bike e não ter pneus furados. Pretendo pedalar sem tocar o pé no chão e também tenho que aprender a correr.

Então foi isso, décimo ironman completado com sucesso. Melhor tempo da história, ainda que seja por 1min36seg. São 96 segundos muito suados e são meus. Nunca é fácil, e sempre vale.

O resultado foi muito aquém do esperado, por culpa minha e dos outros kkkk. Mesmo com 25 min mais rápido que ano passado, fiquei 10 posições além na categoria. Bizarro. Looonge da vaga. Aqui está o track do garmin.

Novamente um muito obrigado à minha família que me apoia em tudo e sempre. Principalmente à Daiane que é quem segura as pontas pra eu poder treinar do jeito que treino.Todos pra lá e pra cá na chuva o dia todo pra me ver passar por uns míseros segundos. Elas sabem como é importante e dão importância também. Não tem nada melhor que isso. Obrigado meus amores.

Aos amigos de treino, a parceria é fundamental e novamente eu evolui muito graças a vocês ! #retardadostri. Ao Roberto, obrigado pelos ensinamentos e experiência. Gean Hoffman, obrigado pelo apoio parceiro, e parabéns pela estreia no Ironman. Ao Éder, muito obrigado meu amigo, você conserta o que eu destruo e assim tentamos evoluir. E muito obrigado a todos pela torcida. Vocês não tem noção o quanto é legal. Bom, na verdade tem sim, mas obrigado do mesmo jeito.
--x--

A alimentação foi a mesma de sempre mas me ocorreu que está errada. 200 g de carbo em pó na bike com 7 gels e mais 3 na corrida. Uns goles de coca cola e só. Nada de sal, bcaa cafeína, pois ficou na sacola. Acho que deveria levar banana e bisnaguinha que é o que vai em todo treino. 

Corri com o go run 4 e foi excelente. Uniforme da 3T, óculos escuros mesmo com chuva e viseira, que é pra esconder a careca.

Depois da prova vieram as dores no quadril, ombro, pescoço e costelas. Na segunda pela manhã ao invés de ir na premiação e rolagem de vagas fui descobrir que tinha duas costelas trincadas. Ainda bem que não tem raio X na transição.

---x---
Essa parte escrevi ano passado, mas faz mais sentido agora do que antes:

"E foi bom. Sempre é bom, se não fosse não faríamos. Já escreveu Pessoa: Se quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor. Troque-se o Cabo pelo pórtico de chegada e tudo fica igual."
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Essa doeu
 
Corrida quase toda com o Márcio aí, aluno do Manente

Sem palavras

Duro

Começou molhado e acabou encharcado hahaha

Alguma dignidade no começo da maratona

O chip ficou caindo a prova toda

Restos

PT no capacete

PT na sapatilha

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Volta à Ilha em dupla 2017 - sempre tem uma primeira vez

É muito bom chegar ! Mas pra isso é preciso largar !
Corri a volta à ilha pela primeira vez em 2003 e depois mais 6 vezes, mas nunca em dupla. Quando a organização liberou as duplas meus amigos de equipe Hélio e Fabiana se meteram na enrascada e eu corri em octeto acompanhando-os. Vi os estragos sofridos e naquela época a dupla tinha um D estampado no número para identificá-las. D de Doente, Demente, Desmiolado, Doido, etc. Achei tudo muito difícil mas ficou a vontade de um dia fazer também.

E aí as coisas foram indo pra rumos distantes da volta à ilha, que nos últimos anos não corri por atrapalhar um pouco a preparação para o Ironman Brasil no final de maio. Em octeto atrapalhava, mas em dupla talvez não. Seria legal tentar.

Tudo começou quando em janeiro o Gian Carlo me convidou para correr com ele. Ainda não inscrito no Ironman de maio e após o Fodaxman, o desafio veio bem a calhar. Finalmente correria a volta em dupla, uma encrenca das grandes na minha terra, palco de inúmeras provas, eventos e desafios. A ilha todinha pra dividirmos só em dois. Tudo nosso ! Depois me inscrevi para a ponta do papagaio, trail beach run de 30 km, que serviria de treino. E então veio a tentação. A Fetrisc tinha vagas para atletas federados e fui confrontado com a possibilidade de fazer o Ironman 45 dias depois da volta à ilha. Tinha dois dias pra decidir e adivinha o que aconteceu ? Conversei bastante com o Roberto, queria as duas provas, por mais incompatíveis que fosse. E ele como sempre aceitou o desafio de pensar em como resolver a encrenca: me deixar afiado para o Iron e ainda assim em condições de correr a volta decentemente sem me destruir no processo. E deu muito, muito certo. Mestre é mestre.

Começando a falar da prova, já perto da largada... acordei 4:05, tomei dois expressos e comi uma banana. A pizza da noite anterior ainda estava em processo de absorção e então fui pra beira mar de Uber tomando um gatorade. Lá rapidamente achei o Gian aquecendo, encontrei o Sr. João, sogro dele e o xará Rafael, que fariam o apoio e seriam simplesmente essenciais ao longo do dia.

Momentos antes da largada
O clima estava perfeito e a previsão melhora ainda, bem longe do maçarico solar do ano passado. Mas caiu uma chuva forte na largada, que ficou mais forte ainda quando passávamos pelo koxixos sem sinais do Gian, já lá na frente.

