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sábado, 31 de outubro de 2020

Maratona solo

Correr uma maratona tem algo de especial. Tem alguma coisa nessa distância arbitrária que causa uma euforia no completamento do odômetro que é diferente de qualquer outra. Não basta correr 41 km, e correr 43 não aumenta muito o efeito da endorfina.

Nesse ano caótico de 2020 não haveria chances de correr uma maratona numa prova, mas também não queria passar o primeiro ano desde 2003 sem completar uma, então no dia 20 de setembro acabei fazendo uma maratona solo totalmente no improviso, e vou dizer, foi um aprendizado interessante.

A ideia estava lá e eu sai já com más intenções de completá-la, mas sem muita certeza pelo histórico recente de treinos. Então durante o percurso acabei decidindo completar a distância mítica. Uma coisa fantástica, sair pra correr sem rumo, só com um mapa na cabeça e no final ver que fechou certinho, que o abastecimento foi na estica no camelback, a música perfeita e o ritmo fluindo.

Saí de casa pela SC 110 rumo ao vale do São Francisco, desci pela terra batida perfeita e segui aquecendo sem forçar. Após uns 50 minutos com as pernas meio estranhas resolvi começar o protocolo corre/anda e nas subidinhas caminhava, ao invés de andar a cada intervalo de tempo pré-estabelecido. Até ali estava indo fazer o treino de corrida do desafio do MyXTRI Global Challenge, a prova virtual do Xtri World Tour que envolvia 14 segmentos e neste teria que completar 30 km e 1500 m de altimetria. Existe um fator de compensação para quem não tem acesso a grandes desníveis, então para cada 100 m que vc 'não sobe', precisa corre 1,5 km a mais. No mapa mental, eu faria uns 1000m de ascenção, logo já teria que correr 7,5 km a mais. 37,5 é muito perto de uma maratona, então a ideia nasceu.

Comecei a subir o morro da antena um tanto quanto travado, e ali achei que se conseguisse cumprir o desafio seria lucro. Fui negociando as subidas, trotando, andando, correndo onde dava e cheguei no topo com garoa e neblina e stairway to heaven tocando. Conclui que a coisa estava feia pra uma maratona, pois tinha completado apenas a meia e já estava destruído. Mas aí comecei a descer e fui soltando as pernas e pensanddo em como dobrar o que já tinha feito. 

No km 26 fiz a única parada num posto de gasolina e abasteci de líquidos repletos de açucares, uma paçoca e um pão de queijo e então segui para o morro do parapente, novo ponto turístico de Urubici. Fiz as contas de cabeça e decidi que não precisava subir tudo, então desci e cheguei no asfalto novamente com as contas erradas e precisei fazer o único vai-e-vem do percurso, passando um pouco da entrada do invernador e voltando para entrar na estrada de terra novamente.

Aos 39 km precisei fazer uma parada para xixi e então toquei sem mais parar nos morrinhos até em casa. Passei os 42 km e fui olhando o garmin até virar mais 200 m e então ergui os braços, soltei um berro e agradeci em silêncio pela oportunidade de poder fazer isso.

Foi fantástico negociar com as pernas e o percurso, manter a cabeça boa e positiva num dia cinzento e gelado, sem ninguém pelo caminho. Acho que apenas a experiência permitiu completar esse percurso dessa forma, é fantástico como saber o que vem pela frente nos faz dosar instintivamente o ritmo para que no final as pernas estejam ocas mas o percurso esteja completo. Nas contas de cabeça, seria a 46ª vez cumprindo a distância maratônica ou superior.

Uma maratona solo na chuva, bem feita e sem me arrastar, sem planejamento - inclusive no dia anterior saiu 4h40min de MTB pela serrra do corvo branco. Uma oportunidade de simplesmente fazer o que gosto, sozinho com meus botões, mas muito bem acompanhado.


Dois morrinhos no caminho

A volta ao mundo em Urubici

Alone in the mountain

Morro do parapente (em outro dia, claro)

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Maratona de Santa Catarina 2014 - no fio da navalha

Depois de 4 anos sem uma maratona oficial, eis aqui outra pra matar a saudade. Maratona não deveria deixar saudade, mas deixa. Uma prova além da distância razoável, mas muito menor do que as absurdas ultras. Ainda é possível forçar, fazer um ritmo forte. Mas tem que saber que vai doer. Porque não tem jeito: uma maratona de ironman ou trilha vai ser sempre mais fácil que do fazer em alta intensidade o bate-estaca cadenciado e eterno de uma maratona 'plana' no asfalto. Uma só exigência de musculatura, a ponto de pisar numa pedrinha lá pelos 40 km e sentir as pernas não responderem à uma mudança mínima no movimento.

