segunda-feira, 20 de julho de 2015

Para o alto e avante !

Subir é legal. Sempre gostei, comecei a pedalar subindo morro, o treino era sempre subir alguma coisa. Mas é um treino diferente e não específico, e acaba não tendo muito quando a prova alvo é triathlon e plana.

Mas julho é diferente. Sempre tem uns 'muita inclinação' na indicação da planilha, e aí lá vamos nós procurar serras. Uns pedais bem interessantes tem saído e de onde vieram esses tem mais.

Como já escrevi alguma vez, velocidade média é relativa. Na verdade não quer dizer quase nada :-). Só quando é prova, claro, porque aí isso é o que vale (ainda não inventaram competição de batimento cardíaco, potência, ganho altimétrico, etc).

Então julho foi assim até agora: volta da varginha e anitápolis num fim de semana, são bonifácio no outro e então urubici de MTB nos dois dias, aproximadamente 5000 m de subida (no barômetro !). Uma coisa bem diferente.

A novidade foi o percurso de Anitápolis que nunca tinha ido, e a insanidade foi repetir a última serra pra são bonifácio com garoa. Qualquer hora vou fazer aquilo lá duas vezes inteiro, mas pra isso tem que treinar mais hehehe. Como diz o Fabrício, isso TEM que melhorar alguma coisa :-).

O pedal de ontem foi o mais estranho. Havia subido uma pirambeira forte no sábado, aí fui explorar domingo. Bem menos frio que sábado, saí mais cedo e peguei todas as entradas de terra que achei no percurso que faço de TT até o corvo branco. No final, os últimos 20 km me acabaram. Não saía do lugar, um vento absurdo contra e pernas pesadas, era pra pedalar 3 horas e parei com 2h40 totalmente vazio, não estava rendendo nada.

Incrível como a média acostuma mal. Na TT 100 km que eram o treino sairiam em 3 horas e pouquinho... na MTB tive que tirar a velocidade do display pra não me desesperar, 20, 23 km/h com o vento nas fuças, 62 km em 2h40 ;-). Na MTB o legal mesmo é terra e trilha.

Se achar bergamota, pare !

São pedro, a 20 km de casa

Avencal inferior. MTB nos leva sempre a lugares feios.

Anitápolis

Morro de voo livre, Urubici lá embaixo

Anitápolis. Tava frio.

Urubici

Boa pra correr também, mas MTB deu pro gasto

Avencal vista de cima. 80 m de queda livre.
Dá pra passar voando de tirolesa por cima também

Anitápolis, asfalto perfeito

A cidade

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Décimo DesaFRIO Urubici !

Coisa linda !
Dez anos correndo a mesma prova, meu recorde :-) !!! 530 KM de sobe e desce o morro da Igreja (veja bem, dez anos ;-), ponto mais alto do sul do Brasil (fora as controvérsias do morro do bela vista e pico paraná, sempre com algumas dezenas de metros de diferença) :-)).

Uma prova legal ! Acho que farei enquanto puder. E lá fomos novamente, depois do Ironman, 4 semanas exatamente. Esse ano corremos o Anastácio, Fabrício, Diogo & Cínthia e eu. Três solos e uma dupla de dois. O Hélio e Tiago correram da largada até o véu de noiva só pra conhecer a nova subida.

Ficamos em casa e o Aracajú foi de madrugada pra Urubici, nos encontramos pra um café e seguimos para a largada sob frio de 7 graus, nada aterrorizante e céu limpo. Tinha previsão de vento no windguru, portanto levei um colete corta-vento.

Largamos 'ao contrário'. O percurso mudou esse ano, agora subiu e desceu pelo mesmo lugar. Como a subida era diferente e mais longa, tivemos que largar na direção contrária no asfalto por 2 km e então retornar para seguir no rumo certo. Não é divertido pois é plano e asfaltado, mas pelo menos serviu de aquecimento.

Subida, fingindo correr

Fiz a prova praticamente toda junto do Fabrício. A subida nova parece mais rápida, mas o que ajudou mesmo foi o tempo seco, praticamente sem atoleiros exceto umas poucas partes lisas no falso plano antes do asfalto depois do véu da noiva. Lá foi a estratégia de sempre, só que mais forte. Chegamos no topo com 27 km e 2h36min, não sei se já tinha subido mais rápido que isso.

