quarta-feira, 3 de junho de 2015

Ironman Brasil Florianópolis 2015, o retorno !

Eis que depois 2013 fora, voltei. E deu saudade. É inexplicável, mas isso é um ímã... Jurerê nessa semana fica mais legal do que já é, mas o mais interessante mesmo é estar em casa. Me preparei como em nenhum outro ano. Mudei levemente a dieta, me dediquei aos treinos de natação como nunca, corri intervalados até não poder mais, derreti na bike indoor, fiz longos memoráveis com os amigos, tanto de bike quanto de corrida. Foi um período excelente, sem lesões ou sequer uma gripe. Na parte alimentar cortei boa parte das farinhas brancas, acrescentei mais ovos e castanhas, suplementação de Whey e Glutamina de abril em diante, além de multivitamínico.

Como uma preparação boa, estava confiante. A única coisa que acho que fiz errada foi a alimentação na semana da prova. Comi muito pouco na sexta-feira e no sábado. Acho que estava realmente com fome na manhã da prova, mas aí evitei me entupir, mesmo porque seria tarde demais. Fiquei tão focado em deixar a bike perfeita, em ajustar os treininhos de polimento, não ficar gripado e dormir bem essa semana que não comi direito. Tenho a nítida impressão que cheguei na prova sem as reservas de glicogênio no máximo.

Muita emoção ao entregar a bike depois do pedal perfeito.
Estava escaldado de 2013 e dei um beijo na branquela quando desci haha
Bom, vamos à prova !

Para a largada me posicionei exatamente atrás da elite. Imaginei que ali estaria a linha mais reta até a primeira boia. Fiquei debaixo da faixa e saí feito louco quando a buzina tocou. Só que veio uma manada de homens e mulheres foca atrás, alguém me derrubou com água ainda nas canelas, levantei golfinhando, fui atropelado e segui apanhando e batendo até a primeira boia de percurso, que deixei à esquerda e finalmente consegui nadar mais solto... terminei a primeira perna bem e ofegante e com uma puxada na coxa direita ao sair da água. Moderei o começo da segunda perna e forcei na volta à praia para fechar exatamente dentro do tempo imaginado, 59 min no pórtico.

Cadê, cadê ?

Fui rápido pra transição, vi a família toda lá berrando e segui empolgado pra tenda e num instante estava saindo com a bike. Montei e consegui dar uma topada incrível com o dedão esquerdo no asfalto. Doeu pacas mas não olhei antes de enfiar o pé na sapatilha. Segui calçando o outro pé quando vi as bisnaguinhas com azeitona todas voando. O plano era pegá-las no aerodrink, onde estavam encaixadas, e por no bolso do top. Só que na adrenalina toda não lembrei e só as vi decolando. Pensei que tudo bem, tinha dois gels extra para emergências e segui firme, entrei na SC e comecei o pedal propriamente dito.

Que dificuldade ficar na potência alvo ! Meio mundo me ultrapassava e eu ali, frio e calculista grudado nos watts certos. Mas a empolgação cresceu e passei um pouco, pouca coisa. Nas subidas então era ultrapassado por mais gente ainda. Segui no limite superior da faixa, com sensação de facilidade extrema. Como isso engana !

Fiz alguns trechos mais fortes para ultrapassar ou fugir de gente que vinha, mas mantive a coisa bem constante. Fechei o retorno do sul muito bem, me alimentando legal e quando fui passar num posto de água resolvi jogar as embalagens de gel fora. Enfiei a mão no bolso e joguei. Ouvi um barulho de algo diferente de embalagens vazias caindo no chão e percebi que tinha jogado 2 gels inteiros fora. Nãaaaaaao. Olhei pra trás e vinha um monte de bikes, nem cogitei parar e procurar os gels no meio daquele monte de embalagens, garrafas e cascas de banana no chão.

Fiz uma rápida conta e achei que faltaria carbo, foram-se ao chão ~90 gramas. Assim, resolvi compensar com gatorade, que tem 40 gramas de açúcar cada um. Continuei e fechei a primeira volta pouco acima do ritmo previsto, o que era pensado pois o vento sempre aumenta. E gira.

Aliviei na volta para o sul contra o vento fraquinho e tomei o segundo gatorade com um pedaço de banana no pedágio. Toquei para os morrinhos, agora era eu que ultrapassava todo mundo, sentadinho no banco. Na última volta do sul fiquei realmente com fome e comi o penúltimo gel. Catei mais banana no koxixos e segui pra canasvieiras com um vento minúsculo que rodou, tranquilo. Lá naquele retorno fiquei puto.

Os pelotes estavam lá, menos que 2013 pelo que lembro, mas estavam. Deixei dois irem embora na primeira volta e então lá estava um gigante, uma tripa de gente voltando no elevado da vargem grande enquanto eu ia... e no meio deles, um cara com as mãos fora do guidon, de braços levantados, se alongando ! Deve ser tão difícil pedalar daquele jeito... tadinho. Tem várias coisas que me deixaram feliz nessa prova, muitas mesmo. Ter pedalado sozinho, várias vezes sem nem ver ninguém à frente e atrás nas retas, é uma delas. Porque independente de tempo e resultado, essa prova é minha. Eu faço pra mim. Sei lá porque, pra me testar, aprender, mas é pra mim. Daí não entendo uma criatura que faz uma merda dessas. Meu, o resultado não é seu, entende ??? Sacou ?

Entrei pra jurerê já aliviando pra correr, estava no limiar de quebrar por prego de fome (acho que mesmo com tudo que levei faltaria), mantive o ritmo o mais leve possível e entrei na transição sem conseguir pisar com o pé esquerdo, fui saltitando todo torto. Peguei a sacola e só então vi o dedo, bem danificado.
Ainda bem que não doeu muito na bike... mas na corrida ardeu
Pensei por esparadrapo mas... não, não precisa. Meu pé nunca caiu nas corridas de aventura, não vai ser agora numa maratona seca. Me equipei e fui correr, tomando uma garrafinha de GU Endurance que tinha deixado congelada de manhã. Foi revigorante, 60 gr de carbo, um monte de aminoácidos, taurina, cafeína e mais umas vitaminas.