Então eu deveria ter me preparado direito. Só que não. Acabei encaixando a maratona como a terceira de uma séria de provas, o mountaindo costão com 22km de trilhas e um duathlon extremamente ardido. E aí uma semana de treinos leves e uma pré-prova de guloseimas farináceas que deixam qualquer um estufado. E ainda assim o resultado foi bom. Muito bom. Eu passei algumas horas depois da prova pensando se gostei ou não e a conclusão foi que gostei muito. Embora bem longe do alvo, o resultado foi fruto de uma estratégia arriscada (e portanto incerta) e do máximo esforço para a situação. Assim, vamos à Maratona SC 2014 !

Alinhei à frente depois de algum aquecimento dinâmico e larguei controlando o pace o tempo todo. Logo de cara passamos pelo túnel e aí tasquei o lap no garmin, de forma que nunca mais a marcação de kilometragem bateu, mas tive como controlar o pace no início. E então foram-se os 12 primeiros km, uma ida e volta até o trevo da seta no final da baia sul. Ritmo dentro do previsto. Na verdade, não muito. A sugestão do Roberto foi tentar fazer uma prova progressiva, algo entre 4:25 a 4:15 até uns 15 km, aí apertar para 4:15 e ver o que dava pra fazer depois dos 32 km. Aí eu pensei: 4:16 é um pace para sub-3. 4:15 é melhor ainda, mas se for fazer 4:25 até os 15 nunca mais vai sair 4:15 de média. Fiquei matutando isso, se deveria botar um foco em sub3 mesmo sem treino específico nenhum. Bom, quem não arrisca não petisca. Como eu iria saber se dava sem tentar ? Eu achava que não dava, mas que poderia ser 3h bem baixinho. Não é toda hora que se faz uma maratona, então resolvi tentar: saí em 4:15 e tentei manter isso o mais constante possível. O progressivo foi deixado de lado para fazer algo constante, mas que saiu regressivo no ritmo e progressivo no esforço e desespero para chegar.

Ainda assim não foi constante, pois tinha vento e algum sobe e desce muito leve. Encontrei um cara de Blumenau e fomos revezando a marcação do ritmo e quebra do vento. Alguma perseguição para pegar um outro grupo à frente e logo estava correndo entre dois grupos grandes, um à frente e outro bem longe lá atrás. Isso até o 32, porque na terra de ninguém depois dos túneis a densidade populacional de corredores diminuía drasticamente.

Bom, antes de chegar no 32 tem que passar pelo 22, que fica lá na UFSC depois de tooooda a beira-mar. E aí a coisa começou a ficar estranha. Meu pé direito começou a esquentar. Rapidamente estava queimando, uma bolha estava vindo. Lá pelos 25 km o ritmo ainda estava bom e até acelerando um pouco com o vento a favor, mas o pé estava realmente doendo. O esquerdo também, mas era no direito que eu conseguia sentir o líquido se mexendo e espetando tudo na sola do pé a cada passo.

Encontrei o Marco Scarduelli de bike perto da ponte, reportei o estado do pé e perguntei se ele não tinha um pra me emprestar. Ali eu estava seriamente pensando em parar na tentar furar a bolha, mas essa ideia sem noção durou pouco tempo.

Passando na área de chegada no km 32 o ritmo estava perfeito em 4:15 mas o esforço já tinha causado estragos: a FC estava bem alta e o estômago estava muito estranho. Eu sentia a água chacoalhando lá dentro mas tinha que tomar outro gel. Com mais água, claro, o que aumentou o chacoalhamento. Entramos pela terceira vez no túnel e aí no campo desolado da enormidade do mundo paralelo que existe no além túnel (palavras do Palhares). Deserto, corredores espalhados esparsamente e nenhum publico ou movimento, só a ida sem fim. Xinguei um pouco aquele retorno que não chegava nunca, o Jacó estava ao meu lado de bike filmando e rindo de alguma coisa. O ritmo foi despencando, mas ainda apresentava alguma decência. Finalmente o retorno apareceu e foi só fazer a volta e começar a ir contra o ventinho mínimo que o ritmo implodiu de vez. Foi piorando, piorando... fiquei imaginando algo parecido quando alguém que tinha um monte de ações da OGX viu o valor derreter ao longo de pouco tempo.

Após o retorno eu comecei a virar um cone. Quem não estava quebrado me passava na maior velocidade, eu até tentei acompanhar um mas o Jacó me aconselhou a ficar quieto pra não quebrar de vez.

Uma leve vontade de vomitar e finalmente o túnel final. O Décio estava pedalando no lado e me deu uma baita força naquele final sofrido. Fazia tempo que não tinha tanta vontade de andar numa prova. Não teve jeito de voltar algum ritmo nem com a descidinha para a chegada, foi terminar do jeito que deu, completamente embrulhado. Parei feito um toco na chegada, mas logo consegui me recompor depois de me jogar no chão e vomitar um pouco. Fiquei novo !

