sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Meia Maratona de Jurerê 2018

Acho que desaprendi a escrever logo em seguida das provas, ou então é o excesso excessivo de coisas por fazer. Mas de qualquer forma não passará em branco.

Essa meia maratona foi chave neste segundo semestre desprovido de provas. Até setembro somente o mundial de 70.3 e então uma tendinite chata nos calcanhares mais uma panturrilha empedrada e a sensação de ter esquecido como se corre me fizeram passar um mês tentando voltar minimamente.

Fui pra prova bem tranquilo só pra completar, nem que fosse passeando na praia. Mas claro que essa ideia só dura até alinhar pra largada. Ali é tudo ou tudo, não tem essa de entrar em prova pra brincar. Pode não sair a melhor performance da vida mas vai ter que sair o melhor que tiver pro dia.

Alinhei com o Roberto e o Rodolfo e largamos em direção ao P12. Eu tinha aquecido 5 min, tentando tirar a poeira das engrenagens. Comecei a correr ritmado e fui passando uns atletas até ficar num vazio e ver o Ricardo lá na frente. Seguimos pra jurerê tradicional e logo encostei nele e no guilherme e seguimos mais um pouco. Comecei a correr surpreendentemente rápido para as condições prévias e me empolguei. É difícil se livrar de referências de tempo e prestar atenção ao esforço. Mas parecia bom.

Contornamos pra Daniella e o Ricardo chegou de novo com o Guilherme. Alcançamos o Fabrício e seguimos num ritmo ligeiramente progressivo pelo pontal e praia, num pelote coeso e bem constante. Ali alguém perguntou 'cadê o Roberto'...

Consegui correr firme e ao entrar nas trilhas fiquei pra trás instantaneamente. Absolutamente sem o traquejo de outrora, logo escorreguei de cara no chão, parando nas mãos. Todo mundo sumiu e quando cheguei na praia do forte encostei de novo no Fabrício, mas aí tinha aquela parede pra subir e ele vazou saltitando na ponta dos pés e eu fiquei afogado já com dores nas batatas e tendões. Desci todo manco rumo ao P12 quando vi o Roberto vindo no encalço.

Aparentemente o chefe começou a suar só dos 15 km em diante e veio na caçada. Me passou no começo da praia e abriu minutos até a chegada, pegando todo mundo à frente exceto o Guilherme.

Foi uma prova excelente pra re-estabelecer alguma confiança na corrida e chave para as próximas competições. Não foi sem dor mas foi bem razoável, e o ritmo até que não foi uma desgraça completa. Fiz o que dava, mas não dava muito. Mas sendo o que dava, ficamos extremamente satisfeitos. O ambiente de prova e a competição saudável entre amigos é sempre muito legal.

E dessa vez a corrida foi em família. A Daiane e a Laís correram pela primeira vez uma prova junto comigo, muito legal. Conseguiram se divertir bastante :-).


Antes

Depois
Pódio

Acho que foi a primeira corrida da Laís

Saca só o sorriso maroto do chefe kkkkkk

sábado, 22 de setembro de 2018

Mundial 70.3 África do Sul !

Mundial é sempre especial, e num dado momento me peguei torcendo o cabo na corrida, apesar da dor maluca no tendão de aquiles e panturrilha direitos. Não é todo dia e tem que fazer valer !

Essa prova foi espetacular. Um dos ironman mais bem organizados que já vi, percurso 100% fechado e desafiador e um visual no ciclismo de embasbacar. Corrida plana e rápida exceto umas subidinhas nas extremidades e natação sensacional, gelada e transparente.

A África do Sul é um capítulo à parte e talvez eu faça um post sobre a viagem, mas por hora vamos ao dia 2 de setembro, mundial de Ironman 70.3 em Nelson Mandela Bay, África do Sul.

Port Elizabeth é uma cidade muito acolhedora para um evento desse porte, dois dias com tudo fechado para a prova (feminina sábado e masculina domingo). Povo acolhedor, torcendo na chuva (na masculina) e organizando tudo com esmero.

Minha largada foi absurdamente tarde: 9:29 da manhã e ainda por cima em rolling start. Depois de preparar a T1 voltei pro hotel, comi de novo, dormi, alonguei e descansei até cansar. Fui pra largada que era bem perto e alinhei bem na frente, me achando o esperto.

