segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sprint Triathlon P12 2016

Única prova entre o mundial de 70.3 e o Ironman de Fortaleza, um sprint triathlon bom pra testar o coração. Foi uma prova realmente pra divertir e brincar, uma confraternização entre os atletas da região na sexta e última etapa do campeonato catarinense. Sem preço essas provas locais, temos mais é que incentivar e prestigiar.

Fui para a prova totalmente sem compromisso e sem interferir nos treinos. Corri 28 km na sexta feira e aí nadei 4000 no mar no sábado, pela primeira vez sem roupa de borracha. Depois disso voltei pra casa e esperei ficar quente, e então saí pra 3 horas de pedal na BR 101 norte as 11 da manhã. Não foi fácil achar hora quente pra fortaleza heheh.

Domingo resolvi nadar sem roupa de borracha. Estava um pouco frio mas achei melhor ir sem pra aclimatar e ver o estado da natação sem neoprene.

Largamos para o percurso que parecia maior, e deu uns 900 m. Saí da água bem lerdo e corri pra transição, onde achei o Fabrício e Sandro.

Seguimos no pedal alucinado, percurso igual ao powerman short, muito legal. Apesar das retomadas a potência saiu bem alta e a média também, 38 e quebrados para uns 12 retornos kkkk. Normalizada em 260W e média um pouco menor devido as retomadas.

Saí da bike um tanto quanto perdido, pois consegui deixar todo mundo ir embora e tive que caçar o Fabrício desesperadamente. Só cheguei nele no fim da primeira volta. O homem tava a uma semana de ter competido na indomit 100 km e estava lá num sprint esgoelando. Mutante X MAN ;-D.

Segui duelando com um camarada de Criciúma e buscando umas posições na geral. O clima estava frio e bom pra fritar as pernas, e segui na máxima percepção possível. Estranhamente saiu a melhor corrida de sprint já registrada, 3:42 de média. Não sei de onde vem isso pois desde julho não fazia tiros de 400 m, com muito pouco tempo rodando em ritmos de 4:15 nesse meio tempo. Depois de um volume exagerado na sexta e sábado a bike também se mostrou boa. Prova de que intensidade x duração é o que importa. De um volume alto pode sair uma intensidade alta se o volume for baixo. E vice versa. Ou não. Mas é por aí.

Deu 1o cat e 14o geral. A prova estava mais longa, com 900, 22, 5.7. Link aqui, mas bati o início da corrida só depois de já estar lá longe no percurso. As transições são de bater com um gato morto na minha cabeça até eu aprender... não pode ser tão lerdo. No mais é isso, baita prova, brincadeira ardida e séria e uma quebra nos volumes extratosféricos para Ironman. Daqui a pouco vem o relato de Fortaleza, peraí !


Correr rápido quase sempre melhora a passada

40-44

A cara do terror

Sei lá

Força desgraçado, vaiiiiii

Corrida alucinada. Competir é sempre melhor do que brigar com o relógio

Só eu e o Jorginho sem roupa de borracha kkkk

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Treino simulado perfeito para Fortaleza

Registrando para não esquecer e quem sabe ser útil para a posteridade...

Treinando pra fortaleza, fiz um dos treinos mais encaixados da história nesse último domingo. Era um longo de pedal de 180 km.

Fortaleza fica quase no equador e estando no nordeste tem as temporadas de ventos altamente bem definidas. Muito diferente dos ventos loucos girantes aqui do sul. Na época do Ironman, o vento sopra sempre do mar, vindo de leste, só variando a intensidade entre muito forte e inconcebível :-).

O percurso do pedal vai pra oeste por 60 km, então volta 30 para fechar uma volta de 60, repete e volta pra T2 com mais 60. Assim, a ida é toda a favor, as voltas são metade de cada jeito e o retorno é de 60 km com ventania na cara.

A ideia era simular o máximo possível a prova, e o treino era assim: 4 horas a 70% do FTP e 1h30 pedalando sem instrumentos, só na percepção.

Conversando com o Roberto sábado, a ideia era tentar simular também a alimentação, que será crítica no nordeste. Com a meta de engolir 2000 calorias no pedal, enchi os bolsos: 120 gramas de carbo em pó na garrafa, 3 gels, 5 mariolas, 2 bananas, 1 coca cola, 1 barra de proteína grande. Muita água e 1 gatorade no km 110.

Estava relativamente quente, 28 graus ao meio dia, e o vento apertou legal. Pelo windguru, 40 km/h em imbituba.

Fui para a BR sul com o Heverton e galera ironmind. Fomos por 55 km e voltamos com vento já forte, abasteci e segui até garopaba de novo com vento a favor. Voltei com vento muito contra e faltou tempo, a distância já tinha fechado. Aí fui até a pinheira novamente. Bem parecido com os vai e vem de fortaleza, ora a favor ora contra.

Saiu baita treino, com a potência exatamente na média no trecho sem instrumentos. O que foi muito bom, pois não houve quebrada ao fim e quando passou a 1h30 mostrei os dados e vi que ainda saiam 210, 220 W tranquilamente. Zero quebra, um baita treino. Alimentação perfeita. Roupa da prova e capacete de treino, que acho que é o que vai ser lá.

Breve notícias nordestinas. Treino aqui. Interessante var as parcias (laps) com as respectivas potências e médias de velocidade :-D.

domingo, 9 de outubro de 2016

Mundial de Ironman 70.3 na Austrália






Correr um mundial de qualquer coisa era algo que eu realmente nunca tinha pensado até uns anos atrás. Só depois de uns bons 4 ou 5 anos de triathlon comecei a pensar em que quem sabe talvez um dia classificar pra kona ou pro mundial de meio.

A classificação no Rio veio quase um ano antes da prova, o que deu bastante tempo pra planejar e organizar as coisas - obviamente todos os detalhes foram acertados no mês da viagem. Que aconteceu com a minha filha, pois a Daiane não poderia viajar em época escolar e o pequeno homem passaria muito trabalho numa viagem dessas.