Coisa realmente horrível é esse pé
Não tão novo. Os pés estavam pegando fogo. Fui pra massagem e tirei a meia, e tinha uma coisa feia lá embaixo que assustou a fisioterapeuta. Depois fui pra tenda da Ironmind comer alguma coisa, e aí então fui pro carro. Que estava lá no raio que o parta, depois do fórum. Uns 500 m de distância, mas naquelas condições muito mais longe do que o recomendado.

Buenas, o resumo foi que o ritmo despencou de 4:16 pra 4:26 em 10 km, os pés pegaram fogo e eu tentei o melhor que pude. Não quebrava desse jeito há tempos, certamente faltou glicogênio e reposição (só entraram 3 GU). Saiu 3h11min25seg de tempo oficial, um recorde pessoal. Menos de 5 min mais rápido do que Curitiba, que com aquela altimetria continua sendo minha melhor maratona em 2010 com 3h16min15seg.

Entonces é isso, o legal é que saiu um 23º geral numa maratona oficial, o que é muito bom ! Categoria não deu nada, 6º, pois os três primeiros eram possuídos e chegaram abaixo de 2h50.

Agora é um breve descanso e volta aos treinos com foco em triathlon de novo, aí vem o Duathlon de Blumenau, Olímpico de Jaraguá, Challenge e Short de Garopaba. Bora lá.

Ali pelos 30 km
Essa meia... corri com ela a primeira vez uma prova longa de asfalto.
Senti CALOR na perna. E ela destruiu a minha sola do pé, mesmo já tendo sido usada no Desafrio.

Os restos terminando a prova... Foto do Daniel Carvalho
Quando reconheci o Daniel fiz de conta que estava tudo bem !!


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Treinos de intensidade, de base e "ganho de performance" com descanso

Outro dia li um tweet do Joe Friel, dizia algo como "no polimento você não ganha performance, perde fadiga pra performance existente aparecer". Tenho percebido isso nessa fase de treinos ecléticos. Outro posto do competitor runner famoso fala muito sobre misturar intensidade em várias fases do treino (não na base, claro).  E aí entramos no assunto do post, que são três na verdade.

Há três semanas fazendo treinos de transição de duathlon nos sábados, percebi uma rápida melhora nos treinos mais 'leves' de corrida e bike. Aparentemente isso se deve à intensidade aplicada nessas transições. A instrução do chefe é simular uma prova, mas sem fazer uma prova. Ou seja, saímos devagar para terminar a primeira corrida no talo, aí pulamos desesperados na bike fazendo uns 15 minutos no sufoco, entramos em regime de endurance até os 10 km finais, que são no verdadeiro pânico. E então, a segunda corrida começa forte pra acabar mais fraca. Isso fabrica uns 20 minutos de intensidade muito alta nesses treinos.

Percebi durante esse período curto uma melhora bem legal nos ritmos nos treinos mais 'leves', o que parece ser bom, já que estamos tentando construir velocidade sobre uma base já existente.

E aí o assunto do tweet. Como os treinos estão confusos, acabam que alguns dias cabem uns off forçados (muitas vezes tem natação ou funcional). Depois desses dias leves (segunda foi um deles, domingo só nadei), parece que o ritmo sobe sozinho e facilmente.

Isso nos leva ao último assunto deste post confuso: o poder do polimento ! Tenha em mente que isso tem um valor enorme, é melhor chegar um pouco mais descansado do que com um treino 'mágico' a mais. Esse treino não vai agregar nada e só vai piorar as coisas. Pode ter até um efeito psicológico interessante, mas não fisiológico. Neste caso do polimento, menos é mais ! Vou testar isso na maratona de SC em 17 de agosto :-).


domingo, 30 de setembro de 2012

Maratona de Santa Catarina 2012 - Olhando de fora

Treino dentro da maratona. Correndo por fora da pista.
Fiquei com medo de atrapalhar os líderes ;-)
Dessa vez acompanhei a maratona de fora. Bom, mais ou menos de fora, meio de dentro também. Saí de casa às 6:30 de bike sob leve garoa e fui pra passarela do samba para a largada da Maratona, junto das provas de 10 e 5 km. Minha mãe estreou numa prova fazendo os 10 km de trote leve e caminhada e o Adriano na maratona.

A parte de 'dentro' da participação foi largar lá no fundo e fazer um longo de 24 km. Saí de leve com o Adriano e depois do túnel encaixei um ritmo legal e segui por mais 21 km. Voltei quando os líderes passavam pelo km 31, o Adriano Bastos e o Queniano grudados.