La cumbre !
Pouco antes do cume coloquei o corta vento porque o vento já estava cortando. A última subida estava com vento tão forte que ajudava a subir.

Depois do retorno no topo começamos a descer num bom ritmo, fiquei feliz de ter aquele corta vento no peito porque já estava sentindo umas alfinetadas na garganta e tossindo. Ventania potente. Quando chegamos no fim do asfalto comi o que pude. Fiquei a prova toda ultra hidratado. E mijando. Foram 3 vezes, a última a 6 km da chegada, bem a tempo de perder o terceiro lugar. Por um triz. Não, por um xixi.

A parte offroad da descida foi excelente. Apesar do cansaço consegui correr bem ali perseguindo o Fabrício, que só passei na descida monstra quando me joguei pra ver se acabava rápido. Lá embaixo ainda tinham mais 8 km de plano ondulado de terra batida, e depois da última água o Fabrício se foi e uns dois caras me passaram, eu passei mais dois e aí veio uma enxurrada de duplas. Como eu não via os números dos atletas, não sabia se eram duplas ou solo, e fui começando a me achar um cone de sinalização. Mas o ritmo estava decente ainda, 5:15 naquelas condições, e depois do xixi derradeiro não parei mais de correr , embora existisse uma vontade subconsciente que eu estava ignorando. Claro, exceto por ter tropeçado e quase beijado o chão a 1 km da chegada.
 
Araucária !
 
Curva !

Flying !
Dessa vez corri com o monitor cardíaco do garmin 920 pra ver a cadência, oscilação vertical e contato com o solo. Estava curioso pra ver os dados. Só que logo no início vi que não marcava nada, só a frequência cardíaca. Depois em casa fui descobrir que coloquei o sensor de cabeça pra baixo na cinta. Aí provavelmente o acelerômetro endoida e não marca nada. Aprendam :-).

Falando em batimento, foi estranho. Cravou em 158-160 a prova toda, inclusive na descida, onde eu olhei várias vezes e achei suspeito. Talvez tenha pensado estar desidratado e bebido demais por isso, sei lá. Analisando os outros anos, vi que a média pelo menos da prova foi idêntica. Faço sempre o desafrio a 158 bpm de média e pronto.

Não senti falta de força na subida e apenas uma vez umas fisgadas na musculatura, impressionante. O tênis que usei dessa vez foi perfeito. Corri com o Skechers GoRun Ultra, uma maravilha. Travei o cadarço lá em cima no último furinho e terminei a prova sem nenhuma unha preta, exceto pelo mindinho do pé esquerdo que sumiu dentro de uma bolha (foi a meia tenho certeza, havia um furo nela bem no lugar). Fora isso, uma destruição muscular mínima para uma prova tão dura. O único incômodo foi mesmo estomacal (enchi o bucho de líquido passando no posto do km 18) e a mijadeira descontrolada. Tenho que arrumar isso.

E cheguei ! Melhor tempo da história depois de 10 edições, alguma evolução tem nisso. O Fabrício mandou absurdamente bem na primeira ultra e chegou 2 min antes. Incrível o que a base para o Ironman faz... ele correu os últimos 8 km abaixo de 5 km/min. Tenho certeza de que se tivesse parciais, seria uma das melhores da prova. Nós não fizemos nenhum específico, e isso por si só é impressionante. O Anastácio veio logo depois, mais de uma hora mais rápido do que ele estimou. A dupla de dois bateu o recorde e o povo todo só elogiava a prova. E o Daniel Meyer estava lá de volta com um 6º geral. Tenho certeza que vou encontrá-lo em todas as provas da fetrisc e ecofloripa.

Não tem preço ! Não sei como a Daiane conseguiu essa foto

10 anos pra baixar de 5 horas hahahaha

Pequeno homem !

Além da turma citada, muitos amigos por todos os lados, o pessoal guiando a dupla de cegos (IMPRESSIONANTE), o Luciano e a Luana correndo minimalisticamente, sendo o primeiro DESCALÇO por 13 km morro acima até arrumar bolhas e por um tênis mínimo, Duks, Débora, e todos os outros que por favor me desculpem a falha de registro ;-).