Saí correndo no limite do pace, o relógio apitando que estava muito rápido e então engatei em ritmo de cruzeiro, indo até canasvierias um pouco mais rápido que o previsto. Nunca consegui fazer uma maratona negativa e não imagino ser possível num ironman.

Running, saiu quase constante essa maratona ! Curti !
Só andei na subida da igreja, mas a volta ali foi horrenda. Desci gritando de dor no dedão e na coxa direita, que tinha dado o ar da graça igual na natação. Em jurerê corri na parte nova do percurso e no km 18 não aguentei de vontade de aliviar a bexiga. Tinha feito isso 2 vezes na bike mas parece que o gatorade ainda estava em mim. Fiz xixi por quase um minuto sem parar e saí zonzo da casinha da podridão.

Saindo tonto da casinha...


Depois disso a coisa melhorou, pois vinha degringolando desde a descida e entrei num regime permanente novamente curtindo a corrida. Abri a segunda volta muito feliz, segui pela muvuca da búzios acelerado pelos gritos da galera, coisa forte aquilo. Acelera mesmo você.

A terceira volta foi um pouco pior depois da búzios, tive que ir no banheiro mais uma vez, xixi claro feito água...parei de beber água, só ficou a pepsi. Aquela ida pra jurerê tradicional já tinha virado um morro quando entrei lá pela última vez, fiz o retorno e voltei embalado e correndo forte (na percepção claro), passei o km 40 muito contente e pela primeira vez olhei no relógio o tempo de prova total.

Km 40, onde não sei porque uma alegria se instalou :-)
A gente que e quer a prova, mas quando está lá quer terminar, e depois que termina quer mais.
Bando de loucos, todos vocês !
Não sei porque resolvi acelerar, foi uma decisão mesmo, e dali em diante foquei o que não tinha pra correr o mais rápido possível pra tentar fechar em menos de 9h50min. Não deveria ter feito isso... fiquei 'cego', não vi ninguém, um monte de gente me mandou fotos e vídeos e eu não lembro kkkk. Se bem que estava com o sol bem na cara, mas passei do lado da minha família na chegada, de um monte de amigos, e não lembro. Só lembro de ter visto meu pai e esticado a mão para ele.

Entrei num sprint desesperador de 4:30/km no último km e desabei depois de chegar. Pela primeira vez entrei sozinho, consegui melhorar bem o tempo mas estava acabado, desandei a chorar e rir ao mesmo tempo deitado no chão. Vieram os staffs, me levantaram e aí o Hugo me conduziu pro laboratório dele (ele está fazendo uma pesquisa com espécimies que fazem o ironman). Depois massagem, praça de alimentação e saí de lá pra encontrar a turma.

Não tem preço aquele abraço. Não é só por ter concluído, mas por tudo. A gente abre mão de muita coisa e elas entendem, aceitam e (incrivelmente) apoiam. Tenho muito a agradecer à Daiane. Ela é quem cobre as minhas faltas de tempo, faz tudo enquanto eu treino, e ainda me incentiva. Muito, muito obrigado. E foi você quem disse que eu posso me inscrever pra 2016, só pra constar :-). Te amo pequena ! Meu grande pequeno filho e minha grande pequena filha, amo vocês mais que tudo. E meus pais e irmãos, sempre lá desde o primeiro Iron, ficam o dia todo pra lá e pra cá e não cansam. Obrigado !



Obrigado a Deus e meu anjo da guarda por me manterem intacto nos longos solitários de pedal, onde só apreciei da minha cia :-). Aos amigos de treino, obrigado pela parceria nos treinos na BR e em jurerê aos sábados,  muitos deles foram memoráveis. Sintam-se agradecidos e abraçados, todos.

Sem orientação profissional nada disso daria certo (eu me destruiria com certeza). Roberto Lemos, obrigado ! Conseguimos melhorar mais um pouco. E Eduardo Monteiro, fisio que sempre me desentorta dos treinos mais pesados e prepara para a pancadaria, valeu ! Vamos para a próxima (que é bem próxima).

E finalmente, à Dígitro e colegas, os que competiram e os que assitiram e vibaram. Obrigado !



Até lá,

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Dados técnicos

Alimentação

Bike: 5 medidas de GU Endurance, 6 gels, 3 pedaços de banana, 3 gatorades, 4 capsulas de sal, água
Corrida: 2 medidas de GU Endurance na T2, 4 gels, pepsi
Acho que faltou na bike, foram realmente as azeitonas das bisnaguinhas voadoras que faltaram.

Garmin: 9:49:42
  • Swim: 59:13 - 1:29 min/100m
  • T1: 4:47,0
  • Bike: 5:11:12 - 34,6 kph
  • T2: 3:20,3
  • Run: 3:31:09 - 5:02 min/km
Tempos oficiais
27o cat, 155o geral, 121 amador geral

O melhor ano tinha sido 2012, 10:19. A bike melhorou 14 minutos esse ano, a corrida 10, natação 1.

Sobre o medidor de potência: usar isso na prova tem um valor enorme. Simplesmente evita de você se matar no início quando tudo é belo. Vi isso claramente nas subidas. Na primeira volta, eu parecia um lerdo. Na segunda, ultrapassava todo mundo pedalando do mesmo jeito. E fiz a prova consciente, segurando onde achei que deveria e forçando da mesma forma. Curti o bicho.

Sobre as condições da prova: esse ano foi muito bom. Mar calmo, pouca correnteza. Quase nada de vento, pouco sol, temperatura agradável. Muito, muito propício a bons tempos, como mostram os resultados com 4 sub8 no masculino e 1 sub9 no feminino, fantástico. Quero só ver ano que vem. Como campeonato latinoamericano, entupiu de gringos, hermanos por toda parte. Nove na minha frente na categoria, para ser mais exato :-).

Fotos !!!

Dia espetacular na baía sul

Primeira volta ainda

Já na terceira volta, a cara é a mesma  
A famosa foto da saída do túnel

Cartão postal de Floripa estragado por mim :-)

Saindo da natação, bem tranquilo, só que não

A meta
Dia 7 de maio eu tracei o objetivo pra prova, o que eu achava que dava pra fazer em condições perfeitas
Colei esse adesivo que achei nas tralhas, acho que de 2013
Foi perto ;-)

quinta-feira, 28 de maio de 2015

É a jornada !