Foi uma experiência única, a começar pelo lugar. A costa leste da Austrália é sensacionalmente bonita e de clima parecido com o Brasil. Sunshine Coast, onde foi a prova, mais especificamente na praia de Mooloolaba, é berço do Triathlon australiano com a praia de Noosa sediando provas de desde a década de 90 com 4500 atletas. Talvez no Brasil não dê isso tudo em todas as provas Ironman somadas, e lá há 30 anos já haviam provas (eventos talvez) desse tamanho lá nos confins da terra.

O país respira esporte e aparentemente todos fazem parto na água, pois é incrível a quantidade de gente nadando no mar e nas piscinas públicas espalhadas por todo lugar (dizem que também não sentem frio). O contingente nativo na prova era de quase 900 atletas, dentre os 3000.

Chegamos em Brisbane depois de 30 horas de viagem às 23:30. Com todas as tralhas que uma prova dessa implica fomos buscar o carro alugado. Lá descobri que eu tinha feito a reserva pra julho (era então 30 de agosto) e tivemos que negociar um carro pequeno com câmbio manual (que traria grandes emoções). Saímos do aeroporto sem comprar o chip 3G e logo estávamos perdidos à meia noite dirigindo na mão inglesa sem saber passar marcha ou dar seta.

Entrei num hotel e pedi wifi. O solícito velhinho que atendia (uns 80 anos) deu todas as dicas e a senha do sinal. Saímos de lá direto pro hotel, onde subi 4 andares de escada com a mala-bike e logo desmaiei de sono.

No dia seguinte a Laís programou passeios o dia inteiro. Inteiro aqui é da hora que amanhece até bem depois de anoitecer hahahaha. Foi um dia típico de turistar, Brisbane mostrou-se uma cidade muito bonita e surpreendente. Encaixei um treino de 40 minutos de corrida na margem do rio, o que acrescido de toda a caminhada, totalizou cerca de 32000 passos no dia. Uma coisa muito boa de se fazer na quinta anterior a uma prova kkkkk. Falando nisso a pequena fez uma programação sensacional, além de arquiteta pode ser também agente de viagem. Só me preocupei em ir :-). Tudo estava planejado em todos os lugares.

South Bank, Brisbane. Excelente pra correr, ver, fotografar

Sexta feira saímos às 7 para Mooloolaba, 90 km ao norte. Lá achamos a rua da casa onde alugamos quarto no airbnb. Só que não achamos a casa. Batemos numas portas e nada, e aí ligamos pra dona pra descobrir que a chave estava na caixa de correio.

Fui direto pra Expo buscar o kit, comprar CO2 e óculos de natação, uma breve circulada, tropeça num pro aqui e ali e fui nadar. Um mar muito gostoso, água clara e quente, muitas ondas e gente surfando. Baita diversão. Pacífico de águas quentes eu não conhecia. Voltei pra montar a bike, saí pra dar uma volta de tarde e posso afirmar que foram poucas as vezes que fiquei tão perdido na vida. Andei seguindo os caminhos, que eram cheio de quebradas, saí na rodovia, fui pra cidade errada e quando era hora de voltar peguei o iphone pra me localizar. Muito bom sair sem rumo. Pedalzinho testou tudo e aí então fomos novamente para a praia dar uma volta.

Caroline Stephens pediu uma foto, não pude negar

Pedal sem rumo pra testar a bike

Estava bem na hora da parada das nações, um 'desfile' dos atletas de cada país. Eu imaginava algo tímido, tanto que nem me programei pra ir. Só que estava um espetáculo. Todos os países chamados um a um no microfone, banda tocando, centenas, senão milhares de atletas na praia, cada um na sua delegação com a bandeira à frente. Foi um dos negócios mais legais que já vi numa prova. Muito muito bacana.  A impressão talvez tenha sido amplificada pelas olimpíadas recém encerradas, é claro. Mas foi sensacional.

Parada das Nações. Sensacional.


A noite, equipei a bike antes de jantar e dormir. O bom de pegar um jetlag de 13 horas é que isso é tão torto que praticamente não dá tempo de ficar errado. Sei lá, só sei que não senti muito, a única coisa estranha era acordar sem despertador antes das 6.

Sábado dei uma corridinha de ativação de 3 km e depois fui deixar a bike, logo às 10 horas. Deixei a bike coberta com a capa e fui embora, depois de mais uma circulada na expo. Aí então fomos passear numa praia uns 30 km ao sul, Coloundra. Muito legal, como todas da região, cada praia na verdade parece uma cidade autônoma. Ficamos lá metade da tarde e aí voltamos pra ver o farol que tem ao sul de Mooloolaba, um mirante espetacular das praias ao norte e sul. Dava pra ver toda a região da prova e pra onde se estenderia o pedal, até 20 km ao norte. Um sol de fim de tarde espetacular e vento menos furioso que no dia anterior deram a certeza de bom tempo no dia seguinte.

Transição bonita
Jantamos numa pequena cantina italiana numa área comercial próxima à casa que estávamos, assim evitamos a muvuca da praia a noite, que era grande. A Dona ficou tão impressionada de ver brasileiros lá que tirou uma foto nossa pra por no perfil do restaurante no facebook :-).

Amanhecer do dia da prova
Largadas

Domingo dia da prova finalmente. Saí bem cedo, pra pegar o nascer do sol fantástico que teve naquele dia. Vento calmo e mar que mais parecia uma piscina. Essa prova tem uma transição interessante: a natação acontece no sul, e a T1 é bem longa, as bikes são dispostas ao longo de uns 800 metros e depois ainda tem a transição da corrida, que é um pouco mais afastada. Na prática tem 1200, 1400 m de transição no total. Assim, entrei por um lado pra mexer nas coisas e saí do outro lá longe. Voltei e achei a Laís no deck do banheiro com vista para o oceano (foto abaixo). De lá era perfeito pra ver a largada. Ali me vesti, alonguei e fui nadar um tantinho. Piscina confirmada. Voltei pra espera minha largada, os PROS saíram da água e fui pro curral.