Nunca dei tanto grito de incentivo para os amigos correndo, parecia um doido. Apesar de correndo também, não estava competindo, então era como se estivesse lá acompanhando a galera. Vi tanta gente que não tenho como lembrar todos, mas não posso deixar de citar toda a galera da Ironmind, o Maurício Bertuzzi, sempre correndo bem e nesta marcando incríveis 3h03min com o primeiro lugar na categoria. O Arthur e chiquinho novamente detonando com um belo tempo. O Tremel vindo de um ultraman e mandando uma maratona de 3h09. A grande ultramaratonista Débora fazendo um treininho de 42 km para correr o MountainDo Lagoa em dupla com a Taty. Meu grande amigo Alexandre guiando um cego, foi de arrepiar. Cadeirantes, Quenianos, gente normal, atletas de performance, estreantes, pessoas de todo tipo curtindo o desafio único que é correr uma Maratona.

Chiquinho, Arthur e Maurício, ícones das corridas em Florianópolis !
Algo sinistro, agudo e grave aconteceu na panturrilha do Adriano,
mas não durou mais do que a foto, km 38
Passando no km 31
Terminei o treino e fui pra tenda da Ironmind buscar a bike. Saí de lá pedalando com o Celinho até que começamos a encontrar um monte de gente e perto do trapiche achamos o Varela, que seguiu conosco até achar o Adriano lá perto da polícia federal e logo depois a Ludimyla. O Jacó também acompanhava. Seguimos encontrando gente, indo e vindo o tempo todo.

Passando pela passarela de novo encontrei minha mãe feliz da vida com a medalha. O Adriano foi muito bem e passou pelo km 31 rapidamente e entrou no túnel, com o Anastácio e Nilson assistindo. Segui um pouco mais rápido para achar o Alexandre. Bonito demais ver ele e o Popeye guiando os dois caras, que correram muito e chegaram sub 4 horas.

O Alexandre e o Gilmar

Precisa dizer alguma coisa ?!
Encontramos a Ludimyla indo bem e seguimos de volta para os últimos 5 km contra o vento forte e leve subida até o túnel e então a chegada. Encontramos o Aracajú e a Cínthia de bike. Fantástico ver alguém concluir uma maratona pela primeira vez. Parabéns brother !!! Logo chegou a Ludimyla também. Minha mãe tinha chegado do 10 km 1 min antes do meu tio Donizetti, ficaram se marcando e disputando durante a prova, hahaha.

Missão cumprida !!!! Parabéns Adriano !!!!!
Saindo de lá fui do jeito que estava pedalando até a casa dos meus pais para o almoço de comemoração. Saldo do dia: 24 km de corrida, 45 de bike e muita, muita curtição. Valeu. Muito bom. Mas que deu uma vontade monstro de correr os 42, ah deu :-).

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Todas as maratonas até agora

Passando no km 33 fingindo que estava correndo (pra não ser arrancado da prova pela família)

Dias desses li que o Galindez fez a primeira maratona solo no rio. Já fez inúmeras em provas de Ironman, mas nunca tinha feito uma solo - interessante ! Não sei porque fiquei lembrando da minha primeira, em 2003. A ignorância foi uma benção àquela época. Se tivesse noção do perigo talvez não tivesse me metido naquilo, e se não tivesse corrido talvez não tivesse ficado tão dependente ;-), e aí tudo poderia ter sido diferente.

Eu tinha corrido uma rústica de 9 km e uma meia (muito boa, 1h35min), aí fui pra maratona. Quase fiquei colado no asfalto. Saí forte demais e quebrei totalmente, vomitei até não ter mais o que sair, tive cãimbras em tudo quanto é parte das pernas e andei uns 10 km. Mas fui até o final e fechei em 4h17. Fui andar direito só lá para quinta feira da semana seguinte.

Estou escrevendo isso pra não perder a memória. Porque antes do advento desse blog eu registrava as coisas numa pagininha no hpg, que saiu do mapa. E tinha algumas antes de 2008, quando essa escrevinhação toda aqui começou.

A contagem está em 21, incluindo as ultras (Desafrio é Ultra !!). Depois de 2003, teve a de 2004, cuja missão era consertar as besteiras da primeira, nota dez. Aí então 2005, quando consegui baixar de 4 horas mas dei umas quebradas. Em 2006 o Hélio me convenceu a correr o Desafrio, 50 km. No ano seguinte, conseguiu me abduzir e fiz a inscrição para o Praias e Trilhas, 42 km num sábado e 42 num domingo, repetindo em 2008 e 2009, quando também fui quebrar lá no K42 em bombinhas. Desafrio foram mais 5 depois do primeiro. A última maratona de Florianópolis foi em 2008. As maratonas do Iron somam 3 e a de Curitiba, a melhor até agora saiu em 3h16. Isso tudo é muito bom.