Foto do Saul, jurerê ao amanhecer
Então é isso, mais um Ironman batendo à porta. Estou muito feliz por tudo até aqui, mais uma vez. E como sempre, a jornada é o mais importante. Porque não tem como fazer tudo isso sem querer muito. Não há como.

A gente fantasia muito sobre o dia da prova, as pessoas se impressionam com as distâncias e a duração, sobre como é difícil. Mas na verdade o difícil mesmo são os treinos, que vão construindo o castelo um tijolinho por vez. E esse castelo quem define a altura somos nós. São os treinos que tem que ser desfrutados. É lá que evoluímos (embora às vezes a evolução seja escondida pela fadiga). E é lá que nos divertimos muito. É o caminho, não é a chegada.

O que me leva a história da escalada do Mont Blanc que fizemos em 2013. Uma das montanhas mais importantes que já escalei, e ficamos lá em cima por míseros 5 minutos. Se aquilo fosse a motivação toda, não teria sentido. Mas a viagem de duas semanas com os amigos, perambulando pelas montanhas dos Alpes, treinando, assistindo espetáculos um atrás do outro, passando frio, cansaço e nos divertindo, isso sim era o objetivo, que apenas foi coroado pelo cume. Que era importante mas não o mais importante.

Como disse o Roberto Lemos na palestra de preleção da prova desse ano: a força mental a gente constrói durante os treinos. Lá quando não tem ninguém pra aplaudir, à noite, com chuva, cachorro correndo atrás, motorista buzinando, ônibus jogando água em cima, derretendo de calor no sol, e atrasado sempre pro compromisso que vem depois do treino.

Se é assim, apesar de o dia da prova de ser importante e onde tudo tem que sair perfeito, a jornada é o mais relevante. É onde aprendemos absurdamente sobre nós mesmos e onde exercitamos a vontade.

O mais difícil nós já fizemos, que é alinhar na largada amanhã. Chegar não é o mais difícil, largar é. E isso todos que estiverem lá já terão conseguido. Porque não faltam motivos pra desistir de chegar até ali, tem que querer e é muito.

Eu não sou muito dado a ataques de auto piedade, mas houve um treino em específico nesses cinco meses em que pensei seriamente no porque estava fazendo aquilo. Uma segunda feira a noite, com chuva e vento sul, depois de um fim de semana de treinos muito longos. Um intervalado de 4x4 km bem ardido. Me abrigava num ponto de ônibus durante os dois minutos de descanso, mais pra fugir do vento, quando um ônibus veio e jogou vários baldes d'água suja em cima de mim, que estando sentado, fui completamente lavado na meleca.

Pra espantar o pensamento idiota foi só pensar que fui eu que pedi aquilo. Eu que quis. Foi o suficiente pensar que o objetivo valia a pena. E pensei que não queria estar em outro lugar. Porque eu estava ali treinando, tinha condições, saúde e disposição.

É isso, confiem no que vocês já fizeram. Façam o seu melhor no próximo domingo, nada a menos que isso interessa. Boa prova e boa sorte !!!

Nos vemos às 7:00 no mar de jurerê desse domingo 31 de maio.

domingo, 3 de maio de 2015

A ilusão da velocidade média

É interessante como números enganam. Às vezes a gente vê um treino mais lento e acha que foi ruim, ou num mais rápido já vai se emocionando. Estando há pouco mais de um mês com medidor de potência, já consegui começar a ver algumas realidades.

A primeira é que o brinquedo é aquele amigo sincero, que fala na cara que você tá fedendo ou qualquer coisa do tipo. Fiz apenas três longos com ele, e o primeiro até agora foi o melhor no quesito de eficácia. Só que foi o mais lento, e de 'apenas' 150 km. Mas foi de serra, numa altitude de 1000 m.

Entende ? A média não significa nada no treino. Por outro lado a potência não é o objetivo na prova. Não é campeonato de quem gera mais potência e sim de quem chega mais rápido. A grande questão é usar a ferramenta como um aliado, algo para nos dar mais um parâmetro (um muito objetivo), mas que precisa ser usado em conjunto com os demais.

E então a ilusão do título vem do treino de hoje. Um percurso todinho na BR 101 norte, pista boa e majoritariamente plana. Uma média incrível, mas um treino aparentemente normal fisiologicamente falando. Não quero com isso dizer que foi ruim ou comum, mas foi dentro dos parâmetros esperados. Seria muito fácil me 'emocionar' com esse treino, assim como seria muito fácil me emocionar na prova (sempre acontece). Até lá pelo km 130-150, porque depois tudo sempre é difícil. Mas o medidor está lá te mostrando a verdade nua e crua.

Hoje tínhamos 180 km e desde quinta eu monitorava a previsão. Sexta vi que ia ficar seco mas com vento e combinei com o Manente, decidimos ir pro norte. Sem vontade de pegar o tufão de cara ao fim do treino como há duas semanas atrás na BR sul hehehe.

Saí aquecendo e antes dos 10 km deixei o Manente ir junto com o Quint e Sando, que fariam 100 km. O Manente, 200. E eu e o Charles 180. Àquela hora era muito fácil seguir pedalando a 220-230 Watts, só que agora eu sei o que é isso e como a dívida vem depois, pior que juros do rotativo do cartão de crédito.

Mesmo assim como o vento estava fraco, deliberadamente dei uma apertada, mantendo algo pouco acima dos 75 % (máximo recomendado para faixa de endurance). Sabia que o vento não viraria e a previsão era de aumentar.

E deu certo, fiz o retorno em Itajaí com 80 km e voltei com vento em popa. Só que andar rápido mesmo com vento a favor exige potência, então fiquei uns 20 Watts abaixo do que na ida, para fechar numa média razoável.