Um ambiente simples, de corredor mesmo. Muito legal. Mas apesar disso, os malucos triplos estão se multiplicando. Dessa vez contei 4 que fizeram o iron, e o mais demente de todos tinha feito a maratona de porto alegre no meio também. Depois eu que sou doido ;-D.

A premiação foi legal. Recorde inacreditável no feminino e muita gente correndo abaixo de 5 horas. De certeza o tempo ajudou, mas acho que o percurso também ficou mais rápido.

Depois da prova fiz a massagem, aí chegando em casa fomos pro rio congelar as pernas até as partes, para então ir pro churrasco do William com cerveja artesanal, alemãs, de todos os tipos. Domingo as pernas estavam num estado impressionante, mas na semana seguinte a recuperação estava além do acreditável. Não sei qual das coisas deu certo, mas é fato que deu. Vou repetir tudo sempre. Nessa ordem. Que fique aqui registrado.

E depois, a desculpa. O Desafrio é desculpa pra reunir a turma há dez anos, e esse não seria diferente. Não sei quantas cervejas o Anastácio levou, mas creio que esvaziamos todas. Valeu !

A turma

O William não correu mas fez o churrasco :-), o que é tão relevante quanto

Churrasqueiro-mor e primeira dama

Duda e Daiane. Mãos do Aracajú à direita e meus restos ao fundo
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Dados técnicos

Percurso no garmin aqui.

52 km - 4h55min59seg (SUB 4h56min HUAHUAHAUA)
4º cat
34º geral

Comi 5 gels, dois comprimidos de sal, banana, água de coco e coca cola. Não faltou nada, só sobrou água. Tomei uma caneca grande de café preto antes da largada, não sei isso abriu a torneira, mas preciso ajustar. Apesar de ter aliviado a bexiga várias vezes o líquido estava alaranjado / esverdeado a tarde. Algo que ingeri, porque desidratação não pode ter sido.

domingo, 28 de junho de 2015

Escalavrado no lugar do Dedo de Deus, muito bom !

Escalavrado !
Quando uma coisa não dá certo é ruim ? Não necessariamente. Uma outra coisa pode surgir... e ser uma boa surpresa ! No fim de semana do dia 20 de junho fomos para Teresópolis/RJ escalar o Dedo de Deus. Uma empreitada relâmpago, o plano era chegar sexta a noite, dirigir até o albergue, pseudo dormir, escalar sábado e descansar domingo pra voltar.

Porém sexta choveu muito na serra dos órgãos e sábado pela manhã era só garoa e neblina. Inviável escalar o Dedo naquelas condições, quando cachoeiras caiam na pista da BR-116 vindas lá de cima. O Anastácio, Adriano e eu ainda acordamos às 5h pra ver. Foi parecido com o Mattherhorn, mas sem os russos. Na verdade só tinha uma multidão de vestibulandos de medicina no albergue da juventude teresopolitano.

Então tivemos que preencher o tempo. Com litros de cerveja... Depois de perambular no lugar da CBF (interesse nulo pra um desinteressado em futebol, mas era bonito) fomos almoçar e zanzar numa feira de comidas. Daí então achamos uma cervejaria, uma miniatura de vila alemã com umas cervejas boas e depois de uns litros percebemos que o céu parou de jogar água.

Um plano já antigo era escalar o escalavrado. Talvez no domingo... mas aí teve que ser no domingo. Olhamos alguns relatos no celular mesmo e depois de achar a entrada da trilha, fomos jantar pizza com mais cerveja e então dormir pra acordar cedo, o que se deu lá pelas 6:30 com céu azul.

Essa montanha é uma coisa impressionante. Tem uma das vias mais longas do Brasil, certamente a aderência mais longa, mas também uma trilha de escalaminhada muito divertida. Parece a corcova de um dinossauro, quando vista da estrada, com o Dedo ao lado... serra dos órgãos é um playgound...

Saímos do hostel já com tudo no carro, menos o casaco do Adriano que ficou na pizzaria. Deixei os dois na entrada da trilha e desci mais 2 km de carro até o posto garrafão para estacionar e voltei trotando estrada acima. Exatamente 8:30 começamos a subida, debaixo de uma micro garoa localizada bem em cima da gente. Ignorei sumariamente aquilo e segui.