Área da largada

Largada muito interessante, saímos da praia, nadamos 150 perpendicular à praia e então alinhamos numas boias pra largar efetivamente. Começar na água gera toda uma violência diferente de largar da areia: 450 seres flutuando na vertical ocupam bem menos espaço do que na horizontal, então na hora do tiro é uma profusão de socos e ponta-pés bem divertida.

Natação tranquila, firme e boa. Saiu bem reta, e diferente das outras largadas em ondas, não vi passar nem fui passado por nenhuma touca de cor diferente, o que denotaria o nível elevado e muito próximo dos atletas. Faz sentido, é um mundial, meu filho.

Saí da água bem, das melhores natações da vida. Nada excepcional, mas do jeito que tinha que ser, 1:30/100m cravados. Parti pra transição longa, saí pra pedalar já de cara nuns morrinhos pra sair da cidade e logo entramos na rodovia que seguiria por 15 km rumo norte. Vento sul muito leve e ritmo assustador, mas com muito trânsito. Vi muita gente das largadas anteriores, e pedalar na esquerda pra passar pela direita era estranho.

Saindo pra T1, 800 m de trote
A coisa foi toda empelotada até o retorno - tanto pelos atletas mais lentos quanto pelos safados pegando vácuo descarado. Era difícil ultrapassar tripas de 3, 5 atletas de uma vez só. No retorno a coisa começou a espalhar, um pouco de vento contra mas a empolgação do início mantiveram o ritmo bom. Ver virar parciais de 10 km seguidamente acima de 40km/h não é lá muito comum, mas a potência estava boa, o asfalto era ridiculamente liso e o fato de não ter pedalado na semana pareciam atenuantes que permitiam arriscar.

Cheguei no trecho ondulado, estrada fechada como a rodovia e um visual de interior. Logo dei de cara com a bifurcação dos dois loops que haviam no trecho de serra. À direita era a primeira volta, e era uma parede. Bem íngreme e curta, tive que fazer zigue zague na marcha mais leve e ainda assim deu trabalho. Esse trecho foi fantástico, muita gente nas laterais da estrada, mensagens escritas no asfalto. Me senti no tour de france hahahah.

No pedal


Descidas técnicas e pessoal suicida, fui ultrapassado demais nessa parte. Não sei pra que um sujeito senta no quadro numa bike TT numa descida que nunca viu na vida, entra na curva alucinado e quase sai na tangente. Na verdade uns saíram e foram parar no mato.

Depois outra volta, sem a parede e então o trecho final até a cidade, agora com uma ventania de sul absurda (isso sempre é amplificado pelo estado lastimável das pernas ao final da bike).

Entrei na cidade feliz e empolgado com o percurso, larguei a bike e me fui a correr. Corri tão bem no começo que resolvi me suicidar. Saiu uma das melhores bikes da vida, a natação foi boa, era um mundial, então como não arriscar ? Além disso eu tinha treinado tão pouca corrida nos últimos dois meses que já quebraria mesmo, então que seja com estilo. Falando em corrida, no começo de julho tive uma coisa horrível na lombar. Fiquei três semanas sem correr absolutamente nada e treinando moderadamente as outras modalidades. Aparentemente tenho umas hérnias querendo aparecer, mas suspeito que foi algo agudo, como advoga o Doc Daniel Carvalho. Ele, o Edu Monteiro e o Éder me salvaram, consertaram e prepararam a tempo de suportar o plano do Mestre Roberto Lemos de me por nos trilhos em 3 semanas de específico em agosto.

Voltando à corrida, era simples: duas voltas de 10.5 km, indo pro norte através de um morrinho de um km e depois tudo plano. Foi uma delícia. Corri forte no início movido pela empolgação e orgulho. Pernas muito leves, o que já me deixou feliz pelo pedal duro que foi. Outra coisa que me fez sair forte e tentar manter foi a dinâmica da prova: muita gente das categorias superiores, que largaram depois, me passando facilmente na corrida. Fiquei realmente impressionado. Ô povo pra correr !

Fechando a primeira volta


Do meio da segunda volta em diante implodi. O vento era contra e a inclinação me matou. Comecei a correr muito mal, com um cansaço enorme apesar das pernas boas. Acabei ingerindo apenas um gel no km 12, mas comi bem na bike. Não sei, só sei que me acabei tentando manter o ritmo, que não mantive, mas cheguei dignamente e com uma alegria enorme de completar aquela prova. Que clima, que vibe, certamente uma experiência única. Encontrar a Laís na boca da chegada com a bandeira do Brasil, chegar explodindo e tentando fazer o máximo que dava, afinal era um mundial. Não tem preço.

Chegando !
Yeah !
Único

Melhor filha do mundo !
O mito, mark allen. O outro mito sou eu kkkkkk

Segunda feira depois da prova começamos a segunda de três partes da viagem. Antes porém fomos pra Noosa, e pro parque nacional de mesmo nome apreciar a vista numa trilha de 7 km que nos levou ao hell's gate, um local espetacular para avistar baleias que não vimos e que dava uma visão impressionante da costa australiana.

Depois foi só seguir pra Cairns, mergulhar durante dois dias e uma noite na barreira de corais, aí ficar mais uma semana perambulando por Sidney, Melbourne e então começar a volta. Viagem sensacionalmente legal.

O retorno teve emoções de vôo atrasado por problemas mecânicos (não bom escutar isso antes de embarcar num avião que vai cruzar o pacífico), pernoite extra em SP e malas extraviadas, incluindo o case da bike, o que causou sérios pânicos no vivente que escreve. Depois de dois dias, tudo certo.

