domingo, 8 de junho de 2008

Treino no Extremo Sul


Até parece filme de montanhismo (que na verdade foi), mas é um treino. Fizemos hoje o mesmo percurso da prova Extremo Sul, a menos da maior parte da praia do pântano do sul e açores. Às 8 horas já estávamos nos Açores nos preparando, decidindo com que camiseta correr, como carregar a comida e os gatorades. Saímos em direção à costa de dentro e início da estrada para o morro do sertão, onde chegamos em 21 min. Levei mais comida que o normal, o treino seria longo, e o Hélio levou também um gatorade, que foi rapidamente consumido para parar de sacodir no porta-garrafa.

Descemos bem rápido pra vila e aí subimos novamente o último morro, visualizando desde o topo o Cambirela bem de frente e toda a baía sul no sol da manhã, espetáculo. Chegamos no ribeirão com 1 hora de corrida e fomos enfrentar a estrada sem fim. Tive vontade de pegar o ônibus até a caieira, mas era pra treinar, então fomos. Acabou a água, pensamos em pegar no boteco do velho tagarela mas desistimos. Passamos a escola-largada do praias e trilhas e paramos num mini-mercado pra comprar coca-cola e pão, que foi arduamente mastigado.

Finalmente chegamos no início da trilha pra naufragados, ligamos o cronometro e saímos em busca da praia. Subimos rápido e descemos literalmente voando. Incrível a capacidade de decisão do nosso pensante numa corrida em trilha. Às vezes eu decolava e antes de aterrisar decidia trocar o lugar do pouso do pé, esticando ou encolhendo a perna, ou então movimentando lateralmente, para evitar um buraco ou uma pedra; milhões de cálculos e decisões por segundo, e achamos que é só reflexo. Tô pra ver computador igual.

Chegamos na praia com 17 minutos de trilha e continuamos rumo ao costão esquerdo, para ir até o pastinho. Trilha pesada, muito mato e finalmente corrida no aclíve suave. Então descemos forte até o pastinho, bem de cara para as ilhas das irmãs, sob céu azul e mar esverdeado. Seguimos para o saquinho, pegamos o trecho mais fechado do percurso, com mato no joelho, trilha estreita, cheia de pedras, impossível correr sem arriscar rolar costão abaixo até o mar.

Aí melhorou, socamos a bota, passamos na cachoeirinha e chegamos na vila do saquinho. Tomamos uma lata de coca-cola e lá fomos para a praia da solidão, onde chegamos rápido. Areia fofa foi um alívio para os pés, mas logo chegamos no costãozinho que separa dos Açores e então avistamos o posto-salva-vidas, ponto de saída da praia.

Chegamos de volta no carro em 3h54min54seg de corrida, após uns 34 Km de percurso difícil e variado. Excelente treino, terminei inteiro, graças também à alimentação. Consumi um gatorade, 2 litros dágua, duas coca-cola, dois pães, meio club-social e 2 powergel. Bom treino também por isso, aprendemos a não quebrar por inanição e a planejar um percurso punk adequadamente.

Eu sou realmente um felizardo por ter Floripa para treinar. Aqui tem de tudo, mato, morro, praia, dunas, terra, asfalto, plano. Deve ser por isso que o pessoal de fora reclamava no multisport :-)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Temporada 2008 no Himalaia

Muito pertinente a relatos de resistência, alta-montanha é o ápice de tudo isso. Aqui um breve relato postado na HangOn sobre a temporada de 2008 no Himalaia, onde tivemos 4 brasileiros culminando pela primeira vez no Makalu e Everest, todos na segunda ou terceira tentativa, prova que teimosia funciona.

Vale ler o artigo completo. Tem bastante números e fatos interessantes (e desagradáveis também).

domingo, 1 de junho de 2008

Voltei a treinar - relato do Dariva

Voltei a treinar este finde. Eu não fazia uma boa corridinha a mais de 40 dias. Foi um daqueles de matar a saudade das corridas de aventura.
Deixei o carro no centrinho da Lagoa as 9:00hs de sábado. Tinha um solão e estava frio: ótimo para correr. Eu tinha planejado correr até a Joaquina e fazer o retorno pela praia e OsniOrtiga (circuito contrário do MountainDo). Quando passei pelo beco dos surfistas, subi a morranca do MontainDo e fui até aquela prainha à esquerda do gravatá. Corri uns 10 minutos pelo costão e acabou a trilha. O visual era espetacular!!!. Entrei mato adentro para seguir pelo costão; afinal, eram poucos metros, eu achava. Logo me encontrei cercado de gravatás e nada de trilha. Mas sabia que faltava pouco para chegar ao costão. Depois de uns 15 minutos e todo esfolado, avistei o costão; faltavam apenas alguns metros, mas o chão era só verde e nada de um local seguro para colocar o pé. O mais seguro que eu podia avistar era as cachopas dos gravatas: pisei em uns 3 ou 4 e cheguei no costão, ufa. Sentia os esfolados arderem, mas segui em frente. Alguma coisa estava errada com minha mão, pois estava pingando sangue. Lavei e continuei pelo costão e logo achei uma trilha: era a trilha que fizemos na Sul Brasilis da Lagoa. Subi o morro pela trilha e cheguei no vértice do morro: de um lado a Lagoa maravilhosa e do outro a imensidão do mar. Maravilhoso visual!!! Desci a morranca sem idéia de onde sairia a trilha. Logo sai pelo lado daquele estábulo perto das dunas da Joaquina. Retornei até a lagoa e o centrinho. Não tenho idéia da distância, mas foram 1h10minutos excelentes. Cheguei morto, mas muito satisfeito. Vale repetir pelo local ! Mas se for retornar, vou lembrar de colocar tenis com meias :) Nunca seinti tanta falta delas.....