A trilha começa numa calha de chuva com umas rampas de pedra molhadas, fomos seguindo apreensivos, divagando sobre a chuva que viria e logo empaquei num trecho diagonal ensopado, com um grampo ao final. Confabulamos se decidimos seguir, atravessei com cuidado e depois de uns 40 min finalmente entramos numa trilha batida e subimos direto por uma meia hora para então encontrar mais umas rampas.

O Anastácio vinha com a corda e eu e o Adriano começamos a subir numa linha de grampos, aderência e agarrões bons e então uma aderência longa, depois de um tempo o Adriano clipou num grampo, fiz o mesmo no de cima. Esperamos a corda chegar, digo o Anastácio, encordei e costurei no grampo e segui para o próximo, uns 5-6 m adiante. Só que ali não era lugar pra estar de tênis. Depois percebi que o caminho era mais à esquerda, acabei indo pela direita bem na borda do precipício da face oeste e quando vi estava escorregando pedra abaixo. Consegui parar sem deslizar muito, respirei e segui afoito até o próximo grampo. Quase chegando lá comecei a escorregar muito, desci feito um gato com as unhas cravadas na pedra uns 2-3 m. Que sensação horrível. Só pensei em não quicar, nem virar de costas, senão iria cair ralando e lixando tudo até a corda segurar. Não deve ser bom cair numa aderência.

Desescalei até o grampo, desci e pendulei pra esquerda e então engatei onde deveria, segui até acabar a corda e fixei numa árvore pros dois virem. Depois seguimos pela crista propriamente dita, uns pedaços de trilha rala e mais rampas intermináveis, muito legal.

Encontramos uma galera do rio, passamos e seguimos pra cima. O Adriano esticou mais uma corda e então pensamos que já era o cume, mas tinha mais uma corcova e mais um trecho delicado. Aresta estreita e molhada, tive que passar segurando num tufo de grama usando os joelhos pra dar aderência.

Depois de outra esticada do Adriano fiquei pra enrolar a corda e então seguimos até o cume, num visual espetacular. O Dedo ali do lado, o pão de açúcar visível lá no rio de janeiro... sensacional. Muito sensacional principalmente fazer essa montanha que estava na minha lista desde 1998 com esses dois parceiros de sempre.

Curtimos um pouco, comemos alguma coisa e descemos rápido sem parar, rapéis positivos, desescaladas e rampas. No final, descendo um trecho molhado resolvi ir pela borda da vegetação, umas raízes boas facilitaram a progressão. "Vem por aqui Anastácio, as raizes estão firmes". Isso até pegar numa raíz não boa, ela quebrar e eu despencar batendo tudo nas pedras. Parei com o pé esquerdo entalado e os dois cotovelos na pedra, com a cara a poucos centímetros do chão.

O Anastácio assustou mas me fiz de tranquilo, continuamos a descer e encontramos o Adriano já na estrada. Só larguei as tralhas e desci correndo os 2 km até o carro, comprei um gatorade, lavei os braços e esfolados e peguei o carro. Voltamos até a pizzaria, depois até a locadora de carro com o GPS perdido e então galeão. Menos de 48 estávamos de volta em casa. Uma bate e volta digno e bem aproveitado. Tava com saudade dessas. Valeu !


The team

O Dedo no centro e a estrada pra teresópolis...

Cume. Foto da foto.

Lá tá o rio...

Decendo




Muito legal a chegada das nuvens...

 
 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Cuidado com o cão

Corredores e cachorros não são lá muito compatíveis. Os bichos gostam de agito, e a gente não gosta de dentes pontudos. Hoje tive um momento de presença de espírito e preciso registrar hahaha.

Voltava do treino por onde sempre passo. Ali tem umas casas e um conjunto habitacional, tem uns cachorros mas nada grande, só uns nanicos que nem se mexem quando a gente corre.

Aí já com 17 km nas pernas e meio podre vinha lá trotando no último km quando apareceu um nanico metido a besta, nem dei bola. Veio bem perto das canelas e tudo bem, não tinha nem dente direito pra arranhar a pele.

Então eis que vem detrás de um muro um outro cão grande. Preto, vira latas parrudo da altura das minhas coxas. Veio correndo rápido, latindo e babando raivoso com os dentes de foram em disparada atrás de mim.