Muito obrigado a todos pela torcida, apoio e energias positivas emanadas até o outro lado do mundo. Até a próxima !

Dados Técnicos

Link do garmin aqui. Bati o botão de lap no guidão e tive que começar outro pedal hahaha. Mas dá pra entender.

Corri com o go run ride 4, com o capacete aero e com a roupa toda abaixo do neoprene. Tudo certo. Alimentação foram duas medidas de GU Endurance na bike com 4 gels, 2 mariolas e uns goles de gatorade. Na corrida 1 gel e coca cola.

Prova atípica para os meus padrões. Natação boa, bike ganhando posições e corrida perdendo algumas. Corri bem até o km 12, depois caiu um pouco e no 17 implodiu tudo hahaha. Bike a 87 % do FTP foi muito boa. Percurso metade plano, metade técnico com ventania. Asfalto perfeito em boa parte, mas na serrinha tinham patches e rugosidade.

Resultados oficiais aqui, meu aqui. Nível estratosférico, não deu nem pro cheiro hahah.


;-D
Hell's Gate, Noosa National Park

Noosa ;-)



Ao sul de Mooloolaba

 
Legs up !

A Grande Barreira de Corais !  


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Um dia qualquer

É interessante como a gente consegue se adaptar. Dá pra dizer que triatleta amador que trabalha full time treina na hora de descansar e descansa na hora de trabalhar.

Então hoje foi assim:

5:15 - Acordar
5:30 - Café
6:30 - Natação no mar
8:20 - Trabalho
12:30 - Pedal indoor
13:45 - Trabalho
19:00 - Trabalho
20:30 - Casa




sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ironman 70.3 World Championship - Austrália

Eis que chegou a hora. O tempo literalmente voou desde o Ironman Florianópolis e a classificação parece que foi uma década atrás, mas tá na hora de go down under. O que esperar eu não faço ideia, porque nesse meio tempo deu tempo de ter uma lesão esquisitíssima na lombar e ficar 3 semanas sem correr. Só sei que vou pra fazer o meu melhor, o máximo que eu puder, atrapalhar a concorrência o máximo possível. Notícias de lá, no facebook, instagram e twitter, rpina73 em todos eles.

Até a volta.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Training camp Urubici

Indo pra Urubici frequentemente, há tempos queria fazer um camp por lá. Como todo camp, a ideia era uma imersão nos treinos, falar besteiras relacionadas e dar risadas. Acabamos confirmando em cima da hora e fomos o Fabrício, Manente e eu.

Saímos sexta a noite pra aproveitar o tempo. Depois de quebrar a cabeça pra enfiar as bikes no carro chegamos lá por volta da meia noite.

Estava frio, com previsão de mais frio porém tempo seco sábado. Acordei umas 8 horas e o céu estava cinza mas sem sinal de chuva. As sete faziam 3 C disse o Fabrício, que acorda antes mesmo de dormir.

Arrumamos tudo lentamente pra dar tempo da temperatura subir, inclusive tentei arrumar uns pequenos problemas hidráulicos. O frio anda tão forte que estragou uns encanamentos por lá.

Deixamos o carro na cidade e zarpamos pro pedal até o Cruzeiro, 90 km ida e volta com uma baita montanha no caminho. 700 metros de subida em 12 km pra aquecer.

Saca só a altimetria do longo de pedal

Ali já começamos a alucinar, o manente ligou o turbo em vôo cego, pois estava sem o garmin e portanto ia só na percepção de máximo o tempo todo. Eu subi forte e descontrolado no início e depois estabilizou. Alcançamos o Manente no topo (ele voltando pra nos achar) e seguimos no terreno fantasticamente ondulado dos campos do topo da serra, por volta de 1500 metros de altitude.

Estava frio mas tudo pode piorar. Chegando no Cruzeiro começou uma garoa, parecia que estava feio pro lado de lá, então assim que deu 45 km voltamos pois estava realmente frio. E claro, tudo piora. De onde vinhamos o céu estava preto e tempestuoso.

Voltamos com chuvinha mas o chão bem molhado e vento contra. Nunca senti tanto frio pedalando. Os pés mesmo com meia e saco plástico doíam.

Vi um cartaz de alguma coisa pendurado num poste. Era de plástico grosso, já se rasgando do sol e vento. Portanto não necessariamente destruí o cartaz, mas usamos pedaços dele pra fazer um moderno wind shield rural de emergência. Tentei por um pedaço na testa, que crescida que anda, comporta cada vez mais frio. Mas ficou ruim e tirei.

No Pericó parou de chouver e depois começou a secar. Descemos pra urubici já seco, ainda bem porque aquela serra com chuva causa caimbras nos dedos das mãos de tanto frear.

Uma vez na cidade fomos largar as bikes e almoçar. Almoçamos toda a comida que ainda estava no buffet do restaurante e depois fomos pra casa pra correr. Com um kilo de comida cada um foi difícil, então começamos ali pelas 17 horas.

O Manente faria o longo e eu e o Fabrício iríamos só soltar. Saímos juntos e por um km o Fabrício pensou em devolver o almoço. O Manente se foi com poucas instruções de orientação rumo ao desconhecido e logo desapareceu.

Voltamos com 3 km pra fechar meia dúzia de kms regenerativos e escureceu rápido. Morrinhos e terra batida, perfeito.

Já tomando um vinho fui olhar pra escuridão e lá vinha o Manente com o celular alumiando o caminho, pelo menos não se perdeu kkkkk.

Saímos pra jantar um absurdo de pizza e falar besteira até cansar, mas sempre assuntos científicos relacionados ao estado da arte do treinmento de endurance. Ainda trouxemos embora a pizza doce na caixinha.

Domingo saímos mais cedo pro treino de transição. Um pedal de ida e volta até o final da estrada que vai pro corvo branco, com céu azul e temperatura de sobrar vestimentas.