Seguimos para a Decatlhon onde eu correria o segundo trecho ainda a noite, e fiquei confabulando com a Débora que deveríamos ter headlamps pra correr na chuva à noite na contra mão da SC-401. Fiz uma visita preventiva ao banheiro, aqueci levemente e comi outra banana. Fui alinhar e logo veio o Juan voando. Mais alguns atletas e então o Gian chegou e zarpei rapidinho.

Sem preparação específica minha, tínhamos pretensão de terminar bem a prova, então saí bem moderado e racional debaixo de chuva torrencial. Mantive o ritmo muito constante e logo começou a amanhecer e parar de chover. Cheguei em santo antônio no meio da muvuca toda e o Gian seguiu.

The Flash chegando no trecho em santo antônio :-D
Um trecho feito, faltam 7. Foi tranquilo e saí inteiro. Fui pra Daniela sofrer a espera. Com o barco no meio do trecho, o tempo era indefinido e fiquei uns 20 minutos indeciso entre ir no banheiro e esperar a troca. Esperei e saí correndo para chegar logo ao banheiro lá de jurerê. Uma trilhinha muito boa marcou o fim do asfalto, o primeiro foi o único totalmente asfaltado dos meus trechos. Logo saí em jurerê e segui ritmado até a troca. Mais um trecho fácil de apenas 5 km. Pronto, estava aquecido e bem acordado.

Forte de jurerê, trilha e história
Saímos rápido para a cachoeira enquanto o Gico se mandava pelas praias, não sem antes passar no morro de canajurê (pensei agora e vou batizá-lo de morro maldito do Ironman). Não o vimos antes dele entrar na praia, o que mostrava que o ritmo estava bom.

Lá eu esperaria poucos minutos pra me mandar para o meu terceiro trecho, o único do dia que eu não conhecia, a trilha até a praia brava. Larguei em ritmo de cruzeiro, até então estava correndo todos os planos a 4:20, areias duras a 4:30-40, mas ali tinha um leve vento e fui mais lento na praia, e então engatei de novo no ritmo do asfalto horizontal. Tudo ainda muito tranquilo, seria muito fácil me enganar. Sempre é em provas muito longas, e o exagero no início cobra o preço no final. Mas o final sempre é duro, o que abre a dúvida do quanto socar quando ainda estamos bem. A eterna dúvida entre o endurance e a velocidade.

Até então estávamos embolados com muita gente, sem a menor ideia de qualquer coisa relacionada a posição na prova. O xará me deu uma água no começo da lagoinha do norte e depois me alcançaram de novo no pé da trilha, onde peguei meus trekking poles para fazer a subida. Foi uma ideia de última hora que adicionou descargas de adrenalina na descida e um bom alívio pros cambitos na subida: engatei a reduzida e subi 4x4, passando 3 atletas logo na primeira rampa. No topo, corri com os bastões na mão, e na descida resolvi usar a técnica desenvolvida no terceiro dia do El Cruce 2014, onde descemos 1500m de uma vez só. Despenquei trilha abaixo dando passadas de 2 metros, pulando pedras apoiado nos palitinhos de alumínio. Que delícia ! O Go Run Ultra Trail foi perfeito na prova toda, mas naquela trilha foi brilhante. Nenhum escorregão, virada de pé, nada.

Muitos me perguntaram se não era arriscar o Iron fazer a volta em dupla. Arriscar significava desde comprometer os treinos até me quebrar ou desenvolver uma lesão. Claro que tinha risco, mas eu não pretendia comprometer o Iron. Então fui no limiar do possível, me jogando mas com controle, forçando mas sentindo.

Por falar em sentir, senti algo a prova toda, menos no último trecho. Há pouco menos de um mês contraturei feio a panturrilha direita, e aí sobrecarreguei o aquiles. Treinando em cima disso, que levou duas semanas pra passar, apareceu uma dor um palmo abaixo da virilha, dentro da coxa. E então na semana da prova senti o quadríceps da coxa esquerda num treino de Vo2max na bike.

Assim, ali pela subida a virilha começou a doer, mas não deu sinal na descida ou planos. Nos planos sentia um pouco a coxa esqueda, mas principalmente na descida. Parecia que iria dar uma caimbra a qualquer momento, mas não deu nada o dia todo.

E assim cheguei na brava 1h1min depois de largar no meu terceiro trecho. Enquanto o Gico se divertia na trilha pros ingleses, nos mandamos de carro num trecho tenso. A previsão era de 25 min e o gps dava 21 de estimativa. Como me planejei muito pouco, não tinha ideia dos trechos e ali me ocorreu que despencar numa trilha e sentar no carro pra largar em 20 min não seria muito bom.

Trilha da brava

Chegada na brava, bastões na mão e bastão da prova já retirado do pulso
Bebi quase um litro de água de coco no carro e quando cheguei na praia não deu 2 min e o Gico apareceu, foi na estica ! E larguei todo empenado. Sensação horrorosa de não ter controle das pernas, fiquei meio perdido com aquilo, correndo a 5:30 na areia dura dos ingleses com um baita esforço.

Final dos ingleses
Trilhas de dunas entre ingleses e santinho.
Fiquei com medo ao pensar que poderia ter que correr a trilha do MD santinho... Ufa.
Só perto das dunas as pernas soltaram, corri até o santinho e então no restante da praia saiu um ritmo mais decente. Cheguei acabado. E apavorado, pois era apenas o quarto trecho e um trecho minúsculo e fácil, por sinal.

