domingo, 8 de fevereiro de 2015

Treinos perfeitos na benevolência eólica

Essa é uma boa definição. Um fim de semana de ventos calmos, mar calmo, sol mas com temperatura agradável pra época. Fazia tempo que eu não escrevia sobre treinos, que vão indo muito bem. Mas esse finde foi especial, principalmente hoje.

A pancadaria começou com o intervalado de corrida que fiz na sexta. A coisa caiu bem mas me detonou. Foram 15x400 com paces fortes e aí o treino sábado cedo.

Jurerê estava uma piscina. Água clara e quente, uma beleza. Fiz uma volta grande, aí encontrei a Julinha, fiquei confuso e acabei fazendo 3 tiros, pois ela estava com duas grandes e dois tiros. Valeu a pena esticar o treino naquele mar. Depois, um pedal padrão, com 1 volta forte no velódromo.

Senti um pouco as pernas, que antes da corrida de sexta estavam sentindo o treino de VO2Máx na bike da terça. Coisa em cascata. Saí do taikô direto pra casa, almoçamos e aí praia de novo ! Voltamos pra Jurerê pra ficar até às 20:00 e ainda fui no supermercado antes de desmontar. Desnecessário dizer que estava podre e marcando pedal às 6:15 de domingo. A intenção é que vale :-).

Bem que tentei, mas só me auto-guinchei pra fora da cama 6:30. Comecei a pedalar 7:15 rumo à BR norte. Toquei pra BR e encontrei um pelote gigante de ciclistas, coisa legal de ver. Aí fui tocando de forma absolutamente tranquila e rápida. Quase nada de vento no windguru e nas bandeirinhas nos postos de gasolina. Mas estava tranquilamente rápido. Vi o Milton pedalando em tijucas, aproveitando a vida no litoral catarinense :-).

Segui até porto belo depois do pedágio. Na volta parei no posto do avião pra abastecer água e encontrei dois MTB que estavam treinando pra um audax 300. Pelo que disseram o Manente tinha saído dali há pouco tempo.

Voltei e o pelote retornou bem na hora, segui em ritmo mais firme e encontrei mais um cara de TT, aí então o Fábio Carvalho, com quem troquei umas palavras e ele retornou pra camboriú. Depois passei por uma menina de TT. Tem gente pra caramba andando de TT por aqui na 101 :-).

Em biguaçu a galera do ciclismo me alcançou com o Régis Moluxco e aí segui mais forte tentando acompanhar, o que aconteceu rápido, logo arrefeceram e segui com mais uns 4 pelo estreito e então de volta pra casa. Maravilhado que estava com o dia perfeito e o treino sensacional, quase não vi o pneu traseiro furado na praia do meio, a 1 km de casa. Raios, tava virtualmente perfeito, mas isso não estragou nada. Calmamente já resetei o garmin e parei no ponto de ônibus pra trocar a câmera. Achei logo o culpado, um arame enfiado bem na banda de rodagem. Preciso botar mister tuff, não furaria de certeza.

Foi o pedal com percepção de esforço e batimento mais tranquilo que já fiz pra distância e velocidade. Coisa muito aprazível. Acho que o Dráuzio Varela tá errado. Não é só bom quando termina, é bom durante !

Natação de terça. Só pra constar a reabertura da piscina do clube doze, alívio !

Jurerê as 7:30 de sábado

Construindo alguma coisa

Cavou e achou água !

O posto do avião

Corrida longa, executada 100% na zona 2 (ok, 100% não pq tem que começar aquecendo :-)

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Dois treinos totalmente diferentes no mesmo lugar

Semana que passou estive na serra pra 'descansar'. Isso significou treino sábado, seguido de churrasco e então após breve intervalo, 4 horas seguidas cortando grama e limpando folhas de araucária. Um baita treino funcional / cross do tipo indefinido. Fiquei com o 'core' todo dolorido e aí então teve treino longo no domingo bem cedo.

O tempo ficou excelente sábado, pouco calor, céu aberto e visual bonito pra todo lado. Um percurso de 40 km com 30 em TT, bem feito. Saí inteiro, mas aí veio a "cortação" de grama. E depois um bocado de vinho a noite. E então bem cedo de domingo acordei com a chuva. Não era pra ela estar lá.