Largada animada com música local e eu lá nas cabeças. Seria a 4ª bateria a largar quando vi a plaquinha de SUB 25 min. Olhei pra trás e lá iam sub 26, 27, 28, 29, 30, ou seja, os locais pra largar pelo tempo que você acha que fará. Certamente eu não iria nadar abaixo de 25 min.

Larguei afobado e sem ninguém dos lados, 8 atletas a cada 15 segundos. Comecei a ver uns torpedos passarem na água cristalina e gelada do oceano índico. Ninguém à frente e só uns raios passando. Não consegui nadar em nenhum pé, todos que passavam eu não acompanhava, os do meu ritmo aparentemente largaram no lugar certo e só chegava nos mais lentos das largadas anteriores.

Então nadei bem reto pra compensar e saí da água em 31 minutos, com os pés insensíveis e tentando correr com a sensação de ter os tornozelos direto no chão. Corridinha longa, peguei a bike e vazei rápido.

Saída em subida, depois aliviava e então começava a primeira subida de 10 km, a maior da prova. Segui firme nuns 90-90% do FTP sendo ultrapassado como um cone por alucinados com bandeiras suíças, inglesas ou alemãs nas roupas :-) ! Inacreditável o ritmo dos atletas num mundial. Se você pensar, tem 150 ganhadores de categoria mundo a fora nessa prova, fora os 2, 3 (acho que deve ficar nisso a quantidade de vagas na maioria das provas classificatórias).

Comecei a descer forte e fui sacudido por uns ventos, e então a bike começou a vibrar bastante. Estava sem o edge então nem sei a que velocidade estava, só sei que resolvi não me arrebentar e passei a descer tudo fora do clipe com cuidado redobrado em função da chuva. O asfalto lá era muito rugoso e áspero, causando uma vibração estranha em alta velocidade.

Segui na auto estrada até entrar nas vias secundárias no sobe e desce costeando as praias, que visual animal mesmo com chuva ! Mais sobe e desce e numa descida vi o Rodolfo já voltando. Segui em mais morrinhos de 100m de desnível em sequencia e então passamos no pé das dunas gigantes para fazer o retorno numa subida ! Bom que não precisa de ninguém mandando reduzir a velocidade hehehe. De lá seguimos por outro caminho até a cidade, com os últimos 20 km planos com leve vento contra.

Chegando na T2 uma multidão corria. 2800 atletas indo e vindo em um loop de 10 km causa uma certa aglomeração espalhada de gente. Transitei rápido mas tive que parar para um xixi na casinha.

Comecei a correr com uma dor muito forte na panturrilha direita, ela parecia ir se embolando a cada passo. Logo cheguei no km 2,5 na primeira subidinha e soquei a bota e desci voando, agora sentido o aquiles.

O percurso era rápido mas eu não, fui do jeito que dava e na metade da última volta resolvi correr o máximo de tempo possível no limiar do desespero. Deu certo e consegui aumentar um pouco o ritmo no final, fazendo umas ultrapassagens e chegando em sprint com uns caras que não sabiam da minha posição na prova assim como eu não sabia da deles.

Corri sem praticamente ver relógio nem paces, mas imaginava fechar numas 4h40 dado o pedal lento, mas vi 4h49 no pórtico. Sem a menor ideia de posição, assustei quando vi 90 na categoria, coisa impressionante. Os outros 300 e tanto estavam todos embolados, assim com todos à frente até os primeiros 5 que destoaram completamente. Prova dura e linda, como tem que ser. Condições não ideias e dia perfeito dentro das possibilidades.

Nadei no oceano índico cristalino, pedalei na costa selvagem sul africana e corri na orla de uma cidade acolhedora e sensacional. Fiz o melhor que podia, deixei até a última gota de esforço que tinha para o dia. Não poderia querer nada melhor.

Bora em frente, rumo às próximas ! Muito obrigado a todos que torceram a ajudaram a tornar mais esse sonho realidade.

Dados técnicos
Comi 5 gels e 1 medida de dux endurance, além de um pouco de coca cola e redbul na corrida. Não me senti fraco em nenhum momento. Acho que foi ideial.

Essa foi diferente. Normalmente eu faço a prova logo ao chegar e vou turistar depois. Dessa vez foi diferente, fui turistar 10 dias antes e foi divertido ao extremo, porém em termos de desempenho é visível a diferença no rendimento. Tudo bem que pedalar 75 km na sexta feira só com meio litro dágua não foi inteligente, era melhor ter ficado mesmo 12 dias sem pedalar kkkkk. Mas eu me perdi, tenho isso em minha defesa :-).