sábado, 31 de maio de 2008

Mini-desafrinho em Floripa

Treininho bacana hoje. Já que amanhã não poderia treinar de manhã, saí hoje as 16 hs de casa em direção à beira-mar. Muito frio e ventinho sul azedo no sol. Quando passei pela subida do morro da cruz resolvi subir. Levei 18min27seg até o topo, recorde, hehe. Frio pra caramba até lá em cima, muito vento na curva final. Desci tranquilo em 12 minutos, tô melhorando.

Na volta o vento sul pegou de frente e sem sol fiquei enregelado, 14 graus, lá no morro deveria estar menos. A falta de sol esfriou tudo e quando entrei na ponte o vento estava doido, dando rajadas violentas. Corri o mais rápido que podia até em casa, onde cheguei após 2h01min. Totalizou uns 22 ou 23 Km, a medir direito, 5min30seg/Km. Foi um meio-desafriozinho, ao nível do mar.

domingo, 25 de maio de 2008

Longo com morros no meio do Ironman


Planejei ir assistir a largada do iron com o Hélio, mas o sono foi grande. Após uma breve espera, apareci com 2 horas de atraso lá no prédio do paciente.

Iniciamos leve até o início da subida do morro da lagoa, aí bota fogo nas panturrilhas até o topo, mas não o topo normal, até lá em cima na rampa de voo livre (tudo bem, também não é o topo). Na descida vim aprendendo a descer direito sem travar tudo, a rolar o pé sem flexibilidade para amortecer o impacto. Descemos tudo, voltamos o itacorubi, pegamos a beira mar e os ciclistas do iron.

Seguimos até a entrada do morro da cruz, subimos o bicho todo em 20 minutos. No caminho vimos o Adriano pendurado na parede. Hoje era dia de triatlo alternativo: correr, escalar e pedalar. Só que fiquei só no primeiro. Desci o morro mais decentemente e logo chegamos na beira mar de novo. "Cuidado pra não atropelar um ciclista", diz o Hélio. Aí fomos pelo canteiro central, grama fofinha e pegamos uns gatorades no posto do koxixos. Aí foi só terminar os 5 Km até o prédio. Teve uma leve semelhança com os 10 Km ao final do desafrio.

Fechamos uns 25 KM em 2h46min, 6min38seg/Km, meio lento demais. Acho que a distância é maior, mas o google earth não abriu e não consegui 'medir'. Quem se habilita ?!
Mais um treino pro desafrio se foi, a prova tá chegando !!!! Que bom, porque preciso voltar escalar e pedalar um pouco pra variar.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Não pise em caca de cachorro com um Mizuno

Coisa mais nojenta é pisar num croquete canino com um creation 8 da mizuno. A excelente capacidade de amortecimento da estrutura oca no calcanhar é um recanto dos mais fétidos se você amassar cocô de cachorro. Gruda por tudo, entra nos buraquinhos e só com jato dágua super potente pra (tentar) limpar tudo. Eca.

terça-feira, 20 de maio de 2008

É descansando que se treina

Pensar que o efeito positivo é gerado no descanso é um alívio pra consciência:

"O repouso durante a semana de treinamento é muito importante para a performance do corredor. Isso porque as adaptações fisiológicas acontecem, em sua maioria, nesse período, ou seja, o seu organismo assimila o treinamento nos momentos de descanso". Matéria na O2.

Enquanto isso, seguem os treinos para o Desafrio 2008 !!!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ultramaratonas ganhando popularidade

Já escrevi sobre isto aqui no blog. A febre das ultras nos EUA vem ganhando força. E está chegando no Brasil. Aqui em Floripa estamos entre os pioneiros, com praias e trilhas e desfrio (tá, Urubici :-).

Muito interessante as considerações deste artigo. Fala basicamente da motivação para correr estes absurdos e ainda ficar eufórico com isso. Falando nisso, a veja desta semana tem um artigo sobre 'o barato do corredor', a sensação de bem estar que nos acomete depois de um treinão.

Alguns fragmentos:

Trilha versus asfalto: "It's kind of interesting to me to see just how far you can go," she said. "I love being in the mountains and on the trails. … It's a little more fun that just being on the pavement."