Fizemos o intervalado que foi excelente e depois a corrida de transição, cada um com um treino diferente.

Aí então foi só arrumar tudo e voltar pra casa no início da tarde, depois de um tratamento de crioterapia à base de rio. Baita fim de semana com amigos mais loucos que a gente, num percurso animal, duro, bonito e divertido, sem praticamente nada de trânsito, com altitude e ar puro. A repetir periodicamente. E são dessas que nascem as melhores ideias. Vem aí algo que você nunca viu. Fodaxman, em breve. #retardadostri #ironmind #urubici #fodaxman

Mirante de Urubici. A subida até ali requer muitos Watts
Na volta a alegria é maior do que na ida, a amiga gravidade ajuda
Solto a 70 % na terra batida
A pizza assustou o casal lá no fundo.
Essa coisa é do tamanho da roda da bike do Fabrício

Plantação de bikes
O cara desmaiou lá no banco de trás

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Treinos pós Ironman e próximas provas

Esse ano tem sido atípico, sem provas pós iron até agora. Normalmente já teria feito o Desafrio e o Marcio May MTB Marathon, mas por diversas razões que nem sei mais quais são não fui.

Tenho treinado constantemente embora dessa vez as pernas tenham ficado pesadas mais tempo. As primeiras corridas foram doloridas, e até agora mais de 10 km está dando sinais de canseira.

Como hoje por exemplo. Infelizmente esquecí o frequencímetro, mas a impressão era de sobrar cardio e respiração fácil, mas as pernas estavam bem pesadas e doendo mesmo. Toda a musculatura, atrás, dos lados e na frente, coxas principalmente. Talvez resquícios do fim de semana que foi forte.

A natação está surpreendente, depois de 2 semanas de moleza veio firme de novo e estão saindo tempos muito bons. Acho que melhorei o posicionamento na água.

Já a bike está muito boa também. Os treinos de rolo estão começando a ficar fortes de novo apenas desde a semana passada, mas os ritmos na rua estão bem tranquilos e saindo números interessantes.

É curioso como o condicionamento se preserva, mas ao mesmo tempo parece que as pernas ficam cansadas mais facilmente, ao menos na corrida.

Esse mês talvez não tanha competição também, a definir o powerman. E aí então vem o alvo 1 do segundo semestre, o mundial de 70.3. Depoi, o outro alvo 1, o Ironman Fortaleza. Vamos ver o que vai ser, divertido e dolorido eu garanto que será.

Por hora devemos ter um inédito trainning camp na serra, pois é hora de subir muito morro pra ganhar força e potência na bike. Isso dá resultado. Em julho do ano passado foi um bloco intenso, janeiro idem, e agora começamos a primeira semana de várias de morro em cima de morro.


Fico pensando se daria resultado também na corrida. Será ? Colocar trilhas cheias de morros no longo ? Chefe e aí :-) ?

A natação aparentemente já tem 'morros' e eu que não sabia. O palmar já está lá em todos os treinos há mais de um ano. Será que por isso melhorou ?

Bom, os devaneios são muitos mas o tempo pra tudo escasso. Por hora é isso, inté.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ironman Florianópolis 2016 - a visita do inesperado

Desmontado na chegada


Depois de meses de preparação e foco na prova, a última semana trouxe uma sensação de "já está na hora ?!". Parece muito tempo, mas esse período é tão intenso que passa rápido. E esse ano teve muita coisa diferente, o treino encaixou como nunca e eu estava me sentindo no auge do condicionamento. Embora tenha sentido isso ano passado, nesse estava melhor ainda. Interessante como dá pra fazer a mesma coisa de formas diferentes. E o resultado veio, diferente do esperado mas veio. Veio na percepção e no entendimento de que o que foi realizado foi bem feito e que realmente eu tinha condições de fazer o que achava que poderia fazer.




Dedico especialmente essa prova à minha família que me apoia em tudo e sempre. Principalmente à Daiane que é quem segura as pontas pra eu poder treinar do jeito que treino. Ficaram pra lá e pra cá na chuva o dia todo pra me ver passar por uns míseros segundos. Elas sabem como é importante e dão importância também. Não tem nada melhor que isso. Obrigado meus amores.

Pré Prova

Fui no congresso técnico do Ironman. Tudo certo, de novidade uns recados importantes sobre o cronograma das largadas. Depois uma passada rápida na expo pra comprar mais um CO2 e uma câmera e então casa. Fim de tarde tivemos uma sessão de mentalização da prova bem legal com o Roberto e aí então fui no jantar de massas com o Arthur. O pequeno homem curtiu.

Sábado amanheceu com chuva e logo abriu o tempo. Saí ali pelas 9:30 para o Lá Serena fazer o micro treino de ativação, 600 m nadando leve, 10 minutos correndo e aí então voltei pra pedalar uns 20 minutos. Tudo muito calmo e leve, sem estímulos de prova. Só pra ligar o corpo e desligar de novo.

Era dia de minimizar ao máximo qualquer esforço, dia de gerenciar a fadiga e deixar as pernas pro ar o máximo possível.

Fim de tarde fui deixar a bike no checkin as 17 horas, horário programado para o meu número. Não sabia ao certo se haveria checkin prioritário para o tal AWA, mas chegando lá foi só entrar, deixar a bike e ir pra fila enorme pra pegar o chip e pintar o número. Rapidamente uma staff chamou os AWA para a frente da fila. Meio desagradável furar a frente de todo mundo daquele jeito, mas muito prático :-).

Depois disso foi só ir desligando aos poucos, jantar decentemente e ir dormir cedo. Conseguir apagar antes das 10 da noite, fato inédito.

Pré largada

Dado que apaguei cedo outro fato inédito aconteceu: acordei antes do despertador. Fiz o café da manhã de treino: tapioca gigante com queijo e manteiga, café puro, dois ovos mexidos e uma banana. Eram umas 4:30 quando acabei de comer.

