Ano passado em setembro eu comecei a sentir o tendão esquerdo, exatamente no dia seguinte a uma corrida de aventura. No início achei que foi da pancadaria da corrida, e fiquei com essa coisa incomodando até depois do 70.3 de miami. A dor era principalmente no dia seguinte, ao acordar. Na hora da corrida, só às vezes e no começo, até aquecer.
Em novembro tive um dia de sentir dor andando. Como era feriado, dia 15, fui numa emergência e fizemos um raio X. Nada visível, e aí protocolo básico, taca anti-inflamatório e gelo. Passou os efeitos e voltou a dor, óbvio. No começo de dezembro depois do short de Garopaba procurei o médico certo. Fizemos uma ressonância e tinha lá no laudo vários nomes feios, bursite, edema ósseo, etc.
A recomendação foi ficar um mês sem correr e procurar um fisioterapeuta. Fiz a primeira coisa, direcionei as forças para a bike e fiz em dezembro mais pedal do que no pico do Iron. Mas não fui no fisio. Quando venceram os 30 dias fui correr e senti a mesma dor. Aí a água bateu nas nádegas, já era início dos treinos para o ironman e me apavorei de verdade.
A recomendação foi ficar um mês sem correr e procurar um fisioterapeuta. Fiz a primeira coisa, direcionei as forças para a bike e fiz em dezembro mais pedal do que no pico do Iron. Mas não fui no fisio. Quando venceram os 30 dias fui correr e senti a mesma dor. Aí a água bateu nas nádegas, já era início dos treinos para o ironman e me apavorei de verdade.
Procurei o fisioterapeuta certo. Uma hora e meia de avaliação, análise do laudo, testes. Foi bom ouvir que o tendão parecia muito saudável e isso provavelmente iria curar com a fisio e com a volta gradual aos treinos.
Entrei no ritmo bem devagar, só final de janeiro comecei a correr mais rápido e a coisa foi controlada. Incrivelmente não sentia nada nos longos. Nada no Ironman e na ignorância máxima do desafrio, nem depois. Em julho achei que estava livre de vez da miserável, mas aí o direito começou a apitar. Era uma dor diferente: no esquerdo, na inserção no calcanhar, no direito dois dedos acima. O esquerdo doía após o treino, o direito antes e ao virar o pé para trás.
Aí procurei a fisioterapeuta certa. Troquei muitas ideias, e comecei a de fato pesquisar sobre essa encrenca, olhar vídeos e fazer exercícios diários, não só na fisio, que eu raramente consigo ir :-).
Bom, essa história toda é a cronologia. Mas agora é a parte boa, o apanhado de tudo que eu vi, ouvi e aprendi sobre isso, que espero, seja útil.
Os sintomas são muito variados
Aprendi que essas dores todas tem as mais variadas causas, e normalmente o nome exato não importa muito. Tendinite, tendinose, no tendão, no osso. O que importa é descobrir a causa e eliminá-la, tratando o sintoma enquanto se mantém treinando.
Frequentemente ao tendão de aquiles é o ponto de aparecimento da dor, mas a causa não está lá. Isso ficou evidente no laudo da ressonância e na análise clínica. Mas a bendita dor aparece lá, e isso confunde as coisas.
As dores vão e vem, tem dia que eu achava que não daria pra correr e saiam tiros muito bons, outros dias em uma rodagem leve ficava com dor pior depois.
O que fazer para prevenir
Resumo das coisas que se pode fazer para proteger o tendão, que é um tecido muito pouco vascularizado e irrigado, portanto tem a mania de demorar para dar problema e demorar ainda mais para curar:
- Não aumentar bruscamente o volume e/ou intensidade. Isso é óbvio e expressamente ignorado por muita gente;
- Fazer a transição do tipo de pisada muito lentamente. Olhado pra trás, provavelmente comecei a ferrar o infeliz quando mudei a passada. Sentia dores constantes na panturrilha, contraturas, e tratava de qualquer jeito, sem preocupação. Como o tendão é o conector do músculo com o osso, se o músculo está encurtado ou fraco, vai jogar a bucha pra cima do tendão.