Santinho
Novamente foi na estica até o moçambique, mas levou 35 min e consegui comer e beber bem. Fiquei massageando as pernas com gel de arnica, tentando descansar. Uma vez na transição, fui alongar numa árvore acima da praia e comecei a me sentir melhor. Me estiquei todo, bebi gatorade e então o Gico chegou falando pra 'relaxar'. Entendi que a praia estava uma porcaria.

Eu adoro o moçambique ! Já andei e corri aquela praia toda em treinos, travessias e provas, nos dois sentidos. É selvagem, é linda e espetacular. Um oásis perto do crescimento desordenado de Florianópolis... mas eu odeio aquelas areias quando estão fofas com maré alta. Então é uma relação complexa.

Comecei forte e logo estava ofegante tentando achar um lugar decente pra correr, que só achei a 1,5 km do final. Que trecho duro ! Moeu legal as pernas, e entreguei o trecho para o Gico dobrar até o campeche novo. Por estarmos com um carro só combinamos que ali ele dobraria e eu correria o sertão. Seria erro certeiro tentar entrar na joaquina pra chegar no campeche novo antes do corredor.

Fiquei sequelado naquele trecho. Mas logo respirei e vi o Duks. Fui falar com ele e ele disse que estávamos em 5 a pouco tempo da quarta dupla. Opa, que interessante ! Pra quem não esperava nada, era bem legal. Mas é uma M, pois comecei a contar tempo, calcular ritmos e monitorar a dupla adversária. Saindo dali tomei 600 ml de caldo de cana e seguimos para o campeche, agora finalmente tinha tempo ! Chegando lá o João até achou que estava errado. Não havia nenhuma van, nada de muvuca. Os banheiros químicos estavam intactos, não tinha gente na praia fora os staffs.

Fui lá ver e realmente só tinham passado 3 equipes. Que estranho... E então achei um posto de salva vidas. Fui lá em cima ficar na sombra e deitado de pernas pro ar, monitorando o horizonte ao longe de uma posição privilegiada, procurando por qualquer sinal do meu parceiro lutando com as areias.

É preciso aproveitar toda oportunidade de descanso nessa prova

Mais uma largada, agora no campeche. Foram 8 !

Quando ele veio, saí empolgado com o descanso e areia dura. Não vi dores no começo, mas logo a coxa direita começou a empedrar. Provavelmente pelo esforço de amassar areia no moçambique, pois ali só força em descidas. Passei o campeche e então o morro das pedras apareceu difuso ao longe. E era longe, porque não chegava nunca e fui começando a derreter.

Um sol de meio dia apareceu pra me cozinhar na camiseta preta. Tinha 250 ml de água que fui preservando, nunca termine com a sua água totalmente enquanto isso não impedir sua sobrevivência. A areia era um terror, ainda bem que troquei pra um par de go run 4. Ali pelos 5 km apareceu um posto de hidratação, joguei dois copos na cabeça e bebi mais dois. Tive que lavar os óculos de tanto suor e fui usando o boné para secar a testa avantajada, que produzia muito líquido abaixo da borda do chapéu. A staff também me falou que eu era o sexto atleta a passar ali. Que incrível correr na frente numa volta à ilha ! Imaginava que lá pela joaquina já começaríamos a ser ultrapassados, mas isso só foi acontecer na descida do sertão ! Mas peraí ! Sexto de onde ? Quem se meteu na nossa frente ? Como pode ? Logo tudo se esclareceu, passei uma atleta da sprint que não era dupla. Ela deve ter largado pouco antes de eu descer do posto salva vidas no campeche.

Subi as escadas pro do morro das pedras e comecei a correr no asfalto, que alívio ! O ritmo não parecia tão horrível pra 45 km de corrida e faltariam só mais dois trechos ! Dois ! Como estava passando rápido ! Mas aí veio a desgraça. Uns 500, 700 m de areia da praia da armação. Eu realmente odeio aquela areia. Não há situação boa ali. Sempre é uma coisa horrível. Foi pra moer, e ao transitar para o Gian o vi sair com esforço incompatível com a velocidade. Três km daquilo no penúltimo trecho era de matar.
O João, sogro do Gian e apoio nota dez !
Estávamos já bem além da metade e encontramos a esposa e a sogra do Gian. Trouxeram uma bike no carro e o xará saiu pra acompanhar o Gico. Ali fiz uma faxina em mim mesmo. Troquei a camiseta e as meias, devolvi o tênis gordo e fiquei relativamente confortável. Só faltava o sertão e a chegada. Demoramos bastante a sair, comi batatas e pizza, paçoca e muito líquido, que havia jorrado pelos poros no trecho anterior. Fomos pros açores e lá alonguei um pouco, deitei na calçada, comi mais e me preparei. O xará logo chegou de bike e se aprontou pra correr comigo. Ali vimos que a quarta dupla estava uns 10 min à frente. Pensei que daria pra tentar buscar no sertão. Mas a realidade se sobrepôs às minhas pernas.

Quando o Gico apareceu estava aparentemente bem, mas guardava uma panturrilha em prantos. Correr em equipe, e principalmente em dupla, requer uma sintonia perfeita. Cada atleta certamente se esforça mais sabendo que tem uma equipe esperando, e isso pode nos fazer exagerar. Apesar de termos nos organizado por whatsapp e reunido uma única vez, não precisamos falar nada durante as transições. A expressão dizia tudo, e um "vai com calma" antes de largar e um saudação quando terminava era tudo o que dizíamos.