O Fabrício passou pra me dar carona às 5:20 e seguimos até perto da largada. Fomos pra dentro da transição arrumar as tralhas.

Só acertei tudo na bike e fui entrar na roupa de borracha. Detalhe: comprei uma nova na semana anterior e achei que não daria pra usar. Testei em casa no seco e quase morri pra sair, ficou sufocante no pescoço. Mas aí nadei na piscina, uma vez no mar, depois coloquei um pote de suplemento, daqueles bem largos, no lugar do pescoço da roupa e fechei, pra dar uma 'alargada'. Técnica ninja que aprendi com o Fabrício. Aí no treino de natação oficial aprovei a roupa e decidi nadar com ela. Foi uma decisão excelente, 100% aprovada.

Encontrei a galera na saída da transição e vestido que estava tive que atender um chamado da natureza de alta complexidade. Uma operação demorada.

Saí pra praia com o Miranda e logo chegamos na área de largada. Fui aquecer e nadei leve uns 10 minutos. Senti a corrente que estava pra direita e percebi o céu claro com uma lua tímida. Oba, vai parar de chover. Sim, claro.

Natação

Alinhei na minha onda de largada e logo encontrei a Daiane, Laís e o Arthur que tinham madrugado pra ir me ver. Pouco tempo depois, largamos.

Estava bem na frente e saí feito louco, entrei na água bem na frente e logo comecei a ser atropelado. Levei um baita tapa no óculos, que saiu todo. Na largada de 2000 atletas nunca tinha perdido os óculos haha. A primeira boia estava bem dentro da neblina, e comecei a nadar muito com a cabeça fora dágua.

Os óculos foram alagando a primeira volta toda, parei umas 4 vezes mas enchia de novo. Saí da água com o olho bem ardido, tirei os óculos e lavei os olhos com água doce, que maravilha. Daí entrei na segunda volta.

E alagou tudo de novo kkkk. Desisti de tentar resolver e fui com o olho esquerdo cheio dágua. Meio estranho nadar sem enxergar direito, mas nadei bem reto, apesar de achar que tinha nadado torto. Deu 3990 e 1h02min, ruim mas bom pelas condições.

Bike

Fiz a transição bem rápida, botei a camisa (nadei sem pois esperava pedalar seco), enchi os bolsos de gel e comecei a pedalar. Apesar da chuva, me sentia aquecido desde o início, e na SC já estava em ritmo de cruzeiro.

No Floripa Shopping vi a bandeira completamente morta, zero vento. Segui firme e fácil, curtindo pedalar na chuva. Coisa estranha, eu não gosto de pedalar chuva.

Nas descidas eu só pensava em não cair. Na beiramar parou de chover e na baía sul não havia vento algum. O ritmo estava forte mas ainda assim bom, segurando. Quando saí do túnel caiu uma bomba dágua que durou até o elevado do CIC, depois a pista estava seca. Nada de vento e segui até canasvieiras fugindo de um pelotão miserável.

Esse pelote foi crescendo e me alcançando, até me engolir perto do pedágio. Segurei bem lá atrás até que respirei fundo pouco antes do elevado da vargem e saí ultrapassando todo mundo, aproveitando a subida. Consegui passar todos na última reta para canas e segui forte até o retorno para não ser engolido de novo.

Na volta até jurerê vim forte e não me passaram mais, mas aquela coisa continuou coesa, ridículo.

Fiz o retorno nos 90 km em jurerê com aquela energia fantástica e voltei pra SC pronto a começar a forçar o ritmo, feliz de pedalar forte e bem.

Na frente da PRF não vi um buraco pequeno e meti as duas rodas dentro dele. Fiquei assustado mas segui, passei o pedágio e comecei a subida de santo antônio, até perceber o pneu traseiro furado.

Fiquei puto da vida, mas comecei a trocar rapidamente. Montei a roda de volta e ao encher o CO2 vazou todo pela válvula. Botei outro CO2 e vi que a borracha do bico estava ressecado e rasgado. Tentei de novo e encheu parcialmente, até que veio um espectador com um CO2 com adaptador que ele achou caído.

Tentei com este adaptador e consegui encher, mas ouvi ar vazando. Eu tinha usado o mesmo extensor de válvula que estava na câmera furada, mas apertei com as mãos molhadas. Achei que era por isso, apertei mais e parou o barulho.

Ainda dava pra pensar em continuar no plano A.Voltei pra bike e apertei o ritmo no caminho ondulado que havia à frente (morrinhos de Santo Antônio, Cacupé e João Paulo).

Na descida para o Itacorubi vi o Fabrício e segui descendo com cuidado. Logo percebi o pneu dançando. Vazio de novo. Sem muito pensar, imaginei pedir o adaptador do Fabrício emprestado. Iria desmontar a câmera, apertar ou trocar e encher novamente com o último CO2.

Assim, na mais estúpida ideia da história, berrei pro Fabrício me 'jogar' o adaptador. Ele parou, tirou o adaptador com CO2 da bolsa e me deu. Falei que só queria o adaptador, que ele poderia seguir. "E eu vou sem o adaptador ? Enche aí...". Só aí percebi a asneira que tinha feito e falei pra ele ir embora :-). Por pura sorte apareceu um apoio mecânico e ele se mandou.

Pedi pro mecânico apertar a válvula e encher. Enchemos 120 lbs e pareceu tudo firme e certo. Tudo durou 2 minutos e voltei a pedalar agora já pensando no plano B, talvez fechar antes de 10 horas.

Segui furioso e lá no fim da beira mar encontrei o o Fabrício de novo... depois da ponte passei por ele e logo, surpresa ! De novo, novamente e outra vez, pneu murcho. Ele perguntou se precisava parar e eu respondi rápido que não, era o que faltava. Eu estava mais puto em tê-lo parado lá atrás do que com as paradas pneumáticas em si. Fiquei puto de estragar o resultado dele. Que ideia de jerico dos infernos eu fui ter.

