quarta-feira, 18 de maio de 2016

A estranha época do polimento para o Ironman

É uma fase interessantemente estranha esse polimento. Os treinos encolhem em tamanho e as pernas parecem ter vida própria. É preciso segurar a vontade, pra soltar tudo no dia da prova. Que é 29 de maio neste caso.

Começa a sobrar tempo com os treinos mais 'curtos', só que ninguém conta pra fome que ela pode encolher na mesma proporção.

O período nos dá descanso e ficamos ansiosos achando que é preciso treinar mais. Só que não é. Os ritmos aparecem e isso serve pra dar confiança, mas só se tivermos confiança no que já foi feito, porque não tem mais muito o que fazer.

Mas muita hora nessa calma ! Como tudo na vida, pode ser uma faca de dois legumes: pode dar confiança, mas também pode criar falsas expectativas. Por isso, conheça a ti mesmo, pequeno gafanhoto !

É importante saber que os ritmos impressionantes dessa época são para serem usados em distâncias muito maiores. No dia da prova, tudo vai voltar a ser difícil, mas estaremos preparados. E é pra ser difícil mesmo, tudo que é feito com o máximo de empenho é difícil, por isso mesmo recompensador.

É hora de aproveitar a época, que é rara. Acumular energia, como uma mola sendo suavemente espremida para então soltar no dia D. É pra se sentir um leão enjaulado mesmo, doido pra largar. Enjoy !





sábado, 14 de maio de 2016

A curtição de treinar para um Ironman

Deveria ser uma tortura, cansativo e monótono. Só que não! Treinar para uma prova de endurance é sempre divertido. Tem que ser, senão não teria graça. Alterar a logística toda e arrumar os horários mais estranhos pra treinar, procurar novos lugares e percorrer os mesmos de todo dia cada dia de um jeito diferente... não tem preço !

Esse ano apesar de estar no sétimo ciclo pra um Iron, me diverti um bocado. Novos circuitos na natação, ciclismo e corrida, provas pelo meio do caminho, amigos e desafios de sobra.

Nada como aproveitar a jornada, curtir o processo. Como numa escalada, não é só o cume que importa, mas todo o caminho até lá. Claro que queremos o cume e queremos a linha de chegada, e desistir nunca é uma opção enquanto der pra dar mais um passo. Mas a jornada importa mais.

Nesses meses teve de tudo. Voltas à ilha do francês, lagoa do Peri, natação no rio Canoas. Pedal em todas a serras de SC, épico da rio do rastro até Urubici, ponte de laguna, corridas em trilha e em altitude e por tudo que é lugar.

Duas semanas para o lançamento. Aproveitem o polimento.

Uma das travessias da ilha do francês
trailrun de fim de ano
Rio do rastro !
MTB semanal no joão paulo

Provas !
Montanhas de governador Celso Ramos

Longo na serra
A Mãe de todas as serras

Canoas !

BR Sul !

Highlands de Urubici

Baita ponte essa de laguna

Testando a bike fixa da Luana hahaha

terça-feira, 10 de maio de 2016

Análise do 70.3 do Lionel Sanders

O cara está realmente com a corda toda. Domingo último ganhou o 4º 70.3 seguido, dessa vez no campeonato norte americano de Ironman 70.3. O interessante é que desbancou meio mundo e fez isso de forma bem consciente, competindo com clareza de propósito o tempo todo.

A análise no blog do trainingpeaks é fantástica. Decompõe a prova em detalhes e mostra que o mais importante é realmente fazer o pedal dentro das suas possibilidades (embora as desse cara beirem o absurdo) para ter uma corrida consistente.

Os números são impressionantes e o percurso idem, sem sossego na bike e run. Apesar de ter saído bem atrás da água, ele assumiu a ponta na bike e passou a corrida toda fugindo do Kienle, sendo que fez as melhores parciais de duas das três modalidades. Fantástica leitura.


Percurso da bike com 1000 m de subida acumulada em 90 km


sexta-feira, 29 de abril de 2016

Caiobá TriHard Triathlon

Demorou mas saiu ! O post do '70.3' de Caiobá veio com a memória desbotada mas ainda assim é importante registrar essa prova.