Chegada de Curitiba

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Maratona de Curitiba 2010



Viajamos daqui no sábado o Maurício, Taty e Rafael, Loreno e eu. Paramos no Sinuelo e chegamos no local do kit às 16:30. Kit devidamente obtido (bem fraquinho) e passeio na feirinha. De lá nos espalhamos e eu fui achar o Clodoaldo e o Ronaldo lá na loja nova da Decathlon. Saímos para pernar e então fomos pra casa do Clodoaldo jantar. Depois do excelente abastecimento ficamos conversando sobre tudo e assistindo vídeos de escalada até a meia-noite. Fui dormir quase a uma da madruga depois de organizar as coisas (tralha danada só pra correr) e pensar na estratégia para a prova. A dúvida era o calor que prometia e a ondulação do terreno.

Acordei às 5:10 e depois do café da manhã saímos eu e o Clodoaldo pra catar o André, que acompanharia de bike. Seguimos para a largada, ajeitamos tudo no carro e fomos aquecer. Não aqueci quase nada e tive que correr para uma parada técnica de segundo nível. Voltei 5 min antes da largada e fui lá pro fundão do bolo, foi a prova mais cheia de gente que já participei. Encontrei o Arthur e o Chiquinho prontos para a ação, junto com o Danton da Ironmind. Trocamos boa sorte e largou sob muita música, gritaria e aplausos do público, clima eletrizante. Andei até o tapete e comecei a tentar correr, o que foi muito difícil pois não havia espaço não preenchido por alguém. Saí desviando pelos lados e depois de uns 3 min comecei a correr forte em descida, fechando o primeiro km quase a 5min/km.

Encontrei o Clodoaldo e o Ronaldo, depois achei o Raphael Bonatto e trocamos um aperto de mão. Depois disso comecei a encaixar o ritmo e entrei em velocidade de cruzeiro. O percurso era ondulado mas plenamente corrível. Fizemos uma volta pro norte e aos 6 km passamos perto da chegada novamente. Lá pelo km 13 encontrei o Maurício e segui numa descida suave e rápida. Se não tivesse monitorado a FC eu teria feito asneira nesta prova. Na mesma FC hora era 5min/km ora era 4min/km. O desnível é muito sutil (falso plano) e era importante dosar muito bem o esforço. Nada melhor do que manter o olho no conta-giros.

Perto do km 15 começamos a passar umas mulheres (que largaram meia hora antes) e pouco depois ouvi uma comentar que já tinham se passado 18 km ! Não acreditei. Eu estava só monitorando pace, pace médio e FC. Não via tempo nem distância. Rapidinho foi a meia e vi 1h35min. Achei o Antônio Raulino e a Taty quase no mesmo ponto e fui adiante. Lá pelo km 24 estava me sentindo tão bem que cheguei a ficar preocupado. A altimetria era totalmente variada, não tinha nada realmente plano, mas era muito sutil e até alí não incomodava muito.

Segui tomando gel periodicamente, pegando sempre água e esponja com água gelada, pois apesar de nublado estava abafado. Mas sem sol já ajudava muito. Haviam dois postos de isotônico, só que vinha uma garrafa de meio litro. Peguei nos dois, dei uns goles, tampei e joguei fora - despercídio, poderia vir num copinho, sei lá.

Conheço Curitiba apenas muito superficialmente, então correr lá foi muito legal. A prova dá uma volta enorme na cidade toda sem repetir trecho, de forma que o tour é completo. Eu nunca sabia onde estava e isso era divertido. Teve uma descida enorme de mais de 2 km, acho que na avenida marechal floriano. Ao final dela tinha uma subida empinada bem parecida com a Ivo Silveira aqui de Floripa, só que mais curta. Foi a pior, subi sem olhar pra cima de uma vez só pra ver se acabava mais rápido.

Altimetria da maratona.

No km 30 o pace médio tinha melhorado 2 seg em relação a meia. Comecei a delirar que faria um split negativo, que bateria 3h10. Fiquei alucinado e esqueci de tomar um gel e quando vi já tinha passado o posto dágua. Segui até o próximo, peguei dois copos, tomei o gel e lembrei de tomar bcaa. Engoli os dois comprimidos e só tinha sobrado meio copinho. A água não foi suficiente pra descer e aquilo ficou entalado na garganta. Tive que pedir água para uma assessoria que tinha uma tenda no percurso. Alí pelo km 33 o sol saiu forte e eu estava com sede, catei mais 2 copos dágua no posto seguinte e comecei a me arrastar. Do céu ao inferno em 3 km.