Mas aí uma hora depois limpou e achei que era definitivo. Saí às 8:30 pra pedalar 100 km no mesmo percurso do sábado, céu abrindo... e aí fui, voltei e fui de novo, tudo tranquilo mas um vento com ar de gelado. Fiz o último retorno nos pés da serra do corvo branco e retornei. Aí a coisa tava preta. Muito preta.

Tinham uma nuvem de 'frente' de tempestade em cima do morro da igreja e um vento gelado vindo de lá. A estrada é praticamente uma reta e o vento vinha nas fuças cada vez mais gelado, indicando que vinha coisa feia. Fui pensando em me abrigar num estábulo no caminho mas achando que daria tempo. Passei pela última coisa onde dava pra me esconder a uns 7 km do carro ainda sem chuva mas com trovões e raios e segui achando que daria tempo. Dois minutos depois chuvinha e chuvarada, escureceu tudo, os carros acenderam os faróis e gelou de vez. De óculos escuros, não conseguia ver o display do garmin, mas sem não aguentava os pingos nozóios. Era algo como essa nuvem no começo do vídeo abaixo, só que mais preta e vindo do morro da igreja.


Fui no pânico até o carro e parei por lá mesmo com 82 km, ensopado até a alma e gelado. Não tinha um pano seco no carro, tirei a camiseta e me enfiei ensopado mesmo no porta malas, liguei o ar quente e fiquei um tempo ali. Dedinhdos do pé duros.

Incrível a variação tão extrema em dois dias seguidos. E aí a tarde mais chuva, um descanso e aí abriu sol de vez, arregaçou e esquentou pra valer. Umas 4 horas depois de passar frio no pedal estava morrendo de calor arrumando as malas pra voltar pra floripa. Esse Chuvalski não acerta uma na serra mesmo hahaha.

Aí os restos do sujeito. Ainda bem que tinha um chá de hortelã recém feito :-) !

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Run With Us - Strava: veja isso e saia correndo agora mesmo !

Incrível o poder de empolgação desse vídeo. Só fera, o Killian Jornet e cia, todos fraquinhos em cenários ímpares. Enjoy.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Quem fica parado é poste

Já é ano de Ironman ? Pois então, começou de mansinho e vai indo bem. Os treinos estão indo muito bem obrigado. Surpreendentemente as corridas no calor não estão me aniquilando como antes, até o batimento está subindo pouco no forno que tem feito esse ano.

A estrutura está um pouco diferente, tenho que conversar com o chefe pra entender melhor mas está muito legal. Tem intervalado pancada em tudo que é modalidade. Anaeróbios de 30 seg na bike, do tipo que acho que me fez evoluir bem no ano passado. A corrida tem umas malvadezas de 400 m que são sempre ardidas e legais e não lembrava de ter no início do ano.

Agora a natação é que pegou. Tá pegando porque tô fazendo mais força claro, mas eu não nadava com esse empenho nunca. E de alguma forma, a coisa sai nas provas. Mas agora a ideia é melhorar pra melhorar mais nas provas. E pra melhorar na piscina meu filho, tem que estar com vontade de sofrer dum jeito que eu não conhecia. Não tá saindo absolutamente nada que preste ainda, mas tô me esgoelando.

Mas o legal mesmo é não ficar parado. Porque a vida não é feita pra se ficar parado, não é pra se proteger de tudo e de todos o tempo todo, evitar ao máximo sair da zona de conforto. Quer coisa mais desconfortável do que tiros de 400 m de corrida ? Ou então 30 seg tentando explodir as pernas nas bikes, repetidos 18 vezes ? Treinar todo dia me faz ter no dia a dia aquilo que só consigo mesmo quando partimos para as montanhas, que é ficar de frente  pra natureza e à mercê dos elementos, de cara para a realidade mais simples das coisas. Ficar sozinho com os pensamentos por um tempo, ainda que não pense em nada. Viver o momento, cada batimento cardíaco, como quando se sobe uma aresta afiada de gelo à noite ou então uma encosta de pedregulhos de um volcão congelado. É um jeito de intensificar a existência no dia a dia.