Viajei de Floripa com o Fabrício e chegamos na cidade bem na hora do almoço. Trajeto rápido na balsa e tudo certo. Fomos almoçar com a galera da Ironmind depois de descarregar o carro e então voltamos pra arrumar as tralhas. Ainda não tinha kit, que seria as 18 horas, então fui dar um giro pra testar a bike e a roda que teve um raio recém consertado. Tudo certo e então um natação inútil mas importante às 17 horas. Havia um calor sufocante no litoral paranaense naquela tarde... ardido, seco, asfixiante e desesperador pros meus padrões.

O congresso e kit foram rápidos mas insuportavelmente quentes. Daí foi o jantar e então arrumar todas as tralhas. Jantei o habitual mas comi demais. A toupeira aqui não selecionou direito o apartamento no airbnb e pegou um sem ar condicionado. Dormi com a porta da sacada aberta e o ventilador de teto ligado. Já o Fabrício pegou um colchão do beliche e foi dormir na sacada da sala, que pegava um vento kkkkkk.

Estávamos a 1 km da largada, então foi só sair de bike com as tralhas todas e em dez minutos estávamos largando as bikes no checkin. Lá na transição era um pouco apertado, de modo que arrumei as tralhas o melhor possível pra não dar encrenca, mas deu. No final da prova minha bike estava caída do cavalete e as coisas espalhadas por todo lado.

Fui pra largada em cima da hora depois de visitar o banheiro do hotel oficial. Aqueci um pouco, vi a corrente e concentrei, até perceber que estavam já anunciando a minha largada. Fui correndo pra lá e achei o Palhares.

Larguei bem e antes da primeira boia já ultrapassávamos gente da largada anterior, 4 min antes. Era uma volta só, coisa legal. A última perna era meio torta e tive o cuidado de ver bem pra onde estava indo, muita gente nadando em direção à praia antes da hora. Não há nada que duas ou três pernadas de peito não resolvam se precisar, mas você precisa sempre saber pra onde está indo. No primeiro Iron fiz a besteira de não saber pra onde ia e quase voltei pra largada. Nunca mais erro isso.

Quando saí da água vi o relógio na tela de repouso. Por alguma pressa esotérica não apertei start, aí tive que configurar o modo triathlon e dar start e lap pra começar a marcar :-).

Saí pra transição e tirei a roupa de borracha antes de entrar, prevendo o pouco espaço lá dentro. Assim que entrei o Palhares chegou e saímos pra pedalar com poucos segundos de diferença.

Saí pensando em fazer o pedal da vida mas logo comecei a ficar estranho. Uma canseira grande nas pernas e a potência lá embaixo... percepção de muito esforço incompatível com a potência... pensei em ignorar aquilo e tocar ficha, mas também era um teste pro Ironman. Aí numa subidinha eu levantei do banco e vi que não passava de 260 W. Impossível, qualquer subida passa de 300 naquele esforço. Daí lembrei que não tinha calibrado o medidor. Como o erro do medidor é função da temperatura, talvez explicasse as leituras incompatíveis.

Aproveitei uma leve descida e desclipei os pés dos pedais e calibrei o bicho em pleno vôo. Não sei se resolveu alguma coisa, e aí entrei em cruzeiro na melhor intensidade que dava, com algumas ânsias de vômito e gosto de doce de leite voltando. Isso foi um erro. Comprei doce de leite e entupi uma tapioca com isso e duas bananas no café da manhã. Golfei uns pedacinhos de banana e finalmente parei de enjoar.

No primeiro retorno vi que o Cini estava atrás, o que me deixou confiante. Ele é uma das referências aqui em Floripa, e lá não poderia ser muito diferente. Quando ele me passou seguimos próximos e alternando posições até que o deixei escapar. Entrei em modo constante só na segunda pra terceira volta, ali a prova ficou boa finalmente.

No final do pedal o Palhares me passou e depois alcançamos o Cini. Entramos todos embolados na T2 e eu saí rapidinho dali pra fugir deles :-). A corrida começou boa mas logo comecei a ferver. Menos de 3 km e já estava com suor queimando os olhos e a boca seca de colar as bochecas.

