Relatos, notícias, histórias e ideias sobre esportes de endurance: triathlon, trailrun, corridas de aventura, ultramaratonas, multisport, mountainbiking, travessias e montanhismo.
domingo, 10 de julho de 2011
Antes do início
Vou tentar preservar as memórias do conteúdo que eu postava em html puro no hpg, que saiu do ar recentemente, mas não antes que eu pudesse salvar tudo com a ajuda do Varela. Vamos ver no que dá. As postagens terão [Antes do início] no título para diferenciar. Vamos ver se rola ;-).
terça-feira, 5 de julho de 2011
Race Across The Sky
Esse percurso também é palco de uma ultramaratona de 100 milhas, está entre as mais duras do mundo.
Capturado do blog do Antônio Perez.
"In 2009, "Race Across the Sky" captured the imagination of countless mountain bike enthusiasts when Lance Armstrong not only won the Leadville Trail 100 Mountain Bike Race, but set a new course record that seemed unattainable..."
Capturado do blog do Antônio Perez.
domingo, 3 de julho de 2011
Livro Devoção - Dick Hoyt
Essa semana de chuva e frio foi a pedida pra ler o livro Devoção, de Dick Hoyt. Mais conhecidos como Team Hoyt, o pai que corre e faz triathlon com o filho tetraplégico, eles correm há mais de 30 anos mundo afora, primeiro como lazer, depois competitivamente e então para levantar a bandeira em prol dos deficientes físicos.
Já conhecia superficialmente a história, mas o que sempre aparece é a participação deles no Ironman do Hawaii. O livro é uma espécie de biografia dupla de pai e filho, contando toda a história e detalhes das dificuldades e desafios em criar uma criança naquelas condições 40 anos atrás, batalhando contra preconceitos e restrições existentes à época. Só que o que obviamente se destaca é a carreira atlética da dupla, um prodígio. Fizeram 28 vezes a maratona de Boston, 4 tentativas em Kona com dois finishers, vários triathlons ao redor do mundo, milhares de corridas. Depois de terem feito o Ironman, resolveram que ainda poderia ficar melhor, e fizeram uma viagem de bike e corrida de costa a costa dos EUA.
O livro tem alguns problemas de tradução, comuns em primeiras edições no Brasil. Troca milha por km, erra valores em ordem de grandeza, mas as minhas dúvidas se dissiparam quando li que eles se qualificaram para a maratona de Boston. O mais absurdo é que fizeram isso pelo age group do filho, na época com 21 anos, correndo em 2h45min - um cara empurrando uma cadeira de rodas !!!!!
O livro é fantástico, um chute na bunda que todos nós temos que levar de vez em quando. Sem dúvida, serve pra quem faz Ironman e pra quem é sedentário. Torna mais incrível ainda o que os nossos Arthur e Chiquinho fizeram esse ano no Ironmna Brasil. O vídeo no link acima é simplesmente sensacional.
Já conhecia superficialmente a história, mas o que sempre aparece é a participação deles no Ironman do Hawaii. O livro é uma espécie de biografia dupla de pai e filho, contando toda a história e detalhes das dificuldades e desafios em criar uma criança naquelas condições 40 anos atrás, batalhando contra preconceitos e restrições existentes à época. Só que o que obviamente se destaca é a carreira atlética da dupla, um prodígio. Fizeram 28 vezes a maratona de Boston, 4 tentativas em Kona com dois finishers, vários triathlons ao redor do mundo, milhares de corridas. Depois de terem feito o Ironman, resolveram que ainda poderia ficar melhor, e fizeram uma viagem de bike e corrida de costa a costa dos EUA.
O livro tem alguns problemas de tradução, comuns em primeiras edições no Brasil. Troca milha por km, erra valores em ordem de grandeza, mas as minhas dúvidas se dissiparam quando li que eles se qualificaram para a maratona de Boston. O mais absurdo é que fizeram isso pelo age group do filho, na época com 21 anos, correndo em 2h45min - um cara empurrando uma cadeira de rodas !!!!!
(A maratona de Boston é uma das poucas do mundo que exige qualificação. Você tem que correr até determinado tempo, definido pela faixa etária, de cinco em cinco anos. A minha, por exemplo, exige que eu corra abaixo de 3h15 para ter o direito de correr na mais antiga das maratonas da era moderna).
O livro é fantástico, um chute na bunda que todos nós temos que levar de vez em quando. Sem dúvida, serve pra quem faz Ironman e pra quem é sedentário. Torna mais incrível ainda o que os nossos Arthur e Chiquinho fizeram esse ano no Ironmna Brasil. O vídeo no link acima é simplesmente sensacional.