Só que a coisa pegou. Com 140 km mais ou menos bateu uma dor de cabeça, uma canseira e tive que retornar 10 km contra o vento pra fechar a distância. Que coisa fantástica estava aquele vento, fiz um mini contra relógio dessa distância pra me livrar logo daquilo e aí do 150 em diante foi ardido, não tinha mais muita coisa nas pernas, as partes incomodavam (fui com a bermuda de prova, sem nada de forro) mas ainda conseguia subir a potência legal nas subidas.

Terminei o treino inteiro e inebriado mas logo vi o IF e tudo voltou normal. Ainda que sensacional, muito bom. Saí pra correr absurdamente fácil, algo apavorante. Segurando o tempo todo e logo acelerava. Fiquei mais confuso ainda sobre o ritmo a usar no Iron.

Pra não esquecer, vou registrar a comilança de hoje para uso das gerações futuras:

Café da manhã: 1 copo de nescau desnatado, duas binnaguinhas atoladas de geleia, um naco grande de queijo, castanhas do pará e uns pedaços de batata doce. Uma xícara de café.

Treino: 3 gel exceed, 1 GU Roctane. Três medidas de GU Enduro na garrafa e três bisnaguinhas com 5 azeitonas e azeite de oliva cada. Uma lata de coca cola e duas paçoquinhas. Uns 2,5 L de água. Depois do pedal, uma caixinha de água de coco e água na corrida. Umas 70-90 mg de cafeína (35 no GU, umas 35 na água e mais a coca cola)

Ok, era isso. Foco nos números. Em todos e principalmente na percepção. Se está forte é porque está forte, se está fácil ainda assim pode estar forte, e se estiver forte você vai pagar lá na frente. Foco !

Cambada de louco, não tem o que fazer às 6 da manhã de domingo não ??

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Longão de Jurerê FETRISC, a amostra grátis do Ironman Florianópolis

Pedal na búzios
Não sei mais quem falou, mas a descrição encaixa bem. Uma prova de triathlon de longa distância - mais ou menos um terço de um Ironman, ou dois terços de um meio, um olímpico e meio, tudo mais ou menos - no mesmo local do Iron, um mês antes. Bem legal, sorte de quem veio. Abaixo o clima da transição antes da prova, de noite igua ao Iron ;-))


Acho que agora vou fazer sempre, pois mesmo ano passado sem Iron eu fiz. E dessa vez saiu tudo perfeito, literalmente. Não fiz besteiras na transição, a roupa de borracha não entalou e nem comi nada que me deixasse estragado. Claro que sempre tem os quases. Quando algo dá errado, foi por um detalhe, e quando dá tudo certo também. Os quase errado foram a noite mal dormida e um exagero relativo no treino de bike no dia anterior, além de quase ter errado o caminho na corrida (seria a imbecilidade mais estúpida da história), mas o Fabrício me salvou.

A galera de sempre estava lá, prova no quintal de casa dá nisso. Alguns poucos atletas de outros estados e o grosso mesmo dos 160 eram da região e provavelmente a maioria vai pro Ironman.

A largada foi a de sempre, com a "Dona" Naida botando ordem na marmanjada afobada: "se eu ver alguma cabecinha debaixo da faixa não vai largar" :-)))). E largamos num mar especial. Nadei entalado e relativamente tranquilo até a primeira boia e então totalmente sozinho. Na volta pra praia olhei de relance pra trás e vi que puxava um trenzinho aquático. Segunda volta solta e espetacular, poucas vezes nadei num mar tão bonito, liso, sei lá o que era, talvez o sol com uma luz perfeita, só sei que fiquei viajando até ver que estava respirando muito fácil e aí apertei o torniquete pra fechar a água, 30 min cravado e ~2000m, gostei.

Corri pra T1 que era longe e me mandei pra bike, o Cini saiu comigo da transição e desapareceu à frente. Daí entramos no circuito de cinco voltas com duas passagens nas lajotas, 10 no total. Algo bem travado e técnico, mas muito bom tirando a vibração no trecho de não asfalto.

Fiz o pedal mais constante que pude, apesar de levantar e sprintar nas retomadas nos retornos de 180º. Ainda assim foi constante, com IF 1,02. Pedalei o tempo todo mantendo atletas de referência nos retornos e passagens, sem quase olhar para números. Foi na medida do possível, não sei se conseguiria forçar mais mesmo que não tivesse que correr. Creio que a semana de treinos limitou o potencial suicida na bike.

No terço final do pedal o Sandro me passou e abriu, se não fosse o medidor provavelmente eu acharia que estava lento e poderia tentar ir atrás, mas como vi que estava mantendo tudo igual, fiquei ali na mesma. Gostei desse brinquedo.

Fiquei espantado de entrar na T2 sem o Miranda ter me passado e saí correndo colocando número, viseira e gel no bolso tudo ao mesmo tempo. Entrei no circuito nas ruazinhas atrás da búzios, contornos e esquinas pra todo lado. Muito legal pois dava pra ver os atletas várias vezes, mas aí achei que estava muito forte. Só que a corrida não era longa e resolvi manter o ritmo para ver no que dava. Como disse o Roberto na largada, explicando a regra para um recorde mundial pessoal: sair forte, manter e sprintar no final. Só que não deu pra sprintar, veio uma dor do lado e princípio de travamento nas virilhas, daí no km 10 segurei um pouco.

O Miranda veio no km 12 como um raio, tentei ir junto e parei pra não morrer. Foi como uma martelada do Thor, mas ainda assim gostei muito de ter segurado o maníaco até esse ponto na corrida. Chegada e dispersão muito boas com frutas e isotônico e logo papo com todo mundo, premiação e casa. E fome, muita fome.

Esse ano consegui reduzir o tempo do ano passado em 7 min e melhorar uma posição no pódio, onde dada a composição do mesmo, fiquei muito feliz. Uma galera realmente forte, referências desde que comecei a treinar triathlon.

Pódio ! 3º cat e 19º geral
Muito obrigado aos atletas que me fizeram ir mais rápido do que achei que dava. E parabéns à toda a galera que não sabe brincar e entra em prova longa em ritmo de curta, a todos que competiram, dos que estrearam aos campeões. Agradecimento especial ao Chefe, que tem criado treinos bem exigentes sem me partir no meio, além de nos dar o exemplo de como é que se compete.