O ritmo caiu demais. Tinha acabado de tomar gel, estava bem hidratado mas começou a ficar lento. As solas dos pés começaram a doer forte. Fui meio torto até o 36 e aí reuni os restos que sobraram, empurrei mais um gel, respirei fundo e comecei a apertar o ritmo agora ignorando a FC e a dor, o que tinha era pra gastar até o final. No km 39 uma subida malvada apareceu mas depois desceu forte debaixo de um viaduto e consegui retomar o ritmo. O Raulino chegou novamente. Eu tinha levado 20 km pra alcançá-lo, passei e ele chegou de novo no km 40. Parciais diferentes para resultado igual. Seguimos no mesmo pace até a reta final, que era uma subidinha safada até a chegada. Já dava pra ouvir a música. Mais um pouco e o pórtico já era visível. Sprintamos como as condições permitiam e fechamos a prova em grande estilo cravando 3:16:15.


Pela primeira vez consegui fazer uma maratona totalmente focada. Não andei um passo sequer, sem parada nenhuma. Só execução. Ritmo. Monitoração pró-ativa de todos os sistemas, uso adequado dos recursos e objetivo fixo. Muito instrutivo. Aprendi um monte de coisas sobre as partes que me compõe, mas principalmente sobre foco e força de vontade. Pois é só isso que move um amador a fazer uma maratona. Vontade. De qualquer coisa, mas é vontade, não é treino, nem preparo nem condicionamento. Isso é pré-requisito. Clima sensacional na prova, público sempre presente e participativo, bandas de música, abastecimento perfeito, percurso desafiador. Amigos por todos os lados. Perfeito.

Ao final ficamos lá curtindo a chegada, a premiação, jogando conversa fora, conhecendo a senhora de 70 anos brava pois não ficou em primeiro na categoria 65-99 anos. Depois fomos almoçar e finalmente pegamos a estrada pra casa, 4 horas de viagem de conversa divertida, com foco no tempo de 3:00:40 do Loreno, que não conseguiu fechar 2:59 e faturar uma aposta (suposto erro da organização que não contabilizou tempo líquido - vamos ver no resultado oficial ;-). Obrigado aos amigos que tornaram esta corrida especial. Maurício, Clodoaldo, Taty, Ronaldo, Loreno. Parabéns a todos, valeu muito !!!

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Resultados oficiais em http://www.cronoserv.com.br/resultados_info.asp?calendario_chv=633
03:16:51
Cat: 51/265
Geral: 264/1637

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Maratona. Com M maiúsculo.


Não é uma prova qualquer não. Uma Maratona inspira medo, e isso é bom. Pois esse medo pode ser bem canalizado e virar energia. Cada prova é uma prova, tem daquelas que vamos só pra participar, brincar, completar, curtir e aquelas que enfiamos umas metas malucas na cabeça e vamos com vontade de comer asfalto. Nesta estou faminto.

Talvez por ter feito só provas curtas no segundo semestre, ou então pra ver qual é o desempenho numa maratona solo depois de 36 meses desde a última oficial (essa aí da foto), estou com uma vontade enorme de largar domingo. Se o treino não foi aquilo tudo, a confiança é que a base está boa e com vontade e experiência vai dar tudo certo.

A largada será às sete da manhã e a temperatura não promete nenhum forno de assar pizza, talvez até chova. Também consta que foi retirada uma longa subida do percurso. Vamos ver o que pode acontecer. Já defini uma estratégia com o Roberto e meti o plano A na cabeça. Os outros planos, de B até Z, serão feitos na prova. Que venha Curitiba, a Maratona tida como a mais difícil do Brasil. Depois eu conto se é mesmo, hehehehe.

E pra provar que tudo é realmente muito relativo e que uma Maratona pode sim ser uma coisinha qualquer, o Raphael Bonatto estará em Curitiba fazendo a sua 27ª maratona em 27 dias e fechando este desafio monstro e inédito no Brasil. Amanhã enquanto os outros milhares de normais descansam, ele estará correndo 42,2 km no Ibirapuera em SP antes da prova de domingo, como tem feito há 26 dias pelas capitais do Brasil.

domingo, 19 de abril de 2009

Maratona de Santa Catarina 2009

Maratona é sempre desafiador, só que dessa vez seriam apenas 32 Km como um treino especial depois do pedal de ontem. O Tiago iria para a sua primeira vez e a Taty iria também para mais uma.

Turma encontrada, pré-aquecimento e alongamento e saímos em ritmo moderado até desfazer um pouco o povo, haviam algo como 1500 inscritos, não sei ao certo em que categorias. Encaixei um ritmo pouco mais baixo do que 5min/Km e com a temperatura mais baixa e a água abundante, foi bem tranquilo até o Km 13, ponto da chegada.

Perto da ponte o calor começou a pegar, nada muito sério, e o ritmo era o mesmo. Segui direto junto com o Alexandre, o Jacó e o Hélio nos encontraram, passamos os túneis e taquei mais um gel. A volta era pouco depois do Km 21, lá tinha água (quente como em todos os postos). Tomei pouco, joguei na cabeça e lá fui, o Jacó tinha gel pra me dar no Km 25.