Novo Recorde Mundial de Ironman - Áustria
Eu nem sabia que existia Ironman (da WTC) abaixo de 8 horas. Sabia dos Challenge, Roth o mais famoso, com tempos de 7:50 e pouco. Mas parece que esse final de semana algo aconteceu e as condições perfeitas se alinharam com um atleta fora de série pra produzir isso aí abaixo. Incrível. Vejam as parciais: natação: 46:49, bike 4:15:37, corrida: 2:39:24.
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| http://live.ironmanlive.com/Event/Karnten_Ironman_Austria?Page=10 |
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Desafrio 2011, pedreira pouca é bobagem
Seis vezes consecutivas, tenho certeza que é o meu recorde de participação em uma mesma prova. E não falta vontade de continuar voltando àquelas paragens lá em Urubici pra correr o monstro que é o percurso do Desafrio.
Depois da viagem tradicional até a capital do frio da serra, jantamos no hotel e fui arrumar a zona que era a minha sacola com tudo misturado, gel solto no meio das meias, roupa e tênis, fruto da arrumação em 15 minutos na hora do almoço. Preparei todas as tralhas depois que o Arthur e a Daiane dormiram (ela achou que eu dormi na mesma hora). A Laís dessa vez não foi conosco.
| Equipe reunida na largada. Reparem o chapéu do capitão |
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| Saindo da trilha da cachoeira pro asfalto |
Saí menos empolgado do que o ano passado, moderado a 4:40 até chegar nas subidinhas e então na subida dos infernos que começa no Km 12. No topo, senti as pernas muito pesadas. Achei que ia ser um impossível manter um ritmo mínimo dali pra frente, e foi mesmo até o PC da cachoeira do véu da noiva. Quase na saída da trilha encontrei a Daiane com a turma toda, Duda e Vanessa, além dos pequenos. Abasteci só água e segui firme pra cima, e o ritmo estava aceitável no asfalto. O clima estava muito bom, friozinho básico cedo e temperatura boa na trilha depois que o sol dissipou a neblina. Só que ao sair para a pista, nuns trechos à sombra estava um frio de lascar, estranho aquilo.
Corri o tempo todo dosando o esforço, tanto que a máxima deu 173 bpm - no ano anterior passou várias vezes de 181. Tentei andar rápido quando não dava pra correr, ou quando via que era ultrapassado por alguém andando - apenas coreografar corrida na subida não adianta. Cheguei no cume com exatamente o mesmo tempo do ano anterior, 2h46min, mas com a sensação e ter cansado muito menos. Dessa vez dei uma respirada, fui olhar a pedra furada e então comecei a descer, depois de 2 min de intervalo.
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| Cadê o meu pai que não chega aqui em cima !? |
Cheguei no PC do véu de novo e comi umas banana e levei outras no bolso, rapidinho me mandei tomando cocacola. O William estava com a Rita esperando na entrada da trilha de descida, me filmaram e ficaram a esperar a turma, pois o William iria descer junto correndo, depois de ter pedalado o início. Participa, apoia e corre, o baixinho. Segui pelos campos de altitude, um cenário mais espetacular do que o outro. Apesar do topo do morro ser amplo e aberto, eu acho esse trecho mais bonito, mais selvagem. Não vi praticamente ninguém, só uns duplas me passaram e passei uns três corredores, o resto do tempo só tinha mato e umas vacas perdidas. Cheguei na descida miserável. Eu odeio aquela descida. Em vários anos só consegui correr bem uma vez, quando treinava descidas feito um louco com os maníacos do Tiago e do Hélio. Me arrastei morro abaixo, se é que isso é possível. Muito esforço pro ritmo não ir acima de 6min/km.
De alguma forma consegui dosar tão bem que depois do km 44, quando acaba a descida e só restam os 9 km de estradas rurais até o final, consegui correr sem parar e sem forçar demais, a 5:40/km. Isso é de uma lentidão irritante, mas é o que dá pra fazer com 44 km nas panturrilhas. Cheguei a comemorar com os staffs de um posto dágua, "ainda tô correndo tudo !!!!". E assim foi, só uma pausa pra visitar uma moita e um gel até a chegada, 5h28min. Dois minutos a menos que em 2010, com um ritmo muito mais consistente. Apesar disso, cheguei acabado, com a sensação de ter concreto dentro das pernas. Comecei a comer tudo que tinha, sopa com cocacola, banana, laranja, pães e bolacha. Estufei e fui pra pousada tomar banho e Whey, não nesta ordem.