Mas ali conversamos. Pulei quando o vi chegando, berrei que só faltava um, falamos que cada um só tinha mais um longo de 15 km pra fazer. Saí confiante pra mais um encontro com o sertão !

Trecho sensacional e duro. Alívio correr em areias duras e então em estrada de terra plana ! Não sentia mais a coxa esquerda, só uma leve puxada na virilha direita nas subidas, que fiz todas andando forte. Mesmo sem sol o calor era forte e suava em bicas, o Rafa me dava gatorade e acompanhava a alguns metros, ajudando muito psicologicamente.

Quando finalmente chegamos no topo tinha um posto dágua e isotônico, que sorvi rapidamente e me mandei morro abaixo. Pra que, logo comecei a sentir a coxa direita travar e os dedinhos se amassarem contra a frente dos tênis. O imbecil esqueceu de cortar as unhas....

Desci com dificuldade e então me arrastei no trecho final. 6 km praticamente planos onde eu tive que andar várias vezes. Tomei um gel, o primeiro da prova toda. E usei cada pequena ondulação do terreno pra caminhar. Senti uma dor estranha embaixo dos dedos do pé direito. Fiquei pensando que era a meia de compressão, pois fiquei o dia todo com elas e aquela que pus na armação era nova e muito apertada.

Cheguei muito acabado na tapera. Podre de cansado. 1h49 para o trecho, recorde de lerdeza extrema histórica. Tirei os tênis e a meia, andei na grama. Me alonguei e então peguei dois gatorades no portamalas e sentei no banco da frente. Passei novamente gel de arnica nas coxas e massageei até cansar os braços.

Descanso após o sertão, misturado com desespero kkkk
Passamos o trecho da base área e esperamos o Gico na saída pro aeroporto. Ele chegou mancando e deitou. Eu estava me alongando no muro e corri lá. A expressão era de muita dor, e fiquei preocupado. Estávamos perto mas ainda longe, eram uns 7 ou 8 km até a troca. Pernas pra cima, água, água de coco e então ele seguiu. Gritei pra trotar, pra não olhar relógio, apenas ir. Qualquer ritmo serviria, era só terminar. Nessa hora é sempre sutil a linha entre bravura e demência, e ter um doido incentivando pode ser perigoso.

O xará pegou a bike novamente e foi junto. Seguimos para o estacionamento, calcei meias secas e o tênis. Comi bastante, estava com fome de apertar o estômago. Fomos pra ciclovia esperar. Conversamos com muita gente e não consegui mais ver a colocação, já tinha muita equipe embolada.

Que alegria quando vi o Gico vir correndo na ciclovia ! Depois de saber o estado da panturrilha dele após a prova, acho que nesse monte de provas que já fiz, inúmeras delas em equipe, nunca vi ninguém superar uma encrenca tão grande. Incrivelmente sensacional parceiro ! Obrigado, e agora se cuide :-) !

Faltava apenas mais um trecho e completaríamos a prova ! Míseros 6.2 km e eu estava me sentindo muito bem. Saí leve no começo mas logo encaixei o mesmo ritmo da madrugada. Voltei a correr a 4:30 mesmo nos morrinhos da prainha com 60 km nas pernas depois de chegar destruído do sertão, achando que teria que andar o final. Como é que pode tamanha mudança em tão pouco tempo ?!

Voando na chegada. Contraste com 2h antes, quando achei que chegaria andando :-)
Só sei que segui correndo sem parar um segundo. Não senti dor nenhuma em lugar algum. Quando entrei na ciclovia da beira mar norte comecei a rir. Dei gargalhadas mesmo, espantado que estava. O Rafa na bike acompanhando perguntava o que tinha acontecido :-). E eu me perguntava "como é que pode isso" ? De onde a gente consegue completar essas coisas extraordinárias ? O Gico correu com uma panturrilha destruída. Chegou num estado preocupante na saída da base e conseguiu terminar o trecho correndo bem. Eu quase morri lá no moçambique e depois de novo no sertão e aí vem essa chegada. Nunca será possível treinar pra isso. Acho que essa experiência só vem com o tempo e as provas. Apesar de não haver treino que chegue perto, a sensação é que todos os treinos nos levam a isto: todos eles somados, as incontáveis horas que passamos engrossando a casca para nos permitir empurrar o limite cada vez um pouquinho mais pra longe.

Chegando ! Foto da Laís que estava lá com a turma toda esperando !!!

E então chegamos. Uma chegada de alegria, realização, alívio. Prova das mais difíceis que já fiz, e das mais sensacionais também. E como sempre, divertida.

Agradeço muito pelo convite para correr essa prova. Valeu Gico ! Completamos, competimos, nos divertimos, nos desafiamos. O que mais querer !?

Obrigado a todos os amigos pela torcida e participação, à minha família por estar em mais uma chegada e parabéns aos campeões. Até a próxima, que será em 28 de maio.

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Dados técnicos

Trechos no garmin


Tempo oficial de 12h58min08seg, sexta posição nas duplas. Quinta 5 min a frente e quarta 10 min na nossa frente. Terceira dupla foi o Juan e Anderson com fantásticas 11h45. A primeira bateu recorde da prova com 9:49 e a segunda com 10:29 ! Eu hein, turma mais maníaca :-D !

Consumi muito liquido e comida. Gatorade, coca cola, água, água de coco, redbull. Pizza, batata assada, banana, paçoca. Tudo na medida certa. Tomei um gel no sertão. Dois BCAA em algum momento do dia.