Acho que por isso que gosto do outdoor. Cada treino pode ser uma aventura. Me pego seguidamente pedalando em lugares que não pega celular. Por isso acho que não gosto muito de treinar indoor, pra mim perde um pouco o objetivo. Cada treino longo é oportunidade de ir longe, e longe é legal.

Já tô com saudades daqueles longos de corrida em trilha de 5 horas que fiz pra Indomit, perdido nos cafundós do sul da ilha ou então me enfiando em estradas desconhecidas em Urubici. Para os longos de bike estou começando a pensar e aceitar sugestões.

E com isso tudo em mente, ou mesmo nada na hora da pancadaria dos treinos, começamos mais um ciclo de ironman. Algo que já me assustou um dia e hoje parece incorporado à rotina, já se vão três semanas de treinos ininterruptos e perfeitamente executados. Engraçado como o hábito faz o monge. Vamos em frente, que atrás vem gente. E também pelos lados e na frente, porque largar naquele mar é uma verdadeira máquina de lavar roupas humana. E como eu gosto daquela largada ! Faltam 130 dias !


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Remexido esportivo de 2014

Mais um ano sensacional, e pasmem, ainda continuo evoluindo ;-). Na verdade apesar de velho para os padrões antigos, acho que ainda há muito que evoluir esportivamente :-D.

Ainda bem que eu anoto as provas na aba de resultados aqui do blog, senão seria difícil listar todas. Esse ano competi mais que em todos os outros, e os resultados foram muito bons, e a diversão maior ainda.
  • Challenge Family - Long Distance Triathlon  - Florianópolis - 4º cat, 4h27min
  • Triathlon olímpico Malwee FETRISC - Jaraguá do Sul - 2ª cat, 2h19min
  • Duathlon Blumenau FETRISC - 2ª etapa - Campeão categoria - 1h1min
  • Maratona de Santa Catarina - 42 km - 3h11min25seg, 6º cat, 23º geral
  • Duathlon São José FETRISC - 1ª etapa - Campeão categoria - 1h3min
  • MountainDo Costão do Santinho trailrun 22 km - Campeão categoria / 5º geral - 2h10min
  • Desafrio Urubici 52 km - 5º cat - 5h19min
  • MountainBike Marcio May - 52 km, 1200 m de subida - 2h54, 18º
  • Indomit ultratrail 100 km - 4º cat, 13º geral - 14h22min
  • Triathlon Longo FETRISC - 2km swim, 57km bike, 14,5 run - 4º cat, 3h12min
  • London Easter Run 10 km - Campeão categoria, 8º geral, 38min30seg
  • Meia maratona internacional de Florianópolis, 5º cat, 37 geral - 1h24min03seg
  • Short Triathlon de Garopaba FETRISC - 1h13min05seg, 4º cat
  • Corrida Pedra Branca 6 km - 22min22seg, Campeão geral
  • El Cruce Colúmbia - 100 km - 11h01min, 116 geral, 14º brasileiro
Foram 15 provas, sendo 3 ultramaratonas, um meio-ironman e várias provas mais curtas. Apenas em duas não saiu um top 10, e teve ainda um inédito pódio geral na corrida da pedra branca e pódio da categoria em quatro provas. 11 foram top 5, incluindo a Indomit e Desafrio.

Como não teve ironman as estatísticas penderam pro lado da corrida. Acabei pedalando apenas 5470 km e correndo 2460 km, recorde anual desde sempre. Isso tudo em dois pares de tênis de asfalto e um de trilha. Acabaram-se os últimos resquícios da tendinite no aquiles, logo no ano com a altimetria mais ignorante na corrida de todos os tempos.

Um ano muito legal :-). Fotos aqui se o facebook não sumir com tudo em alguns dias...

Valeu galera, até depois de amanhã.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Recorde do Kilian Jornet no Aconcágua

Aconcágua é a maior montanha do mundo fora da ásia !
Foto do Extremos
Acompanhei esse feito inacreditável essa semana com um bocado de empolgação, e não tem muito o que falar. Exceto que quando estive lá em 1996, levei 12 horas para fazer metade do caminho até o acampamento base, apenas na ida :-). Fantástico o que isso representa. Não é só preparo físico, é estratégia, gerenciamento de riscos, nutrição, estudo do clima, planejamento, equipe... Esse cara é um gênio.