Resultados oficiais aqui.

Swim 00:31:36
Bike 02:36:14
Run         01:34:14
Overall 04:49:53

Saída água em 125 (achei que tinha nadado bem !), saí da bike em 89 e miseravelmente consegui perder posição na corrida :-).

Fotos


















quarta-feira, 6 de junho de 2018

Ironman Brasil 2018

É incrível como há uns 3 ou 4 anos sempre acho que fiz a melhor preparação da história para um Ironman. Todo ano ainda evoluindo, isso é fantástico. Mas esse ano foi especial. Bem focado, só com duas provas no primeiro semestre fora o Iron e muito cuidado com detalhes.

Um ciclo que foi praticamente perfeito, com zero lesão (não ausência de dor ou problemas :-), treinos longos 100% executados e um foco a mais no ciclismo. O Roberto preparou um volume ligeiramente maior do que eu estava habituado com treinos de qualidade nas trẽs modalidades sempre e bastante especificidade. Um 70.3 no caminho confirmou que o negócio estava certo.

Numa prova tão longa quando um iron tudo pode acontecer, e várias coisas podem acontecer ao mesmo tempo. Mas o mais importante é tirar aprendizado de tudo e manter (sempre que possível) o foco no plano, em controlar o que podemos controlar e nos adaptar às situações externas que fogem ao nosso controle. Minimizar o erro, mas aprender com eles. Reorganizar as metas mas continuar tendo metas. Conseguir se desafiar em uma prova perdida e ainda assim sair satisfeito por ter feito o melhor. Tirar o melhor da situação sem se conformar com não ser o melhor. E acima de tudo, lembrar porque eu faço isso: porque eu gosto ! Simples assim.

A semana pré prova foi especialmente atribulada, muitos detalhes e trabalho, mas tudo zen na medida do possível. Cuidado com a imunidade, revisões preventivas com o Èder na Quiron Saúde (sim, antes de estragar, alinhar, prevenir e recuperar muito bem). Alimentação bem feita e sono na medida do suportável :-).

Consegui nadar às 7:00 na quinta feira e depois só fui pra Jurerê sábado a tarde estranhamente tranquilo. Fiquei hospedado no Palhares e na Dani e deixei a bike às 19 horas. Consegui jantar e dormir muito bem.

Ao sair de casa acabei achando uma câmara que não coube no kit de ferramentas e pensei em por na sacola de ciclismo pra levar no bolso, mas a caminho da transição joguei a bendita dentro da sacola do special needs do ciclismo. Essa decisão simples me assombraria horas depois.

Ajeitei todas as coisas na tenda, botei na bike toda a suplementação milimetricamente preparada pela Jana. Foi o primeiro ano com acompanhamento nutricional e a diferença em tudo foi enorme !

Voltei pra casa do Palhares e depois saí muito tranquilo pra praia e aqueci 5 min no mar antes de ir pra largada, encontrando a galera toda e logo em seguida a turminha de casa que foi lá me ver pelo décimo ano ! Amo vocês meus amores, essa energia é fundamental e indescritível.

Larguei bem e decidido a tirar o melhor custo benefício na etapa de natação, nadando reto e tentando pegar uma esteira boa, sem apanhar ou me enroscar em outros atletas. Tudo certo até o início da segunda volta, quando vi a dispersão de cabeças coloridas devido à corrente. Nadei totalmente sozinho para nadar reto e saí da água com 58min e bem satisfeito.

Transição relâmpago em 3min25seg e então saí pro pedal. A única coisa que eu queria era não ter que por o pé no chão e fazer o que tinha feito nos treinos, mas eu não havia treinado para o que viria a seguir :-).

Logo no início fiquei assustado com a quantidade de atletas parados com pneu furado. Fiquei procurando algum acidente com carro e vidros ou cacos de lanternas, mas tinha atleta a cada 200 m. Estranho. E então no elevado de jurerê ficou estranho pra mim também. Pneu traseiro esvaziando. Com toda a calma, achei o preguinho e tirei. Ainda havia ar e então usei o selante, girei o pneu e coloquei de novo e então botei o CO2. Ficou duro feito uma pedra. Oba, não perdi nem 2 minutos !

Segui empolgado pra SC-401 e passei literalmente voando em cima do tablado que existia pra passar o canteiro. A garrafa traseira de suplementação decolou. Ainda a vi girando no asfalto, mas o enxame de atletas vindo a seguir em descida e ainda por cima em curva eliminaram qualquer intenção de voltar na contra mão para buscá-la.