No legend

domingo, 19 de março de 2017

25o Triathlon de Garopaba

Sprint de Garopaba, um clássico já na sua vigésima quinta edição. Dessa vez, apimentado por um vento nordeste poderoso e em novo percurso (pra mim que não corri em 2016). Foi a abertura do campeonato catarinense de triathlon e dessa vez vou me esforçar para estar presente no ranking.

Saí direto de casa, pouco mais de 50 minutos tranquilos na madrugada até a área de largada, onde estacionei a 20 metros do pórtico. Nestes 50 minutos estavam inclusos uma parada num posto de gasolina pra tomar mais um café e conhecer o banheiro. Prova bem cheia, a cidade estava lotada. Fui organizar a transição logo depois de pegar meu kit e então fui pra praia aquecer.

Sem roupa de borracha, foi pra esfriar na verdade, não pela temperatura mas pelo vento. Dei umas corridinhas e aí a primeira leva de atletas largou, elite e categorias até 39 anos. Corri pro curral e logo largamos pra natação visivelmente curta, chutei 600 metros. O garmin depois mostraria a precisão visual e espacial do chute: 590 m :-).

Foi uma natação conturbada e divertida. Curto demais entrada em mar agitado e mais ainda a saída. Apesar das largadas separadas deu um certo embolamento de gente na primeira boia e "atropelei" um atleta, nadei por cima dele. Até olhei pra trás pra garantir que estava tudo bem.

Depois da segunda boia foi um pulo pra praia, pegando jacaré. O tempo foi podre ao extremo, mas pelo visto todo mundo foi meio lento. A altimetria dessa natação ficou legal kkkk.

Transitei bem rápido pros padrões de garopaba, onde sempre faço besteira. E aí soquei a bota na bike. Pena que estava sem monitor cardíaco, pois a queimação na garganta e nas pernas foi boa. Ida com vento a favor e volta contra, com leve inclinação no meio. Que pedal alucinado.

Fiz a primeira volta muito socado, 300 W a ida e voltei afogado, vendo um grupo grande à frente. Na segunda volta o grupo a frente se afastou mas veio outro com Yago, Matheus e o Cirelli.Grudei nos malucos por uma volta, tendo puxado uma hora que eles resolveram reduzir. Daí eles se foram e eu fiquei sozinho até vir o Gui e o Ricelli acho, agarrei na roda deles e passamos o grupo da frente, mas aí eles todos, que estava uma volta na frente por serem mais novinhos e nadarem feito peixe, entraram pra T2 e eu continuei outra volta solo.

Saiu um pedal forte, 37 e quebrados de média naquele circuito e 260W NP. Os caras de road andam loucamente e a retomada nos retornos era difícil porque ter que escolher entre frear e passar marcha é sempre complicado. Uma vez inclusive passei reto e fiz o retorno 5 m atrás do local certo. As habilidades de pilotagem estão em dia.

Na T2 foi só sair desesperado socando a bota, mas a bota não estava muito boa não. Eram 4 voltas e na segunda o Fabrício me alcançou e passou. Ali fiquei e em meia volta passei de volta se seguimos nos matando a uns 3:45-50 achando que estava em pace de recorde mundial. Tudo muito travado. Estava bem empolgado até que ele entrou pra chegada, estava também uma volta na frente, embora eu não o tivesse visto no pedal (que ele fez com um pneu murchando). Daí em diante corri sozinho e acabei relaxando no final, o que teria sérias consequências.

Cheguei bem e com um pouco de dor na panturrilha, que estava empedrada. Ainda bem que o Éder me salvou sábado, senão não sei se conseguiria correr. Fui na massagem e depois reunir com a galera, etc. Sempre bom esse pós prova. Arrumei o carro e daí resolvi ir embora porque a premiação seria só as 12 e ainda eram 10 e pouco. Saindo da cidade achei uma padaria, a qual ataquei com fúria: dois queijos quentes, uma torta de banana, um café e um suco, com um chocolate pra fechar. Então eram 11:10 e resolvi voltar.

Esperamos na igreja pela premiação e vi que tinha ficado em 2o lugar na 40-44, por míseros 6 segundos. Fiquei muito puto, claro que não com o atleta que ganhou, mas comigo. Dava fácil pra tirar esse tempo, e eu não vi ninguém me passando. Então o campeão estava ali na frente e eu não me liguei nem tentei buscar. Ou então estava tão desligado que fui ultrapassado e nem percebi. Fiquei satisfeito embora insatisfeito com o segundo lugar no enorme contingente na 40-44, o maior que já vi nas provas da Fetrisc. Esse ano é o último na categoria, e a gurizada da 45-49 que me aguarde hahaha.

Resultados oficiais ainda não saíram. Link do garmin aqui. Fotos abaixo.

Polimento de sábado, 115 km na BR norte hehehe

Sprint é uma maravilha: chega, pega o kit, prepara a bike e faz checkin em 30 min
Duelando com o Massaranduba
Sem diversão não tem graça

Mar acalmando no começo da tarde
Espera pela premiação

Pódio !

quarta-feira, 8 de março de 2017

Texto no blog do Gilead !

Domingo tive a honra de sair no blog do Gilead, referência o triathlon e jornalismo investigativo-esportivo em Florianópolis ! Confiram no link e sigam o blog que é sensacional !