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| Ínício dos trabalhos |
Mais um desafrio pra conta, mais um troféu. Tudo bem que de terceiro lugar de novo, mas este valeu, pois nunca teve tanta gente na categoria. Cheguei a 7 min do primeiro e 5 min pra trás já vinham mais 2 fanáticos. E dessa vez eu vi a pedra furada !
Valeu turma. Parabéns pra todos nós !!!!!
| Pedra Furada, Morro da Igreja, Urubici. Foto do Adriano. |
terça-feira, 14 de junho de 2011
Próxima encrenca
Dessa vez eu tenho medo. Sei lá porquê, mas acho que correr 5 vezes depois do ironman não deu muita confiança de que ainda sei correr morros. Descer está sendo um desastre. Domingo fiz um longuinho de 22 km pegando todos os morrinhos de coqueiros e estreito que achei, muito meia boca pois são muito nanicos. Mas não fiquei cansado nem quebrado, isso é bom.
Só que o ritmo vai ser uma incógnita. Mas falta pouco, logo conto como é que foi o Desafrio Urubici 2011, 53 km de montanha até o topo do morro da igreja e retorno à cidade. Altimetria tranquila, como mostra o log do GPS de 2010. Bora lá equipe AndarIlha dominar a prova, com a Fabi, o Hélio, Tiago e eu, mais o William de bike.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Vídeo Resumo do Ironman 2011
Vídeo resumindo o Ironman Brasil 2011. Tem vários atletas da Ironmind também, em fotos principalmente do Adriano.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Conclusões pós-ironman
Depois de um período de tanta correria, ficar assim uma semana de molho, quase sem ter 'nada pra fazer' é uma maravilha ;-). Mas ontem bateu vontade de esticar e fui nadar. Só 35 min, sei lá que distância, apenas para movimentar o esqueleto. Vamos a algumas conclusões pessoais depois da prova, que se servirem pra alguma coisa pra mais alguém ou se causar discussão, já vale escrever:
Na natação não adianta treinar e navegar errado. Aumentei o tempo em só 2 min, aparentemente o ano passado estava mais curto, mas mesmo assim foi uma bobeira que custou energia. Tem que orientar direito e o tempo todo. Bastaram umas poucas braçadas sem olhar pra frente e perdi o grupo e fui parar em cima das pedras na saída no P12. Acho que também aquele gel no meio do percurso ajuda, não a natação, mas a sair mais tranquilo para a bike.
Dada a grande probabilidade de vento por aqui, e sabendo que ele normalmente acorda mais tarde, a conclusão é que tenho sim que forçar mais no início da bike. Primeiro, para pegar o mínimo de vento forte possível, segundo para poder reduzir um pouco no final para preparar para a corrida. Sempre fiquei preocupado em não decair a média ou o esforço, mas acho que isso acaba sendo natural. Acabei gostando do resultado, apesar do ventão e da penalidade sacana, reduzi 10 minutos do ano passado, onde diz a lenda o percurso estava mais curto e o vento bonzinho.
Já na corrida, o foco é muito necessário. É fácil demais desconcentrar e acabar relaxando, vendo tanta gente, amigos, familiares e empolgados em geral. Também é fácil quebrar o ritmo com os postos de alimentação e hidratação. Tem demais, e a não ser por alguma condição especial, abastecer em todos eles é desnecessário. Uma coisa que me quebrou um pouco desta vez foi o psicológico, tomar aquela penalidade me avacalhou a concentração. Acho que demorei a voltar ao normal. O Aracajú me disse que eu parecia 'deprimido' ;-) no final da primeira volta da corrida. O ritmo realmente foi menor do que o esperado, mas o legal é que consegui voltar e melhorar o pace médio dos últimos 10 km em relação à segunda volta, o que é muito bom. E também tem a questão do ritmo: nunca consegui fazer uma maratona 'negativando', e no iron nunca tentei. É ir pra cima e tentar ao máximo manter o ritmo no final, que vai cair sempre. A menos, claro, dos dois últimos km naquele corredor humano sensacional, onde uma energia oculta emerge das profundezas do ser e passamos o último km sempre melhor que os anteriores. Resultou num tempo pouco melhor que o ano passado, e aqui acho que poderia ter reduzido bem mais. Será que suguei muito na bike ? Acho que não...
Sobre a alimentação, deu tudo certo: só gel, água, glicodry, 2 bisnaguihas e cocacola, além de gatorade. Não tive qualquer problema estomacal, mas realmente é difícil comer gel no terço final da maratona, aí só o líquido preto salva.