Muito interessante a reação. Pensei, no que pareceu ser calmamente, que 'não vou ganhar esse sprint', e então virei na direção dele e corri pro cachorro apontando o dedo pra ele, e ele apontando os dentes pra mim. Foi o suficiente pro bicho frear, me olhar, virar de costas e ir embora.

Só depois de uns metros, já me afastando, é que parei pra olhar o tamanho do sujeito, bem grande e dentuço. Deu uma gelada pensar em levar umas mordidas a essa altura do campeonato com viagem na sexta-feira. Ufa.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Ironman Brasil Florianópolis 2015, o retorno !

Eis que depois 2013 fora, voltei. E deu saudade. É inexplicável, mas isso é um ímã... Jurerê nessa semana fica mais legal do que já é, mas o mais interessante mesmo é estar em casa. Me preparei como em nenhum outro ano. Mudei levemente a dieta, me dediquei aos treinos de natação como nunca, corri intervalados até não poder mais, derreti na bike indoor, fiz longos memoráveis com os amigos, tanto de bike quanto de corrida. Foi um período excelente, sem lesões ou sequer uma gripe. Na parte alimentar cortei boa parte das farinhas brancas, acrescentei mais ovos e castanhas, suplementação de Whey e Glutamina de abril em diante, além de multivitamínico.

Como uma preparação boa, estava confiante. A única coisa que acho que fiz errada foi a alimentação na semana da prova. Comi muito pouco na sexta-feira e no sábado. Acho que estava realmente com fome na manhã da prova, mas aí evitei me entupir, mesmo porque seria tarde demais. Fiquei tão focado em deixar a bike perfeita, em ajustar os treininhos de polimento, não ficar gripado e dormir bem essa semana que não comi direito. Tenho a nítida impressão que cheguei na prova sem as reservas de glicogênio no máximo.

Muita emoção ao entregar a bike depois do pedal perfeito.
Estava escaldado de 2013 e dei um beijo na branquela quando desci haha
Bom, vamos à prova !

Para a largada me posicionei exatamente atrás da elite. Imaginei que ali estaria a linha mais reta até a primeira boia. Fiquei debaixo da faixa e saí feito louco quando a buzina tocou. Só que veio uma manada de homens e mulheres foca atrás, alguém me derrubou com água ainda nas canelas, levantei golfinhando, fui atropelado e segui apanhando e batendo até a primeira boia de percurso, que deixei à esquerda e finalmente consegui nadar mais solto... terminei a primeira perna bem e ofegante e com uma puxada na coxa direita ao sair da água. Moderei o começo da segunda perna e forcei na volta à praia para fechar exatamente dentro do tempo imaginado, 59 min no pórtico.

Cadê, cadê ?

Fui rápido pra transição, vi a família toda lá berrando e segui empolgado pra tenda e num instante estava saindo com a bike. Montei e consegui dar uma topada incrível com o dedão esquerdo no asfalto. Doeu pacas mas não olhei antes de enfiar o pé na sapatilha. Segui calçando o outro pé quando vi as bisnaguinhas com azeitona todas voando. O plano era pegá-las no aerodrink, onde estavam encaixadas, e por no bolso do top. Só que na adrenalina toda não lembrei e só as vi decolando. Pensei que tudo bem, tinha dois gels extra para emergências e segui firme, entrei na SC e comecei o pedal propriamente dito.

Que dificuldade ficar na potência alvo ! Meio mundo me ultrapassava e eu ali, frio e calculista grudado nos watts certos. Mas a empolgação cresceu e passei um pouco, pouca coisa. Nas subidas então era ultrapassado por mais gente ainda. Segui no limite superior da faixa, com sensação de facilidade extrema. Como isso engana !

Fiz alguns trechos mais fortes para ultrapassar ou fugir de gente que vinha, mas mantive a coisa bem constante. Fechei o retorno do sul muito bem, me alimentando legal e quando fui passar num posto de água resolvi jogar as embalagens de gel fora. Enfiei a mão no bolso e joguei. Ouvi um barulho de algo diferente de embalagens vazias caindo no chão e percebi que tinha jogado 2 gels inteiros fora. Nãaaaaaao. Olhei pra trás e vinha um monte de bikes, nem cogitei parar e procurar os gels no meio daquele monte de embalagens, garrafas e cascas de banana no chão.