Fiz contas nutricionais e conclui que os dois geis adicionais dariam conta do carbo e bastaria um gatorade pra equilibrar os eletrólitos que fugiram. Ou não.

Segui até canasvieiras muito forte e comecei e encaixar o ritmo, retornei e um km depois pneu no chão de novo. Muito calmamente troquei e gastei o último CO2 e segui tentando evitar pensar em prejuízos ou recuperar, a prova estava só começando. Então logo ao descer o elevado da vargem tudo no chão outra vez. "Puta que pariu, o que é dessa vez" ?! Nessa hora tive um frio na espinha ao lembrar da cena da minha mão depoistando a outra câmara na sacola laranja... só tinha uma câmara e o pitstop que não stopava nada. Logo eu que sempre ando com três câmaras em treino e na prova ainda deixo uma com pneu, CO2 e ferramentas no special needs, mas a sacolinha salvadora estava a 30 km de distância.

Tentei aplicar o pitstop mas nem enchia o pneu. Conclui que era um furo grande e berrei a plenos pulmões.... "Imbeciiiiiiiiil" ! Nada de motos, então com a calma de quem revira o cesto de lixo procurando papel higiênico menos usado, recoloquei a câmara anterior e enchi com o que restava de ar no pitstop e segui esvaziando, até esvaziar tudo. Aí vi uma atleta com um apoio arrumando o pneu, mas o apoio só estava ajudando ela a trocar e não tinha nem bomba nem mais CO2.

Então lembrei que tinha uma tenda shimano no pedágio no ano passado e saí pedalando com pneu oco até lá, a traseira dançando e todos os atletas avisando que 'tá com o pneu furado'. "Sério ?? E aí, tem uma câmara pra emprestar :-)" ?

Chegando na tenda azul acabei achando uma roda com cassete de 10V, troquei e segui para finalmente começar a prova. Ao ver o garmin com 24km/h de média, pensei que o dia seria longo ou dolorido, uma das duas coisas, ou as duas juntas. Felizmente foi só a segunda, pois estatisticamente estaria com crédito para fazer mais 10 ironman sem parar pra nada, depois de ter parado 5 vezes em 30 km.

Voltei ao plano só pensando em pedalar como deveria, e fui indo, indo, indo, fechei a primeira volta em 2h46 e segui percebendo a elevação eólica que se instalava. Largar 7:25 e ainda ficar 22 min parado é um acoisa que amplifica o vento no final do ciclismo.

No final a coisa foi boa, eu consegui manter bem a potência e a normalizada geral no que deveria fazer, ficando pouca coisa acima do alvo. Mostrou que o treino estava nos trinques, consegui fazer um pedal desastrado em 5h20 e segui para a corrida todo empenado e esfomeado.

Novo recorde de transição em 2min34seg e fui pra maratona decidido a fazer a meia mais forte e na percepção. Praticamente não olhei garmin, nem nos laps e só na descida pra canas que vi o pace.

Por algumas vezes o Palhares me deu as parciais e me disse que eu estava ganhando posições rapidamente depois de sair da T2 em 40º. Esse sabe motivar, e me vi perseguindo alguém virtualmente, com uma nova meta de tentar ganhar posições a cada vez que ele me achava.

A segunda volta foi mais lenta, passei no banheiro para número 1 por 30 segundos e tomei uns copos cheios de pepsi. Consegui ingerir 5 gels e a coca começou a cair bem. Apertei um pouco a última volta e saiu melhor. Ao virar na Búzios fui ver o tempo de prova e eram 9h52min. Aí uma nova meta se instaurou, que foi fechar antes das 10 horas. Do nada saí acelerando em busca de um número inútil, mas que representaria o esforço derradeiro de fazer varias limonadas de um limão. Um objetivo depois do outro, sempre com um objetivo.

Uma maratona de Ironman é uma coisa rara. É um lugar onde a gente bota toda a energia do mundo pra tentar correr num ritmo que é difícil de fazer em treinos leves. É onde a prova se decide e onde só dependemos de nós mesmos, e ainda assim é cheia de altos e baixos. Não há quem não sofra ali, e eu sempre quero acabar até chegar no km 40, mas dali em diante quero esticar a sensação o máximo possível, e é a chegada que vem correndo pra mim e não eu até ela. É onde a gente bota tudo o que tem e mais um pouco pra simplesmente continar indo.