O pós prova foi algo estranho. Praticamente zerado de dores musculares. Nos outros irons e em provas mais curtas sempre ficava mais dolorido. Só usei meia de compressão segunda a tarde. Será que era pra ter forçado mais ? Ou terminar inteiro é bom :-) ? Uma coisa que fiz diferente foi usar accelerade e accel gel na prova. Como tem parte de proteína, será que isso é o efeito anunciado de reduzir o dano no tecido muscular ? Seja lá o que for, tá definida a alimentação de provas longas daqui pra frente !
O que aprendi ? Coisa pra caramba, não só na prova mas neste processo todo que é treinar para mais um iron. Mas como tudo que tem um lado bom tem outro melhor ainda, aprendi que posso melhorar e muito, sempre. Pode vir em mim, 2012 ;-).
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| Foto do André Diogo Moecke |
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Ironman 2011
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| Sol nascendo no Ironman Brasil 2011. Foto do Charles |
Vamos logo aos fatos.
Pré-largada: saímos da casa do Ricardo eu e o Alexandre e fomos pra largada. Fui pra pintura dos números com as sacolas de percurso de corrida e bike. Esse ano familiares e/ou amigos não podem mais entregar as sacolas, então tem que ficar com a organização. Na de bike só deixei itens de emergência, mas na de corrida deixei gel e uma camiseta. Ajeitei as coisas na bike - dois mini-sandubas colados no guidão e 10 gels no porta comida, além de 2 garrafas de glicodry, pra fazer tudo autônomo. Fui pra tenda, arrumei as sacolas de transição e lembrei das de percurso. Dei uma baita volta e fui lá fora de novo entregar as sacolas, voltei, esqueci de por as sapatilhas na bike, voltei de novo pra tenda, os fiscais correndo com todo mundo lá de dentro, 'já vai largar, anda logo, vão pra praia...' Aí arrumei a bike, esqueci de passar protetor solar, entrei de novo e finalmente saí, ainda com tempo. Fomos pra praia. Encontrei a Daiane e as crianças, meu pai e o Adriano também. A Daiane fez umas camisetas e já me complicou a largada com água do lado de dentro dos óculos.
Natação: Fiz a primeira volta bem e sem erros. Tomei uma cotovelada no rosto logo no início, depois uns socos, uns caras puxando o pé, passei por cima de outros, dei um chute em alguma cabeça e fui afogado por uma barriga que passou por cima da minha cabeça no contorno da primeira bóia. Normal. Saí da água, comi um gel e entrei no mar de novo. Mirei na bóia e cheguei lá rápido, nadei um pouco ao lado do Marcos, que logo ligou as hélices auxiliares e sumiu. Contornei a bóia, depois a segunda e mirei certinho na chegada. Só que, anta, esqueci da corrente perto do costão e fui sem corrigir. Vi o Ricardo que estava de staff no pranchão de stand-up, olhei pra esquerda e o povo tava em fila indiana a uns 20 mts. Ih, tô errado. Olhei pra direita e tinha uma multidão sendo orientada pelos caiaques, e logo à frente as pedras. Acabei saindo bem em cima delas, ao lado do Israel. Tivemos que nos apoiar pra ajudar a sair dali com água no peito, porque nadar não estava adiantando muito. 1h05.
| Início dos longos 180 km, foto do Adriano |
Ciclismo: O vento não tinha levantado muito, fui firme e cheguei na beira-mar sul com os líderes já voltando, bando de alucinados. Mantive o ritmo razoavelmente constante, olho na cadência, comendo sempre e bebendo na medida certa. Um pedaço de fita isolante grudou no pneu dianteiro e ficou enroscando e fazendo barulho. Tive que parar num retorno pra tirar. Voltei com vento em popa, 40-42 km/h fácil na beira-mar. Se não soubesse que era o vento ajudando, ia achar que estava forçando além da conta. Primeira volta a 34km/h e pernas leves, saí pra segunda depois de arrancar a camiseta de cima, comi os sandubinhas e fui bater de frente com o vento, já bem mais forte. E que vento. Nos túneis, pelotões e revezamentos escandalosos. Fiscais passando e avisando, "ei, sai daí, vou penalizar". Uns caras insistindo em ficar na roda, tive que dar uns avisos umas duas vezes e declinar um oferecimento de vácuo. Voltei para o norte, de novo 40/h fácil nas retas alinhadas com o vento, morrinho do estado já sugando as pernas, mas ainda firme.
| Ciclismo, foto do Adriano |
Aí lá na reta depois do Floripa Shopping, ia eu sossegado a uns 38-40 constante e um cara passou e se meteu na minha frente. Ficou. Na reta, com vento a favor, embalado da descida... Demorei um pouco pra ver se ele ia embora, tirei pra esquerda e comecei a tentar a acelerar. Não sei quanto tempo fiquei atrás do sujeito, mas assim que fui pra esquerda um fiscal veio e mandou parar. Pqp, não acreditei. Tomei uma penalização, o cara seguiu. Saí com o fiscal ainda riscando o meu número, puto da vida. Fui puto até a subida do morro do cacupé, e desci do outro lado ainda furioso, mas me acalmei e concentrei em não vacilar de novo, senão seria desclassificado. Não deixei mais ninguém se aproximar até o retorno, quando embolou de novo. Fui cheio de dedos já no acesso à jurerê e cheguei na transição com 6h40 de prova.