A organização salvou o dia com muito gelo nos dois grandes postos de apoio na avenida atlântica. Não teve uma passagem que não tenha parado pra pegar gelo e água gelada na esponja, tomar pelo menos um copo dágua.

Tomei um gel no km 10 e depois só coca cola, um copo cheio a cada posto.  A bike teve uma garrafa de GU e dois gels. Alimentação parece que foi suficiente, mas esqueci as bagas de sal e bcss na T1.

Nos últimos retornos percebi um atleta com a numeração próxima vindo forte (a categoria parecia estar concentrada na centena 300). No último retorno ele estava praticamente colado.

Entramos na atlântica e ele me passou. Contei 3 respirações e contra ataquei, o suficiente pra passar de novo, e aí apertei o passo. Corri uns 30, 40 segundos ali por uns 4:30-4:20, bem mais rápido que o ritmo que vinha. Nunca, nunca tive uma vontade tão grande de andar ou me jogar no chão como naquele sprint. Só continuei porque achava que ele era da categoria e faltavam 2 km. É aquela história: no final, o detalhe é resolvido por quem aceita, consegue, escolhe sofrer mais aquele pouquinho.

Passei a chegada realmente cambaleante mas feliz demais. Poucas vezes fiz uma prova tão no limite e tão arrebentado na corrida. No início tive umas câimbras no abdômen muito estranhas, aí umas travadas no quadríceps que me fizeram encontrar a mecânica que permitisse continuar a despeito do ritmo.

Foi uma corrida muito lenta e ainda assim muito boa pras condições. O calor destruiu todos nós. Todos, sem exceção foram guerreiros demais de correr naquele forno. Eu particularmente nunca tinha me obrigado a correr em condições parecidas.

A galera da Ironmind destruiu geral. Miranda com aquele olhar possuído, a Julinha campeã amadora, Fabrício superando uma corrida de matar, o Manente se divertindo depois de uma semana no Ironman da África e todo mundo fazendo o melhor. O Dedé teve uma infelicidade de furar o pneu mas vai descontar no Ironman, tenho certeza. O Alê Vasconcellos foi lá experimentar o calor do sul com uma zika e terminou a prova, junto com todos os integrantes do boteco, Dalton e Ronaldo, nota dez !

O Fabrício é um capítulo à parte. Insatisfeito com o resultado da natação da prova de Itapoá em fevereiro, simplesmente começou a nadar todo dia no mar. Está fechando 20, 25 km de natação por semana. Fora todos os outros treinos, claro. E o resultado veio. Fez uma natação absurdamente boa. E isso que só nada no mar, começando no escuro às 5 da manhã. Entenderam bem ?! Mostra-se mais uma vez que quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa.

Depois da prova vi fiquei em 4º e fomos embora arrumar as tralhas, pois haveria pódio só até 3º. No hotel fiquei impressionado de ver um cadeirante ainda na prova, as 14 horas, faltando uns 6 km. E aí, o que é difícil pra você mesmo :-) ?

Voltamos pra floripa na boa, parando pra comer e descansar.

Na terça vi os resultados oficiais, havia um atleta com 1h13 na meia em 3º lugar. Impossível nas condições. Falei com a organização que corrigiu, o atleta havia desistido e passou pelo pórtico. Só que o campeão também estava errado, correu com o número de outro atleta (?). Aí então caí pra segundo na 40-44 e 20º amador ;-).

Aqui o link para os resultados oficiais. Aqui o track do garmin. A natação deu uns 32 min (tempo aprox do Palhares). Foi um baita dia. Duro e recompensador. Agora pode vir "ni mim" Ironman ! Tô pronto, estamos todos. Bora lá que falta pouco.


Sem cara de boxeador dessa vez haha
  
Essa ardeu

Cansei

Sempre legal o pós prova.
O Gilead estragou o pedivela no km 80 e pedalou 10km com uma perna só !

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Triathlon Longo da Fetrisc 2016

O triathlon longo da fetrisc é uma ótima oportunidade pra ver como estão  os treinos para o ironman floripa. Não é uma prova muito longa, mas também não é curta. 1/3 de um Ironman, aproximadamente :-). Não é uma prova alvo, mas é legal ver como nos saímos.