Bom, desmontei a roda, tirei o extensor e pensei no que fazer. Tentei por o extensor original da SRAM, mas sem veda rosca esse nem enche. Apareceu um staff de filmagem com uma bomba de mão que não funcionava. Apareceu um árbitro que chamou o mecânico. Chegou uma atleta argentina perguntando se precisava de algo, e aí chegou o mecânico... o mesmo lá do itacorubi.

Aí então trocamos tudo, a câmera, o extensor. Não sabia se era mesmo o extensor, se tinha furado por rodar vazio, etc... ele pôs veda rosca e apertou com alicate (acho que nunca mais tiro aquele extensor da câmera...). Enchemos e segui, já no plano C: terminar de qualquer jeito.

Bom, pneus furam. Mas eu consegui piorar tudo com várias asneiras. É aquela história, é sempre uma sequência de coisas erradas que causam o desastre:

  1. Não testei o adaptador antes da prova, deveria ser comum treinar com isso
  2. Não levei pitstop (levei em 2012 quando furei pneus e não resolveu)
  3. Não levei bomba. Nunca levei, mas falando com o pessoal na segunda feira, parece que eu era o único 'desbombado' na prova :-)
  4. Não apertei direito o extensor de válvula, ou não botei veda rosca. Não sei. Esse da continental não era pra precisar do veda rosca, então imagino que não apertei direito. Mas com veda rosca e alicate resolveu, ou seja: sei lá que cagada eu fiz.
  5. Não desmontei tudo e troquei na segunda parada com o mecânico 'à mão'

Agora as voltas na baía sul continham o ingrediente secreto de todo Ironman Florianópolis: o vento do final da manhã. Um nordeste bem forte, e depois das duas voltas segui pro norte com o vento nas fuças fazendo muita força. Queria acabar logo o pedal, estava com medo de furar de novo sem ter como arrumar e já tinha uma certa fome se instalando.

Apertei o ritmo e segui sem pegar nenhum pelote mais. Fiz a volta em canas e tirei o pé legal, já estava com dores nos quadríceps e com fome. Comi uma banana no último posto e achei que caiu estranha, estava muito dura pra uma banana comestível.

Entrei em jurerê bem leve, preparando pra correr. Saí da bike com 5h30 em grande estilo, com o pé direito pro lado esquerdo da bike, de onde pulei já correndo. Só que durou dois passos, pisei em alguma pedrinha e saí mancando com o pé esquerdo espetado.

Transição rápida, só limpei a sola dos pés que estavam cheias de areia da chuva, botei as meias e tênis e saí trotando com os gels, viseira e número nas mãos sendo instalados nos seus devidos lugares.

gel ainda nas mãos na saída da T2

Corrida

Comecei forte na festa da búzios. Impossível correr leve ali em qualquer das voltas. Na percepção claro. Segurei o ritmo um pouco e logo engatou, mas só até os morros. Subi tudo correndo exceto o da igreja, bem leve. Retorno em canas e voltamos pra jurerê e aí então passei na frente de onde estávamos hospedados.

Todo mundo lá, muito legal ver a família toda. Meu pai preocupado da demora, o Adriano perguntando o que houve e o Arthur correndo e gritando feito doido, fez todo mundo que estava perto rir. Uma coisa contagiante...

Fechei a primeira volta de 21 km já meio embrulhado, passei na búzios provavelmente azul achando que iria vomitar. Mas melhorou depois de dar uns belos arrotos e então abri a segunda volta.

De novo passagem em casa, mas agora estava chovendo e ventando, então a turma estava debaixo de umas cabaninhas de palha na praça dos teletubies, gritando sem parar.

Continuei embalado e exatamente no km 25 senti uma estranha pressão interna. À frente estava o posto de alimentação e logo atrás dele 3 casinhas químicas. Corri direto pra lá e fiz o serviço rapidamente. Do jeito que veio, foi: rápido. Quilômetro corrido em 7 minutos incluindo a parada no poço do fedor eterno.

Segui um pouco melhor mas com dores no posterior da coxa. Pedi um advil pro Palhares e segui pra fechar os 30 km. Interessante como a perspectiva muda ao botarmos a segunda pulseira de controle: agora é só fechar os 10 km finais !

Cara de não sei o que
Passei novamente na torcida da búzios, contagiante. Ironmind, Pé na Lama, amigos por todos os lados. Só correr ali no dia do iron já vale qualquer dor. Segui pra jurerê tradicional, voltei e passei na frente de casa de novo: ninguém lá, já deviam ter ido pra chegada.

A última volta doeu em tudo quanto é lugar, e eu só lembrava das palavras do Roberto: é pra procurar a dor. Então se estava doendo estava certo :-). Entrei na búzios pela última vez, novamente aquela galera que incendeia a gente.

Corri o km 41 a 4:50, coisa que não acontecia desde o 25. Encontrei e abracei o meu pai, depois parei com o Adriano e os pequenos, bati na mão de todo mundo que estendeu a mão pra mim, gritei feito doido e entrei no pórtico cambaleante e eufórico, aliviado, cansado, feliz e muito, mas muito satisfeito de ter terminado mais uma prova.


Logo vi a Daiane e a Laís na arquibancada, estavam lá na chuva desde sei lá que horas me esperando. Foi difícil não começar a chorar feito criança aquela hora. Subi na arquibancada pra dar um beijo nelas... de novo, muito obrigado !

Quando os staffs começaram a me arrancar dali, fui pra área de alimentação. Achei o Fabrício e fui pra massagem depois de comer alguma coisa, faminto que estava. Voltei pra praça de alimentação, achei todo mundo.

Na terceira vez que pediram saí dali hahah


Que hora e lugar incríveis aquele, é indescritível.

Saímos pra pegar a bike e mais fila. E frio. Liguei pra Daiane ir pra casa e depois de pegar todas as tralhas segui pedalando com tudo pendurado por 3 km até em casa.