Peguei o gel e cadê a água ? A reta sul era um cenário desolado, todo mundo sedento e só tinha um posto mal montado na pressa. No elevado minha boca grudou, não conseguia mais falar nada. O Jacó voltou com água para me salvar. Seguimos para o Km 30, incrível como o objetivo pesa: alí já estava me sentindo quase no final, sem chance alguma dava pra resolver completar a maratona sem sair com isto já bem definido na cebeça.

Consegui sair de casa como quem vai dar uma corridinha, calção, camiseta e gel na mão. Resultado é que consegui encher os dedões de bolhas e cortei a cintura com um gel (me avisaram que powergel é uma lâmina).

Fechei os 32 Km em 2h38min e fui pra tenda da ironmind hidratar e comer um pouco. As pernas ficaram bem pesadas, mas nada muito exagerado. A Taty tinha passado e fiquei lá vendo o resto da turma rumar para os 10 Km finais. O Jacó foi ajudar a distribuir água pros corredores, acharam umas caixas de água fechada perto da chegada, desastre de organização. O Hélio passou logo depois pra acompanhar o Tiago. Registro: Jacó e Hélio, segundo minha percepção e relatos dos demais, vocês nos salvaram de desidratação certa, obrigado !

Coisa interessante esta de não terminar os 42 km, mas já tendo isso definido, foi como terminar mesmo. Só que não tinha linha de chegada. Aí fui pra lá. Muito legal ficar observando os atletas cruzarem a derradeira linha. Vi emoção, dor, alegria, desespero, alívio, êxtase. Cada um era um. Berrei pra um conhecido que caminhava nos 200 mts finais até fazer ele correr. Me vi também no final da minha primeira maratona desastrada lá em 2003. Encontrei a Elizabeth finalizando a primeira maratona. Vi o Maurício chegando com cartaz, fazendo festa, o Ronaldo chegando a despeito da dor no quadril, o Tiago finalizando a primeira dele. Vi as cadeirantes terminando a prova chorando, com uma ciclista que acompanhava também em prantos. Vi a premiação da elite. Acho que entendi um pouco mais porque é que eu corro.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Maratona de Santa Catarina 2008


Usando as últimas provas como treinamento, me empolguei pra outra maratona. O trabalho se resumiu a brigar com a fesporte para me inscrever e comer massa no sábado - almocei pizza e jantei macarrão até entupir. Treino que é bom houve um específico de 24 km. Mesmo assim tracei uma meta audaciosa, 3h45min. Sismei com esse tempo, e até fiz uma planilhazinha plastificada pra levar na corrida.

Sonhei umas coisas malucas e acordei as 2:30 com a maior chuva. Achei estranho e fui ver na janela: aguaceiro brabo. "Bom, tá caindo tudo, até amanhecer acaba". As 5:30 acordei de novo pra um pit-stop de fralda e chovia fininho. "Oba, tá acabando". Aí acordei de vez as 6:30 com barulho de chuva na janela de novo. Muita.

"Bom, deve parar logo, vou lá pra largada." Tomei café direito, fui pra beira-mar. Arrumei vaga lá no shopping e achei o Clodoaldo aquecendo embaixo do Bradesco. Ficamos alí vendo os doidos aquecerem na chuva. Vimos os cadeirantes largarem; aquilo sim é força de vontade. Aí fomos lá pra largada, todo mundo já no 'curral' e ensopados. O irmão do Clodoaldo, o Ronaldo, estava elétrico na sua primeira maratona. Encontrei a Taty pronta pra largar com a garganta doendo, a Fabi estava a caminho.

Sem muito aviso a massa humana começou a se movimentar as 7:30, largou ! Não aqueci nem alonguei quase nada, estava com frio mesmo com duas camisetas. Encontrei a Fabi de guarda-chuva na lateral e saí forte com o Clodoaldo, o polar ficou doido a 220, e logo fomos acelerando. O polar dele tem 'pedômetro' e marca o pace: 4:40/km até o Km 2, muito forte. Uma amarrada de cadarço e aproveitei pra deixá-lo fugir, senão eu ia quebrar antes da rústica.

A pista era só água, tinha um povo que tentava evitar as poças, e todos iam juntos em efeito manada muito engraçado de ver. Fui reto por todas as águas e economizei uns metros, mas enchi os pés com vários ml de água. A rústica voltou no CIC e nós seguimos, passamos o santa mônica e viramos no trevo do córrego. O tapete do chip ainda não estava no lugar.