Dada a época, fica perfeitamente encaixada no cronograma de auto flagelo, digo, de treinos. Porque o que fizemos nessa prova foi estranho, e mais estranho ainda é dar certo.

A semana foi pesada e o sábado trouxe um longo de bike de 110 km que foi feito no limite da faixa de potência, sem forçar. Mas ainda assim são mais de três horas de treino 18 horas antes de uma prova. 

Prova que foi feita toda forte, sem poupar e sem querer saber se tinha cansaço acumulado na carcaça. Interessante...

Houve uma largada "queimada" e logo voltamos pra alinhar e largamos rapidamente. Um mar relativamente bagunçado mas ainda assim a natação saiu rápida em duas voltas, um pouco mais rápida que no ano passado pelo menos, 29:36 pros 1900. Nadei junto com o Fabrício na primeira volta, o cara está nadando horrores e está colhendo os frutos.

Saí pro pedal meio alucinado e querendo manter uma potência alta, mas a coisa estava apertada, senti bastante cansaço o tempo todo. Foram 6 voltas de 10 km relativamente 'rápidas' mas com duas passagens nas lajotas. A potência não foi proporcional à velocidade.

Alternei posições no pedal com o Fabrício e saímos pra correr juntos. O calor estava excessivo pra hora (largou 6:20) e havia grande cansaço instalado. Em 2 km o corpo achou um ritmo suportável e segui mais ou menos constante até o km 10, quando a coisa deu uma empenada. Nada parecido com o ano passado, onde a corrida saiu a 3:54.

Lá pela segunda volta comecei a contar os atletas na frente e imaginei que estava entre os 10, 15 primeiros. Só que na terceira das quatro voltas o Cini começou a falar pra buscar o Ivan a frente, mas eu não sabia quem era ele e imaginei que o Cini era o quinto. Só descobri quem era o Ivan no penultimo retorno da última volta, e ele estava longe.

Corri o mais forte que deu, já fervendo tudo. Muito, muito quente, apesar de ser abril e bem cedo.

Cheguei esfarelando e logo descobri que tinha ficado em 5º geral ! O Ricelli que vinha liderando na bike infelizmente teve um acidente quando um carro invadiu o espaço do ciclismo e o derrubou. O Cini na verdade estava em terceiro e não quinto, com o Roberto em segundo e o Guilherme em primeiro. Inacreditável um pódio geral numa prova dessas. Paranbéns a todos os atletas que completaram essa dureza divertida.

Um ótimo resultado no meio do caminho para o Ironman Floripa, mostra que estamos no caminho certo.
Track do garmin aqui e resultados oficiais aqui.




















segunda-feira, 4 de abril de 2016

Executar e acreditar

Treinar funciona, é uma coisa óbvia que tenho repetido ultimamente. Mas também tem duas outras coisas que produzem resultados. Uma é execução, e outra é acreditar. Vamos ver se explico o que estou pensando que quero dizer ou se é só devaneio de uma mente oxigenada em excesso depois da corrida.

A hora da prova é a hora de executar o que se treinou. Aquela hora da diversão séria, pois a gente leva o esporte a sério. Execução em provas é fazer o melhor possível nas condições do dia e ainda assim monitorar tudo e cada mínimo detalhe possível. É uma coisa que demora, que vem aos poucos. É ter foco o tempo todo, sem 'emoção', guardando pro final aquilo que fica engasgado na garganta em alguns momentos.


Acreditar é saber que se fez o melhor possível antes nos treinos, que o que está feito está bem feito e vai 'sair' na hora que for preciso. É saber que é possível mesmo achando que não é, não ter dúvidas.

Executar e acreditar podem fazer a diferença entre uma prova boa e uma ruim, entre uma surpresa e mais do mesmo.

Tenho pensado que estou começando a aprender a competir direito. Na indomit por exemplo, saí totalmente focado na execução. Tudo que podia controlar, da pilha da lanterna à alimentação, o terreno, tudo, controlei. Acreditei o tempo todo que o treino tinha sido suficiente, que daria certo ter treinado pra um 70.3 e em 4 semanas feito o específico pra uma ultra de 100 km. Eu sabia que estava certo.