Fiz uma rápida conta e achei que faltaria carbo, foram-se ao chão ~90 gramas. Assim, resolvi compensar com gatorade, que tem 40 gramas de açúcar cada um. Continuei e fechei a primeira volta pouco acima do ritmo previsto, o que era pensado pois o vento sempre aumenta. E gira.

Aliviei na volta para o sul contra o vento fraquinho e tomei o segundo gatorade com um pedaço de banana no pedágio. Toquei para os morrinhos, agora era eu que ultrapassava todo mundo, sentadinho no banco. Na última volta do sul fiquei realmente com fome e comi o penúltimo gel. Catei mais banana no koxixos e segui pra canasvieiras com um vento minúsculo que rodou, tranquilo. Lá naquele retorno fiquei puto.

Os pelotes estavam lá, menos que 2013 pelo que lembro, mas estavam. Deixei dois irem embora na primeira volta e então lá estava um gigante, uma tripa de gente voltando no elevado da vargem grande enquanto eu ia... e no meio deles, um cara com as mãos fora do guidon, de braços levantados, se alongando ! Deve ser tão difícil pedalar daquele jeito... tadinho. Tem várias coisas que me deixaram feliz nessa prova, muitas mesmo. Ter pedalado sozinho, várias vezes sem nem ver ninguém à frente e atrás nas retas, é uma delas. Porque independente de tempo e resultado, essa prova é minha. Eu faço pra mim. Sei lá porque, pra me testar, aprender, mas é pra mim. Daí não entendo uma criatura que faz uma merda dessas. Meu, o resultado não é seu, entende ??? Sacou ?

Entrei pra jurerê já aliviando pra correr, estava no limiar de quebrar por prego de fome (acho que mesmo com tudo que levei faltaria), mantive o ritmo o mais leve possível e entrei na transição sem conseguir pisar com o pé esquerdo, fui saltitando todo torto. Peguei a sacola e só então vi o dedo, bem danificado.
Ainda bem que não doeu muito na bike... mas na corrida ardeu
Pensei por esparadrapo mas... não, não precisa. Meu pé nunca caiu nas corridas de aventura, não vai ser agora numa maratona seca. Me equipei e fui correr, tomando uma garrafinha de GU Endurance que tinha deixado congelada de manhã. Foi revigorante, 60 gr de carbo, um monte de aminoácidos, taurina, cafeína e mais umas vitaminas.

Saí correndo no limite do pace, o relógio apitando que estava muito rápido e então engatei em ritmo de cruzeiro, indo até canasvierias um pouco mais rápido que o previsto. Nunca consegui fazer uma maratona negativa e não imagino ser possível num ironman.

Running, saiu quase constante essa maratona ! Curti !
Só andei na subida da igreja, mas a volta ali foi horrenda. Desci gritando de dor no dedão e na coxa direita, que tinha dado o ar da graça igual na natação. Em jurerê corri na parte nova do percurso e no km 18 não aguentei de vontade de aliviar a bexiga. Tinha feito isso 2 vezes na bike mas parece que o gatorade ainda estava em mim. Fiz xixi por quase um minuto sem parar e saí zonzo da casinha da podridão.

Saindo tonto da casinha...


Depois disso a coisa melhorou, pois vinha degringolando desde a descida e entrei num regime permanente novamente curtindo a corrida. Abri a segunda volta muito feliz, segui pela muvuca da búzios acelerado pelos gritos da galera, coisa forte aquilo. Acelera mesmo você.

A terceira volta foi um pouco pior depois da búzios, tive que ir no banheiro mais uma vez, xixi claro feito água...parei de beber água, só ficou a pepsi. Aquela ida pra jurerê tradicional já tinha virado um morro quando entrei lá pela última vez, fiz o retorno e voltei embalado e correndo forte (na percepção claro), passei o km 40 muito contente e pela primeira vez olhei no relógio o tempo de prova total.

Km 40, onde não sei porque uma alegria se instalou :-)
A gente que e quer a prova, mas quando está lá quer terminar, e depois que termina quer mais.
Bando de loucos, todos vocês !
Não sei porque resolvi acelerar, foi uma decisão mesmo, e dali em diante foquei o que não tinha pra correr o mais rápido possível pra tentar fechar em menos de 9h50min. Não deveria ter feito isso... fiquei 'cego', não vi ninguém, um monte de gente me mandou fotos e vídeos e eu não lembro kkkk. Se bem que estava com o sol bem na cara, mas passei do lado da minha família na chegada, de um monte de amigos, e não lembro. Só lembro de ter visto meu pai e esticado a mão para ele.