Corri o tempo todo bem focado, raramente usando energia pra outra coisa que não por um pé na frente do outro. Alguns sorrisos saíram mas desculpem a falta de retorno nos gritos e acenos. Ouvir aqueles "bora pinaaaaaaa" por onde passava ajudava demais. Muito obrigado a todos que torceram.

E aí cheguei relativamente acabado em 3h33min. Estava meio zonzo há alguns km e realmente desabei dessa vez, sendo a primeira que fui parar no soro. Uma prova linda e difícil, valorosa como poucas.

Nosso controle vai até onde podemos controlar, nossas decisões tem impactos e não podem ser desfeitas. O que temos que fazer é dar um jeito de transformar tudo que deu errado em algo positivo, permanecer motivado e continuar em frente, porque lá na frente sempre vale a pena.

A todos que fizeram essa festa, parabéns pra vocês !! Se propor e realizar, buscar e atingir. Parabéns e obrigado pela parceria nessa labuta divertida.

Gean Hoffmann, obrigado pela parceria de sempre no cuidado com a bike !!!!
Éder, você é fora de série no cuidado e atenção com os atletas ! Muito obrigado por tudo !

Obrigado de coração Daiane por toda a paciência do mundo e cuidado com nossos pequenos enquanto eu treino. Agora vamos descansar. Até a semana que vem :-).


Ao ver isso na subida de canajurê senti como essa prova desperta essa empolgação em todos. Muito obrigado Éder !!!!!

Torcida 10x Ironman

Ali de braços levantados, saudando a Daiane lá no mar e o próprio mar !

"Pina tá cheio de sal na bermuda, cuida da suplementação", disse o Palhares.
"Ah, não esquenta, é espuma do pitstop".
Era sal sim.

To T1

Abraço pré largada

That finish line !

Classica. Nessa hora pensei em pegar a câmara no special needs mas lembrei que nem sabia se a roda era clincher ou tubular... então não parei

That's It !

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Ironman 70.3 Florianópolis - arriscando sem medo

Pra quem quer só ver o resultado e tiver preguiça de ler, taí. Pode pular pras fotos no final hahaha
No caminho para o Ironman havia um meio, havia um meio no caminho para o Ironman.

Evento de várias primeiras vezes: primeiro Ironman 70.3 Florianópolis, primeira vitória na categoria numa prova de grande porte, primeira prova longa na 45-49, primeiro exame anti-doping, melhor tempo num 70.3, melhor corrida num 70.3, melhor potência na bike. Comecemos rapidamente pelo início de forma sucinta, pois os treinos estão deixando a atividade de relatar as provas mais difusas que o normal.

Foi uma baita prova do início ao fim, extremamente bem executada sem medo de ser feliz. Sexta feira fui pra casa do meu pai nos ingleses pra facilitar a logística e no sábado fiz o tradicional treino de 10 min nas três modalidades pra ativar o corpo, depois de uma sexta feira longa mas sem treinos. Fiz em jejum porque acordei tarde e não sei como alguém consegue :-). Simplesmente havia uma cratera no meu estômago.

Congresso, retirada de kit com fila e então uma sessão de quiropraxia na Quiron Saúde que me deixou alinhado para a prova. Ainda na sexta havia trocado as últimas informações com o chefe e alinhamos a estratégia da prova, então restou a tarde para descansar e esperar a hora do bike checkin estudando o startlist. A noite a Daiane preparou uma massa pra turbinar o glicogênio e fui dormir tranquilo. Acordei todo mundo as 4:30 e fui pra largada.

Pré prova tranquilo e digestivamente ativo como sempre. Aqueci muito pouco no mar e fiquei mais de 10 min alinhado para a largada, coisa chata haha.

Prova


Largamos alucinados, todos aloprados como sempre é uma largada. Só que nos ingleses diferentemente de jurerê existem muitos buracos na areia, e então foi um tal de nada levanta corre fura onda e engole água até começar a nadar direito, quando agarrei numa esteira confortável até a primeira boia. Nadei legal até a segunda e então fiquei perdido na terceira, achando que estava fazendo uma barriga ao ver uma tripa de gente à minha esquerda. Nadei sozinho até o final e como vi várias toucas amarelas achei que tinha nadado muito mal (esqueci que larguei junto da 30-34). Saí meio puto pra transição e comecei a pedalar muito forte, a ponto de chegar no topo do morro com 280 W NP, o que é uma cagada.