Pós prova

Hoje quarta feira estou relativamente bem. Fiquei com os pés bem estragados, duas bolhas gigantes, uma unha prestes a cair e um buraquinho inflamado na sola. A musculatura estava bem ruim terça, mas melhorou muito na natação e mais ainda na massagem hoje cedo.

Ainda bem que o bem é relativo mesmo. O que eu menos quero é ficar 'inteiro' depois de uma prova como essas. Se for buscar o limite, vai doer e sequelar nos dias seguintes, não tem jeito :-).

Dados técnicos

Dizemos que nunca choveu em Florianópolis. Mas choveu em 2009. Pouco mas choveu na bike perto do cic. E sei disso por que o Arthur tinha então um ano e meio e ficou lá o dia todo, pegou chuva e frio e ficou grupadinho e com tosse. Desde um ano ele já participa do Ironman todo ano :-).

O clima foi um fator interessante. Deu neblina no mar e chuva na bike, depois vento e aí olho de sol e chuva na corrida. Certamente a chuva complicou o ciclismo com furos e quedas, infelizmente.

A alimentação foi boa. Dez gels e 4 medidas de GU endurance na bike, e mais um toco de banada e uns goles de gatorade. Na corrida, 4 gels e coca cola, muito pouca água. Na saída da T2 ainda tomei uma garrafinha com duas medidas de endurance e no km 26 tomei 2 bcaa e 1 advil. Talvez devesse ter levado algo comível na bike, senti falta das mariolas.

A roupa de borracha foi excelente, uma blueseventy sprint de 150 dólares bem melhor que a esgarçada mormaii de 7 anos. O uniforme da 3T também foi excelente, totalmente confortável e termicamente eficiente. Nada de frio. Nem calor, é óbvio.

A escolha do tênis foi errada. Fui com o Go Run Ultra Road. Deveria ter ido com o Go Run Ride 4. Acontece que o Ride é bem mais largo e imaginei que com chuva poderia dar bolhas por ficar 'frouxo'. Me ferrei. O pé ficou apertado já no início, quando tive que afrouxar o elástico. As bolhas foram nas laterais internas dos pés, a unha preta provavelmente da descida em canas com o dedo batendo na ponta dos pés.

A bike se comportou lindamente com graxa para rolamentos de cerâmica em tudo quanto é lugar e corrente nova. Menos os pneus, esses são uns miseráveis haha.

Sobre a prova em si: consegui executar o planejado apesar dos percalços. A bike saiu exatamente com a potência prevista. O tempo foi pro espaço, mas depois em casa vi que o tempo pedalado ficou bem perto do alvo. O ritmo foi certo até o km 130, mas daí em diante eu forcei mesmo a barra. Sabia que afetaria a corrida.

Corri razoável mas com algum desconforto o tempo todo. Deu o tempo igual a 2015, com 15 W NP a mais na bike, então acho que foi bom. Essa corrida ainda precisa aparecer em provas de iron.

Já a natação foi complicada, talvez a mais complicada de todas. As paradas pra arrumar os óculos e a neblina na primeira volta deram trabalho, mas o negócio foi bom ainda assim.

Aqui estão os tracks da prova, numa atividade multisport do garmin.

O sistema de largada em ondas ajudou. Aparentemente reduziu o vácuo, ou o efeito dele, que são tempos assustadores na bike. Ou foi a chuva, não sei. Mas no final das contas esse ano aparentemente foi um pouco mais lento que o ano passado. Coisa de 10-15 minutos.

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E foi bom. Sempre é bom, se não fosse não faríamos. Já escreveu Pessoa: Se quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor. Troque-se o Cabo pelo pórtico de chegada e tudo fica igual.


Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

8 anos, 7º ironman do Arthur

Obrigado de coração à minha família. Daiane, Laís, Arthur, sem vcs eu não existiria.

Meus pais e irmãos já estão cansados de ir lá me ver correr e não cansam, obrigado.

Aos amigos de treino, a parceria é fundamental e nesse ano eu evolui muito graças a vocês ! #retardadostri

Ao Roberto, o meu agradecimento por passar com maestria sempre novos conhecimentos e experiência.

E muito obrigado a todos pela torcida. Vocês não tem noção o quanto é legal. Bom, na verdade tem sim, mas obrigado do mesmo jeito haha.

Era isso amigos, encerramos esta transmissão por aqui. Até a próxima, que será bem próxima mesmo.

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quarta-feira, 18 de maio de 2016

A estranha época do polimento para o Ironman

É uma fase interessantemente estranha esse polimento. Os treinos encolhem em tamanho e as pernas parecem ter vida própria. É preciso segurar a vontade, pra soltar tudo no dia da prova. Que é 29 de maio neste caso.

Começa a sobrar tempo com os treinos mais 'curtos', só que ninguém conta pra fome que ela pode encolher na mesma proporção.

O período nos dá descanso e ficamos ansiosos achando que é preciso treinar mais. Só que não é. Os ritmos aparecem e isso serve pra dar confiança, mas só se tivermos confiança no que já foi feito, porque não tem mais muito o que fazer.

Mas muita hora nessa calma ! Como tudo na vida, pode ser uma faca de dois legumes: pode dar confiança, mas também pode criar falsas expectativas. Por isso, conheça a ti mesmo, pequeno gafanhoto !

É importante saber que os ritmos impressionantes dessa época são para serem usados em distâncias muito maiores. No dia da prova, tudo vai voltar a ser difícil, mas estaremos preparados. E é pra ser difícil mesmo, tudo que é feito com o máximo de empenho é difícil, por isso mesmo recompensador.

É hora de aproveitar a época, que é rara. Acumular energia, como uma mola sendo suavemente espremida para então soltar no dia D. É pra se sentir um leão enjaulado mesmo, doido pra largar. Enjoy !