Assim que entrei um fiscal já gritou lá, '454, penalty box'. Me botaram num quadrado, com um monitor com o meu número já com um timer regressivo de 5 min. Aproveitei pra ir no banheiro, mas ainda faltavam 4:30. "Moça, acelera esse relógio aí, por favor". "Deixa eu sair daqui". "Calma, relaxa". "Não relaxo". "Senta aí na cadeira". "Não sento". "Toma uma água". "Já tomei". A única vantagem de ficar ali é que te entregam a sacola de corrida na mão, não tem que entrar lá nos cabides pra pegar. Um dos caras que estava lá ainda contava vantagem, 'valeu a pena 5 min contra aquele vento todo'. Saí voando pra transição.
T2: Rápido.
Corrida: Fui devagar e arrumando tudo, bebi e encaixei a corrida, ritmo bom. Foi bem até os morros, andei os dois trechos piores, desci bem e fiz o retorno já meio estranho. Não estava rendendo. Na igrejinha vi o Alexandre parado com gelo no joelho, conversei com ele, fiquei preocupado e segui, pedi pro Kilder que vinha logo atrás não deixar ele parar (ele completou muito bem a prova !!!!). Desci pra jurerê de novo e tava pior, sem render, pernas boas, respiração torta, e não ia.
Uma dor estranha abaixo das costelas atrapalhava um pouco. Encontrei o Aracajú que me animou, fiz o retorno fechando a meia a 5:05/km, bem acima do que pretendia. Taquei mais um gel, tomei a primeira cocacola e concentrei em respirar direito. Andei em alguns postos e comi uma laranja, já não entrava mais gel e fui seguindo. Melhorou, e foi melhorando. A segunda volta saiu melhor, e a última ainda melhor do que a segunda. Lá pelos 36 km encontrei o Marcos, o monstro correu tudo de pé semi-trincado depois de ficar 2 meses sem correr. Entrei na búzios e um argentino veio me dizer 'vamos chegar de dia, uhhuuuuuu'. Esse era meu plano C ;-), o mais provável.
| Chegada, céu ainda azul !!! Foto do Adriano |
Parabéns a toda a turma que competiu, principalmente aos que enfrentaram as maiores dificuldades, e ainda assim, perseveraram ao extremo e concluiram a prova.
Tudo isso é legal, mas impressionante mesmo foi o que fez o Arthur com o Chiquinho, orgulho treinar com eles:
Dados técnicos:
10:31 oficial. Geral 297, Categoria 69. Não acertei na mosca, o plano A era bem mais metido a besta, mas precisava de condições e execução perfeitas. Não teve nem uma coisa nem outra, então nos adaptamos e tocamos pra frente.
Nadei 2 min mais lento. O GPS marcou 4,4 km (alguém aí me confirma isso ???). A T1 foi rápida, o ciclismo deu média de 34 na primeira e 32 na segunda, fechando 32,8 naquele vento, drenou energia. A corrida foi estranha, mas consegui melhorar 5 min. Andei em alguns postos, achei que ajudou a aliviar a dor abdominal (acho que era muscular). Consumi 10 gel na bike (accel e gu), 2 garrafas de glicodry, gatorade e banana, além de dois sandubinhas. 1 Gel no meio da natação e mais 6 na corrida.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Treino simulado de natação no Ironman 2011
| Foto do MundoTri |
Hoje lá alinhado para largar para o treino (é, tem faixa, buzina e tudo mais), tive uma sensação boa. Muito boa. Era gratidão. Sim, gratidão. Por ter ter uma família maravilhosa que aguenta as minhas ausências, por ter amigos mais loucos do que eu, por ter saúde, vontade, disposição, condições para treinar, apesar das dificuldades. Por ter treinado o melhor que pude, e estar cheio de vontade de ir pra batalha (a minha batalha !). Por poder curtir um evento desses no quintal de casa, com família e amigos fazendo parte. Obrigado ;-) !
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