Até,

Ponta do Papagaio 30 km

Relato atrasado por demais, mas não poderia passar em branco. Essa prova estava na lista há muito tempo, mas sempre acabava deixando de lado em função dos treinos pro Iron ou algum triathlon curto de início de ano. Só que dessa vez como (ainda) não estava inscrito pro iron, me inscrevi. E inscrito, tenho que ir. Fui.

Com 2 semanas de treinos depois das férias, tinha feito um longo de 18 km depois de 7 de janeiro, então não tinha expectativas, mas as cabeça não aceita isso muito bem. Um longo de bike muito cheio de morros no sábado também ajudou a chegar bem cansado, o que era muito bom para treino específico de iron, onde as pernas tem que acostumar a correr cansadas.

Domingo cedo me mandei pra praia da pinheira. Lá chegando encontrei lugar para estacionar bem perto da largada e fui aquecer e encontrar o Luiz Inácio para pegar o meu kit. Aqueci com a galera, Fabi e Kiko por lá e fui alinhar lá no final depois de passar um trabalho pra achar um banheiro. Largada de prova é sempre um laxante, ainda há de ser estudado esse efeito dos instantes que antecedem as provas sobre as tripas dos atletas.

Larguei com estratégia incompatível com as pernas. Pensei em sair forte pra evitar congestionamento na trilha. Soquei a bota por 2 km planos a 3:45-50 e já afoguei. Tudo bem, agora estou bem posicionado... sim, claro. Logo que começou a trilha deslizei numa pedra e logo após caí deitado de lado na grama. Aderência zero com o Go Run Ride 4, que só ficou bom na areia dura depois dos 9 km. Segui com cuidado nas descidas sendo ultrapassado por todo mundo, e na subida tentava recuperar as posições, o que só piorou as coisas. Perto do final a Lahís me passou e sumiu pra não largar mais a liderança do feminino.

Cheguei na praia achando que agora vai ! Isso, vai se quebrar todo... o vento forte de nordeste complicou e o pace foi uma desgraça decadente, o esforço foi o tempo todo na zona 4 e o ritmo era de zona2. Longa e plana praia, perfeita pra correr. Mas o vento ajudou a atrapalhar como eu nunca tinha visto em prova de corrida.

Segui com um camarada de camisa vermelha chamado Luiz, que todo mundo conhecia. Fomos alternando e juntando com mais alguns atletas de vez em quando até chegar na praia do sonho e pegar a fúria eólica perfeitamente alinhada com o percurso. Areia dançando vinha com tudo, os óculos ajudaram. Não sei como alguém (tinha vários) consegue correr sem óculos escuro na areia branca e céu azul com ventania contra.

De lá eu imaginava que seria retornar no fim da praia, mas tinha um kinder ovo: o percurso pegava umas ruas de terra e logo caia numas dunas, uns trechos alagados com água na cintura e saia na boca do rio maciambú, com areia inclinada e maré alta. Delícia.

Voltei pra praia com vento a favor: agora vai ! Vai pras cucuias, pois aí as pernas já estavam realmente podres. Foi legal correr 7 km com as pernas muito muito pesadas, sensação igual a fim de maratona de ironman. Só mesmo com cabeça pra não jogar a toalha ali. Foi um final pra lá de ardido como há tempos não acontecia numa prova, cheguei acabado mesmo.

Lá encontrei a galera, vi os resultados, Lahís campeã, Fabi em 4o, Luiz 1/cat e 6/geral, Felipinho 5 geral, etc. Galera mandando muito bem ! Também teve confraternização de parte do field do Fodaxman e da Andressa. Baita dia, linda e dura prova. A fazer decentemente no ano que vem. Prova é prova e tem que respeitar.

Felizmente, incompatibilidade entre cabeça e pernas provoca sofrimento que gera aprendizado.

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Track aqui. Dá pra ver a quebradeira. Aqui os resultados oficiais. Apesar de ser uma corrida de corredores e da quebrada o resultado não foi tão horrível, porém incompatível com o esforço: 5 cat e 38 geral dentre 359 concluintes.

Comi 3 gels e água em todos os postos, que estavam a menos de 2 km um do outro. Organização muito boa e premiação rápida.



Amanhecer com o tabuleiro com cobertor de nuvens
Socando a bota pra pifar em seguida kkkk
Trilinha muito show !
Acabou a trilha e acabou a perna junto

Fodaxman team ! O tarso consegui até um champangne pra comemorar :-)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Fodaxman EpicTri 226 - Edição inaugural

Simplesmente incrível o que se concretizou em Urubici no dia 7 de janeiro de 2017. Vai ficar na história. Pensando em retrospectiva e olhando pra foto abaixo, um dia o Ironman foi um encontro de loucos no píer de uma ilha perdida no oceano pacífico...

Largada do Fodaxman EpicTri 226 2017
Um sonho compartilhado. É a melhor definição que arrumei para o que fizemos. Idealizado e realizado por um grupo de amigos que compartilha o estilo de vida do esporte, a não aceitação do comum e a busca por desafios.

Tudo começou no camp em Urubici em janeiro, foi tomando forma no de julho e então no final de novembro a coisa criou vida própria. Um aviso de última hora e dez atletas inscritos e outros em lista de espera.

Depois de algum planejamento detalhado no http://www.fodaxman.com.br, partimos às 5:55 da manhã pra os 4000 de natação. Sim, 4000 já planejados :-). Manente no caiaque cheios de luzes piscantes na cabeça e um bando de loucos alucinados atrás.