No km 60 me vi entre os 15 primeiros. Fiquei empolgado e pensei que logo começaria a ser ultrapassado. Mas aí voltei ao foco e pensei: porque ficar aqui ? Vou é buscar, vai chegar bem quem souber sofrer mais e acreditar que vai dar. Mas até o final, não até quase. E assim foi, executando o melhor possível e acreditando até o fim. Mesmo quando estava em 7º e fui ultrapassado no km 90 fiquei feliz. Por ter feito absolutamente tudo que era possível e exaurido até a última gota. O mérito era do Tiago que veio com tudo e seguiu mais forte do que eu estava, e pra chegar ali forte tem que executar perfeitamente e acreditar que ainda dá pra buscar alguém. Foi a prova que mais chorei na chegada. Por alívio e ao mesmo tempo orgulho de ter feito aquilo.



Isso não quer dizer que basta acreditar que milagres acontecem. Neste caso esportivo autoajuda não existe :-). "O corpo realiza o que a mente imagina" é uma grande bobagem. Minha mente pode imaginar a vontade que eu não consigo pedalar um Ironman a 300W de potência. Mas posso treinar e melhorar em vários aspectos praticamente sem limites.


O que acontece na verdade é que o corpo realiza o que nem nós sabemos que ele é capaz, se a mente deixar e não atrapalhar. Nessa hora o importante é não atrapalhar com expectativas absurdas ou pensamentos negativos. Dor e coisa torta vai ter em toda prova, coisas vão dar errado mas uma coisa errada é apenas uma coisa errada se não deixarmos isso tomar conta. É preciso simplesmente aceitar que o resultado do treino está lá dentro e vai sair. É só dar condições e não atrapalhar. E buscar o sofrimento. Vai ter o resultado quem treinar melhor, executar melhor, acreditar que é possível e aceitar sofrer. E isso não tem nada a ver com colocação na prova ou tempos midiáticos, mas sim com o resultado pessoal de cada um. O resto é consequência.

sábado, 19 de março de 2016

Vídeo do avestruz caçador de ciclistas

Incrível esse vídeo. Se não é o papa-léguas, quem é ? Imagina o que não pensaram os ciclistas :-). Bem mais divertido do que fugir de cachorro.


domingo, 13 de março de 2016

4ª Meia maratona de São José

Hoje rolou a meia maratona de São José, um percurso divertido e nada óbvio. Clima excelente, céu azul e sol forte com temperatura agradável e um pouco de vento sul.

A turma da Ironmind se dividiu entre essa prova e o sprint de garopaba, uma difícil decisão, mas que foi pensada em função do Iron. É incrível como esse tipo de treino foge do óbvio. Geralmente dia anterior à prova é pra descansar, mas aí a gente vai lá e pedala uma pancada. Claro que não é uma prova alvo, é parte do ciclo de treinos, mas ainda assim sair uma coisa que preste é surpreendente e faz pensar no que é possível. E uma coisa eu sei: é bem mais. Porque há três anos me estrepei todo nessa prova sem treinos pesados no meio, e a melhor meia até então tinha sido dois anos atrás na planície da beira mar norte. É fantasticamente incrível ver na prática e no próprio couro como treinar funciona.

Buenas, depois de um pedal básico de 120 km ontem, eis que a maioria da galera que vai pro iron floripa alinhou às 7:30 na beira mar para a largada. Um bolo de gente das três distâncias da prova largou tudo junto e saiu em disparada, típico estouro da manada com gente de 5 a 21 km.

Saí bem confortável no início mantendo o Fabrício no visual. Seguimos com vento contra no plano até os morrinhos do começo da ponta de baixo e aí voltamos pra beira mar, fechando 7 km. Em algum momento percebi uma presença correndo ao lado, era o Roberto aquecendo os motores. Segui no mesmo esforço quase sem olhar o garmin e começamos a segunda volta, a mais longa e com morrinhos divertidos. Seguimos até a praia comprida novamente, encontramos o Fabrício e tocamos reto pra ponta de baixo, quando o Roberto ligou o turbo e desapareceu de vista. Abria uns 3:30 em 9 km apenas ;-D !