Detalhes aqui: http://blog.summitsofmylife.com/es/2014/12/24/el-aconcagua-nuevo-record-de-kilian-jornet-en-el-proyecto-summits-of-my-life/.

Em 6 dias o cara esteve no cume para treinar, fez uma tentativa até 6200 m e
outra tentativa onde bateu o recorde. Praticamente três numa semana.
Os tempos
Aqui há um vídeo muito legal do Extremos que mostra uma parte dessa expedição. Agora o objetivo do guri é o Everest ;-). Que tenha êxito !

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Treinando sem treinar, mas na verdade treinando só pelo prazer de treinar

Sacou ? Tipo assim, fazendo o que dá vontade, no ritmo que sair e em coisa fora do comum. Dezembro serve pra isso :-). Logo uma subidinha o morro da igreja com descida pelo Bitu. Enjoy the off season.


Travessia pra ilha do Francês, galera boa !
Uma leve barrigada na ida, pois eu não lembrava de que lado era a praia hahahaha

Pedal pelo prazer de pedalar, serra de santo amaro para são pedro.
Sombra E água fresca (tem bicas no caminho)

New machine

A estradinha vem lá longe...



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Challenge Florianópolis 2014 - edição inaugural

 

Um fim de semana cheio e sensacional, esse é o resumo do Challenge Florianópolis 2014 na sua primeira edição. Dessa vez o relato vai ser um pouco fora de ordem cronológica, vamos ver como fica.

Sabe aqueles pesadelos que a gente tem de acordar e a largada de uma prova já ter sido dada ? Pois é, eu sempre tenho, e na verdade sempre acontece de eu chegar na transição para arrumar a bike a e buzina da natação já estar apitando. Só que dessa vez foi de verdade :-). Não, quase.

Acordei 4:52 e estava em casa, em coqueiros, a 29 km da área de transição. Em 10 minutos estava dirigindo com duas bananas e uma garrafinha de chá no banco do passageiro. Nada do pão com geléia, café com leite ou castanhas duas horas antes da prova.

Consegui ajeitar tudo a tempo dos staffs aparecerem mandando ir pra praia que a transição iria fechar. Foi por pouco. Qualquer coisa que tivesse errado acabaria com a prova já antes de começar. Bastaria um congestionamento pela colocação dos cones na pista, uma blitz policial, etc.

O dia anterior foi longo e cansativo. No sábado acordamos às 5:45 para estar cedo em jurerê para a largada do Challenge Women que a Daiane faria. Fui dormir tarde na sexta depois de ficar das 14 às 22 em jurerê para o excelente congresso de ciências aplicadas ao triathlon (outro evento paralelo muito bom) e jantar de massas, de onde vim de carona com o Edu. Aí sábado foi aquela festa, a prova da Daiane e depois a do Arthur, deixar a bike no checkin e zarpar pra casa.

Largada do Challenge Women

Chegada do Challenge Women

A corrida da mulherada foi de 5 km e muito disputada. Vários sprints na chegada deixavam dúvidas se aquele povo era mesmo familiares dos atletas ou atletas disfarçadas. A Débora estava lá e levou o 5º lugar geral, direto das ultra maratonas para uma prova de 5 km.

A Daiane saiu em ritmo constante e chegou no melhor tempo das sua carreira de corredora, muito legal.

Aí fomos lá para a praia ver o mar. Não estava com cara boa, mas confirmaram a natação infantil. O Challenge Kids era outro evento paralelo que eu esperava muito. O Arthur tinha pedido pra participar e depois tinha ficado com medo da natação, então eu estava curioso pra ver o que aconteceria.

Primeiro houve uma prova demonstração com a criançada da escolinha de triathlon da fetrisc, e durante esse tempo a meninada da prova kids ficou lá na praia brincando no mar. Depois alinharam para a largada de maneira exemplar, todos atrás da faixa.

E saíram feito loucos, parecia uma largada de adultos mesmo. De 7 a 12 anos, dezenas de crianças correndo feito tartarugas recém saídas dos ovos para o mar. Muito, muito legal ver aquilo. Só que logo fiquei apreensivo, o Arthur saiu nadando muito rápido e os caiaques estavam mais à frente, de modo que larguei câmera e óculos com a Daiane e fui pra água.