Já na SC401 eu não via ninguém e segui forçando no que tinha conversado com o Roberto. Achava que estava muito pra trás e lá perto da UFSC é que tive alguma visão dos outros atletas e não eram tantos assim à frente.

Continuei pedalando forte e apareceu uma dor inédita na panturrilha esquerda. Não entendi e continuei forçando pra ela desaparecer. Aí lá nos túneis realmente vi onde eu estava e fiquei mais tranquilo. Só ali comecei a entender a prova e então os abdutores começaram a gritar, outra coisa estranha.

Quando comecei a voltar com o nordeste levantando apertei até não poder mais, pedalando na nítida sensação de estar andando no fio da navalha. Nunca tenho caimbras mas a sensação é que seria atacado por várias a qualquer momento.

Foi o trecho que mais ultrapassei gente, muitos atletas mesmo. Todo o trecho até canasvieiras clipado e com potência maior do que a ida. Incrível como ter o que gastar no terço final dá resultado.

Transitei pra corrida muito rapidamente e logo encaixei um ritmo que durou até os 8 km, sem olhar relógio. Ao sair pra correr meu pai falou algumas coisas todo empolgado, e eu achei ter ouvido que estava em segundo lugar, mas estranhei ele saber disso hahaha. Lá no km 6 o Matheus me falou a mesma coisa e já cantou o nome e distância do primeiro atleta. Aí então comecei a achar que estava mesmo em segundo lugar. Tinham duas vagas, então algo bom já estava acontecendo.

Com 10 km o ritmo deu uma entortada mas aí vi o primeiro atleta e sem pensar acelerei para passar. Aí não pensei mais nada e segui o melhor que dava. Poderia ter alguém no encalço, e mesmo se não tivesse ainda havia eu mesmo pra ganhar de mim. Afinal, a primeira batalha é contra a gente mesmo.

Na terceira volta todo mundo já gritava, a Daiane e a Laís já diziam que eu estava em primeiro, a galera da Ironmind agitava tanto na passagem que dava pra sentir a aceleração. Segui do jeito que dava, aí sim olhando o relógio o tempo todo, pois nessa hora isso me ajuda a focar... é incrível como relaxar um pouquinho já faz o ritmo cair e no final cada segundo conta, e como conta.

Cheguei no que talvez tenha sido uma das provas mais bem executadas, tudo absolutamente no que era possível para o dia, arriscando sempre um pouquinho mais. Que sensação impagável !

Logo encontrei a turminha toda do outro lado da cerca, que coisa fantástica. E aí depois de me despedir fui agarrado pelo braço para ir ao antidoping ! Finalmente uma prova com teste de amadores, foram 6 ao que fiquei sabendo. Muito bom ter esse tipo de controle nas provas de Ironman.

Só que a coisa não foi tão simples, era preciso ter documento e eles estavam a 2 km de distância. Tive que achar a Daiane e pedir pra elas irem correndo buscar. Enquanto isso fiquei lá em cima no local do teste com um staff me olhando, tendo que armazenar o xixi que queria sair desde o meio da corrida kkkkk. Documentos em mãos, protocolo cumprido e aí então fui comer alguma coisa e arrumar as tralhas. Fui pedalando pra casa e já cheguei lá com o almoço pronto. Eu era uma arma de destruição de comida em massa !

A noite teve a premiação e a rolagem das vagas, que foi devidamente agarrada pois essas oportunidades não devem ser desperdiçadas haha. Que dia !

Como nunca fazemos nada sozinhos, não tenho como não agradecer à Daiane que tira paciência de Júpiter pra me aguentar. Junto com os melhores pequenos torcedores do mundo, ficou lá o dia todo torcendo e dando força. Muito obrigado meus amores.

À equipe Ironmind, muito obrigado pela torcida, fantástico passar por vocês a cada volta. Obrigado coach pela preparação perfeita como sempre, e Éder, você me salvou pra essa prova de forma que nem imagina :-).

Por hoje é só pessoal, a próxima postagem será sobre o Ironman Brasil. Até lá.

Dados


Tomei 1 1/2 medida de Dux Energy com Beta Alanina na bike, com mais 3 gels. Na corrida foram 2 gels e um gole de coca cola. Só peguei uma garrafa dágua pois saí com uma cheia mais o carbo.

A bike foi fortinha, com IF .88. Melhor NP e AVG de um 70.3. Melhor corrida da história em 1h29min20seg. Natação que achei ruim foi relativamente boa com 30 min e 12o lugar. Saí da T2 já em 9 e entreguei a bike em 2, chegando em 1 na 45-49 e 52 geral com os 14 da elite.