Na próxima vez é o grandão do dia 31. Até maio.

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Dados técnicos

Tomei duas medidas de GU Endurance diluído em água e um gel na bike. Na corrida, outro gel empurrado no km 6. Tudo perfeito, exceto uma fome louca no final. Café da manhã foi duas fatias de pão preto com geléia, café com leite, nacos de queijo e castanhas do pará, às 4:15 para uma largada às 6:45. Dados do garmin estão aqui. Resultados gerais aqui. Pódio geral:

1 Alexander Loiola AITRI
2 Matheus Ghiggi TRIAL
3 José Augusto Antunes TRIAL
4 Felipe Manente ADTRISC
5 Vitor Lemes ADTRISC

1 Mariana Borges ATGF
2 Julia Romariz ATGF
3 Alessandra de Carvalho TRIAL
4 Ana Carla Prade ASBENTRI
5 Vanuza Maciel ATGF

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Fotos



Run




Ultrapassagem do cone


Mais run
Outro run

domingo, 19 de abril de 2015

A pancadaria de abril

Povo do longo de bike
Abril como sempre é um mês divertido no caminho do Ironman Floripa no final de maio. Pra não deixar esse passar da metade sem nenhuma atualização das maluquices, aí vai.

Como não sou triatleta profissional, e mesmo que fosse, ainda teria as outras coisas, tipo vida social, trabalho, etc ;-), tem que dar um jeito de encaixar o volume crescente de treinos nos tempos que sobram.

Na semana passada estive em Brasília para aniversário do meu tio. Saímos de floripa sábado às 6:40 e chegamos no hotel às 9:20. A turma toda já tinha ido na sexta, daí largamos as malas e fomos pro café da manhã. Agilmente percebi que seria o melhor momento para enfiar o longo de corrida, subi, me ajeitei e saí de fininho. 28 km rodando pelo planalto central.

Saí só com dinheiro e boné, sem protetor solar. Comprei um gatorade no km 3 e segui reto toda vida numa via larga de 4 pistas e acostamento com ciclofaixa. Toquei até o pontão do lago sul, local do 70.3, rodei um pouco e voltei. Só fui tomar água de novo no km 20, o que aliado ao calor de 30 graus, alguma secura e altitude, me deixaram feito uma uva passa o resto do dia. Cheguei no hotel e em 30 min já estava saindo pra almoçar, depois às 16 direto pra festa até a 1 da manhã. Chegou pouca coisa mais que o bagaço do resto de mim no hotel.

Domingo planejei nadar no lago paranoá, pra fazer dois longos no fim de semana que não teria bike. Fui até o pontão, não me deixaram entrar na água. Mas também não entraria, lanchas enormes na margem pra lá e pra cá não indicavam ser uma boa ideia. Achei um local de standup com algumas boias e me meti lá. Mas a raia era de 300 m, jetskis passavam a toda e algumas lanchas marolavam tudo. Tem mais embarcação lá essa época do que em Floripa inteira no verão. Foi uma natação tensa, toda hora olhando pros lados com aquela barulheira de motor, não bom. Também achei a água bem pesada, sei lá. Caiu uma ventania e o horizonte ficou preto, daí me mandei pra terminar de festar e voltar pra floripa às 21.

Segunda treinos normais violentos, daí terça uma bike boa e quarta um longão ardido. 30 km já é bastante coisa indepedente de qualquer coisa. Rodei constante o tempo todo, e pela segunda vez, com absoluto conforto.

Na terça antes de Brasília achei um skechers go run ultra na netshoes. Comprei e chegou sexta. Peguei e fui viajar, corri os 28 com o tênis recém saído da caixa. Quarta corri 30. Que tênis fantástico ! Uma coisa estranha, muito leve mas com bom amortecimento, alto mas de baixo drop. Solado para uso misto em trilhas, acho que achei o tênis para o desafrio esse ano.

Sábado fui fazer o teste de FTP na bike. Uma coisa muito ardida, em uma hora em pouco e quase 50 km existem os 20 min mais longos da existência de um ciclista. Um máximo do que é possível fazer naquele tempo. Coisa linda, de queimar a garganta.

Dali sairam 270 W de FTP. Depois do teste ainda fui nadar o longo. Tive sorte, o vento parou e o mar alisou legal, fui até o beach village e voltei, dei uma volta na boia e fechei 4140 m numa boa sem forçar (porque não dava mesmo).

Hoje tentei usar o FTP novinho no longo de bike. E que longo ! Marcamos começar 6:30 no macimabú, duas voltas de 90 até imbituba. Uma galera boa, seguimos cada um no seu ritmo e distância pretendida, tentei me controlar no início e ajudou, só pifei um pouco nos últimos 15-20 km pois o vento estava miserável. Horrível mesmo, aquele lugar é bom de asfalto, pista, segurança, altimetria, mas tem um vórtex de vento escondido lá.

Terminei o treino estropiado mas feliz, saí pra correr 6 km com o mestre Manente e fiquei muito satisfeito com o resultado total. Uma galera boa, pneus furados, um caindo no mato na subida do morro de Paulo Lopes e muita, mas muita vontade de uma galera teimosa, focada e maníaca. Que dia !!

E agora ainda restam dois dias de feriado, e uns 10 de abril... Mas semana que vem tá tranquilo, tem só o  longão na FETRISC no domingo :-))))

Dia bom pra correr em Brasília...

O lago

quarta-feira, 25 de março de 2015

24 horas

O Jack Bauer daria um bom triatleta. Troca de modalidade o tempo todo, corre pra todo lado, não dorme e não morre nunca. Ok, o post não é sobre a série nem exatamente sobre 24 horas.

Na verdade é só um registro desvairado do ritmo às vezes alucinado que a gente, atletas amadores, se impõe. Não que seja ruim, pois é auto imposto e com um objetivo. Algo claro e cristalino, que só depende de nós mesmo. Em quantas esferas da vida temos isso exatamente assim ?