Voltei a me focar no ritmo planejado, 5:20 e FC até 160, fui indo tranquilo, passei a largada/chegada, deixei a chave do carro com a Fabi. Por alguma razão estúpida saí só com um power gel, quando fui tentar tomar um no km 10 é que vi que era a chave do carro. Reservei o único mais pra frente. Debaixo da ponte havia um posto de gatorade. Vi de longe e fiquei apreensivo, mas arrisquei meio copo, tranquilo. Achava que teria posto com gel.

Quando um cara pediu 'ei, joga uma corda' quando eu passei é que fui ver o ritmo, tava de novo abaixo de 5, a uns 4:50. Era um camarada das corridas de aventura. Subi pro túnel mais devagar; vários reclamavam que o acesso ao túnel era um morro, mas acelerei de novo na descida, e lá fui pro km 18. Ida pro sul com um pouco de vento na cara e chuva mais forte, mas ainda não estava frio com duas camisetas. Tomei o gel, já meio combalido. Não tinha posto, tinham distribuído uns no kit. Me ferrei. Fizemos a volta lá no fim da via expressa sul e continuei tentando não subir a FC.

Parei de novo pra aliviar a bexiga e logo estava no túnel voltando, agora com vento no nariz de novo. Não é só a beira-mar norte que tem vento surround. Corri vários km ao lado de um cara que ia com uma garrafa cheia de gatorade na mão, mas sempre bebia no posto. Lá no elevado dias velho perguntei o que era, e ele disse que era por garantia. Tinha corrido a maratona do chile há 15 dias e ficou desidratado, aí agora corria com um buffer por prevenção. Abaixo da Hercílio Luz na volta batí os 30 Km em 2h35min, 5 a menos que o planejado, ainda forte.

Continuei rumo aos 32, ponto da chegada e do gel que a Fabi iria me passar. Ela me acompanhou com água e gel, comi um e saí com mais um no bolso para os 10 Km finais. Tinha vindo nos últimos 10 Km a 5:30/km. A tentação de forçar quando se está bem é grande, mas o ocorrido na primeira maratona ainda não me deixa fazer essa besteira de novo. A dificuldade é saber dosar. No início tinha que tomar cuidado pra não fazer abaixo de 5, a partir dos 32 foi difícil manter abaixo de 5:40. Qual será o limiar, ou seja, será que poderia ter forçado um pouco mais mais cedo e ainda ter esse pique agora ? Sei lá... Só sei que a vontade de terminar passando a chegada é grande.

Os 34 vieram e eu já pensava no gel de novo, estava ficando dolorido. Vi os corredores que fariam ao redor de 3 horas voltando e me forcei a manter o passo. Estava bem, a FC estava boa, respiração tranquila, mas as pernas estavam duras, pesadas. Acho que faltou longo pra essa maratona, e um pouco de musculação também, pois os joelhos rangiam. O tendão de aquiles direito ainda doia da volta a ilha, mas era suportável.

A volta final no santa monica, quando finalmente corremos pra chegada era aos 37 Km. Empurrei outro gel para dar um sprint. Fiz umas contas e constatei que teria que manter 5/Km para fechar em 3:45. Forcei o passo até não poder mais, mas não rendia. Tive dor de barriga na altura da polícia federal, km 39. Passei no Km 40 já com a meta estourada, re-posicionei o alvo em 3h50. Para isso teria exatos 12 minutos para 2,2 Km, pouco abaixo de 5:30. Nunca manter esse ritmo foi tão difícil. Pensei na vontade dos que ainda iniciavam os 10 Km finais ainda indo aquela hora, mas lembrei rapidinho que eu também ia quando os primeiros já estavam sentados descansando, e o que vale é terminar.

Entrei no funil e escutei um 'Vai, AndarIlha !!'. Não sei quem era, pois a Fabi estava mais a frente, já na chegada. Tropecei na linha e o meu polar marcava 3h49min25seg.

Deliciosa sensação acabar uma maratona. Difícil pra caramba também, mas muito bom. Choveu o tempo todo, ora ficava forte, ora chovia muito, sempre com poças da largura da pista. Eu, hein ?!

O Clodoaldo fechou em incríveis 3h27min, e o Ronaldo estreou com 4h09min. Achei a Fabi e fomos pro carro, o dela estava ao lado. Eu estava morrendo de frio, só com uma camiseta, troquei por uma seca e me mandei rapidinho pra casa.

Cheguei e fui direto pro banho quente, quase chegou a queimar. Muito 'Nhoque' e suco e a tarde já consegui até ficar em pé. A camiseta da prova infelizmente não sobreviveu.

Parabéns Taty pela rústica. Obrigado Fabi pelo apoio.

Tempo oficial: 3h50min16seg
Posição categoria: 48/66
Posição geral: 325/558.
A chuva deve ter reduzido bem o número de participantes, só da AndarIlha furaram dois :-)