terça-feira, 6 de março de 2018

Olímpico Heróis do Triathlon Penha 2017

É raro uma prova ensinar tanto e ser tão divertida ao mesmo tempo como foi essa. Um olímpico com vácuo no local do antigo 70.3 Penha e atual GP Extreme, um baita percurso com excelente estrutura e com duas transições, uma na praia e outra no kartódromo.

Muito interessante correr tão perto do limite o tempo todo. Vamos à historinha.

Saímos de Floripa no absurdo horário de 3:50 da madrugada, quando pessoas de bem ainda dormem. Pegamos uma baita chuva perto de Camboriú e então chegamos em Penha pra organizar as tralhas. O kit havia sido pego pelo Jean no dia anterior. Logo ao estacionar um quase desastre: deixei a roda traseira do carro a centímetros de um buraco gigante no asfalto, teria que achar um guincho pré prova.

A largada atrasou um pouco e o efeito laxante desse momento se fez presente. O problema era o estado do banheiro, algo inenarrável mesmo para almas habituadas a banheiros químicos e silvestres. Coisa terrível mesmo.

Aqueci pouca coisa e fui alinhar. Largou no desespero máximo e agarrei um pé que depois vi ser do Fabrício, mas que sumiu logo após a primeira bóia. Tá nadando demais o Camarguinho ! Então na saída da água vi o Roberto e tentei ficar com ele, o que consegui quase até a segunda bóia, quando desgarrei e no esforço hipóxico de tentar reagrupar e dei de cara na boia por nadar umas braçadas sem olhar. Meio que enrosquei nas cordas e levei a dita cuja na cabeça, finalmente contornei direito e segui pra praia a tempo de ver o Roberto saindo.

Saí da T2 e logo o Couto passou, tentei acompanhar e numa leve subidinha pra pegar a rodovia ele e o Roberto deram uma cacetada que tive que fazer força pra acompanhar. Eu grudaria naquelas rodas até não poder mais.

E foi um ciclismo alucinante. Ataques do Roberto e Massaranduba o tempo todo, revezei algumas vezes e seguimos ganhando terreno com uma intensidade ardida. Incrível o poder do vácuo, isso se mostra nos batimentos cardíacos. Mas também é incrível o que pedalar com um grupo mais forte pode fazer.

Em certo momento quando embolamos com mais gente acabamos errando o percurso, quase começamos a descer rumo a BR norte. O Roberto passou um pouco mais, eu subi pela grama da descida do acesso e foi uma confusão até o retorno no final do acesso à BR sul.

Depois disso seguimos revezando e a locomotiva humana logo voltou, partindo ao meio o pelote que tinha aumentando, bem na subidinha pouco antes dos retornos intermediários.

Bati todos os recordes de tudo, de potência normalizada, média, e velocidade e de tempo de ciclismo pra um olímpico, além de queimação nas pernas. Na terceira volta (eram uma longa até a BR 101 e duas curtas até um retorno), o Roberto atacou e apesar de ter dado 300W de média por 5 min tentando buscá-los, desgarrei desgraçadamente.

Forcei até não poder mais e vi que aproximava ao final, quando o pelote de 4 atletas (havíamos pego o Thomas que pedalara sozinho até o km 24) reduziu pra chegar. 

Pra meu desespero a palmilha do tênis entrou e embolou toda na frente, tive que descalçar pra arrumar vendo todo mundo se distanciar. Saí forte e logo passei 2 que tinham me passado na transição, ainda dentro do kartódromo.

Segui pra única volta de 10 km num vai e vem com o parque do beto carreiro no centro. Comecei a afogar no km 2 e dei uma segurada. Segui tentando manter o máximo suportável e ali pelo km 5 consegui aproximar do Roberto. Pensei se ultrapassava ou ficava e então passei. Segui o mais forte possível tentando abrir do Chefe pra evitar desesperos desnecessários na chegada :-). O km 8 foi especialmente cruel, pois eu não estava olhando nada do garmin e pensei estar terminando, mas passamos pelo kartódromo umas centenas de metros, voltamos e então ainda tivemos que dar uma volta completa lá dentro. Reduzi bastante o ritmo e quando entrei no circuito vi dois caras se aproximando vindos não sei de onde. Sprintei bem longe da chegada e cheguei com os amigos a 7 e 20 segundos atrás, vindos alucinados num sprint particular numa corrida muito mais forte. Foi quase haha.

Uma baita prova, reunião de amigos não só de Floripa mas do estado todo e paraná, startlist forte e alto nível técnico. Fiquei extremanente feliz com o resultado, pois além de saírem números muito bons a competição foi da melhor qualidade o tempo todo, e poder andar junto do Roberto é um aprendizado ímpar. Não é só força que faz a diferença, triahlon é um esporte complexo onde experiência e inteligência valem tanto quanto capacidade física. Que dia sensacional !

Parabéns a todos que correram essa prova, e obrigado especial ao Éder que foi torcer e acompanhar a viagem, tornando tudo mais fácil nesse vai e vem frenético de Floripa-Penha-Floripa.

Treine até que seus ídolos se tornem seus adversários.

Até a próxima.

Números


Resultados: 18º geral e 2º na estreia na cat 45-49 anos. 2h13min, natação 1600 m, bike 41,5 km e corrida 10,2 km. Garmin aqui

Alimentação foi pouca. Uns goles de VO2 na bike e água. Estava muito tenso pra comer hahah. Foi basicamente isso e um gel na corrida, pois no km 5 fiquei com medo de desmaiar.

A natação foi legal, saí com um grupo forte pra pedalar e bem perto de atletas referência. Procurei ficar o máximo possível em esteira e acho que deu resultado, pois não cansei demais e saiu um tempo relativamente bom.

Os números da bike me deixaram bem satisfeito. NP 270W, IF de 0.97 bem perto do teórico pra 40 km. Claro que a média foi baixa, 247 W, mas com vários blocos bem altos. A FC deu ridiculamente baixa dado o vácuo mas os últimos 10 min buscando o grupo deram uma porrada forte nas pernas.

A corrida foi boa mas fraca. Acho realmente que a busca na bike ferrou alguma coisa, pois corri bem aquém do habitual num olímpico. O resultado é o que importa, mas essa corrida tem que aprender a ser boa mesmo com a bike alucinada :-).















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