A sequencia de treinos vai muito bem. E aí depois de um longo de corrida sábado que era pra ter sido quarta e um pedal de 140 km no domingo veio um treino espetacular segunda feira, feriado de Floripa. Uma natação no mar que mais parecia uma piscina, muito boa. E aí o treino intervalado longo (agora tem tipo de intervalado, longo e curto). Pancadaria. Cansou.

Terça feira prometia. Acordei às 6:15 pra nadar, nadei e fui trabalhar. Trabalhei e fui pra casa almoçar, almocei e fui pedalar. 50 minutos entalados entre o almoço recém engolido e um voo a trabalho para Porto Alegre. Fiz o checkin no voo em cima da bike, no aquecimento. Bendito celular.

E aí quarta feira voltei de viagem às 17:15 e às 17:35 estava saindo pela porta pra correr 24 km. Não consegui não pensar que era pra estar desmontado em cima do sofá, dormi 5 horas depois de trabalhar até as 22:00 e passar a manhã de hoje de pé. Mas não, tinha treino. E tinha foco, no objetivo. Então na verdade o que parece demência é só vontade e pré disposição de fazer o que se tem planejado. Simples assim.

Claro, ter uma mãe como a minha ajuda. Num momento de auto mimimi dei notícia de que tinha chegado no grupo de whatsup da família, 'reclamando' que já teria que sair pra correr. A resposta veio simples: "vai firme filho, dorme depois".

E tem um detalhe: voltar pra Floripa é sempre bom. Chegar num dia azul é melhor ainda, mas correr em casa com um visual alaranjado de fim de tarde, debaixo de uma ventania louca de nordeste, com os visuais das pontes, das montanhas do tabuleiro e do mar é DUCAR@!H0 !

Diz que não é duca... foto do Adriano, que provavelmente estava pedalando por aí...

sexta-feira, 13 de março de 2015

3FUN Race Triathlon Canela

Desde 2013 quando ouvi falar dessa prova fiquei com vontade de ir. Pedal desnivelado, natação no lago e principalmente corrida em estrada de terra com morros. Perfeito. Daí em 2014 teve El Cruce e não deu pra ir, mas esse ano eu não perderia.

Saímos de Floripa o Fabrício e eu e chegamos em canela às 21:30 de sexta. Jantar com a turma da Ironmind e então saímos à caça das pousadas. Acabei ficando em outra e complicando a logística toda ;-).

Sábado fomos nadar no lago e reconhecer o percurso da corrida, que se mostrou interessante. À tarde foi dedicada ao almoço e um breve descanso antes de ir pro congresso técnico. Lá confirmamos que realmente haveria a prova longa de triathlon. Haviam rumores preocupantes de que a polícia rodoviária não liberaria o ciclismo.

Ficamos sabendo que a prova seria com trânsito liberado. Totalmente, nenhum cone no percurso além do início e fim do trecho de 28 km. Coisa diferente e interessante. Fui pra pedalar com a atenção de sempre como em um treino qualquer, e a prova se mostraria muito tranquila dessa forma, com pouquíssimo movimente de carros. Se tivesse um fluxo maior de veículos a história seria outra. Mas o povo do local decidiu assim, pareceu razoável ante à ameaça de não ter ciclismo (!).

A largada foi marcada para às 8:30, tarde na minha opinião. Amanheceu frio, 12 C quando fui tomar café da manhã na pousada. Dia azul típico da serra, mas daqueles que já indica que vai esquentar logo.

No parque fazenda da serra todo o evento iria se desenrolar: transições, lago de largada e chegada. Depois de arrumar todas as tralhas e me certificar de que havia tempo de sobra fui pra fila do banheiro, de onde saí às 8:25. Corri pro lago, me vesti e pulei na água, aqueci e voltei, para então esperar quase meia hora pela largada, que veio sem aviso. Quase não percebi, e ainda tive que botar o garmin em modo triathlon e dar a partida.

Comecei forte e asfixiado como sempre é bom fazer em largadas. Logo nenhum trânsito de braços nem pernas e segui nadando firme, contornei a boia e voltei reto mirando no cocho de cavalos que usamos de alvo no treino do dia anterior. Muito bom ter ido reconhecer a natação, não dava pra ver a segunda boia direito devido ao sol bem de frente.

Duas voltas e saí da água com pouco mais de 25 min pra 1600 m. Coisa linda., nessa hora pensei que treinar esgoelado na piscina parece que funciona. Daí então peguei meu Crocs e saí correndo ladeira abaixo pra T1 calçado com o chinelão. Ouvi alguns comentários durante esse trecho :-).

T1 feita rapidamente e segui pra subida de lajotas pra sair do parque, aí então pegava uma descida perigosa rumo a um trevo e então entrávamos na rodovia RS 235 que ia de Canela à São Francisco de Paula. Um percurso duro, com vento contra na ida. Sempre subindo ou descendo, 54 km e 600 m de desnível positivo acumulado. Gastei um bocado de perna na ida, sofri pra manter alguma decência nas subidas, estranhei bastante o cansaço. Apesar de estar há mais de mês sem pegar serra na bike, achei que seria mais tranquilo.

Só que foi sempre no talo, batimento lá em cima pros meus padrões. No terço final da ida o Miranda me passou, logo vi os líderes e o Roberto voltando furioso e logo chegamos ao retorno. Muito legal uma perna de bike de única volta.

Com vento à favor comecei a estranhar uma coisa: estava faltando marcha ! Desde a ultrapassagem eu mantinha o Miranda no visual, não mais que 60-80 m creio. Nas subidas até aproximava, mas ele sumia nas descidas. Ao passar pelo pedágio na volta pegamos um longo trecho em descidas, e ali me toquei: a roda de prova tinha um cassete 12 ! Com as minhas coroas compactas, 11 é bem melhor do que 12. Pra ter uma ideia, em treinos eu chegava a pedalar a 60km/h em descidas sem passar de 100 rpm, na prova a partir de 50km/h já batia em 105-110 rpm.

Assim, perdi algum tempo nas descidas mas economizei perna. Chegue na T2 bem e saí correndo feito louco, como sempre. Mas logo o terreno deu as ordens, uma subida azeda por sobre palhas de pinheiro até a estrada de terra.