Foto sensacional. Olha só essa foto ! Sério, olha !
Alcancei o cardume quando eles já estavam na boia, daí fui pelo outro lado e depois de uns segundos o Arthur apareceu junto com o Jadoski e o filho. Olhinhos arregalados dentro dos óculos, perguntando pra onde tinha que ir. "Vai pra praia filho, pra praia", e lá foi, fui do lado e quando alcancei o fundo comecei a andar do lado dele até sairmos da água. Correndo rumo à T1.

Molecada preparando a T1
Lá o pequeno ficou bravo por se atrapalhar com o processo de transição e fui eu junto correndo do lado dele na bike. Descalso. Argh. Aí na volta da bike ele não quis correr por achar que já era o último, então de novo saí correndo junto com ele até que uma menina nos ultrapassou, quando então ele resolveu andar porque não adiantava mais correr e nada fazia sentindo kkkk. Assim o baixinho terminou seu primeiro triathlon, bravo e choramingando (por pouco tempo, logo já queria saber quando teria outro).

Depois da brincadeira da manhã de sábado
Mas durante esse sábado eu ainda tinha uns treininhos pra fazer, pra deixar o corpo acesso. Uma corridinha de 4 km moderada e umas braçadas pra sentir a água. Só que não levei óculos, tive que pegar um emprestado com o Alexandre e acabei correndo mais do que deveria e o pior, uma parte descalço.

Depois da provinha Kids a Daiane foi pra casa e fiquei pra deixar a bike. Fiquei no apartamento que o Alexandre alugou até almoçar e aí fomos deixar as magrelas pra pernoitar na transição.

A sorte foi que jantei bem na noite de sábado, senão aquele café da manhã de duas bananas teria causado estrago.


E agora chegamos à prova principal finalmente. Um mar muito revolto, dos mais estragados que eu já vi em jurerê, fez a organização mudar o percurso. O Roberto anunciou a mudança e logo a elite largou. Já dava pra ver a dispersão, tinha muita correnteza para a esquerda.

Largada em ondas com categorias separadas e uns 20 minutos depois largamos. Alinhei junto do Palhares e Alexandre e mais um povo bem à direita.

Pulei no mar e me diverti como nunca. Sério, gosto muito de nadar em mar revoltado. Umas ondas furadas em perfeita sincronia e segue... pra onde ? Uma boia gigantesca e raramente dava pra enxergá-la. Mas eu nadei retinho, aí fui contornar e boia e vi estrelinhas. Uma patada bem no nariz e dentes superiores. Um iluminado estava agarrado às cordas da boia, só que batendo as pernas. Pra quê ??? Grudado na boia e batendo os pés na cara dos outros, que coisa feia. Levei uns segundos pra me recompor, vi que não estava vazando nada dos orifícios nasais e segui pra outra boia. O sol estava no caminho e acabei navegando por ele. Lembrei do filme apolo 13 onde o Tom Hanks tinha que manter a nave alinhada deixando a terra ficar enquadrada na janelinha. Pensei essas e outras bobagens e vi que estava nadando muito leve, aí fui encaixando as braçadas com as ondas e saí num jacaré muito legal. Baita natação.

Transição lenta e desastrada, entalei o dedo no chip do tornozelo e tive que sentar antes que caísse pra tirar a roupa de borracha, e aí saí alucinado pela longa transição. Subi na bike e vi o Palhares, que logo sumiu de vista. Comecei a pedalar com o circuito em mente, sabendo exatamente onde aproveitar o vento e onde tentar brigar com ele. Saí forte e logo estava no morro do estado subindo rumo ao retorno. Vi o Palhares de novo e fiquei com medo de estar forçando demais. Mas estava me sentindo muito bem e resolvi observar apenas a respiração e ardência nas pernas. Soquei a bota contra o vento e não senti muito, fiquei empolgado e voltei de canasvieiras alucinado. Aquilo teria que acabar em algum momento, mas eu estava aproveitando. Nunca tinha andado kilometros planos a 50 km/h na bike. Pra ver a força do vento.