Entrei num sprint desesperador de 4:30/km no último km e desabei depois de chegar. Pela primeira vez entrei sozinho, consegui melhorar bem o tempo mas estava acabado, desandei a chorar e rir ao mesmo tempo deitado no chão. Vieram os staffs, me levantaram e aí o Hugo me conduziu pro laboratório dele (ele está fazendo uma pesquisa com espécimies que fazem o ironman). Depois massagem, praça de alimentação e saí de lá pra encontrar a turma.

Não tem preço aquele abraço. Não é só por ter concluído, mas por tudo. A gente abre mão de muita coisa e elas entendem, aceitam e (incrivelmente) apoiam. Tenho muito a agradecer à Daiane. Ela é quem cobre as minhas faltas de tempo, faz tudo enquanto eu treino, e ainda me incentiva. Muito, muito obrigado. E foi você quem disse que eu posso me inscrever pra 2016, só pra constar :-). Te amo pequena ! Meu grande pequeno filho e minha grande pequena filha, amo vocês mais que tudo. E meus pais e irmãos, sempre lá desde o primeiro Iron, ficam o dia todo pra lá e pra cá e não cansam. Obrigado !



Obrigado a Deus e meu anjo da guarda por me manterem intacto nos longos solitários de pedal, onde só apreciei da minha cia :-). Aos amigos de treino, obrigado pela parceria nos treinos na BR e em jurerê aos sábados,  muitos deles foram memoráveis. Sintam-se agradecidos e abraçados, todos.

Sem orientação profissional nada disso daria certo (eu me destruiria com certeza). Roberto Lemos, obrigado ! Conseguimos melhorar mais um pouco. E Eduardo Monteiro, fisio que sempre me desentorta dos treinos mais pesados e prepara para a pancadaria, valeu ! Vamos para a próxima (que é bem próxima).

E finalmente, à Dígitro e colegas, os que competiram e os que assitiram e vibaram. Obrigado !



Até lá,

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Dados técnicos

Alimentação

Bike: 5 medidas de GU Endurance, 6 gels, 3 pedaços de banana, 3 gatorades, 4 capsulas de sal, água
Corrida: 2 medidas de GU Endurance na T2, 4 gels, pepsi
Acho que faltou na bike, foram realmente as azeitonas das bisnaguinhas voadoras que faltaram.

Garmin: 9:49:42
  • Swim: 59:13 - 1:29 min/100m
  • T1: 4:47,0
  • Bike: 5:11:12 - 34,6 kph
  • T2: 3:20,3
  • Run: 3:31:09 - 5:02 min/km
Tempos oficiais
27o cat, 155o geral, 121 amador geral

O melhor ano tinha sido 2012, 10:19. A bike melhorou 14 minutos esse ano, a corrida 10, natação 1.

Sobre o medidor de potência: usar isso na prova tem um valor enorme. Simplesmente evita de você se matar no início quando tudo é belo. Vi isso claramente nas subidas. Na primeira volta, eu parecia um lerdo. Na segunda, ultrapassava todo mundo pedalando do mesmo jeito. E fiz a prova consciente, segurando onde achei que deveria e forçando da mesma forma. Curti o bicho.

Sobre as condições da prova: esse ano foi muito bom. Mar calmo, pouca correnteza. Quase nada de vento, pouco sol, temperatura agradável. Muito, muito propício a bons tempos, como mostram os resultados com 4 sub8 no masculino e 1 sub9 no feminino, fantástico. Quero só ver ano que vem. Como campeonato latinoamericano, entupiu de gringos, hermanos por toda parte. Nove na minha frente na categoria, para ser mais exato :-).

Fotos !!!

Dia espetacular na baía sul

Primeira volta ainda

Já na terceira volta, a cara é a mesma  
A famosa foto da saída do túnel

Cartão postal de Floripa estragado por mim :-)

Saindo da natação, bem tranquilo, só que não

A meta
Dia 7 de maio eu tracei o objetivo pra prova, o que eu achava que dava pra fazer em condições perfeitas
Colei esse adesivo que achei nas tralhas, acho que de 2013
Foi perto ;-)