Viramos pra direita e despencamos 4 km de descida suave mas constante, buracos e pedras pequenas e médias. Do jeito que eu gosto, deu pra socar bem a bota na primeira ida, vi o Roberto voltando em terceiro e o Miranda logo depois, contei estar em 12º nesse ponto da prova.

Os próximos 4 km foram azedos. Emparelhei com um cara e seguimos ombro a ombro, revezando a puxada. Ele acelerava na subida e eu na descida. Segunda volta e outra descida alucinada, passei alguns atletas e no retorno comi o terceiro gel da prova, agora era gastar o que tinha. O calor pegou e o povo sofreu naquela estrada poeirenta. Coisa muito legal pra um triathlon. Preciso achar outros assim.

Vi que estava em 11º e voltei o mais forte possível. Nos últimos 4 km consegui passar alguns atletas e cheguei desmontado. Depois de me recompor fomos pra premiação, almoço, arrumar tudo no carro e então pegar a estrada pra voltar pra casa, mais seis horas depois de 3:20 de pancadaria pura. A quarta modalidade.

Valeu demais a prova, o lugar, os amigos e o clima sensacional. Vamos ver se teremos a prova novamente ano que vem, espero que sim. Vou virar freguês.

Fiquei extremamente satisfeito com o resultado dos treinos. O caminho está certo. Falta muito mas ainda assim falta pouco pra dia 31 de maio, o objetivo do primeiro semestre. Vai ser bom.

Um agradecimento especial ao Saul pelas fotos sensacionais que fez. Muito obrigado.

Até a próxima, que é logo.

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Dados técnicos:
Swim: 1,6 km (eram 1500)
Bike: 54 km (6 a menos que o previsto)
Run: 17,5 km (1,5 a mais que o previsto).
Garmin aqui.
Consumi duas medidas de GU Endurance na água da bike e 3 gels na prova.

Agora às fotos...

Igreja de pedra em Canela

Visual da janela do quarto

Mais janela

Natação excelente

Lago e pedaço da estrada da corrida
Inspecionando o lago com escolta local



À esquerda na foto o pai do Fabrício, pouco antes da largada.
Ele foi lá na T1 buscar minha Crocs para eu ir correndo com as patinhas protegidas :-)
Valeu !



Treino coletivo Ironmind. Formação de nado assíncrono, como diz o Éder ;-)

Largada de uma das provas. Além da longa, teve short, travessia e corrida rústica

Antes da largada.
Saindo da água

Corrida
Mais chegada


1º na 40-44 e 7º geral. Missão cumprida: dar trabalho pros adversários :-)


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Processamento de dados - garminconnect, strava e stravaplus

Pra uma mente analítica e descontrolada por treinos, essas modernas ferramentas web de tratamento dos dados são um prato cheio. Agora com o garmin 920 tem ainda mais tralha pra analisar (na corrida agora é pace, fc, cadência, oscilação vertical, contato com o solo, sem os óbvios tempo e distância). Breve haverão dados em watts também.

Mastigar esses dados em planilhas é divertido, mas nada é mais interessante do que explorar um pouco essas ferramentas que evoluem a cada dia. O garminconnect demorou mas parece que está com uma solução de segmentos estável.

Consegui ver por exemplo que no percurso do treino dos sábados na bike, tive uma evolução legal nos últimos tempos, coisa que ainda estou procurando entender a causa. Só por ser neurótico mesmo, por que está muito bom !

Leaderboard de mim mesmo


Como qualquer ferramenta, serve pra coisas boas e não tão boas. As não tão boas são as palhaçadas de sacanear os dados (andar de moto com o garmin em bike, 'esquecer de desligar' e sair de carro em modo corrida), usar ferramentas web para 'turbinar' os treinos e competição descontrolada.

Já as boas são muitas. Competição saudável com os amigos, encontrar rotas e principalmente comparar os próprios resultados sem ter que ficar planilhando tudo são as principais. E essas soluções de segmentos permitem exatamente isso.

No strava por exemplo, você pode ver graficamente a evolução em um determinado percurso. Esse começo de temporada pro ironman tem tido uns treinos com estruturas semelhantes na semana, e fazendo no mesmo percurso quando vi tinha uma relação de resultados bem legal pra brincar. Por exemplo, descobri que as corridas de 18 km estão as mas rápidas desde que comecei a prestar atenção na cadência. Os batimentos ficam bem na Z2 nesses treinos. Ou seja, está havendo evolução.

Corridas no mesmo percurso e a evolução

É bem mais fácil ver isso dessa forma do que olhando uma lista de treinos misturados no garminconnect e tentando comparar só um com outro. Dessa maneira compara tudo com tudo, bem legal.


Na bike idem, agora com segmentos nos dois aplicativos. E outro dia descobri um 'turbo' pro strava, um plugin pra chrome chamado stravaplus, um negócio que expande as features do strava (parece que algumas são iguais as que tem na versão paga). Fica 'infiltrado' dentro da página do strava, e parece que não é autorizado pelo strava. Não entendi como é feito ;-).

Mas é bacana. Funciona pra ciclismo por enquanto e mostra uns histogramas bem interessantes da distribuição do esforço, ritmos, etc.

Ou seja, tem coisa pra caramba pra fazer além de trabalhar, cuidar da vida, treinar, postar. Você também pode perder um tempão analisando os dados produzidos nos treinos ;-D. Enjoy.

O strava plus, muito bem bolado

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O treino de corrida mais esdrúxulo a história

Depois de um dia cheio fui pro funcional na Nura e ao sair de lá já era noite e os relâmpagos enfeitavam o céu. Achei que era uma trovoada de festim. Fui pra beira mar do estreito e começou a pingar, uma ventania louca e fui me esticar, saí do carro e buuum, um estouro e apagou toda a iluminação da pista e da ciclovia. Breu total. Fiquei no carro assistindo a chuva engrossar e nada e acenderem os postes.

Resolvi ir pra beira-mar de são josé. No caminho até lá o céu desabou e as ruas encheram, já foi complicado passar lá de carro. Entrei num estacionamento com tudo alagado e fiquei olhando a pista. Um tanto inviável fazer tiros naquele dilúvio. Os limpadores do parabrisa já não davam conta, enxergar seria difícil. Estava escaldado de ter ido pedalar vomitando ontem mas não queria deixar de correr o intervalado que já não tinha corrido na semana passada.