Comecei a correr com o Fabrício, passamos uns atletas e então entramos num deserto asfáltico, sem nenhum atleta no loop que não tinha retorno, bem legal. O ritmo começou a cair pela canseira e altimetria, mas nas descidas dava pra literalmente socar a bota.

Começamos o trecho ondulado final no centro histórico e logo pegamos os últimos 2 km finalmente planos, mas ali as pernas já davam sinal de desgaste, algo também conhecido como desespero. Não ia mais além daquilo, e foi assim até o final. Mas conseguir correr decentemente depois dos morrinhos me deixou satisfeito apesar de cansado. A constância também foi digna de nota, todos os gráficos bem retinhos, menos o pace que variava com a gravidade da situação altimétrica.

Chegamos em top 10 geral, algo muito bacana. Daí foi a festa da chegada na muvuca de sempre com pódios da Ironmind pra todo lado. Mais um dia divertido sofrendo do jeito que tem que ser. Fazer o máximo nunca é fácil, porém apesar de destruídos terminamos já com planos para as próximas. Ô bando de doido :-).



Prova com boa organização e percurso excelente. Galera se divertiu e sofreu como tem que ser. Próxima parada meio iron de caiobá em abril. Bora em frente que atrás vem gente.

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Saiu 1h23min08seg. 10º geral e 1º 40-44. Resultados aqui e garmin aqui, parado depois da chegada.



sábado, 20 de fevereiro de 2016

3by1 1ª etapa - olímpico de itapoá


O ano começou bem em itapoá, no norte do estado. A galera da Ironmind foi em peso se divertir num olímpico sem vácuo da 3by1, empresa de Curitiba, de onde boa parte dos atletas vieram.

Um fim de semana de tempo bom e calor e uma praia/cidade que não conhecia aqui em SC, a boa vibe da galera e um resultado legal, não poderia ser melhor.

Fui pra com o Manente e Fabrício pro hotel colado na largada da prova. Almoçamos e fomos tentar arrumar a minha roda que resolveu estragar um raio. Depois de alguma engenharia gambiarrística desistimos, testei uma que o Manente conseguiu emprestada e decidir ir com a de treino mesmo. Fizemos uma volta no percurso da bike e umas braçadas no mar apenas para salgar as roupas.

Então fomos ao congresso técnico saber dos detalhes. Olímpico sem vácuo é sempre legal. O percurso da bike era o diferencial, pois não tinha retornos. Era um retângulo alongado, então a gente fazia as curvas e esquinas e estava sempre 'indo'. Não lembro de ter feito prova com percurso assim. O inconveniente eram as lombadas, em número considerável, mas bem tranquilas na maioria. Asfalto muito bom.

Jantamos um absurdo de pizza e então foi só dormir relativamente cedo.

A largada do sprint seria 7:30. Como seria com vácuo e o olímpico não, a largada do nosso foi às 8:30.  Dada a proximidade do hotel, fomos lá entregar as bikes e eu planejava dormir de novo antes de largar hehehe. Só que o medidor de potência não deixou.

Nada de sincronizar com o garmin, e eu queria ter os dados porque era pra socar na bike até não poder mais e ver o que aconteceria. Tirei a pilha e nada, aí tive a ideia de pegar a bateria novinha do monitor cardíaco. Fui pro hotel e o Fabrício conseguiu abrir aqueles parafusos minúsculos com uma chave philips sem destruir nada. No hotel percebi que perdi os óculos e touca e natação, provavelmente esquecidas na transição.

Voltei correndo pra transição, entrei no último instante e troquei a bateria, tudo certo finalmente. Achei óculos e touca caídos lado da bike e saí correndo de lá pro hotel pra descansar. Tive que ir no banheiro de novo e quando vi eram 8:15, toca pra praia aquecer a largada.