Estranhamente a potência foi maior e a média menor que no challenge, mas acho que está bem explicado pois tem mais altimetria (a subida vindo dos ingleses é longa e lenta) e havia um vento safado e oculto.

Fotos


Pódio e vaga, isso até que é muito legal hahaha

:-D

Uma baita estreia pra prova que veio pra ficar !

Voando pra chegar, ouvi passos vindo !

O gile quando não corre apita ! Agora é árbitro ! Valeu parceiro !

Pequeno homem acordou as 6 e a noite estava desmontado

Até rolou um sprint na chegada

Logo ao chegar encontrar vocês vale por tudo !

Já indo fazer xixi no potinho

Tem algo errado, não tem carete

Posso dizer que fiz força do início ao fim e mandei as pernas calarem a boca


Descendo alucinado. Cada segundo conta.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Consistência e controle de treinos indoor

O ROLO 
Como já é amplamente conhecido e divulgado, o Rolo indoor é uma ótima ferramenta para controle dos treinos e não apenas um substituto para casos de dias de chuva. Eu ainda não evolui espiritualmente para conseguir fazer os longos nele (até porque nesse caso o controle não é muito necessário), mas para os treinos de intensidade durante a semana é minha opção em 100% dos casos.

Uma coisa muito legal é que podemos controlar os parâmetros o tempo todo do treino sem preocupação com segurança etc. Tipo, ficar na cadência de 80 RPM, não 78 ou 81 como diz o Roberto nos treinos de sábado :-).

Também é possível fazer alguma coisa com a parte do cérebro que não controla os músculos, como ver um filme, documentário ou show.

Mas realmente a repetitibilidade e controle saltaram aos olhos neste treino de ontem. A série era bem simples, 3 blocos de 9 minutos com potência de 80% do FTP, baixando uma marcha a cada repetição. Como a potência ficaria constante, a cadêcia cairia. E caiu cerca de 5 RPM por série.

E então eis que a FC não subiu (normalmente sobe um pouco pelo aquecimento) e sim caiu no último bloco de cadência mais baixa. Muito interessante, isso mestra a possibilidade de jogar com as variáveis numa prova, pois temos a chance de gerenciar melhor o desgaste muscular versus o calor, etc, etc. E mostra principalmente que o treino prescrito tem um objetivo bem claro.



Potência versus FC
FC versus cadência


Em números os que os gráficos acima dizem



terça-feira, 6 de março de 2018

Olímpico Heróis do Triathlon Penha 2017

É raro uma prova ensinar tanto e ser tão divertida ao mesmo tempo como foi essa. Um olímpico com vácuo no local do antigo 70.3 Penha e atual GP Extreme, um baita percurso com excelente estrutura e com duas transições, uma na praia e outra no kartódromo.

Muito interessante correr tão perto do limite o tempo todo. Vamos à historinha.

Saímos de Floripa no absurdo horário de 3:50 da madrugada, quando pessoas de bem ainda dormem. Pegamos uma baita chuva perto de Camboriú e então chegamos em Penha pra organizar as tralhas. O kit havia sido pego pelo Jean no dia anterior. Logo ao estacionar um quase desastre: deixei a roda traseira do carro a centímetros de um buraco gigante no asfalto, teria que achar um guincho pré prova.

A largada atrasou um pouco e o efeito laxante desse momento se fez presente. O problema era o estado do banheiro, algo inenarrável mesmo para almas habituadas a banheiros químicos e silvestres. Coisa terrível mesmo.

Aqueci pouca coisa e fui alinhar. Largou no desespero máximo e agarrei um pé que depois vi ser do Fabrício, mas que sumiu logo após a primeira bóia. Tá nadando demais o Camarguinho ! Então na saída da água vi o Roberto e tentei ficar com ele, o que consegui quase até a segunda bóia, quando desgarrei e no esforço hipóxico de tentar reagrupar e dei de cara na boia por nadar umas braçadas sem olhar. Meio que enrosquei nas cordas e levei a dita cuja na cabeça, finalmente contornei direito e segui pra praia a tempo de ver o Roberto saindo.

Saí da T2 e logo o Couto passou, tentei acompanhar e numa leve subidinha pra pegar a rodovia ele e o Roberto deram uma cacetada que tive que fazer força pra acompanhar. Eu grudaria naquelas rodas até não poder mais.