Aí na segunda volta alcancei o Pedro, o Palhares me passou e fomos próximos até que ele sumiu, aí o Heverton também passou e eu comecei a pagar o pato na última perna até canasvieiras. A percepção eólica aumentou - não sei se o vento mesmo ou o desgaste, o ritmo caiu e sensação de esforço triplicou. Mas mantive algum ritmo e começamos a voltar com vento a favor de novo até a transição. Na minha opinião o pior trecho era da SC0401 até jurerê, com vento transversal. A bike chacoalhou como nunca experimentei ali.

Entrei na T2 junto do Pedro e Heverton e saí rápido, ritmo descompensado como sempre. Nem olhei pro garmin e só vi o primeiro lap, 3:53. "Ok, eu não faço meia maratona solo nesse ritmo, então tá forte". Bem nessa hora os quadríceps começaram a espetar. Reduzi e cuidei da técnica pra não dar caibras e segui na sensação de esforço máxima e ritmo decadente.

Primeira das três voltas muito forte, a conta viria. Segunda volta mais moderada como talvez devesse ter sido tudo. Como sempre correr ali em jurerê na muvuca é sensacional. A galera incentivando causa aumentos súbitos do pace. Me controlei pra não agarrar aquelas garrafinhas de coca-cola antes da última volta. Lutei com a vontade de reduzir o rimo, apertei ao máximo até quase espanar a rosca.

Só sobraram restos dessa corrida. Até agora descendo escada de lado
E aí nos últimos km a casa caiu, dor aguda nos quadríceps e ritmo despencando. Forcei olhar no garmin pra tentar não deixar cair muito e segui estragado até a chegada. Atravessei aquele pórtico feliz por uma prova perfeita, dura como poucas, bonita como sempre em Floripa. Extremamente satisfeito, do jeito que eu fico quando sei que não sobrou muita coisa no tanque de gasolina. Pouca coisa a mais e eu teria quebrado, tenho certeza. Essa recompensa pra mim é a melhor, melhor que tempo ou resultado.

O pós chegada é sempre muito legal, principalmente com uma área de dispersão bem estruturada. Fui direto pra massagem e encontrei o Palhares. Quando saí ele estava lá se contorcendo com um pedaço da panturrilha querendo sair da perna. Eu tinha que ter filmado aquilo hahaha.

Descobri a pizza bem depois e comi vários pedaços com os pés na piscina de gelo. Deveria ter enfiados as pernas mas não consegui, começava a tremer. O tempo ficou meio louco quando eu cheguei, caiu uma chuva rápida e eu achei que esfriou (não esfriou, fui eu).

Arrumei as tralhas e me mandei pra casa pra almoçar, cansado até a alma e atravessado de fome mesmo depois de ter comido até cansar. Algo desregulou sem o desayuno.

Baita prova. Acabei em 4º lugar na categoria, com 4h27min. As parciais foram swim 13:41, bike 2:32, run 1:35, o resto foram transições lentas. Pois se melhorassem talvez já ajudasse a beliscar o pódio hahaha.

Dados técnicos:

Corri com o Kinvara 4 ensaboado de vaselina por dentro, com meia. Depois da maratona de Florianópolis fiquei traumatizado. Consumi duas mariolas antes da largada. Na bike, 4 medidas de GU Roctane em pó, 3 gels GU e um gole de gatorade. Na corrida mais dois gels empurrados à força e uns 100 ml de coca cola e mais uns goles de gatorade. Na bike ainda foram duas cápsulas de sal. E água em boa quantidade, pois estava quente. Quente com vento é receita pra desidratação.

Sobre o vácuo !!! Sempre ele ! Vi alguns pelotões, poucos mas vi. O que mais irritava eram as 'duplas' trabalhando juntas. Vi por duas vezes dois caras trocando gel, um pegando água pro outro e revezando descaradamente a roda, o da frente até sinalizava para o de trás assumir a ponta. Espero que estes tenham sido punidos, caras de pau. Os pelotes que vi por duas vezes foram sinalizados pelos árbitros, e provavelmente aí saíram as punições. Como sempre há os inocentes que pagam o pato pela cambada de vaqueiros que não toma jeito, pois é muito difícil ultrapassar aquela maçaroca de gente. Mas espero sinceramente que a galera desonesta pense duas vezes antes de se inscrever ano que vem.