Dei umas boas braçadas e fiquei lá acocorado vendo o mar. Sempre muito legal essa hora, e ultimamente estou com mania de ficar ali um tempo sozinho olhando pro nada, pensando em nada. Comi o gel e fui pra largada, alinhei do atrás do Roberto pra pegar uma esteira, mas ele largou num sprint de 100m rasos com barreiras e pra variar deu um coro na gurizada.

O mar estava legal, só com um pouco de arrebentação divertida na entrada e jacarés na saída. Duas voltas, e saí com 24 min. Foi legal, apertado mas não demais, embora tenha ficado com o pescoço 'cansado'.

Toquei pra bike e fiz uma transição complxa - apertei o compartimento da bateria do medidor, pus o elástico da sapatilha que tinha soltado e guardei os óculos. Mas dada a correria pré prova, não ter feito nenhuma asneira já foi lucro. Saí socando o pedal esgoelado até começar  estabilizar.

A primeira volta foi toda estranha, a segunda e terceira encaixaram e a quarta apertei sem sucesso o ritmo. Não vi nada de vácuo ou pelotes... Certo momento já estava passando as lombadas no clipe... acostuma, mas não sei se deve.

O pedal saiu bom, IF 0.91. Média de quase 39, o que é um número grande. Não teve 40 km, foi 36, só que avisaram claramente isso no congresso, mais um ponto pra organização.

Daí fomos todos alucinados pra corrida. Saí da transição depois de ser ultrapassado lá dentro por um cara que resolvi buscar. Depois descobrir ser da categoria, e ali na corrida foi a decisão.

O Manente vinha fechando uma volta quando saí e consegui correr um pouco junto dele, deu uma melhorada no ritmo e aí lá pelo 6-7km comecei a ferver. Tinha bebido só GU na garrafa da bike, aquilo cola a boca e não mata a sede, dei uns passo pra beber e apertei o que deu, mas uma dor no posterior da coxa direita havia se instalado.

Assustei quando vi o tempo no pórtico, mas aí lembrei que tinha menos pedal. Mas ainda assim daria umas 2h7-8min, algo muito muito bom. Acho que o primeiro olímpico em 2009 foi 2h40... Algo me diz que treinar funcioa. Ainda mais se for levado minimamente a sério, como por exemplo, treinar no carnaval hahaha. Saiu tudo legal, mas o que me deixou mais feliz foi correr pra baixo de 40 min socando sem segurar na bike. Não tinha saído isso num olímpico ainda.

Essa dor tá estranha, apareceu na serra do rio do rastro, mas lá a ignorância era grande e ignorei. Daí fiz umas massagens e alongamentos e tudo certo. Corrida não doía nunca até então, parece ter a ver com forçar na bike. Vou subir um pouco o banco pra ver no que dá.

Logo chegou todo mundo, reunimos naquela confraternização boa de sempre depois da batalha. Não teve ninguém que não fez o que podia no dia, e isso é uma vitória sob quaisquer circusntâncias. A turma da ironmind detonou geral, galera curtiu muito.

Agradecimento especial à parceria da viagem, rendeu boas risadas e muito papo mesclado de treino e competição. Valeu #retardadostri HAHAHAHA.



Agora a próxima parece que é a meia maratona de são josé, daí o meio iron de caiobá e então o Ironman. Bora em frente que atrás vem gente !

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Dados técnicos:

1 gel antes da largada. Duas medidas de gu roctane na garrafa na bike, um gel na corrida (quase voltou).

1º lugar na 40-44 anos, 20º geral, 2h1min48seg
Link do garmin aqui.

Resultados oficiais aqui: categorias e geral.

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Fotos





Realmente não sei o que é isso kkkkk

Pódio ! 2º a 1 minuto...


 
Meu pescoço sumiu !

"Essa vai pro blog", falei na hora e tá aí

sábado, 23 de janeiro de 2016

Pedal Serra do Rio do Rastro - Urubici


Fim do pedal
Fabrício, Palhares, eu e o Manente.
Treinar bastante é bom porque também nos prepara pra umas roubadas divertidas. E sempre tem que ser divertido. Depois de muito planejar, finalmente saiu o pedal de Lauro Muller até Urubici, passando pela fantástica e justificadamente famosa Serra do Rio do Rastro.