Nadei tão leve na primeira perna que deu sono. Apertei e cansei no final, fechando 4060m em 1h14 de nado tranquilo sem roupa de borracha. Saí da água feliz da vida, ainda mais porque o Luciano tinha conseguido trocar a bateria do medidor de potência enquanto eu nadava. Staff 100 % !

Fiz a transição junto com metade da prova, Fabrício, Cini, Lahís e Luiz. Logo segui sozinho e assim fiquei até o pé da serra, sem ultrapassar nem ser ultrapassado por ninguém. Ritmo forte e segurando, sabia o que vinha pela frente.

Na serra encontrei o Tarso e o Massaranduba me passou. Que coisa fabulosa subir aquela serra pedalando. Que lindeza absurda. Fazer parte do ambiente, não apenas passar por ele. No topo lá no mirante parei pra fazer uma selfie com meus staffs preferidos. Encontrei nossa repórter cinematográfica Ana Lídia e segui para o infinito e além.

O trecho depois da rio do rastro até Urubici consegue acumular mais altimetria do que a própria. É um devorador de pernas, vai comendo devagar até não sobrar nada delas.

Um pouco de chuva em bom jardim e vento frio, vesti corta vento pra suportar as descidas alucinadas. Um terreno infinito e descobri que o Bruno havia parado por dor na lombar. Depois encontrei o Cini também parando e fiquei mais preocupado do que já estava em termos feito um bicho maior do que nós.

Encontrei várias vezes os staffs dois outros atletas, coisa linda de ver. O Manente deve ter andado uns 300 km de carro no percurso. Andressa toda hora fotografando e apoiando e o Duks onipresente, sempre fotografando de ângulos espetaculares. Equipe sensacional !

Comemorei muito na chegada ao topo da serra antes de Urubici. Só restava uma descida de 12 km, mais uma reta de 3 e agradecer eternamente aos meus apoios. O que o Luciano e a Luana fizeram naquele pedal foi sensacional.

Transitei para a corrida lentamente na frente da pousada das Flores. Estava com um pouco de fome e sede, acabei com uma caixa de água de côco e saí junto do Massaranduba que não tinha os track nem gps pra achar o caminho.

Falando nisso, algo específico destes triathlons extreme: orientação por conta do atleta e apoio. O percurso está disponível para download e é responsabilidade de cada um cumpri-lo. Não existe um cone, nenhum staff indicando nada. Totalmente auto suficientes os atletas são. E todos cumprem o percurso !


Seguimos para as estradas rurais espetaculares do invernador, ritmo bom e agradável como sempre é no começo de uma maratona de ironman. Só que o que piora pode piorar ainda mais. O sol no asfalto estava absurdamente quente e abrasivo. Passei bastante calor e senti a pele tostar às 15:30 na serra ! Como eu sempre digo, Urubici é a Patagônia Brasileira.

O Luciano sempre me molhando e a Luana abastecendo, fui indo até que na entrada do morro da igreja houve uma parada fisiológica de alta complexidade. Algo estava errado na tubulação gastro digestiva. Segui até entrar na estrada de terra novamente e então logo mais uma parada não programada. Dessa vez foi em meio à natureza, e por pouco não foi um vexame completo, pois pronto para a ação fui surpreendido por um cara de moto tocando uma vaca, seguido logo depois por uma moça fazendo trekking equipada como quem vai para santiago de compostela.

Entramos na estrada para o corvo com o sol baixando e a luz ficando espetacular. Realmente me emocionei ali por saber que estávamos tão perto. A essa altura eu soube do mal súbito da Lahís na T2 e de que todos os outros estavam correndo. 7/10 se todos chegassem. O bicho era grande.

Chegar no topo da estrada para o corvo branco também exigiu uma Selfie com os staffs. Pouco antes tinha visto o Massaranduba descendo e logo depois passei pelo Fabrício subindo forte. Então Tarso, Juan e Sandro ! Todos embolados em uns 30 minutos !

Luana e Lucia, ou os gaiteiros para os íntimos

O final foi de lascar. Correndo no plano e me arrastando nas subidas, acompanhado pelo Luciano nos últimos 12 ou 15 km. Já em transe vi a chegada da pousada do Max com a Ana lá fotografando. Absolutamente indescritível a sensação de chegar. A gente parte querendo correr, corre querendo chegar e quando chega quer voltar. É algo inexplicável.

Uma prova como nunca fiz. Meu nono Ironman (terceiro em 7 mses). O mais demorado. Sem dúvidas o mais difícil. Não sei só se fisicamente, mas mentalmente foi uma batalha boa. O ritmo não existe, o tempo voa. O esforço vai sendo medido apenas pelo esforço, depois de 6 horas de pedal não lembro de ter olhado pro garmin. E a corrida provou ser sensacional. Desenhei como quem faz um quadro, tentei por o percurso só de ida mais bonito que pude imaginar.

Se tem uma coisa que essa prova me ensinou é que tudo pode ser mais simples do que fazemos. Sair de casa às 18 horas, viajar 3, jantar num posto de gasolina e largar num full distance na manhã seguinte, na maior naturalidade.

Uma prova como o Fodaxman tem como características básicas ser desafiador e espetacular, mas aprendi também que o espírito de equipe é o que move um evento desses. A relação de atleta e apoios é fundamental e vital para a conclusão. Ninguém faz nada sozinho, mas aqui essa verdade é elevada a enésima potência. Sem os staffs nós nada seríamos. Muito obrigado Luciano e Luana ! Muito obrigado aos amigos que se realizaram através da realização dos seus atletas !