Fui pra casa pensando em esperar até as dez da noite, mas seria tarde. Resolvi ir pra maldita, a esteira. Só que a infeliz do condomínio é realmente podre. Fiz o aquecimento... durante, veio um vizinho olhar e perguntar quando tempo eu ainda levaria. Ele provavelmente iria correr só uns 20 min e eu disse que em meia hora sairia, talvez menos se parasse de chover. Só tem mais uma esteira na 'sala da academia', pior que a podre. Ele disse que voltaria em um hora.

Fiquei ali claustrofóbico escutando os trovões mas no final dos 4 km não aguentei. Sem condições. O teto é baixo, é abafado e eu estava derretendo e ficando zonzo ali dentro. Olhei pra rua e vi que tinha parado o temporal, só sobrou uma chuvinha fina e raios horizontais que não desciam pra terra.

Saí determinado a gastar o asfalto. Perto de casa só tem uma reta de 200 m de asfalto plano, o restante ou é em desnível ou em pavimentação de lajotas. Assim, fiquei ali feito um maluco, ensopado na ventania correndo de um lado pro outro. Nos intervalos, percebia olhos desconfiados espiando pelas janelas das casas.

Incomodei bastante um cachorro que latia sincronamente com as passagens dos 400 m. O treino era assim: 4 km aquecendo, 1 km fartlek com acelerações, 5x400m com 1 min de intervalo e aí 1 km e então descansava 1:30 e repetia os tiros de 400 e 1 km. Coisa simples mas engraçada de se fazer às 21:30 de uma noite chuvosa numa vizinhança residencial pacata.

Servi de sinalizador e ponto de informações pra três entregadores de pizza, respondi às horas pra uma senhora que passou de sombrinha descendo do ônibus e assustei uma mulher aparentemente voltando da academia.

O treino saiu, totalmente na marra e com um gostinho muito bom. Tempos são sempre relativos, até porque tinha um pouquinho de desnível e o pior, tinha que fazer retorno pra fechar 400 m, coisa horrível parar à zero no meio de um tiro pra acelerar de novo. Mas os blocos de 1 km me deixaram feliz. Saíram relativamente fáceis e constantes mesmo com curvas, descidas, retornos e aclives.

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. E amanhã cedo tem natação.

Valeu !

Veja a escala, 50 m. Dá pra ter ideia do trilho que ficou no asfalto hehehe

Dados, muitos dados. O melhor é a FC e os intervalos de 1 km.
O trabalho proposto saiu :-)

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Treinos perfeitos na benevolência eólica

Essa é uma boa definição. Um fim de semana de ventos calmos, mar calmo, sol mas com temperatura agradável pra época. Fazia tempo que eu não escrevia sobre treinos, que vão indo muito bem. Mas esse finde foi especial, principalmente hoje.

A pancadaria começou com o intervalado de corrida que fiz na sexta. A coisa caiu bem mas me detonou. Foram 15x400 com paces fortes e aí o treino sábado cedo.

Jurerê estava uma piscina. Água clara e quente, uma beleza. Fiz uma volta grande, aí encontrei a Julinha, fiquei confuso e acabei fazendo 3 tiros, pois ela estava com duas grandes e dois tiros. Valeu a pena esticar o treino naquele mar. Depois, um pedal padrão, com 1 volta forte no velódromo.

Senti um pouco as pernas, que antes da corrida de sexta estavam sentindo o treino de VO2Máx na bike da terça. Coisa em cascata. Saí do taikô direto pra casa, almoçamos e aí praia de novo ! Voltamos pra Jurerê pra ficar até às 20:00 e ainda fui no supermercado antes de desmontar. Desnecessário dizer que estava podre e marcando pedal às 6:15 de domingo. A intenção é que vale :-).

Bem que tentei, mas só me auto-guinchei pra fora da cama 6:30. Comecei a pedalar 7:15 rumo à BR norte. Toquei pra BR e encontrei um pelote gigante de ciclistas, coisa legal de ver. Aí fui tocando de forma absolutamente tranquila e rápida. Quase nada de vento no windguru e nas bandeirinhas nos postos de gasolina. Mas estava tranquilamente rápido. Vi o Milton pedalando em tijucas, aproveitando a vida no litoral catarinense :-).

Segui até porto belo depois do pedágio. Na volta parei no posto do avião pra abastecer água e encontrei dois MTB que estavam treinando pra um audax 300. Pelo que disseram o Manente tinha saído dali há pouco tempo.

Voltei e o pelote retornou bem na hora, segui em ritmo mais firme e encontrei mais um cara de TT, aí então o Fábio Carvalho, com quem troquei umas palavras e ele retornou pra camboriú. Depois passei por uma menina de TT. Tem gente pra caramba andando de TT por aqui na 101 :-).

Em biguaçu a galera do ciclismo me alcançou com o Régis Moluxco e aí segui mais forte tentando acompanhar, o que aconteceu rápido, logo arrefeceram e segui com mais uns 4 pelo estreito e então de volta pra casa. Maravilhado que estava com o dia perfeito e o treino sensacional, quase não vi o pneu traseiro furado na praia do meio, a 1 km de casa. Raios, tava virtualmente perfeito, mas isso não estragou nada. Calmamente já resetei o garmin e parei no ponto de ônibus pra trocar a câmera. Achei logo o culpado, um arame enfiado bem na banda de rodagem. Preciso botar mister tuff, não furaria de certeza.

Foi o pedal com percepção de esforço e batimento mais tranquilo que já fiz pra distância e velocidade. Coisa muito aprazível. Acho que o Dráuzio Varela tá errado. Não é só bom quando termina, é bom durante !

Natação de terça. Só pra constar a reabertura da piscina do clube doze, alívio !

Jurerê as 7:30 de sábado

Construindo alguma coisa

Cavou e achou água !

O posto do avião

Corrida longa, executada 100% na zona 2 (ok, 100% não pq tem que começar aquecendo :-)