Fomos em 4 triatletas, todos de bikes TT. O percurso compreende 3/4 do Fodax, que ainda sobe o morro da igreja. Mas como fomos de TT e somos triatletas e não ciclistas, essa parte fica pra próxima vez, quando de preferência a estrada até o morro esteja em melhor estado hehe.

A logística ficou perfeita. Pernoitamos em Urubici e fechamos o transporte e apoio de lá até a base da serra. Depois de jantar 1 pizza per capita no sábado a noite, partimos às 7:00 de domingo rumo ao início do pedal. Um amanhecer sem neblina e friozinho anunciavam o dia.

Logo que passamos por vacas gordas o céu ficou azul, livre de qualquer nuvem. Seguimos curtindo o percurso e estimando o tamanho da encrenca de voltar aquilo. Chegamos no mirante da serra com tudo aberto e descemos direto pra iniciar o pedal o quanto antes.

Começamos a pedalar eram mais de 9 horas e o sol já ardia, mas a temperatura estava amena. Seguimos com o carro de apoio na retaguarda, um trabalho incansável e perfeito do Marcelo Sabiá, que além de tudo ainda tirou as fotos.

O início da serra é leve, uma inclinação civilizada e contínua, ainda em asfalto. Depois de uns 8 ou 9 km a coisa começa a ficar séria quando o concreto aparece. Até o concreto a coisa vinha de moderado pra forte, mas aí o caldo deu uma entornada. A sequência de curvas de tirar o fôlego, literalmente, ia nos levando pra perto do topo, com trechos de inclinação bem acentuada. Ritmo de 10 km/h exigia um monte de força.

Levamos em torno de 1h08 pra chegar ao topo, menos o Manente que foi tentar empenar o pedivela no final e já vinha voltando :-). Reabastecemos e tiramos umas fotos e logo partimos para a segunda parte, uns 30 ou 35 km (eram 40) até o trevo do Cruzeiro que levaria até Urubici.

Saímos do mirante bem rápido e um pequeno trecho plano fez o ritmo render absurdo, mas só até começarem os sobe e desce intermináveis. Já era perto das 11 horas e o calor estava apertando, assim como o terreno. Em descida, 70 km/h ficou velocidade de cruzeiro. Nas subidas, baixa rotação um bocado de suor, a sempre entre 1200 e 1400 m de altitude.

O eixo horizontal em tempo suaviza a serra, e a altitude da própria não dá a dimensão da encrenca do que vem depois, que tem 1.5x a altimetria da famosa.
O trevo não chegava nunca, de lá em diante eu conhecia o percurso e não via a hora de pegar o trecho mais 'plano' :-). Quando finalmente o bendito apareceu, depois de uma subida de uns 10 km, reagrupamos e abastecemos novamente. Hábeis em pedalar com apoio, ninguém lembrou de levar um isopor com coisa gelada dentro, foi só água em temperatura ambiente :-).

Tocamos pro fim do pedal, com estrada perfeita e menos movimento de carro ainda. Passamos pelas duas vilas que existem nesses 45 km de estrada e na última subida tive que acenar pro apoio pra pegar água, a coisa ficou seca demais. O ar também andava muito seco, 50 % em urubici é bastante secura, o que associado ao vento, sol ininterrupto e altitude, desidratou todo mundo.

A última descida até a cidade foi de aloprar, descemos muito rápido. Logo reunimos na base e pedalamos os últimos 5 km planos até em casa, fechando um pedal magnífico, dos mais bonitos que já fiz com asfalto no piso :-). E também, dos mais desafiadores. Saiu um teste de FTP na subida da serra, que onde teve 1h a 90%, o que deixou a brincadeira toda com um IF de 85 em 4h20. Bastante coisa, um esforço digno do percurso !

Valeu demais galera, obrigado pela parceria.

Até a próxima. Quem sabe, fechando até o Cindacta :-D.

Lá se foram 104 km, 4h20 e 2400m de subida. Link do garmin aqui. Fotos abaixo. Vídeo em breve.





7 da matina

Realmente é uma bela estrada

Parte fácil da serra

Ainda agrupados


Gel, banana, sei lá
Quebra cabeça de carbono :-)