Camaradagem: "I've met a lot of friends on the trail who would do anything for you out there, if you hurt yourself, they would stop their race to help you."

Desafios: ""I was wondering, What is there beyond a marathon?" he said. "You get to be out in the wilderness. … It's a real spiritual experience."

E pra quem acha que a volta a ilha esgota as inscrições cedo demais: "Check out the Way Too Cool 50K, a 31-mile trail run that serves as a popular portal into the ultra world. The race filled its 450-runner field in three days in 2002, three hours in 2003, 30 minutes in 2004, 15 minutes in 2005, 18 minutes in 2006, 7 minutes, 33 seconds in 2007 and 11 minutes, 18 seconds in 2008." 11 mintutos para esgotar as 450 vagas ! Vão ser maníacos assim lá nos...

Vale ler o artigo.

sábado, 10 de maio de 2008

A verdadeira volta da Lagoinha do Leste


Lagoinha do Leste, ela mesma. Palco de inúmeras aventuras, ultimamente tem servido para embelezar os treinos e as provas na ilha. Eis que fomos ao primeiro treino longo para o Desafrio.

Incialmente proposto como a volta do extremo sul, trocamos para a volta da lagoinha pelo tempo disponível e distância. Segundo o Hélio, teríamos que correr 3 horas, nem que fosse em volta do carro ao final. Deu certo, 3h8min.

Saímos dos açores e logo estávamos subindo a trilha tradicional do pântano do sul. Armei uma surpresa, pegaríamos a trilha da bolinha, a ponta da felicidade no costão sul da praia. Lá em cima pegamos a entradinha escondida à direita e lá fomos. O mato fechado do início ajuda a ocultar a beleza daquela trilha. Seguimos devagar mas rápido entramos na trilha batida, bem corrível. Abaixo o visual do sul, irmãs, garopaba, pinheira. Tudo limpo.


Continuamos correndo adoidados morro abaixo, o Thiago se empolgou na última subida e meteu lenha na descida. Descemos muito, passamos no descampado e entramos no mato outra vez, corremos bem no plano. Aí chegamos ao visual da bolinha. Muitas fotos. No cucuruto descansamos, gel e toca embora.



Seguimos a trilha certinha, entramos no costão, escalaminhamos um pouco e logo subimos pra trilha que passa acima dele. Passamos por umas beiradas e uns gravatás mas alinhamos na trilha certa. Perfeito. Porque não foi assim no paz na terra de 2005 ?! Navegador burro !

Na praia o sol estava perfeito, meio que oblíquo por sobre o morro. Visual ímpar e boas fotos. Pegamos água no início da trilha do matadeiro e fomos morro acima. Encontramos condores andinos verdadeiros, apesar de estarem ali a descansar ao nível do mar.


Tropecei um pouco mas engrenei. Seguimos turbinados até o matadeiro e armação. Aí meus calcanhares começaram a doer quando entramos no aslfato. Paramos na padaria, alonguei bem e continuamos pela rodovia até o pântano. Melhorou e mandamos ver até os açores.

Essa sim é a verdaderia volta da lagoinha, emenda as três principais trilhas de forma espetacular. O visual valeu tudo. Excelente treino e companhia. Quem não foi perdeu.

No google, 21 Km em 3h8min. Fotos e vídeos completos aqui.

domingo, 4 de maio de 2008

Treinos longos


Inicialmente eu me preocupava muito com a distância, mas comecei a dar mais ênfase na duração, principalmente em função dos treinos em trilha, onde a velocidade não vale muito. Parece que está certo.

Estes treinos tem como objetivo melhorar a resistência à fadiga, aumentar o número de mitocondrias nas fibras musculares (uau!) e também a capilaridade, que melhora o transporte de oxigênio e retirada de toxinas das pernas.

Acho que tão ou mais importante é também o psicológico, saber que consegue-se correr aquele tempo ou distância sem quebrar. Segundo a Runner's World, o longo pra maratona não deve passar de 32 Km ou 3 horas. O ponto é que acima disso a recuperação é demorada e compromete outros treinos. Os principais benefícios das corridas longas seriam:

* fortalecem o coração ;
* abrem os capilares, melhorando o sistema de irrigação sangüínea dos músculos ;
* fortalecem os músculos e ligamentos das pernas ;
* ensinam o organismo a utilizar mais gordura como combustível ;
* elevam autoconfiança.

O que eu prefiro é mais ou menos isto: neste tipo de treino o ritmo deve ser em torno de 30~45seg/km acima do normal e a FC deve ficar em até 80%, embora normalmente dê vontade de acelerar mais. Mas o objetivo é justamente passar mais tempo correndo ! Não é recomendado mais do que 4 longos consecutivos (só um por semana !). A hidratação e alimentação tem especial importância, pois o desgaste é grande e tem que ser reposto. Comer e beber durante o treino também é um aprendizado MUITO importante para provas longuíssimas...

Bom, vamos ver no que dá a planilha para o Desafrio 2008 !