E foi um ciclismo alucinante. Ataques do Roberto e Massaranduba o tempo todo, revezei algumas vezes e seguimos ganhando terreno com uma intensidade ardida. Incrível o poder do vácuo, isso se mostra nos batimentos cardíacos. Mas também é incrível o que pedalar com um grupo mais forte pode fazer.

Em certo momento quando embolamos com mais gente acabamos errando o percurso, quase começamos a descer rumo a BR norte. O Roberto passou um pouco mais, eu subi pela grama da descida do acesso e foi uma confusão até o retorno no final do acesso à BR sul.

Depois disso seguimos revezando e a locomotiva humana logo voltou, partindo ao meio o pelote que tinha aumentando, bem na subidinha pouco antes dos retornos intermediários.

Bati todos os recordes de tudo, de potência normalizada, média, e velocidade e de tempo de ciclismo pra um olímpico, além de queimação nas pernas. Na terceira volta (eram uma longa até a BR 101 e duas curtas até um retorno), o Roberto atacou e apesar de ter dado 300W de média por 5 min tentando buscá-los, desgarrei desgraçadamente.

Forcei até não poder mais e vi que aproximava ao final, quando o pelote de 4 atletas (havíamos pego o Thomas que pedalara sozinho até o km 24) reduziu pra chegar. 

Pra meu desespero a palmilha do tênis entrou e embolou toda na frente, tive que descalçar pra arrumar vendo todo mundo se distanciar. Saí forte e logo passei 2 que tinham me passado na transição, ainda dentro do kartódromo.

Segui pra única volta de 10 km num vai e vem com o parque do beto carreiro no centro. Comecei a afogar no km 2 e dei uma segurada. Segui tentando manter o máximo suportável e ali pelo km 5 consegui aproximar do Roberto. Pensei se ultrapassava ou ficava e então passei. Segui o mais forte possível tentando abrir do Chefe pra evitar desesperos desnecessários na chegada :-). O km 8 foi especialmente cruel, pois eu não estava olhando nada do garmin e pensei estar terminando, mas passamos pelo kartódromo umas centenas de metros, voltamos e então ainda tivemos que dar uma volta completa lá dentro. Reduzi bastante o ritmo e quando entrei no circuito vi dois caras se aproximando vindos não sei de onde. Sprintei bem longe da chegada e cheguei com os amigos a 7 e 20 segundos atrás, vindos alucinados num sprint particular numa corrida muito mais forte. Foi quase haha.

Uma baita prova, reunião de amigos não só de Floripa mas do estado todo e paraná, startlist forte e alto nível técnico. Fiquei extremanente feliz com o resultado, pois além de saírem números muito bons a competição foi da melhor qualidade o tempo todo, e poder andar junto do Roberto é um aprendizado ímpar. Não é só força que faz a diferença, triahlon é um esporte complexo onde experiência e inteligência valem tanto quanto capacidade física. Que dia sensacional !

Parabéns a todos que correram essa prova, e obrigado especial ao Éder que foi torcer e acompanhar a viagem, tornando tudo mais fácil nesse vai e vem frenético de Floripa-Penha-Floripa.

Treine até que seus ídolos se tornem seus adversários.

Até a próxima.

Números


Resultados: 18º geral e 2º na estreia na cat 45-49 anos. 2h13min, natação 1600 m, bike 41,5 km e corrida 10,2 km. Garmin aqui

Alimentação foi pouca. Uns goles de VO2 na bike e água. Estava muito tenso pra comer hahah. Foi basicamente isso e um gel na corrida, pois no km 5 fiquei com medo de desmaiar.

A natação foi legal, saí com um grupo forte pra pedalar e bem perto de atletas referência. Procurei ficar o máximo possível em esteira e acho que deu resultado, pois não cansei demais e saiu um tempo relativamente bom.

Os números da bike me deixaram bem satisfeito. NP 270W, IF de 0.97 bem perto do teórico pra 40 km. Claro que a média foi baixa, 247 W, mas com vários blocos bem altos. A FC deu ridiculamente baixa dado o vácuo mas os últimos 10 min buscando o grupo deram uma porrada forte nas pernas.

A corrida foi boa mas fraca. Acho realmente que a busca na bike ferrou alguma coisa, pois corri bem aquém do habitual num olímpico. O resultado é o que importa, mas essa corrida tem que aprender a ser boa mesmo com a bike alucinada :-).