Muito obrigado a todos que participaram. Nós fizemos história ! E Fabrício, Manente e Palhares: nós conseguimos ! Como disse o Fabrício, cuidado com o que você quer, pode conseguir.

Dados técnicos

4000 na natação, 182 na bike e 42.2 na maratona. Não faltou um metro, apesar da verticalidade :-) ! 3600+ no pedal e 600+/1100 na corrida. Tracks da prova aqui: Swim, bike, run. Fechei em 14:30 total. Pedal com IF .73 (203Watts NP) e TSS absurdo de 436.

Natação em lagoa de água doce, temperatura alta, metade da galera com e metade sem roupa. Passei calor sem :-). Ciclismo em asfalto muito bom em 95% do percurso. Poucos trechos de trepidação e algumas cabeças de ponte bastante irregulares. 5 km de BR 101 e depois tudo em rodovias estaduais. Corrida com 16 km de asfalto e o resto em terra batida e de pedregulhos.

Consumi 6 latas de coca cola, 6 garrafas de 1.5 L de água, 4 gatorades e 2 redbull. Uma penca de banana, 2 barras de proteína, meio pacote de mariolas e uns 6 gels (eram de melancia, pqp). Acho que foi isso, mais 5 bagas de sal e 1 de cafeína. Também teve o amendoim salvador do Mantente.

Resultados

Luís Inácio da Silva - 12:46
Fabrício de Oliveira - 14:13
Rafael Pina - 14:30
Fabrício Abido de Camargo - 14:41
Juan Pablo Salazar - 15:07
Tarso Gonçalves Soares - 15:15
Sandro Barros - 15:21
Lahis Francielle [DNF]
Fernando Cini [DNF]
Bruno Matheus [DNF]

Apoio:
3T Sports
Rio Canoas - Refúgio de Montanha
Pousada das Flores
Aquático Parque Verde
Flows :: Endurance Journal

Enquanto corríamos...

O Max na pousada estava se divertindo preocupadamente. Abaixo a impagável transcrição textual das mensagens de áudio trocadas entre os staffs durante a prova.

6:00 - Partida.

8:13 - Um dos carros de apoio ficou sem bateria. Apoio para o carro de apoio requisitado, e apoio para o atleta que ficou sem carro de apoio também;

9:14 - "Galera, alguém viu o Massaranduba?"

9:14 - "Não o vimos nenhuma vez e já estamos em Lauro Muller"

9:23 - "Putz..."

(aí eu penso: três horas de prova, um carro de apoio precisando de apoio, um atleta sem apoio e outro sumido....ou seja, tudo correndo dentro do esperado).

9:25 - "Massaranduba errou o caminho, pedalou 10km a mais porém já foi localizado e trazido de volta para o percurso".

10:03 - Lahis furou o pneu, que nessas alturas já havia sido trocado;

10:09 - "Meu Staff tá lá em Bom Jardim da Serra. É pra f**ë mesmo né....."

(dito por alguém que estava na parte baixa do Rio do Rastro, sendo que Bom Jardim está na parte alta, uns 30 km distance e outros 800 metros acima....)

10:11 - "Lahis, Sandro, Juan e Fabrício juntos em direção ao começo do Rio do Rastro".

10:20 - Bruno Matheus na frente, subindo o RIo do Rastro. Um atleta aparentemente parou e foi visto dentro do carro.

10:29 - Atleta que parou era amigo do Bruno e iria somente até a serra. Tudo nos conformes.

11:52 - último atleta passando pelo final do Rio do Rastro.

(Isso significa 6 horas de prova com natação e pouco menos de 100 km de ciclismo. O dia será longo. Bem longo.)

Fim da Primeira Parte 

Fodaxman pelo Radinho - Parte II

12:20 - Bruno Matheus abandona com dores na lombar; primeiro colocado com 120km percorridos na bike;

12:49 - O último atleta passa pelo alto da serra;

13:16 - Pneu da moto de apoio / documentação cinefotográfica fura a 6km de Urubici;

15:08 - instruções da corrida: "primeira dúvida que tiver à esquerda, segunda dúvida à direita":

15:16 - Equipe Cini alertada que pegou caminho errado;

15:30 - Equipe Fabrício passou reto a T2;

16:05 - "Qual Fabrício...o Massaranduba ou o Camargo?"

16:05 - Tarso, Fabrício e Sandro saem para correr;

16:06 - Juan chega à T2

16:31 - Boletim Meteorológico: "Tá um sol de fritar os miolitos".

16:39 - Lahis passou mal e foi encaminhada ao hospital local.

17:05 - Primeiro ciclista chegou em T2 às 14:10, último às 16hs.

Sete horinhas de pedal para o primeiro ciclista. Nada mal para 4 mil de altimetria acumulada.


Fotos 

Oficiais aqui. Amostras abaixo...

Estilo bigorna

Sempre Rocky Balboa mas ao menos de olhos abertos

Fabrício "minimonster" "camarguinho" Abido Camargo

Casal Kona parecia estar se divertindo

Juan !

Rio do Rastro

Pain with fun

Teve calor nessa Maratona
Épico ! Sandro e Tarso

Quase final do asfalto, que só cobria 16 km do percurso

Rumo ao corvo

Todo mundo ! Inclusive o Max numa foto

Finishers e o Manente, diretor técnico, idealizador, staff master e atleta #retardadostri
Dudu, o cão triatleta. Dono do Tarso.