- Fortalecer a vizinhança: isso significa panturrilha e pés.
- Alongar levemente após os treinos.
- Fortalecer a musculatura do core abnominal/glúteos/laterais.
O que fazer para consertar
Os itens da prevenção também se aplicam, mas em maior intensidade e com acréscimo de gelo pós treino e massagens. As massagens, por terceiros ou autônomas, ajudam a irrigar a área, soltam a musculatura da panturrilha e devolvem a mobilidade à articulação.
Obviamente há que se avaliar a redução e até suspensão da corrida. No meu caso é só o que piorava o quadro, então fiquei muito na manha esse tempo todo, treinando inteligentemente, sem junk miles.
Note-se que só parei de treinar um mês e não fiquei sem competir em nenhuma prova, mas para isso é preciso se conhecer bem e ter uma boa sensibilidade do que é dor suportável, do treino, e o que é uma coisa mais maligna. É muito subjetivo e isso vai de cada um.
Exercícios altamente eficientes
Basicamente, o que tem funcionado pra mim é repetir eternamente esses exercícios, mesmo quando a dor não está presente. Se levou um ano pra ficar ruim imagino que mais dois anos de prevenção recuperativa deve servir. E depois, manter.
- Excêntricos para a panturrilha. Estes exercícios visam fortalecer o gastrocnêmio e o sóleo.
Para a musculatura mais interna, manter o joelho dobrado, para a externa, manter esticado. Devem ser feitos diariamente, 3 x 15 repetições em cada perna. A subida pode ser feita com a ajuda da outra perna, o importante é o movimento de descida, devagar, bem devagar.
Esse exercício é o protocolo padrão. Aprendi que tendão precisa de carga para melhorar. A força exercida ali libera alguma substância, realinha as fibras, fortalece a musculatura. Não é claro o motivo mas isso cura. Ainda não botei carga, mas a orientação é que quando 3 x 20 ficar muito fácil, usar uma caneleira de 5 kg. Ainda não cheguei lá :-).
- Enquanto tiver dor, gelo depois de cada treino
- Aquecer bem antes dos treinos. Pode ser inclusive massageando o tendão e a base da panturrilha
- Nada de remédios
- Alongamento suave. É bem leve mesmo, não é pra esgarçar nada.
- Alongar o anterior da canela. Bem simples, é só sentar nos calcanhares com os pés virados pra trás. 5 ou 10 minutos na mesma posição. Dói tudo, parece que vai partir o tornozelo. Mas devolve a mobilidade e sumiu com a dor ao virar o pé direito para trás.
- Usar um roller para alongamento e massagem. Melhor um vídeo. Eu uso um Foam Roller.
Basicamente os excêntricos e o roller estão resolvendo o problema. Ainda sinto dor na manhã seguinte, é mais um 'travamento', que some com o mínimo alongamento e os primeiros passos. Vamos vando como isso prossegue.
Atualização de março de 2015:
Agora já totalmente curado, tudo resolvido, segue um acréscimo importante:
- tênis flat (pouco drop - 4 mm, Kinvara, Skechers, etc)
- educativos de corrida
- pisada sempre chapada, não pise com a ponta do pé apenas !
- aquecimento dinâmico sempre antes da corrida.
Espero que ajude :-) !
Links:
- http://www.intelligent-triathlon-training.com/Achilles-tendinitis.html
- http://runnersconnect.net/running-injury-prevention/achilles-tendonitis-and-insertional-achilles-tendinopathy-in-runners/
- http://foamrollers.com.au/foam-roller-achilles-tendonitis/
- http://www.runnersworld.com/injury-treatment/is-my-achilles-soreness-due-to-barefoot-running