Como pontos a melhorar para a prova, o mais importante é o abastecimento de água. Peguei um posto sem (com gatorade e coca-cola) muito cedo. Além disso o checkin seria mais rápido se o número da bike viesse na sacola e não tivesse que ser localizado e colado na hora. Que seja uma prova consolidada em Florianópolis e no Brasil.

Fotos do Gai e do Saul. Obrigado !!!

sábado, 15 de novembro de 2014

Simulado realista para o Challenge

Eis que o chefe marcou um treino legal pra hoje. Um off na sexta é excessão da excessão ainda mais a duas semanas da prova. Isso provavelmente foi pra deixar a bateria recarregar um pouco e dar aquela vontade de torcer o cabo.

Um dia espetacular amanheceu e eu saí atrasado pra variar. Em coqueiros, nem uma nuvem e vento sul fraco. Cheguei no fim do aquecimento e aqueci pouco mais que nada e aí entramos na água para duas voltas na boia plantada lá longe pelo Ricardinho. Da praia apenas uma ervilha amarela, de dentro dágua praticamente invisível. E o objetivo era simular tudo, entrada e saída da água, orientação e ritmo de prova. Foram duas porradas em pouco mais de 18 min mais um pouco solto, deve ter dado uns 1200 m.

Daí foi a bike, 90 km na SC 401 entre o pedágio e a vargem pequena. Era pra sair com calma e botar um ritmo 'firme' na estrada. E foi firmando a medida que o tempo foi passando, junto com o aumento do vento sul. Voltas muito boas e alimentação encaixada. Na veradade tem encaixado sempre, percebo que estou precisando menos de comida nos treinos. No longo de quarta por exemplo, foram 20 km com nada.

O pedal foi excelente e eu forcei um bocado pra ver o que seria a corrida. Sprintei algumas vezes mais pra levantar do banco (tem algo errado na bermuda ou nas partes), forcei bastante contra o vento.

Aí então foi a vez da corrida, uma pancadinha de 7 km sem deixar a FC subir muito, mas subiu mais pelo calor e desidratação. Um ritmo forte mas suportável por mais tempo, já dá pra ter ideia do pace a usar na meia maratona do Challenge. E da FC, cadência e esforço na bike, assim como a agonia respiratória necessária na natação. Um baita simulado, bem realista. Acabei cansado mas inteiro, valeu cada gota (foram litros) de suor desse treino sensacional.

T-2weeks


domingo, 2 de novembro de 2014

O prazer da exaustão

No treino de hoje, especificamente no final da corrida, lembrei de uma frase ouvida do meu amigo Sandro Chaves, o Jacó. Lá nos idos de 1900 e guaraná com rolha, quando eu comecei a correr incentivado por ele, ele usou essa frase. Eu acho que era um jeito de dizer inundação de endorfina.

Os treinos tem sido muito bons. Há sempre alguma malvadeza ultimamente, pois estamos no último mês antes do challenge, a prova na distância de meio ironman que estréia na américa do sul agora no final de novembro aqui em Floripa, a capital do Triathlon :-).

Terças feiras há agora um treino de bike de 'capacidade anaeróbia'. Isso é uma coisa muito, mas muito ardida. Incrível como um minuto de esforço beirando ao máximo, repetido 10 vezes, pode ser extenuante. Mas dá um gostinho bom terminar aquilo vendo as séries não caírem a medida que o treino vai progredindo, mesmo que às custas de muita queimação nas pernas e na garganta.

Na quinta-feira saiu um treino de natação incomum. 15 x 100 sempre abaixo de 1:35, o que é muito rápido pros meus padrões de piscina com virada de sapo. Arfava forte no final. Sexta um intervalado malvado que saiu até que fácil, mas sempre com aquele desespero no final dos tiros mais longos.

E aí o domingo pra fechar com chave de ouro. 110 km de bike e a corrida de transição era pra ser 'forte'. Saí já com calor quase ao meio dia, uma sensação de cozimento, abafamento e umidade impressionantes. Soquei a bota sem olhar nada e fiquei feliz de ver o resultado, e ainda mais feliz quando terminou. Porque o prazer da exaustão é melhor depois da exaustão terminar :-)

A exaustão !